quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Pergunta discreta

Já houve quem viesse dizer que a nova ministra da Saúde, Ana Jorge, vai compreender melhor aquilo que é o sector, por ser médica. Mas para compreender melhor aquilo que é o sector da Saúde em Portugal não seria melhor terem escolhido um doente?

15 olhares sobre o montado (X)


Pergunta discreta

Será que foi mesmo isto que aconteceu?

E depois admira-se…

Não vi o Sporting 3 (Romagnoli, Izmailov 2), Penafiel 1, para a Taça da Liga, onde o Sporting conseguiu a qualificação para a final. Estive até bem tarde a participar num debate organizado, imagine-se, pelo Instituto de Emprego. Pelas minhas responsabilidades profissionais, eu tinha de ir. Quando saí, o jogo já tinha começado e então o que fiz foi ouvir o relato a caminho de casa. Parece que as coisas estiveram calmas, tirando uns minutos a seguir a o Penafiel ter reduzido para dois a um. No rádio, em várias estações, deu para perceber pelo que diziam de Purovic (titular no ataque, coisa que não se percebe, nem se perceberia se fosse no ataque do Penafiel) que este andou no seu habitual passeio de mediocridade. Não consigo encontrar uma explicação para Paulo Bento o colocar a jogar, mesmo com a atenuante de ter vários avançados lesionados. Um júnior qualquer ou um defesa dos suplentes (nem que fosse o Paulo Renato) de certeza que não levaria a vergonha tão longe. Ou então podia-se ter aproveitado para ver o que joga o Tiuí. Mas não, Paulo Bento preferiu o jogador indigente, além de ter insistido em fazer entrar Farnerud, quase como se quisesse provocar os adeptos. E depois admira-se com os assobios que se ouvem nas bancadas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

É o que dá uma pessoa afastar-se

Um dia afastado do blog e de tudo o resto e José Sócrates, assim sem mais nem menos, remodela o governo. Cultura e educação… A troca da ministra da Cultura, mesmo tratando-se de certa forma da minha área, tanto se me dá, até com a troca a ter sido por um advogado. Já a de Correia de Campos – como escrevi aqui há uns dias, uma pessoa absolutamente execrável – só pode ser vista com bons olhos; quanto à nova ministra, Ana Jorge, tive alguns contactos profissionais com ela em finais da década de 90 e a ideia com que fiquei é de se trata de uma pessoa serena e conhecedora da área – vamos a ver o que faz, num sector que apesar dos rankings que por vezes se mostram (Portugal no décimo segundo lugar em termos mundiais ao nível dos serviços de saúde, por exemplo) só nos pode deixar envergonhados (Correia de Campos ria-se, mas isso não era de admirar, pelos comportamentos que se lhe conhecem desde há muitos anos).

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

15 olhares sobre o montado (IX)


«Por qué no te callas?»

Já falei disto e volto agora a falar. É mesmo de acompanhar, no blog «Corta-fitas», a série «Por qué no te callas?», protagonizada por José Sócrates. Da autoria de Pedro Correia.

Pergunta discreta

Quantos nomes de corruptos, inclusive do próprio Estado, gostaria António Marinho Pinto, o bastonário da Ordem dos Advogados, de poder dizer?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Os esgotos atirados para a ribeira

É inacreditável, mas em pleno século XXI, na minha terra, em Monchique, onde o presidente da câmara chegou este mês aos 25 anos no cargo, os esgotos são atirados directamente para a ribeira. Ver aqui e aqui, por exemplo. É todo um bairro social e mais uma série de habitações das proximidades que estão nesta situação. O presidente da câmara, que há anos e anos é confrontado com a situação, diz que não há problema nenhum, e eu até admito que na cabeça dele não haja mesmo problema nenhum, pois pode muito bem considerar que uma situação assim é absolutamente normal (nele já pouca coisa me espanta). As notícias foram feitas a partir de um trabalho da Lusa, para o qual o presidente da câmara não quis prestar declarações (eu gostava que o jornalista tivesse publicado a resposta que o presidente da câmara lhe deu ao recusar prestar declarações).

Vamos esquecer os gestores

Vamos esquecer por agora os gestores (?) que temos no Sporting, da mesma forma que Paulo Bento desta vez se esqueceu daquele rapaz com nome começado por pê e acabado em «ic» que tem a particularidade de não ter nascido para futebolista. Gostei de ver o Sporting 2 (Vukcevic e Izmailov), Porto 0, gostei muito, mesmo muito. Eu nem estava nervoso, como nos jogos de Alvalade com o Porto a contar para os dois campeonatos anteriores. O ano passado, por exemplo, a primeira parte deu a ideia de que nunca nos últimos anos tinha havido uma oportunidade tão boa para ganhar ao Porto, mas na segunda parte a falta de jeito de Ricardo e a falta de aplicação crónica de Caneira redundaram no empate, conseguido por Quaresma. E eu estava nervoso, porque aquilo era a sério. Este ano não, com catorze pontos de diferença estava tranquilo. Tinha até a ideia de que íamos ganhar, ou por dois ou então por três a zero. Não sabia era como. Mas o facto de o Sporting apresentar onze jogadores ajudou. O porto dominou – nas contas da televisão até teve 61 por cento de posse de bola, e falhou golos e teve uns lances de azar. Mas o Sporting ganhou por dois a zero. E lutou. E até o Polga, que luta sempre, desta vez mostrou calma e algum jeito com a bola. E o Farnerud (desporto recomendado, badminton), que entrou na segunda parte com o cabelo todo esquisito, não causou problemas. Quanto ao futuro, não sei… Mas estou tranquilo; se com catorze pontos de diferença estava, com onze também não há razões para não estar (talvez se chegarmos aos três ou aos quatro pontos de diferença eu fique nervoso, mas por agora não). Quanto aos gestores (?), repito, vamos esquecê-los neste tempo de vitória.
Imagem: site oficial do Sporting

sábado, 26 de janeiro de 2008

15 olhares sobre o montado (VIII)


Corrupção

Não é o filme inspirado naquele famoso livro, é isto. Grande novidade!... Mas no fim quem vai ficar mal é o bastonário da Ordem dos Advogados, mal ou pelo menos a falar sozinho; o bastonário que tanta gente já anda a queimar, como seria de esperar. Por mais que o procurador e aquelas comissões da Assembleia da República que agora estão na moda apareçam a promover inquéritos e audições, não vai dar em nada. Eu, da experiência que tenho em denunciar práticas de corrupção no Estado, não auguro bons resultados. As entidades a quem se recorre para denunciar situações fora-da-lei desculpam-se sempre com falta de meios, com fins de legislaturas («agora há que pensar no futuro, por isso o melhor é arquivar») ou então com uma coisa esquisita que se traduz na frase «é conveniente não mexer no caso». Mas a melhor que me aconteceu foi quando uma das entidades a que recorri confrontou mesmo o fora-da-lei, não sei se por milagre. Fê-lo por carta, exigindo que fosse posta em prática a solução para que as ilegalidades acabassem. A carta foi lida numa reunião onde eu estive presente. O fora-da-lei a certa altura pegou na carta e antes de enfiá-la no meio de um dossier de papelada disse para quem quis ouvir: «Cá não há disso!» Voltei a denunciar tudo, mas a situação continuou. Acho que ainda continua. Se fosse hoje, não tinha perdido o meu tempo com o assunto. Tribunais de contas, inspecções-gerais, direcções de combate nem me lembro já a quê… Infelizmente, pelo andar da carruagem, não me parece que sirvam para grande coisa no nosso país.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Uma distracção

Rui Costa a dar a cara por um site de apostas desportivas que inclui futebol e, pior, o campeonato português, onde ele participa. Deve ter sido uma distracção. Ao que parece o jogador acabou por mandar retirar a publicidade, provavelmente porque terá sido alertado para as implicações da situação, mas o que é certo é que a imagem dele continua no site.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

15 olhares sobre o montado (VII)


Frases mal ditas - 10

Já há muito tempo que não punha aqui frases das mal ditas. Regresso com uma que ouvi ontem, tão mal dita que chega a tocar a asneira.

«Purovic é um jogador tipo Jardel.»
António Tadeia, comentador desportivo, 23.01.08

Fernando Sobral

Fernando Sobral entrou para a equipa do «Corta-fitas». Grande contratação deste blog, a de uma das pessoas mais interessantes a escrever na imprensa portuguesa. Nunca lhe disse, mas sempre tive um bocado de inveja das crónicas dele.

A perseverança

É o que dá ser perseverante. Há uns quatro anos mudei a morada de Lisboa para o Alentejo na Caixa Geral de Depósitos, onde ainda mantenho uma conta. Preenchi papéis ao balcão, telefonei, fui lá falar… Sei lá o que fiz mais!... Há cerca de um mês disse para comigo que dessa altura não passava e fui ao balcão da zona onde moro pedir para falar com o gerente; isto depois de ter telefonado e de um funcionário me ter dito que não me conhecia «de lado nenhum» e que por isso não podia resolver nada ao telefone. Ao contrário do que esperava, o gerente recebeu-me e acabou por meter um funcionário a tratar da situação, inclusive com telefonemas para Lisboa. Hoje, finalmente, recebi pela primeira vez uma carta na morada que tinha ido comunicar há quatro anos. Já nem me lembrava de como é que eram as cartas da Caixa Geral de Depósitos. Vamos a ver se o BCP agora não é contagiado.

O homem que queria ser consertador de redes

Uma vitória tranquila, pelo resultado, mas quase com setenta minutos de intranquilidade, até ao primeiro golo. O Sporting 3 (Liedson, Vukcevic 2) - Beira-Mar 0, para a Taça da Liga, parece que misturado com os quatro a zero ao Lagoa da Taça de Portugal está a deixar Paulo Bento optimista (a julgar pelas declarações). Receio que não seja caso para tanto, bastando para isso pensar no nível dos dois adversários. Fica-me uma imagem do jogo… Aos dez minutos, depois de um remate ao lado de Vukcevic, a rede da baliza do Beira-Mar rompeu-se. Purovic, que até tinha conseguido fazer o passe para o colega, foi-se logo meter a arranjá-la. Quando vi aquilo, pensei que estava ali o futuro deste avançado (?) que um dos gestores (?) do Sporting nalgum momento de desvario (ou de humor, nem sei) foi desencantar. Consertar redes de balizas, poderia ser a vocação de Purovic, que desde que chegou se percebeu não ter nascido para o futebol. Mas nem isso. O árbitro não aceitou o conserto de Purovic e o jogo esteve interrompido alguns minutos para que um funcionário aparentemente mais preparado resolvesse o problema. O jogo recomeçou a seguir, com Purovic de novo a tentar sem resultados ser jogador de futebol e o Sporting a jogar com dez.

15 olhares sobre o montado (VI)


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Os gestores divertem-se

Os gestores, claro, os gestores (?) do Sporting. Divertem-se a fazer coisas destas, mas gerir o clube é que não é com eles.
(clicar na imagem para aumentar)

Os meus diálogos - 8

(do romance «O que Entra nos Livros», 2007)

(…)
– Bom, nada de especial. Apenas isso da entrevista e do texto sobre o livro. Sabe que o escritor Ondjaki até pode vir cá?
– Sim?!
– Estou a ver se é possível. Eu vi-o ali em Montemor…
– Viu-o em Montemor?! – estranhei.
– Exactamente! Ele estava num debate sobre viagens, com muita gente – explicou o senhor Sapinho Júnior.
– Eu assisti a esse debate – disse-lhe, enquanto tentava recordar-me do público, na esperança de chegar à imagem de alguma pessoa que correspondesse ao livreiro.
(…)

O pequeno ciclista


Pergunta discreta

Não teria sido melhor se a ASAE tivesse iniciado os seus raides pelos serviços públicos portugueses, em vez de ter começado pelos estabelecimentos privados?

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Sem comentários

A Saúde portuguesa continua a matar.

15 olhares sobre o montado (V)




Boa ideia

Boa ideia a de Pedro Correia no blog «Corta-fitas» com a série «Por qué no te callas?», protagonizada por José Sócrates. Quer dizer, ainda só vi dois posts, pode não ser uma série, mas pelo que se conhece de Sócrates de certeza que vai dar para fazer mesmo uma série, e bem longa.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Um pequeno poema para o futebol

Eu faço os meus prognósticos
nos intervalos dos jogos.

Poema, sem título, de Daniel Maia-Pinto Rodrigues (na foto de Luís Tobias), incluído no livro
«Malva 62» (Quasi Edições, 2005).

Os meus diálogos - 7

(do romance «Os Sonhos e Outra Perigosas Embirrações», 2000)

(…)
O Perdido da Arrojela é um fantasma bem nutrido, ou melhor, dizem que é um fantasma. Nunca ninguém o pesou, mas deve ter para cima de oito ou nove arrobas, ou talvez umas dez.
- Há porcos com dez arrobas e até com mais, porcos grandes e gordos como um monte. Há porcos que até partem as pernas com a gordura que têm em cima. Quem faz tenções de engordar um porquinho, vai-lhe dando ração abundante e um dia por outro faz-lhe umas festinhas nas fuças. Tudo para ver se o põe a jeito de dar alimentação para um ano inteiro.
- Foi vossemecê que estudou para engenheiro de porcos, não foi?!
- Fui sim, senhor. Sou o engenheiro de porcos cá do concelho.
- E estudou onde, em Inglaterra?!
- Não, tirei o curso na Rússia, porque o meu pai era filiado no partido.
- Comunista?!
- Exactamente.
- E como é que se diz porco em russo?
- Disso já não me lembro. Mas também o que é que o amigo ia fazer só com uma palavra, ainda por cima tratando-se de um animal...
- Vossemecê está a chamar-me animal?!
- Não, de forma nenhuma! Eu estava a dizer que se trata, o porco, entenda-me o senhor, que se trata de um animal de fracas conotações em certos círculos de importância não desdenhável.
- Ah, sim. Mas eu depois havia de aprender outras palavras, com o tempo.
Quem também conta histórias de porcos, como não podia deixar de ser, é o Raposo do Besteiro.
- Certa vez, contou ele já há muito tempo, possuiu uma porca ...
- Possuiu uma porca?! Olha o grande tarado!!
- Certa vez, teve uma porca ...
- Teve uma porca?!
- Bem, ele era dono da porca, e então ...
- Ah, assim estava no seu pleno direito.
- Cala-se e ouça, amigo!
O Raposo do Besteiro era dono da porca. Tinha-a comprado no mercado de Monchique, e ela criou dezoito porquinhos, todos do mesmo tamanho, mas uns mais vivaços do que outros.
- Pois, isso é sempre assim.
- Escute lá, vossemecê estudou na Rússia?
- Eu não, fiz a quarta classe aqui em Foz de Zimbrais, depois o ciclo em Monchique e o liceu em Portimão. Só que a seguir não consegui entrar na faculdade.
- Então, se não estudou na Rússia, não dê palpites sobre este assunto! Limite-se a ouvir! Uma águia, um dia, quis-lhe roubar um porquinho ...
- A mim?!
- Porra! A águia quis roubar um porquinho à porca do Raposo do Besteiro.
- Ao porco do raposo do Besteiro, quer vossemecê dizer?! Àquele grande porco?!
- Isto é preciso uma paciência! O senhor não me diga que também é contabilista, ou deputado?!
- Olhe, por acaso, até já fui, na constituinte.
- Pois, tinha de ser.
- Fui deputado...
- Obviamente!
- Mas também fazia certas contabilidades.
(…)

O bom, o mau e o vilão

Descubra quem são no blog «0 de Conduta», aqui, aqui e aqui.

15 olhares sobre o montado (IV)


Os livros por cá

Uma excelente reflexão de Pedro Rolo Duarte sobre o que vai acontecendo no mundo português dos livros. Aqui.

Escritores no meu romance (37)

Charles Bukowski, Estados Unidos
A mão do mágico velhinho saltou para o coldre. Soou um tiro no crepúsculo. Orvalho de Mel baixou o riffle fumegante e voltou a entrar na carroça. O Kid estava estendido no chão, morto, com um buraco na testa. O mágico velhinho voltou a meter a arma no coldre e dirigiu-se para a carrroça.
(excerto de «O que Entra nos Livros», página 77)

Pareceres, estudos e corrupção

«Os governantes começam por ser eleitos pelo voto dos cidadãos em eleições suportadas financeiramente por estes, posteriormente os mesmos cidadãos enquanto contribuintes pagam os estudos e pareceres que sustentam a decisão política dos ditos governantes, para finalmente estes, através do ‘abuso de poder’, do ‘compadrio’ e do ‘tráfico de influências’ transferirem, por via desse mercado, dinheiros públicos para a órbita dos privados, sem qualquer poder de escrutínio por parte dos cidadãos-contribuintes.» Escreve o meu amigo Carlos Antunes, aqui.

domingo, 20 de janeiro de 2008

15 olhares sobre o montado (III)


Pergunta discreta

Com o que tem acontecido nos últimos tempos no sistema financeiro português, não será de perguntar se há alguma coisa que distinga o ineficiente Banco de Portugal da generalidade da nossa administração pública?

Um restaurante do Alentejo

Já nem me lembrava de ter escrito este texto. Lembrei-me ontem à tarde, ao passar de carro pela rua onde fica o restaurante. No Escoural. O texto saiu em meados de 2005 na revista «Pessoal», que dirijo; há duas pessoas que normalmente fazem os textos sobre restaurantes, mas eu já fiz alguns. Este é um deles, actualizado agora no primeiro parágrafo (em vez de 11 anos, como escrevi em 2005, o restaurante vai já a caminho dos 14) e no segundo (a idade passa de 49 para 51); e retirei da nota final a referência ao preço médio de 2005 (entre 10 e 25 euros).

Restaurante «Manuel Azinheirinha»
Feito pelos amigos
Qual lagrimazinha,
Se não estamos aqui
para choradeiras!...

Saindo de Montemor-o-Novo em direcção a Alcáçovas, encontra-se poucos quilómetros adiante Santiago do Escoural. Bem na rua principal, de pavimento novo depois de obras que chegaram a parecer intermináveis, do lado esquerdo, um verdadeiro lugar de culto, «para os amigos». Já vai em quase 14 anos esse lugar, é o restaurante típico «Manuel Azinheirinha». É fácil dar com o letreiro, até porque se se for de carro naquela rua a velocidade tem de ser reduzida, e no caso de se passar a pé, então ainda mais fácil se torna.
Manuel Azinheirinha – neste caso o anfitrião, não o próprio restaurante – está desde os onze anos ligado à restauração, ele que vai nos 51. Por detrás do balcão do bar, diz que os clientes é que têm feito o restaurante, «os amigos», como faz questão de reforçar, «eles têm acreditado». São «amigos» de Lisboa, do Norte, de tantos sítios… Só assim foi possível continuar o percurso iniciado em 12 de Fevereiro de 1994), numa terra que não chega aos dois mil habitantes.
Manuel Azinheirinha tem um sector por sua conta, o do bar e do restaurante. O resto, ou seja, o sector da cozinha, está a cargo da mulher, Maria Rosa, que antes «fazia tapetes de Arraiolos e era modista de senhora». Azinheirinha diz que lhe transmitiu algumas coisas, e que em matéria de cozinha «só prova». Mas sabe fazer tudo.
E tudo, afinal, o que é?
Bom, comecemos pelas entradas, apenas algumas de um total de 25 que Azinheirinha exibe orgulhosamente: cogumelos assados com presunto, salada de orelha, peitinho de borrego assado, farinheira assada, frigideirinha de mãozinha de vitela (ou de cabeça de porco), salada de favas com chouriço, salada de grão com bacalhau, salada de polvo, salada de ovas, queijo assado, queijo de Serpa, xara, paio da região…
Depois, os pratos, nomeadamente caça, embora a coisa não se fique por aí, longe disso (lebre de cabidela, perdiz estufada, pomba à Dona Rosa, javali estufado com puré de maçã, perdiz com couve lombarda – neste último caso só por encomenda). As lebres chegam maioritariamente de Espanha, o resto é nacional, incluindo os javalis, das montarias que periodicamente se fazem na zona.
Saindo da caça: sopa de peixe (sempre apenas um tipo de peixe em cada sopa), sopa de cação, pezinhos de coentrada, ensopado de borrego, migas à alentejana, borrego assado, tudo receitas da região. O peixe chega de Setúbal ou de Sesimbra, legumes e carnes das zonas de Montemor e Évora.
E os doces, sobretudo conventuais: morgado, encharcada, mel e noz, manjar de príncipe ou sericaia.
Finalmente, os vinhos da garrafeira de Manuel Azinheirinha – aqui é que se nota particularmente o seu orgulho –, sobretudo alentejanos (Convento de Tomina, Paço do Conde, Cartuxa ou Montes Claros, por exemplo). Douro, verdes ou brancos, nem por isso, até porque «os clientes pedem pouco».
E uma história, a que serve para o mote da abertura, passada com um cliente (um «amigo») «de uma certa idade», como refere Azinheirinha, que o conhece desde há muito. Azinheirinha diz que depois das refeições oferece sempre uma bebida… E então disse a esse «amigo»: «senhor engenheiro, vai mais uma lagrimazinha?». Ele respondeu-lhe: «serve-me lá mas é uma dose, que eu não estou aqui para choradeiras!»
Restaurante Típico «Manuel Azinheirinha», Rua Dr. Magalhães de Lima, 81, 7050-556 Santiago do Escoural, Tel. 266 857 504, Fecha à Segunda-feira ao jantar e à Terça-feira todo o dia.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Os meus diálogos – 6

(do livro de contos «O Velho que Esperava por D. Sebastião», 1996/ conto «À Espera de Brenda McFlain»)

(…)
- É uma cerveja para lavar as goelas!! - gritou Joe Horsy, ao sentar-se numa mesa de um dos cantos.
O barman apressou-se a cumprir a ordem.
- E manda preparar aí um bife do tamanho de um cavalo! - continuou o pistoleiro. - Com um disparate de batatas fritas em cima!
Na cozinha ouviram-no bem, tanto que o
barman nem precisou de fazer o pedido.
- E rápido!! - voltou Joe Horsy a gritar. - Estou com uma fome que até era capaz de engolir umas três vacas!
- Sim, senhor - disse o
barman.
- E já agora, por falar em vacas, aquela puta da Brenda McFlain, chega quando?!
- Hoje - respondeu o
barman, enquanto voltava com a cerveja. - Chega hoje na diligência, se o Revel Bill apertar com os cavalos.
(…)
Imagem: «Western Saloon» (Lee Dubin)

Um pouco de descanso

Sporting 4 (João Moutinho, Abel, Liedson e Gladstone), Lagoa 0, para a Taça de Portugal. Um pouco de descanso nos problemas. Para mim, o jogo até tinha mais significado por isto.

15 olhares sobre o montado (II)


Um jogo especial

O Sporting recebe hoje, para a Taça de Portugal, o Lagoa. É um jogo especial para mim, por ser a visita de uma pequena equipa de perto da minha terra ao estádio do meu clube, mas principalmente por representar o regresso aos grandes jogos daquele que nos anos oitenta eu considerava como o melhor guarda-redes português, Mendes, que depois de se transferir do Espinho fez carreira no Portimonense (a foto é desse tempo). É o treinador do Lagoa, e agora é conhecido por Joaquim Mendes; tem a acompanhá-lo na equipa técnica outro antigo jogador do Portimonense daqueles tempos, Balacó, um defesa central baixo e forte que talvez tenha sido o mais incansável lutador que eu vi naquela posição (também chegou ao Portimonense saído do Espinho).
Naqueles tempos, eu fazia de cabeça a minha selecção portuguesa. Sem grandes preocupações em arrumar os jogadores com alguma táctica. Nos quatro defesas ainda havia lógica (João Pinto, Humberto Coelho, Venâncio e Inácio), mas depois, no meio-campo (Carlos Manuel, Oliveira e Chalana) e no ataque (Nené, Jordão e Gomes), era quase como juntar dois grupos com aqueles que como médios e como avançados me pareciam os melhores. E depois, o guarda-redes; eu não tinha dúvidas, era o Mendes, do Portimonense, baixo mas muito ágil, capaz de fazer as defesas mais inesperadas. Na selecção, sobretudo na primeira metade da década de oitenta, jogava o Bento, sempre indiscutível até à lesão no Mundial do México, e o Damas era o suplente. Houve também umas tentativas de meter dois guarda-redes do Porto (um que para a época era um gigante – Amaral – e o estranhíssimo Zé Beto, que depois morreria num acidente de automóvel), mas quando chegava a hora da verdade (convocar um terceiro guarda-redes, como aconteceu no Europeu de 1984 e no Mundial de 1986) a solução era sempre o guarda-redes do Belenenses Jorge Martins, um guarda-redes alto e forte que dava a ideia de não se conseguir mexer na baliza mas que depois fazia defesas incríveis.
Quanto ao Mendes do Portimonense, lembro-me particularmente de um jogo em que fez defesas absolutamente extraordinárias. Ele e o guarda-redes contrário, que depois haveria de chegar também ao Portimonense para os dois alternarem na baliza (Vital, que como Mendes era baixo). Mendes ainda jogava no Espinho (primeira divisão) e Vital no Lusitano de Évora (segunda divisão). O jogo era para a Taça de Portugal, em Évora, e acabou empatado a três golos, tendo de ser disputado um segundo jogo em Espinho, do qual não me lembro o resultado (mas deve ter ganho o Espinho). A televisão mostrou um resumo alargado; apesar de sofrerem três golos cada um, os guarda-redes fizeram exibições extraordinárias, tal como as equipas, tanto que no dia seguinte apareceu um título num dos jornais desportivos («Gazeta dos Desportos») de que nunca mais me esqueci: «Não podem passar os dois?»

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A hiena

Nunca pensei que as coisas chegassem a este ponto em Portugal. Claro que sei que a política se tornou abrigo da incompetência e, pior do que isso, da pura maldade, mas mesmo assim eu tinha a sensação de que existiam limites. Acho que me enganei. Em dois dias morreram dois bebés sem que houvesse condições para lhes prestar com dignidade a assistência que em 2008 seria previsível que se prestasse num país da União Europeia. Perto da hora do almoço, vi o ministro da Saúde – uma pessoa absolutamente detestável – a furtar-se a prestar declarações sobre as tropelias das suas decisões no sistema português de saúde. Dizia que era com a ARS, presumo que as administrações regionais de saúde de cada um dos sítios onde morreram os bebés, um na rampa de acesso a um hospital e outro numa ambulância creio que apenas com a mãe e o motorista. António Correia de Campos, o ministro, falava da ARS, e ria-se, como se a morte de dois bebés nestas circunstâncias (fosse em que circunstâncias fosse) pudesse despertar num ser humano, imagine-se, o riso. Os jornalistas devem ter ficado em parvos. O ministro ria. E depois, do estúdio, meteram o presidente de uma ARS – sem rir – a dizer que agora o que era preciso era fazer uma auditoria.
Pensei nisto esta tarde. Lembro-me de ir no carro e de pensar que não podia ser, que isto não estava a acontecer no meu país. Mas não, infelizmente era verdade. E à noite, num dos noticiários, lá repetiram o ministro, a rir, sempre a rir, discretamente, que talvez pensasse que mais do que isso podia parecer, sei lá, podia parecer demais. Mas depois ainda mostraram outra coisa, que eu não tinha visto antes. Correia de Campos parecia ter um bornal inesgotável para a indecência. Disse a um jornalista algo como isto: «senhor jornalista, se as suas avozinhas… ou antes, se as suas bisavozinhas não tivessem morrido ainda estariam vivas». Depois de dizer «avozinhas» hesitou, deve ter feito contas rapidamente, deve ter pensado qualquer coisa como «espera aí, este tipo, pela idade, ainda deve ter as avós vivas, é melhor dizer bisavós que essas já devem ter mesmo morrido». E então completou a piada de mau gosto metendo «bisavozinhas» em vez de «avozinhas». Depois disto, de tudo isto, talvez seja de acreditar em tudo no que diz respeito ao ministro. Sobretudo que não há mesmo limites para a indecência.

15 olhares sobre o montado (I)


quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Pergunta discreta

Carlos Freitas no Minho… Será que o Braga não precisa também de um presidente? (com disponibilidade total diária de uma hora)

Sócrates e Barroso, uma semelhança

Os debates parlamentares têm mostrado uma semelhança entre José Sócrates e Durão Barroso no cargo de primeiro-ministro. Não falo daquilo de não cumprir promessas (como por exemplo Sócrates tem sido acusado, chegando mesmo um deputado comunista a dizer que se ele fosse rei e tivesse um cognome seria «José Sócrates, o quebra-promessas»; Sócrates que há uns anos escreveu um longo artigo num jornal, sobre Durão Barroso, e escolheu para título, imagine-se, «O apagador de promessas»). Mas não é de promessas, ou antes, de faltar ao prometido, que vem a semelhança. É de outra coisa, da relação com os deputados do Partido «Os Verdes», eleitos nas listas do Partido Comunista. Durão Barroso desconsiderava-os completamente, lembrando em cada intervenção de resposta a algum deles que a sua (deles) presença no parlamento era algo muito duvidoso, pela forma como a eleição teria sido conseguida. Sócrates, agora, também desconsidera os deputados verdes, mas de outra maneira; enquanto em intervenções de resposta a deputados de outros partidos começa com «senhor presidente, senhores deputados, senhor deputado fulano», quando se trata de um deputado verde limita-se a «senhor presidente, senhores deputados», e depois faz a intervenção (ignorando a interpelação anterior). Na volta é uma coincidência. Mas Barroso, se assistir na televisão, talvez acabe por também dizer «porreiro, pá» de cada vez que Sócrates ignorar um verde.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Inacreditável

Inacreditável a forma como o director desportivo do Belenenses, Carlos Janela, saiu ontem do clube. Depois de um despedimento ao que parece sumário, foi abandonado à sua sorte e, como seria fácil de prever, agredido por alguns dos adeptos que se manifestavam pelas redondezas. Independentemente de ter ou não falhado no seu trabalho, o que teria passado pela cabeça dos responsáveis do clube para o terem feito sair assim das instalações?

Escritores no meu romance (36)

Rui Zink, Portugal
Entrou e depois de ter passado pela recepção começou a averiguar a ordenação das coisas até descobrir o sector de literatura portuguesa. Aproximou-se e foi seguindo as letras nas prateleiras. Ficou meio torto para conseguir ler perto da letra V, numa prateleira quase a tocar o chão. Procurava o meu apelido. Nessa zona deu com pouca coisa. Não havia muitos autores ali com apelido começado por V, e depois nem X nem Y havia, e no Z apenas uma quantidade de livros de um autor que conhecia sobretudo de ver em programas de televisão alguns anos antes: Rui Zink.
(excerto de «O que Entra nos Livros», página 119)

Pergunta discreta

Nisto do BCP, quem é que vai investigar a actuação do Banco de Portugal e do governador Vítor Constâncio?

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O aparecimento do mágico velhinho

Um excerto do meu romance «O Medo Longe de Ti» (edição Temas e Debates, 2003); o aparecimento do mágico velhinho, o causador de boa parte dos muitos problemas que acontecem no meu romance «O que Entra nos Livros» (edição AMBAR, 2007).

(…) Subi a uma das árvores, com todas as certezas de estar bem por baixo da estrela pequenina, mas com medo de me ter enganado no mapa da minha imaginação. Subi como um macaco, de novo criança, eu, que sempre tinha andado em cima das árvores com a mesma segurança com que andava no chão. Nunca tinha percebido como era possível, não o meu equilíbrio nos ramos, mas a falta de equilíbrio de colegas do liceu. Como eles se espantavam com o meu equilíbrio, sempre que era preciso ir buscar a bola ao cimo das árvores que rodeavam o campo de jogos... Eu andava nos ramos como no chão, e nos ramos era tão feliz como nos campos onde caçava grilos. Lembrei-me disso a subir à árvore alta da floresta das regras, para apanhar o beijo da estrela pequenina. Lembrei-me de tudo isso, eu, pequenino, nos ramos das árvores, nos ramos dos limoeiros, sem ligar aos espinhos que rasgavam a pele ao menor descuido. Ouvia os adultos queixarem-se deles, o meu pai, sempre que era preciso apanhar limões. Já comigo isso não acontecia, porque eu ignorava a dor de cada ferida e fechava os olhos sempre que encarava um espinho, como se fosse um instinto ganho à nascença. E nos sobreiros, na época de tirar a cortiça, eu sem ligar às formigas pequeninas, que picavam que nem feras, ou melhor, mordiam que nem feras, davam dentadas pequeninas, como elas, dentadas que doíam mesmo, e andavam sempre às centenas, aos milhares, num carreiro interminável.
Não, em cima das árvores eu sempre tinha sido como um macaquinho saltitão capaz de se segurar bem, e por isso estava a subir tão desembaraçadamente que nem mesmo as martas e os esquilos, mal acordados, estremunhados, de olhares parvos, nem mesmo eles pareciam acreditar ser possível. Teria o município contratado um humano como animal da floresta? E tencionaria contratar mais? Isto pareciam eles perguntar, com medo de perderem os lugares, os abrigos para se recolherem e a comida a horas certas, e a hipótese de posarem para as máquinas de fotografar e de filmar dos turistas. Pareciam com medo, mas eu não me compadecia, também estava cheio de medo, o comboio-ladrão tinha-te levado de mim e algo me dizia que não ias voltar. Ele tinha aumentado a velocidade, o comboio-ladrão, de repente tinha aumentado a velocidade, e depois eu tinha chocado com a mastodonta maluca, eu a descer a colina dos destroços, aos trambolhões, e ela a subir, toda com os calores, mesmo na noite fria.
Quando cheguei ao cimo da árvore, aos últimos ramos, que mal suportavam o meu peso, a estrela do teu último beijo, a estrela pequenina... Caramba... Percebi que ela continuava longe, percebi que estava iludido. Mesmo assim, não me resignei, olhei-a fixamente, apelei a todas as minhas forças, equilibrei-me nos ramos que quase não me conseguiam suportar e tentei apanhar o teu beijo. Chamei os mágicos, que andavam à solta, como todos os outros maus, com excepção, talvez, do terrível Joe Dangerous, ligado a El Paso nem eu sabia por que cordão umbilical. Mas os mágicos não apareceram, deixaram-se estar na fábrica, tirando um, um velhinho de bengala e com uma cartola já comida pelo tempo
(…)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Os segredos de José Mourinho

Fiz aqui referência a um trabalho sobre os segredos de José Mourinho, publicado na revista «Pessoal» deste mês. O trabalho é de Luís Bento, um consultor de gestão que parte de uma pergunta: «O que é que, de facto, torna José Mourinho um treinador de futebol de eleição?» Ele próprio responde, com a enumeração daquilo que considera serem as «características únicas» de um homem que nos últimos anos se tornou numa das figuras mais mediáticas do mundo. São 14 características, ou melhor, 14 segredos que têm vindo a fazer o sucesso daquele a quem chamam «special one» porque um dia, chegado a Inglaterra, não teve problemas em dizer, num inglês com sotaque luso, «I believe that I am special!», provando isso mesmo depois com resultados absolutamente extraordinários. Deixo a seguir as 14 características definidas por Luís Bento.
a) É um treinador que, no início da época, entrega aos jogadores um DVD com toda a informação sobre o respectivo papel individual e colectivo, a metodologia de treino que têm de seguir, os papéis que têm que desempenhar na equipa, o que a equipa e o treinador esperam do jogador, bem como uma análise global dos objectivos específicos que o jogador tem que atingir para justificar ser uma opção para o treinador. Informa os jogadores do contexto específico em que vão realizar o seu trabalho.
b) Informa-se detalhadamente sobre cada jogador das equipas adversárias, as suas características físicas e técnicas, estatísticas de produtividade, experiência, estrutura emocional. Transforma dados em informação e informação em inteligência futebolística (IF).
c) Define com rigor os papéis de cada elemento da equipa técnica e do departamento de futebol; recebem uma
job description
detalhada, contendo e definindo todas as responsabilidades individuais e todas as interacções que cada um deve estabelecer no quadro da equipa. Define os papéis de cada um.
d) Optimiza todos os factores do treino e do jogo. Não deixa qualquer probabilidade ao acaso. As suas decisões sobre o treino e sobre o jogo reflectem imensas horas de estudo prévio. Prepara alternativas para todos os imprevistos que possam ocorrer, mesmo aqueles que nunca podem acontecer (mas que acontecem). Preparação estratégica de acordo com a metodologia prospectiva (teoria dos cenários).
e) Apesar dos aspectos científicos, vê o futebol e o jogo em particular como um choque de emoções. Revela uma inteligência emocional acima da média e usa-a para despertar emoções nos seus jogadores e nas equipas adversárias. Não cedeu à visão matemática do jogo. São seres emocionais que são geridos de forma emocional. Dramatiza as situações como ninguém.
f) Durante o jogo, vê o essencial, ou seja, se a estratégia que preparou está a ter o efeito previsível sobre o adversário. Controla o efeito estratégico.
g) Os pequenos detalhes durante o jogo são todos preparados de antemão. Nada acontece por acaso. Ao contrário do que se diz, Mourinho não é teimoso, pois se verifica que as coisas não estão a funcionar como planeado avança com o «plano B» ou com o «plano C». Demonstra coragem no momento de escolher opções.
h) Dialoga permanentemente com os jogadores, mais a nível individual do que colectivo. Assim que detecta quais os pontos fortes do jogador, explora-os na sua plenitude e não se preocupa com os eventuais pontos fracos. Usa o potencial de cada um.
i) Não admite faltas de responsabilização por parte dos jogadores. Se um jogador se desrespeita a si próprio, não cumprindo os objectivos a que se propôs, e dessa forma prejudica a equipa, chama-o à atenção em frente dos colegas. Trabalha em equipa e como equipa.
j) Não tem apenas um curso de treinador e uma licenciatura. Durante cerca de 10 anos adquiriu competências em todos os domínios, ou seja, aprendeu a saber-fazer. E fê-lo, com humildade, ao pé dos mestres.
l) Preparou devidamente toda a sua ascensão ao topo, e quando lá chegou já conhecia as estratégias de comunicação que deveria desenvolver. Mas fê-lo com um cunho pessoal, não copiou ninguém. Revelou identidade.
m) E porque vivemos no mundo do simbólico, soube usar isso em seu favor como ninguém. Criou uma imagem distintiva e trabalha para a manter. Demonstra o que acha que deve demonstrar e não deixa de ser quem é. Apesar da exposição, preserva a sua intimidade e a sua vida familiar.
n) E enquanto muitos procuram imitá-lo, ele já está a pensar como pode optimizar o seu próprio rendimento e o rendimento dos que o rodeiam.
o) Usa a estrutura organizativa como factor de enquadramento e de responsabilização humana. O modelo organizativo não existe por si mesmo. Tem uma função específica de superação das fragilidades humanas.

***
Luís Bento refere ainda... Os segredos de José Mourinho não têm a ver com conhecer estas dimensões da gestão de pessoas e recursos, muito embora sejam raros os treinadores de futebol que as sabem entender. Os segredos de José Mourinho têm a ver com optimizar cada dimensão da gestão de uma forma integrada e sem vacilações, fazendo-o com a profunda convicção de quem sabe que trabalhou muito e que nada deixou ao acaso. Não se admire o leitor se, num qualquer livro de gestão, encontrar por aí estas recomendações para quem está ao leme de uma empresa, pois na verdade o futebol é a verdadeira essência do significado da palavra «empresa»: conjunto de pessoas que se propuseram atingir algo em conjunto.

Aviões no Monfurado – 12

Última foto da série. Início aqui.

A grave situação do Sporting

O empate em Coimbra – Académica 1, Sporting 1 (Tonel) – não surpreendeu. A situação – grave, muito grave – a que os gestores (?) do Sporting conduziram o clube fazia prever isto ou pior. Mas a equipa até fez alguma coisa, ao contrário, por exemplo, do que aconteceu no naufrágio de Setúbal; mesmo assim, alguns jogadores teimam em deixar a sua marca (veja-se a inabilidade de Polga já nem digo a atacar, mas na defesa, golo incluído, embora não tão grave como no Bessa, onde no segundo golo do Boavista foi completamente posto a ridículo). O problema está mesmo nos gestores (?), a começar pelo principal, Filipe Soares Franco (FSF), que ainda ontem à noite armou uma cena que só mostra o seu verdadeiro desnorte. Pode ler-se aqui. Do texto do link copio uma frase do jornalista Eugénio Queirós sobre FSF: «Há momentos em que não devia não diria dedicar uma hora por dia ao Sporting mas sim um segundo que fosse.»

Um ensaio sobre a cegueira

Luís Campos e Cunha, já se sabe, aparece de vez em quando por aí a dar opiniões. Vê-se que vergonha é coisa que não lhe tocou por aí além, de contrário abster-se-ia de andar com palpites depois da lamentável situação que protagonizou enquanto ministro das Finanças e que acabaria por fazê-lo cair. Veio agora, no «Público», falar do Banco de Portugal e da supervisão, para confessar a cegueira. Ver referências aqui, aqui e aqui.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Os meus lugares

Resposta a um questionário do «Jornal de Letras» (edição de 02.01.08).

Um restaurante
Um de Barcelona a que gostava de ir, mas não é possível (aparece a abrir o romance «Flores Negras para Michael Roddick», do filho de Manuel Vásquez Montalbán), e o da Quinta das Lágrimas, em Coimbra.
Um café
Não sou muito exigente; desde que não sirva cafés italianos, tipo Buondi ou Segafredo…
Um bar
Mais do que um bar, talvez uma tasca perdida da Serra de Monchique, ou uma adega das do medronho.
Uma cidade
Évora. Gosto de cidades onde se percebe os limites. Isso é possível no Alentejo. Cidades grandes, sem dúvida Barcelona.
Um país
O Algarve e o Alentejo juntos; poderia dar um país interessante.
Um monumento
A famosa e quase mágica Porta Nigra (foto acima), na cidade alemã de Trier.
Um museu
O de uma crónica de Fernando Alves sobre os «profissionais do saque», na altura do escândalo da reforma do então ministro Campos e Cunha; um museu da corrupção, na América Latina, algo para servir de exemplo, tipo uma personagem do primeiro romance de Camilo José Cela («A Família de Pascual Duarte»), de quem o Nobel galego dizia ser um modelo («vês o que faz, pois faz o contrário daquilo que devia fazer»).
Um site
Troco por dois blogs, um colectivo («Corta-fitas») e o do Francisco José Viegas («A Origem das Espécies»).
Uma praia
A Praia do Barril, em frente a Santa Luzia, no Algarve, para onde se vai num pequeno comboio.
Uma viagem
Pelo mundo, sem tempo, sem preocupações com a data para regressar.
Uma livraria
É de ficção. Fica em Évora e tem à entrada cinco escritores de papelão e um gato de carne e osso.
Um cinema
Um de Portimão que já não existe, onde vi o primeiro filme sem ser na televisão («Excalibur»), depois de um jogo do Portimonense contra o Porto (um a um; o Portimonense esteve a perder, mas empatou por um brasileiro chamado Tião, que nessa época, infelizmente, também marcou ao Sporting).
Um teatro
O Teatro do Bairro Alto, pelas recordações de algumas das peças da Cornucópia.
Um sítio
Ferreira do Alentejo, à noite, vista de longe, chegando pelo lado norte. Os silos dos cereais iluminados, bem acima do casario, fazem-me sempre ver uma nave espacial pousada na planície.
Um passeio
Não é bem um passeio. As viagens nocturnas de regresso a casa, atravessando de carro o montado que a rodeia. Por causa dos bichos que encontro; coelhos, gatos-bravos, javalis, texugos, raposas… Mas o que mais impressiona são as vacas, passar por uma zona com centenas delas, inclusive na estrada, e quando ainda se vai a chegar vê-se os olhos verdes, aos pares, no escuro, como um exército de pirilampos.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Aviões no Monfurado – 11

Início da série aqui.

A bola não é quadrada, mas quase

Copiei isto do site do jornal «O Jogo». «Tomaz Morais, seleccionador nacional de râguebi e colaborador da SAD leonina, deverá em breve ver alargado o seu raio de acção na sociedade que gere o futebol do clube, estreitando a colaboração e tornando-se mais interventivo do que até aqui, pois os seus diversos afazeres profissionais limitaram a contribuição.» Parece que os gestores (?) continuam a divertir-se em Alvalade.

A última entrevista de Luiz Pacheco

A última entrevista de Luiz Pacheco, hoje no «Sol» (na revista). Deve ler-se a versão que está no site, aqui, porque não sofreu o arranjo da versão em papel. Por exemplo, quando a certa altura Pacheco diz (no site) «Isso é de um filho da puta, aquele gajo, o Ricardo Araújo Pereira.», na revista está «Isso é daquele gajo, o Ricardo Araújo Pereira.»; ou então quando diz (de novo no site) «Se calhar, não vos passava pela cabeça que o Santana Lopes, o putanheiro da 24 de Julho, tivesse actos desses.», na revista está «Se calhar, não vos passava pela cabeça que o Santana Lopes tivesse actos desses.»; ou ainda quando diz (mais uma vez, no site) «Aparecia o José Hermano Saraiva – eu detestava aquele filho da puta – que é um artista da aldrabice…», na revista está «Aparecia o José Hermano Saraiva – eu detestava-o – que é um artista da aldrabice…».

Escritores no meu romance (35)

Joseph Mitchell, Estados Unidos
Arriscou. À noite, ainda antes de ir jantar, foi colocar em cima do balcão da livraria o livro de Joseph Mitchell...
(excerto de «O que Entra nos Livros», página 148)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Um pequeno poema para a política

Anda-me a parecer
que melhor do que fazer
é planear.

Poema, sem título, de Daniel Maia-Pinto Rodrigues (na foto de Luís Tobias), incluído no livro «Malva 62» (Quasi Edições, 2005).

O relatório

Cinco linhas e um bocadinho (uma palavra, «favorável»), na página 280; o ponto sete. É a parte do relatório do LNEC em que se refere que o local escolhido para o novo aeroporto de Lisboa é Alcochete (embora na verdade o sítio exacto fique em concelhos vizinhos). Duvido que o primeiro-ministro (ou algum dos ministros) tenha lido todo o relatório (355 páginas com anexos) de um dia para o outro. Já devia ter a indicação da página e do parágrafo da conclusão, que provavelmente até pediu que lhe mandassem por e-mail (ou na volta, em nome dos velhos tempos, por fax). O relatório pode ser lido aqui (mesmo assim, ainda mantém bem visível a palavra «confidencial»).

Aviões no Monfurado – 10

Início da série aqui.

Mais do que Alcochete, a indiferença

Francisco José Viegas, no «A Origem das Espécies». Parte a vermelho pintada por mim.
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Alcochete, ou lá o que é. [Agora a sério.]
O governo decidiu Alcochete depois da pressão da opinião pública e da guerra de lobis. Parece-me bem ou, pelo menos, ajustado. Fazer disso uma grande vitória da oposição é ridículo. A política real desapareceu nos últimos tempos, soterrada pelos escombros da ASAE, da lei do tabaco ou de outros epifenómenos a que é preciso dar importância. A guerra do BCP é um enredo da luta pelo poder, mas parece-me assunto. Se falamos do bem público, custa-me a acreditar que ninguém pestaneje quando se fala das reformas de 400 euros aumentadas em uns euros. O secretário de Estado apareceu a falar da distribuição duodecimal sem pestanejar, e é um exemplo de como a indiferença toma conta de toda a gente. Umas coisas arrastam as outras e vai haver empregos em Alcochete e no Tejo daqui a um ano, aproximadamente, o que significa que as estatísticas vão mudar. Umas coisas arrastam as outras. Só que algumas delas são pequenas janelas abertas sobre o deserto, e este não é o da margem sul.

A questão

A questão não é esta. Não se trata de Paulo Bento sair ou não. O verdadeiro problema está nos (ir)responsáveis máximos do Sporting, que devem sair o quanto antes.

Brincar aos sportingues

Já se esperava – Setúbal 1, Sporting 0, para a Taça da Liga. A equipa está em queda livre, resultado do desvario, da incompetência e do desleixo de um grupo de gestores (?) encabeçado por Filipe Soares Franco que parece andar mesmo a brincar aos sportingues. É preciso recuar uma década para encontrar algo de tão mau. Como será que o clube se poderá libertar desta gente que o diminui de dia para dia?

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Aviões no Monfurado – 9

Início da série aqui.

Uma capa fantástica

Uma capa fantástica, a do «Record» de hoje. Aguarda-se, com impaciência, uma do género com Filipe Soares Franco.
(clicar na imagem para aumentar)

Belmiro, o defesa imbatível

Mais um naufrágio. Um dos pescadores desaparecidos é um antigo jogador de futebol chamado Belmiro. Lembro-me dele no Varzim, a defesa esquerdo, treinado e elogiado por José Torres, para quem a sorte também tem sido madrasta. Uma vez escrevi uma crónica em que falava do Belmiro. Se calhar agora, muitos anos depois de ter sido escrita, não faz muito sentido. De qualquer maneira, colo o texto a seguir.

O lado do Belmiro (texto de meados de 1998)
Durante a primeira metade da década de oitenta, o então treinador da equipa de futebol do Varzim, José Torres, apostou no lançamento de jovens jogadores na primeira divisão. De tal forma que a equipa se apresentava pelo país fora invariavelmente com meia-dúzia de caras novas que se destacavam por três aspectos: serem desconhecidos, serem promissores e, obviamente, serem jovens. E José Torres não se coibia de falar dessas apostas, elogiando as potencialidades futebolísticas dos seus craques e, principalmente, o desempenho que no campo estavam a ter. Certa vez, em entrevista a um trissemanário desportivo (a saudosa «Gazeta dos Desportos»), que os tempos ainda eram de trissemanários, José Torres foi mais uma vez desafiado a comentar o assunto. A época já ia adiantada e a carreira da equipa continuava promissora. José Torres estava mais do que satisfeito com a opções tomadas, principalmente com o jovem que vinha sistematicamente a colocar a defesa esquerdo. Tanto que não teve a mínimo dúvida em afirmar que todos aqueles jovens estavam a fazer por merecer a confiança. E então o Belmiro, o defesa esquerdo, esse é que prometia mesmo. De facto, como assinalava José Torres, ainda não tinham sofrido «nenhum golo pelo lado do Belmiro».
Passados todos estes anos, com o defesa esquerdo Belmiro certamente na casa dos trinta e muitos, em fim de carreira ou com ela já terminada, o mesmo nome vem de novo à baila. E não por uma questão meramente futebolística, antes sim por uma questão política. Coisa que pouca diferença faz, porque agora quase tudo tem a ver com quase tudo. A globalização, se assim poderemos dizer, não torna só o mundo numa pequena aldeia onde praticamente todos se conhecem. Essa mesma globalização também já faz com que as mais diversas áreas se cruzem e recruzem. Mas adiante, que não é do antigo defesa esquerdo do Varzim, uma das grandes apostas de José Torres nos anos oitenta, que agora se fala. Embora também seja de um homem do norte, de quem se fala é de outro Belmiro, o engenheiro Belmiro de Azevedo, presidente do Grupo Sonae, que de repente se viu apanhado no lodaçal da luta política. Belmiro, o Belmiro de agora, o engenheiro, não se calou perante a acusação do líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, de favorecimento por parte do governo PS aos grandes grupos económicos. Bem pelo contrário, reagiu forte e feio, como toda a gente sabe, defendendo-se a si e ao seu grupo. Indirectamente, acabou por também defender o governo.
Já este último, ou seja, o governo, pela voz do primeiro-ministro António Guterres, não teve uma reacção tão enérgica. Talvez porque não queira dar muita importância a Marcelo, ou então porque Guterres deve ser um pouco como José Torres, que delegava no Belmiro, o defesa esquerdo, as responsabilidades de protecção da sua baliza, em vez de ser ele próprio a voltar a calçar as botas de pitons. Resta saber se Guterres, mais dia menos dia, não acabará por dizer algo sobre o assunto. Não ao ponto de chegar à Assembleia da República e dizer que «novidades, novidades, só no Continente», como já alguém sugeriu, mas pelo menos a dar algumas explicações aos órgãos de comunicação social. Sejam eles quais forem, até eventualmente os jornais desportivos, que agora já são diários. Os mesmos jornais onde José Torres dava as entrevistas nos tempos das suas apostas do Varzim. E a esses, se acedesse a falar-lhes, Guterres não poderia fugir muito da velha frase de José Torres. Não a que antecedeu o decisivo jogo na Alemanha, na qualificação para o Mundial do México, em 1986, quando já era seleccionador nacional, a célebre «Deixem-me sonhar!» A frase de José Torres que Guterres repetiria seria a outra, a primeira, a dos tempos do Varzim: «Ainda não sofremos nenhum golo pelo lado do Belmiro!»

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Enfim, uma boa notícia

Enfim, uma boa notícia para o meu clube: a saída do gestor (?) – ou administrador (?), vá-se lá perceber – Carlos Freitas. Sai cabisbaixo mas gabarolas e com um ligeiro sorriso dá a ideia que de satisfação. Na volta, sentimento do dever cumprido. Qual seria o dever? O dia sete de Janeiro de 2008 marca o final no Sporting da presença de uma das pessoas que mais prejudicou o clube nos últimos anos. Aproveitando o balanço, deveriam ter saído mais alguns dos gestores (?), a começar por aquele que só gere (?) o clube durante uma hora por dia (quantas gastará a almoçar?). Falo do presidente, já se vê. O que trarão os próximos capítulos?

Uma nota para a entrevista de Carlos Freitas à «SIC Notícias». Um tique... Em cada resposta começava sempre com a palavra «ouça», presume-se que acompanhada por um ponto de exclamação se em vez de estar a falar estivesse a escrever. E a acompanhar, é claro, o sorriso (embora ligeiro) do dever cumprido – bem nos tramou, com a situação em que deixa o futebol do clube

Pacheco inova

Uma inovação de Pacheco Pereira com o símbolo do PSD. Depois de o ter invertido, agora deu-lhe para multiplicá-lo; aqui.

O jogador medíocre e os craques gregos

Em tempos escrevi aqui sobre um raspanete que o medíocre defesa benfiquista Luisão deu num colega de equipa, o grego Karagounis. Já não me lembro em que jogo foi. Fez-me confusão ver um jogador que se tem notabilizado pela sua incapacidade para a profissão estar a mandar vir com um jogador talentoso, e foi mais ou menos isso que escrevi. Agora, em Setúbal, a mesma coisa. Luisão a mandar vir com outro grego, Katsouranis (um dos melhores jogadores do plantel), e este a não se conter, como fez em tempos o seu compatriota. Luisão, pela sorte que tem em estar num grande clube (embora numa equipa fraca), clube que ainda por cima o considera uma estrela, devia passar os jogos calado para ver se o treinador não percebe como é de facto um péssimo jogador (um bom exercício para perceber isso é ver o golo que consentiu ao Belenenses há poucas semanas e um igual de Liedson no Estádio da Luz, há dois anos, quando o Sporting lá foi ganhar por três a um; isto para não falar das suas tropelias fora dos relvados). De qualquer forma, parece que em termos de castigos a coisa vai pesar mais a Katsouranis, a julgar pelo que se vai ouvindo e até por coisas como a capa do jornal «A Bola» de hoje, que traz uma foto do grego a dizer que ele está «em maus lençóis». Por mim, como adepto do Sporting, uma boa decisão até seria darem apenas uma multa simbólica ao «grande» Luisão e venderem Katsouranis. O Sporting, se tivesse quem percebesse de futebol a gerir o plantel, talvez pudesse propor uma troca com o disparatado Anderson Polga (a quem já ouvi um comentador sportinguista, por certo num momento de desvario, chamar «empolgante», pensando que estava a fazer um grande jogo de palavras). Imagine-se o jeito que poderia dar Katsouranis no meio campo do Sporting – principalmente se na fúria vendedeira dos gestores (?) de Alvalade o clube se desfizer de Miguel Veloso –, e imagine-se o que poderia fazer a parelha (o termo seria mesmo este) Polga-Luisão no centro da defesa do Benfica.
Foto: Jornal «Record»

Pergunta discreta

Repito a pergunta que fiz aqui no dia 26 de Novembro. Por que é que Filipe Soares Franco não se demite da presidência do Sporting?

«Não sei se Sócrates é fascista.»

António Barreto, ontem, no «Público».

«(…) A vida portuguesa oferece exemplos todos os dias. A nova lei do controlo do tráfego telefónico permite escutar e guardar os dados técnicos (origem e destino) de todos os telefonemas. Os novos modelos de bilhete de identidade e de carta de condução, com acumulação de dados pessoais e registos históricos, são meios intrusivos. A vídeo-vigilância, sem limites de situações, de espaços e de tempo, é um claro abuso. A repressão e as represálias exercidas sobre funcionários são já publicamente conhecidas e geralmente temidas. A politização dos serviços de informação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros revela as intenções e os apetites do primeiro-ministro. A interdição de partidos com menos de 5.000 militantes inscritos e a necessidade de os partidos enviarem ao Estado a lista nominal dos seus membros é um acto de prepotência./ A pesada mão do Governo agiu na Caixa Geral de Depósitos e no Banco Comercial Português com intuitos evidentes de submeter essas empresas e de, através delas, condicionar os capitalistas, obrigando-os a gestos amistosos. A retirada dos nomes dos santos de centenas de escolas (e quem sabe se também, depois, de instituições, cidades e localidades) é um acto ridículo de fundamentalismo intolerante. As interferências do Governo nos serviços de rádio e televisão, públicos ou privados, assim como na ‘comunicação social’ em geral, sucedem-se. A legislação sobre a segurança alimentar e a actuação da ASAE ultrapassaram todos os limites imagináveis da decência e do respeito pelas pessoas. A lei contra o tabaco está destituída de qualquer equilíbrio e reduz a liberdade./ Não sei se Sócrates é fascista. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu Governo. O primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas. Temos de reconhecer: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo...»

Um bocadinho de «O que Entra nos Livros»

Só um bocadinho, com uma pitada de política… «Naquele dia acordei por volta das oito e meia, depois de ter ido dormir já perto das quatro da manhã. Parecia que me tinha aterrado em cima uma águia de uns três metros, bicho que se existisse o mais certo seria não se chamar águia e ter umas brigadas de algum ministério atrás, para preservar a espécie, ou então para exterminá-la e assim preservar a espécie humana; quem sabe até se não haveria brigadas de dois ministérios, umas para preservar o bicho, outras para exterminá-lo, com os idiotas dos ministros em disputa na comunicação social.»

Luiz Pacheco

Morreu este sábado. Luiz Pacheco (n. 1925). Li muito do que escreveu. Escrevi apenas sobre um livro dele; texto aqui.

Aviões no Monfurado – 8

Início da série aqui.

Circula por aí

Circula por aí, por e-mail, e veio parar à minha caixa do correio. Isto (texto não editado)…

Era uma vez um senhor chamado Vasconcelos...* A história podia começar assim, como qualquer história de encantar crianças, se é que às crianças de hoje ainda se contam histórias de encantamento e final feliz.
Mas era uma vez um senhor chamado Jorge Vasconcelos, que era presidente de uma coisa chamada ERSE, ou seja, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, organismo que praticamente ninguém conhece e, dos que conhecem, Poucos devem saber para o que serve. Mas o que sabemos é que o senhor Vasconcelos pediu a demissão do seu cargo porque, segundo consta, queria que os aumentos da electricidade ainda fossem maiores.
Ora, quando alguém se demite do seu emprego, fá-lo por sua conta e risco, não lhe sendo devidos, pela entidade empregadora, quaisquer reparos, subsídios ou outros quaisquer benefícios. Porém, com o senhor Vasconcelos não foi assim. Na verdade, ele vai para casa com 12 mil euros por mês - ou seja, 2.400 contos - durante o máximo de dois anos, até encontrar um novo emprego.
Aqui, quem me ouve ou lê pergunta, ligeiramente confuso ou perplexo: «Mas você não disse que o senhor Vasconcelos se despediu?». E eu respondo: «Pois disse. Ele demitiu-se, isto é, despediu-se por vontade própria!». E você volta a questionar-me: «Então, porque fica o homem a receber os tais 2.400contos por mês, durante dois anos? Qual é, neste país, o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?».
Se fizermos esta pergunta ao ministério da Economia, ele responderá, como já respondeu, que «o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE». E que, «de acordo com artigo 28 dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar desses estatutos». Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE foram mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica.
Dizendo ainda melhor: o senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a bênção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes.
Trata-se, obviamente, de um escândalo, de uma imoralidade sem limites, de uma afronta a milhões de portugueses que sobrevivem com ordenados baixíssimos e subsídios de desemprego miseráveis. Trata-se, em suma, de um desenfreado, abusivo e desavergonhado abocanhar do erário público.
Mas voltemos à nossa história. O senhor Vasconcelos recebia 18 mil euros mensais, mais subsídio de férias, subsídio de Natal e ajudas de custo. 18 mil euros seriam mais de 3.600 contos, ou seja, mais de 120 contos por dia, sem incluir os subsídios de férias e Natal e ajudas de custo.
Aqui, uma pergunta se impõe: Afinal, o que é - e para que serve - a ERSE? A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético. E pergunta você, que não é trouxa: «Mas para fazer cumprir a lei não bastam os governos, os tribunais, a polícia, etc.?». Parece que não. A coisa funciona assim: após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço. Ou seja, a ERSE não serve para nada. Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores. Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE?
Até quando o povo português, cumprindo o seu papel de pachorrento bovino, aguentará tão pesada canga? E tão descarado gozo?
Políticas à parte estou em crer que perante esta e outras, só falta mesmo um carrasco capaz de os enforcar.

Duas cartas

Deixo a seguir duas cartas publicadas no blog «O Leão da Estrela» . A primeira é um apelo de um sócio do Sporting, que como eu anseia (eu confesso que não tenho muita esperança de que possa acontecer) por tempos em que o clube se consiga livrar do grupo de pessoas que tanto mal lhe têm feito. A outra é da filha de um antigo jogador do clube, a quem os gestores (?) nem resposta deram; esta última carta é particularmente chocante e mostra bem o tipo de gente que tomou conta do Sporting.

CARTA ABERTA AOS SPORTINGUISTAS
Sou um sócio de bancada. Não sou nenhum notável nem barão do Sporting. No entanto, penso pela minha cabeça! É nestes momentos de frustração que aparecem mais participantes nos blogues e foruns de opinião. A minha opinião é mais uma e tem o peso de 20 anos de sócio! Também é nestes momentos que não se deve falar "a quente"! E há muita gente que fala a quente, que emite opiniões absurdas (José Mourinho no SCP, etc.).
Pois bem, eu não vou falar "a quente"! Julgo que todos aqueles que aqui vêm comentar diariamente ou frequentemente têm, tal como eu, um amor inquestionável pelo clube! Pois bem, dirijo-me a esses, pois são esses que estão dispostos a fazer sacrifícios pessoais pelo Sporting, abdicando muitas vezes de obrigações familiares, aqueles que pensam TODOS OS DIAS no Sporting!
É bom que todos façamos uma reflexão honesta sobre o que representou para O CLUBE (muito para além de meros resultados desportivos) estes 12 anos de "Roquettismo"! Sim, porque Dias da Cunha e Soares Franco são o refugo, as sobras desse traidor "projecto empresarial"! Não nos iludamos: nestes 12 anos quem esteve no poder mamou sempre da mesma teta! Mas o leite secou, acabou!!!
O que é que Sporting tinha então e o que é que o Sporting tem hoje? O que era a Instituição SCP então e o que é aquilo em que se transformou? Quantos sócios e adeptos tinha o SCP de então e quantos tem hoje? Estas perguntas podiam-se prolongar por muitas mais linhas, mas penso que já perceberam o meu ponto de vista!
Em conclusão: aquilo que é urgente para a sobrevivência do nosso clube, muito mais do que ganhar um campeonato, uma Taça de Portugal ou uma Taça da Liga, é neste momento fazermos TUDO o que estiver ao nosso alcance para afastarmos essa súcia de anti-sportinguistas que se apoderou do NOSSO SPORTING! Gente essa que, diariamente, conspurca o nome sagrado do nosso clube, que o desvaloriza, que o desfigura, que o agride, que o despreza, que o rouba, que o goza, que o vende, que, em suma, contribui para a sua extinção tal como o conhecemos e aprendemos a amá-lo!
É esse, SPORTINGUISTAS, o dever que temos perante nós neste momento miserável da nossa história institucional como grande clube que (ainda) somos! Essa guerra começa já amanhã! E não podemos dar tréguas a esta corja que tem no sócio anónimo leonino um alvo a abater! Há que atingi-los usando o principal trunfo que dispomos, e que eles não: O NOSSO AMOR PELO CLUBE! É isso que os vai derrotar e os vai escorraçar de Alvalade de uma vez por todas!
Peço desculpa ao "LEÃO DA ESTRELA" por este desabafo tão directo, mas esta minha revolta já a não a consigo conter e de certeza que muitos estão comigo! Conto convosco! Saudações Leoninas!
Leitor do LEÃO DA ESTRELA e Sócio do Sporting Clube de Portugal, devidamente identificado (carta enviada por e-mail, 06-01-2008)
FILHA DE CRAQUE SEM RESPOSTA
(..) Sou filha do Vadinho, craque do Sporting em 1958. Estou indo a Lisboa em Janeiro de 2008 e gostaria de visitar e conhecer o Sporting e o Estádio (palco de grandes jogadas e golos do meu pai). Gostaria de fotografar e trazer para meu pai a camisa do Sporting no centenário e outras lembranças. Quem devo procurar? Como devo proceder?Já enviei um email para o site do Sporting, mas não tive nenhuma resposta. Fico aguardando a resposta e contacto. Na certeza de que serei atendida, agradeço.
Jaqueline Ramalho Cordeiro (Brasil), enviado ao LEÃO DA ESTRELA por e-mail

domingo, 6 de janeiro de 2008

Um clube à deriva

O regresso do futebol, nomeadamente o Boavista 2 – Sporting 0, serviu para comprovar o que eu já pensava do estado actual do meu clube. O Sporting está à deriva, sem grande esperança de que alguma coisa mude nos tempos mais próximos. A lógica acaba por prevalecer, diga-se o que se disser; não seria de esperar um cenário diferente de um clube que tem como figura máxima (de competência mínima) um presidente que lhe dedica uma hora por dia e que já admitiu que pouco ou nada percebe de futebol.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Aviões no Monfurado – 7

Início da série aqui.

Dois companheiros

Dois dos companheiros de passeio pelo montado.
(clicar nas imagens para aumentar)

A praga

Está a fazer 25 anos que tomou posse o actual presidente da câmara da minha terra. Nem vale a pena publicitar-lhe o nome (ao presidente, já se vê, não à terra). É um quarto de século de desleixo, desvario, incompetência e desinteresse. Tem lugar garantido na história, pelas piores razões. Por vezes penso que à entrada da década de 80 do século passado alguém rogou uma praga à minha terra e logo a seguir o homem foi feito presidente. Com sorte, o partido poderia tê-lo alguma vez requisitado para um tacho qualquer na capital, mas nem isso; nunca passou da cepa torta de presidente de câmara. Deve ter sido mesmo uma praga, e de alguém com poderes fora de comum.

Pronto...

Pronto, lá vou começar a comprar o «Correio da Manhã»; por causa disto.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

«Pessoal», edição de Janeiro

Esta é a capa da revista «Pessoal» de Janeiro. Em foco, os 14 segredos de José Mourinho. O meu editorial está disponível no blog «Mundo RH».