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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Não vale a pena exagerar


Estamos mal no Sporting. Muito mal. Godinho Lopes é uma desgraça de um nível em que mesmo quem o julgava pouco indicado para o cargo de presidente do clube dificilmente poderia acreditar há cerca de um ano. Como eu. Mas também não vale a pena exagerar. Em rodapé, passa na TVI24 que o Sporting está a ter «o pior arranque de sempre da história». Não é, obviamente. É o pior arranque de sempre. E é o pior arranque da história. Pode-se dizer uma coisa ou outra, mas não as duas ao mesmo tempo. Só se for por causa do acordo ortográfico, que dá para tudo e privilegia a asneira. O presidente é mau. E também se pode dizer que é péssimo. Porque é verdade. Mas não é um mau/ péssimo. Ou é mau ou é péssimo – embora o péssimo, de certa forma, aplicando um raciocínio matemático, englobe o mau. Já o mau não pode englobar o péssimo. Não chega a tanto. Godinho Lopes é péssimo. Acho que isso basta. Mau/ péssimo talvez só se aplique ao caso extremo de José Eduardo Bettencourt. Que é – ou foi, felizmente –, que foi, dizia, um caso especial. Esse foi tudo. De sempre, da história, mau, péssimo, o que se queira. Godinho Lopes, agora, já se vê, persegue-o. Infelizmente, acredito que consiga apanhá-lo.

Nota: na foto, tomada de posse de Godinho Lopes como presidente do Sporting.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A lentidão

Não foi só os jogadores do Sporting a jogarem em câmara lenta contra o Rio Ave (0-1, em casa), foi também o treinador (?), depois, a falar em câmara lenta.

domingo, 19 de agosto de 2012

O meu ídolo do Sporting


Foi no final da década de 1970 que comecei a acompanhar o futebol. Mesmo assim, lembro-me de poucas coisas do título do meu clube em 1979/ 80. As minhas memórias dos jogos do Sporting começam verdadeiramente no Verão de 1981, quando a equipa foi estagiar para a Bulgária e eu ouvia na rádio que o novo guarda-redes, o húngaro Meszaros, fazia defesas impossíveis. O nome era uma novidade, mas acabou por se tornar familiar. Lembro-me de escrevê-lo num pequeno caderno onde ia apontando todos os jogos dessa época, com a certeza de que o campeonato não iria fugir. Mesmo com os falhanços que tivemos, por exemplo logo a abrir em casa com o Belenenses, num jogo que deu um empate; ou noutros empates em casa, com o Guimarães, o Espinho e o Leiria; ou até nas derrotas no estádio do Boavista, onde parecia haver uma maldição qualquer contra nós, e em Portimão, tão perto da minha terra. O jogo de Portimão, que lá está no pequeno caderno com os dois a zero do penalty do brasileiro Tião e do remate na meia-lua de Norton de Matos, esse jogo foi o único que vi ao vivo naquela época inesquecível. Foi mesmo a primeira vez que pude ir ver o Sporting, ainda por cima ficando junto ao gradeamento, a dois metros da linha de golo onde Meszaros, na primeira parte, andava de um lado para o outro, e eu completamente espantado, como se estivesse perto de um extraterrestre.
Meszaros seria sempre um dos jogadores sobre os quais eu escreveria numa série dos meus ídolos do Sporting. Nunca fui muito de ter ídolos, pensando mais na equipa, e por isso consigo facilmente enumerar os jogadores escolhidos: além de Meszaros, os que eu verdadeiramente recordo como ídolos são Balakov, Marco Aurélio, Pedro Barbosa, André Cruz, Beto Acosta, Mário Jardel e Liedson. Por muito que tenha apreciado outros, seria sobre estes que eu conseguiria escrever.
Há no entanto um outro ídolo, e que eu sempre associo ao Sporting. Nunca como ele um jogador me impressionou tanto. As memórias que guardo, além dos golos e das jogadas que fazia, são de frustração por ele não ter alinhado pela minha equipa. Uma época, duas, três, eu sempre à espera de que fosse para o Sporting, e nada. Até que acabou por ir, mas demasiado tarde, quando parecia completamente transformado, incapaz de marcar os golos que antes eu via com admiração e nalguns casos com um enorme espanto. Foi no começo da época de 1988/ 89. Ele está na foto oficial do plantel do Sporting, curiosamente entre dois defesas, como era habitual andar em campo: o brasileiro Ricardo Rocha e o português Miguel. Chamava-se Serge Cadorin e haveria de fazer essa época na Académica, com dezena e meia de jogos e poucos golos, regressando depois ao seu verdadeiro clube em Portugal, o Portimonense, onde ainda faria menos jogos e marcaria menos golos. Depois, a Bélgica, o seu país, para uma época final no clube da terra onde nasceu, uma época ainda menos conseguida.
O Cadorin que chegou ao Sporting já não era o mesmo jogador que tinha chegado meia-dúzia de anos antes a Portugal, para jogar no Portimonense. Estava limitado, depois de uma explosão em sua casa, cerca de um ano antes do começo dessa época de 1988/ 89, uma explosão que gerou opiniões polémicas e que por pouco não lhe tirava a vida. Creio que ele nunca quis falar muito do assunto, e até a sua filha, Sandy, chegada a Portimão com os pais com apenas duas semanas, em 1983, numa entrevista de há três ou quatro anos fala apenas de um «infeliz acidente».
Foi o jogador consumido pela explosão que chegou ao meu clube. Incapaz de marcar golos como os que eu tinha visto no estádio do Portimonense – o primeiro logo na estreia, num empate a dois com o Farense, então de regresso à primeira divisão; Cadorin empatou o jogo já perto do fim, fazendo entrar a bola na baliza, imagine-se, do grande Meszaros; e na baliza do Portimonense estava Vitor Damas. Cadorin, que tinha sempre os defesas por perto, como na foto em que aparece com a camisola do Sporting. Uma vez, num jogo para a Taça de Portugal com o Espinho, marcou um dos golos que mais me ficou na memória. O Espinho tinha uma equipa modesta, mas no centro da defesa estava um antigo internacional, quase a acabar a acarreia, Freitas, ex-jogador do Porto. Os colegas de Freitas não acertavam com a marcação a Cadorin e por isso o ex-internacional repreendia-os constantemente. Eles, ainda jovens, nem respondiam, parecendo envergonhados. Até que de repente aconteceu uma jogada extraordinária. A bola foi metida em profundidade para Cadorin. Um dos defesas que o marcava já não o conseguiu apanhar, mas estava lá o experiente Freitas, que correu para ele e com um salto conseguiu agarrá-lo com firmeza. Pensei que ia ser falta, que Cadorin acabaria no chão para um livre a uns trinta metros da baliza. Mas não. Cadorin correu, correu, entrou na área e marcou golo, correu veloz como sempre, mesmo com o antigo internacional sempre agarrado a ele, de rojo, como se tivesse cola nas mãos. Já não me lembro bem, mas acho que Freitas só largou Cadorin depois de ter andado uns bons metros de rojo, quando o meu ídolo já corria em direcção à bancada central para festejar o golo em frente dos sócios do clube.
Mas o jogo que tenho mais presente, acima de todos, é o de finais de 1985, com o Porto, em Portimão. Comprei o jornal «A Bola» nesse dia, o jornal enorme, preto, branco e vermelho, a anunciar que Cadorin tinha sido aliciado para fazer um penalty contra a sua equipa. Li o que lá escreviam, que tinha sido o próprio Cadorin a denunciar o caso, e depois fui para o estádio. Encontrei o ambiente de confusão do costume, bem diferente do de agora por lá, pois já não vai muita gente aos jogos. Quase não se conseguia andar, coisa que aliás acontecia em todos os jogos importantes. Mas ao entrar no estádio notei qualquer coisa diferente do habitual. Não sabia bem o que era, mas tinha a ver com a história do penalty. Percebia-se nos olhares das pessoas, nos comentários, no receio do que poderia acontecer pouco depois de o jogo começar, já que o penalty estava marcado para os primeiros cinco minutos.
Tentei ver o que se passava com Cadorin, os movimentos que ia fazendo no aquecimento, e rapidamente percebi que muito dificilmente o Portimonense não ganharia o jogo, e mais, tive a certeza de que ele ia marcar. Reforcei essa certeza logo nos primeiros minutos, quando o vi fugir aos defesas do Porto e atirar à barra da baliza de Zé Beto. E depois, sobre o intervalo, talvez um minuto antes de o árbitro apitar, os dois momentos do jogo. Primeiro um ataque rápido do Portimonense, pela zona central, com a bola a sobrar para um dos irmãos Reina, que tentou o remate. A bola bateu num defesa do Porto e sobrou para o lado esquerdo, onde apareceu um jogador do Portimonense com nome de marca de automóvel: Skoda. Costumava jogar de bola colada aos pés e de cabeça levantada, mas aí nem perdeu tempo, centrou logo para a área. Zé Beto pareceu não saber bem se sair ou não, e enquanto estava nesse dilema apareceu Cadorin a chutar para dentro da baliza. Não me lembro de ter visto alguma vez um golo comemorado de forma tão efusiva naquele estádio. O barulho nas bancadas, os adeptos do Portimonense de pé, muitos aos saltos e aos abraços. Tudo tão diferente de um recanto da bancada coberta, que me parecia reservado aos notáveis do Porto, pouca gente, incluindo algumas senhoras com casacos de peles. Mais do que para a claque do Porto, era para lá que muitos adeptos do Portimonense se viravam. E as senhoras ripostavam, e algumas cirandavam pela bancada a fazerem carantonhas, procurando tirar satisfação das coisas que ouviam.
Eu costumava ficar perto dessa zona. Entrava para o peão com o cartão de jogador dos juvenis e depois subia para uma cobertura da porta de acesso, onde se via melhor o jogo. Estava concentrado na zaragata das senhoras dos casacos de peles com alguns adeptos do Portimonense. Mas de repente desviei o olhar. O jogo tinha recomeçado, faltaria uns segundos para o intervalo, e os jogadores do Porto estavam nervosos. Tinham acabado de perder a bola, que foi parar ao meio campo do Portimonense, e aí alguém já a lançava para o lado direito do ataque, mesmo junto a um dos bancos de suplentes. Foi por esse lado que correu Cadorin, surgido nem se percebia de onde. Um anãozinho que o Porto por vezes utilizava a defesa esquerdo correu desesperado para lá. A baliza ainda estava tão longe, pensava eu. Mas Cadorin, que chegou bem antes do anãozinho, chutou a bola de primeira. Mesmo junto ao banco de suplentes, chutou logo daí, e eu lembro-me de ter visto a bola pelo ar, a fazer um arco enorme. Zé Beto olhou para ela a cortar os ares, sem saber como apanhá-la, a bola a cair quando se aproximava da baliza. Muita gente parecia ir aproveitar o facto de ainda estar de pé e a saltar e aos gritos para festejar mais um golo, mas a bola apenas roçou no ferro da baliza, mesmo no encontro do poste direito com a barra. O árbitro apitou logo a seguir para o intervalo.
Na segunda parte o Portimonense apareceu mais retraído, a tentar guardar o resultado, e o Porto, mesmo que quisesse mudar as coisas, não conseguia. Cadorin andava de olhos postos na baliza de Zé Beto e todos os jogadores do Porto pareciam de olhos postos nele, mais do que na baliza do Portimonense, onde não conseguiram marcar nem por uma vez. Acabou com um a zero. Lembro-me de à noite ver Cadorin na televisão a dizer que tinha sido um jogo normal, apenas isso. E sobre o facto de o terem tentado comprar disse apenas que não queria falar mais do assunto. O repórter insistiu, perguntando-lhe se perante a polícia confirmaria as acusações que tinha feito. Disse simplesmente que sim, que confirmaria. 
Pouco mais de um ano passado, a explosão que lhe tirou as forças que faziam dele o jogador mais impressionante que alguma vez vi jogar. Digo isto agora, depois de tantos jogadores e tantos jogos, em tantos estádios. Mas Cadorin, visto com os meus olhos de adolescente, foi mesmo o jogador mais impressionante de todos. Às vezes eu ia para o liceu de Portimão, depois de ter saído do autocarro que me levava desde a Serra de Monchique, e passava pela avenida que acompanhava a bancada do estádio do Portimonense. Uma vez por outra via os jogadores. Lembro-me de Vítor Damas num Citroen Dyane e de um jogador que controlava o jogo a meio-campo, Carvalho, num Renault Cinco, o mesmo modelo em que passado pouco tempo veria Manuel Fernandes na bicha para a portagem da Ponte Vinte e Cinco de Abril. Já Cadorin nunca o vi de carro. Acho que ele morava num prédio perto do estádio, mesmo em frente de onde agora é a biblioteca municipal. Era de lá que o via sair às vezes, de fato de treino, em direcção ao estádio, com passada larga e sempre metido consigo, da mesma forma que o via no campo, pensativo, e de repente a arrancar para a baliza como um furacão, ou a chutar de primeira com uma força tremenda.
Não jogou pelo Sporting, foi apenas num começo de época vestir a camisola verde e branca para a foto oficial do plantel. Época de 1988/ 89, mais uma das terríveis épocas dos dezoito anos sem campeonatos. O verdadeiro Cadorin, o que chegou a Portimão em 1983, sempre acreditei, teria ajudado a construir uma história diferente. Mas infelizmente só chegou ao Sporting depois da maldita explosão. Nunca conseguiu marcar um golo por nós, marcou-nos foi dois em Alvalade. Marcou contra nós, mas é o meu ídolo do Sporting.
Cadorin morreu em 2007, aos 45 anos, vítima de um ataque cardíaco. Na entrevista da filha há várias fotos. Dos tempos de Portimão, mas também dos tempos que se seguiram ao regresso à Bélgica. Cadorin passou a vender têxteis nas feiras, com a mulher. É um Cadorin envelhecido o desses tempos, mesmo sendo ainda um homem novo. Nas outras fotos reconhece-se a zona da Praia da Rocha, e também a Praia do Vau. Os filhos ainda pequeninos, e ele jovem e cheio de força, e a mulher também ainda jovem. Numa das fotos a mulher está a encher de água um garrafão, nas Caldas de Monchique. Cadorin segura a filha pequenina pela mão. A casa dos meus pais, onde eu vivia então, fica um pouco mais acima. Só na entrevista da filha, mais de vinte anos depois, descobri que o meu ídolo ia com a família buscar água à minha terra.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Como os responsáveis do Sporting envergonham o clube


Não sei de quem foi a ideia de colocar estas imagens lamentáveis no acesso a um dos balneários do estádio do meu clube, no caso o da equipa visitante. Presumo que a intenção fosse de alguma forma afectar os jogadores adversários (como noutros estádios é de uso fazer utilizando para isso seguranças contratados para provocações), mas duvido que consigamos ganhar campeonatos à custa disto. Godinho Lopes fica muito mal na fotografia, pior até do que alguns dos modelos das imagens. Nunca tive boa opinião sobre ele e isto agora ainda contribui mais para que isso se mantenha. Embora reconheça que ele, ao pé do anterior, José Eduardo Bettencourt, pode ser considerado uma espécie de Prémio Nobel do futebol. Mas isso é numa comparação única, com o mais vergonhoso presidente da história do Sporting, ao pé do qual, como em tempos escrevi, Jorge Gonçalves merece já não digo uma estátua mas pelo menos um busto. Godinho Lopes e o grupo de pessoas que o acompanha na gestão do Sporting envergonharam o clube com esta parvoíce. Não afectaram os adversários, afectaram-nos foi a nós. Denegriram a nossa imagem. Imagino que os jogadores do Porto se devem ter rido daquilo ao passarem por lá, assim como os de outras equipas. Imagino que se devem ter rido de nós todos. Devia haver no Sporting um órgão qualquer que pudesse actuar quando nos fazem passar estas vergonhas – a Assembleia Geral, o Conselho Leonino, o Grupo Stromp, sei lá, algo que nos deixasse a salvo da estupidez de quem tem o poder de tomar decisões que nos afectam a todos enquanto sportinguistas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Um título no meu pequeno caderno


O primeiro jogo do Sporting que vi ao vivo realizou-se fora de Alvalade, em Portimão, e acabámos por perder (já o primeiro jogo no nosso estádio, esse deu uma vitória por sete a um, frente a uma equipa das redondezas). Procuro a data do jogo de Portimão num pequeno caderno onde nessa época ia apontando tudo jornada após jornada. E lá está, a quatro de Abril de 1982. Íamos bem lançados para ser campeões, mas durante cerca de um mês trememos. Foi a nossa pior fase num campeonato que eu acompanhava com a certeza de que o título não nos escaparia. Já no Verão de 1981 eu pensava assim, com o que ouvia na televisão e lia nos jornais sobre o estágio da equipa na Bulgária, ainda por cima com um novo guarda-redes que alguns jornalistas diziam ser capaz de fazer defesas impossíveis.
Vejo agora no pequeno caderno com mais de um quarto de século a sucessão de maus resultados que poderiam ter deitado tudo a perder. Um empate em casa com o Espinho, uma derrota no estádio do Boavista, depois uma vitória sofrida em casa (com a tal equipa dos sete a um apalavrados pelo destino para daí a quatro anos), até que chegou a visita a Portimão, vinte quilómetros abaixo da serra onde eu morava. Lembro-me de a minha mãe me ter dado dinheiro e de me falar em poupar nesse dia o mais que pudesse porque o bilhete ia ser bem caro, se eu conseguisse arranjá-lo. Fui para o estádio sem certezas, ainda por cima gastando logo uma parte no autocarro porque era época de férias das aulas num liceu de Portimão e o passe não contava nesses dias.
Eu passava muitas vezes perto do estádio do Portimonense no caminho para o liceu. Era um lugar tranquilo, mas naquela tarde de domingo uma multidão tinha mudado tudo. Tanta gente por causa da visita do Sporting... E as bilheteiras fechadas. Já não havia bilhetes quando cheguei, e isso por momentos fez-me entrar em pânico. Mas de repente apareceu-me alguém pela frente com um maço de papelinhos. Bilhetes… Só podia ser, não ia andar ali um tipo a vender rifas ou coisa do género… Era mesmo bilhetes, e ele pedia trezentos escudos por cada um. Pensei que não teria tanto dinheiro, mas lá contei e a verdade é que tinha, mesmo quase não dando para mais nada, nem para o autocarro, nem para comer alguma coisa de jeito. Decidi depressa. Comprei um bilhete e corri para a entrada de uma zona onde se ficava de pé, lembrando-me do que tinha ouvido falar de bilhetes falsos e quase tomado pelo medo de ser apanhado com um. Mas consegui entrar, e ainda a tempo de ver a parte final do aquecimento dos jogadores.
Pouco depois vi o guarda-redes húngaro, muito magro, de cabelo comprido e com um bigode enorme. Aproximava-se da baliza atrás da qual eu me tinha conseguido colocar, junto ao gradeamento, a mesma baliza onde tinha acabado de fazer o aquecimento o guarda-redes do Portimonense. A claque do Sporting estava por perto e por isso a agitação era enorme. Tinha de ter atenção, ainda por cima tendo ficado junto ao gradeamento, mas não me preocupava. Estava a ver o Sporting ao vivo pela primeira vez e isso é que me importava. Nem o Portimonense me preocupava.
Eu tinha a certeza e que ia colocar no pequeno caderno mais uma vitória do Sporting, para confirmar a do fim-de-semana anterior frente à equipa da vizinhança e acabar definitivamente com a fase má. Porque acreditava que estávamos na caminhada para mais um título de campeões. Só que o jogo começou e o Sporting não jogava. O Oliveira estava de fora. O Manuel Fernandes, o Jordão, o Lito (que duas décadas depois haveria de ir bater com o carro dele no meu, no Estoril), o Carlos Xavier (que um pouco antes do desastre com o Lito, no casamento de um amigo comum, me tiraria uma fotografia quando já estava um bocado alegre e depois ao ver-se a foto lá estava ele, porque tinha a máquina virada para o próprio rosto), o Mário Jorge, o Eurico… Simplesmente não jogavam, por mais que o treinador inglês, Malcolm Allison, lhes gritasse lá de longe, do banco dos suplentes.
Os jogadores que jogavam eram os do Portimonense. E eu, agarrado ao gradeamento, a dois metros do guarda-redes Meszaros (de quem já sabia dizer bem o nome, depois das confusões iniciais), nem queria acreditar. E apareceu um penalty contra nós, que eu pensei que ele mesmo enervado com o comportamento dos colegas haveria de defender sem problemas. Mas não defendeu. O penalty foi marcado por um brasileiro pequenino e de cara grande, muito redonda e com barba. Chamava-se Tião, como um dos bonecos dos livros do Tio Patinhas que eu começava a deixar de ler. Mesmo assim não desesperei, pensei que com o decorrer do jogo haveríamos de recuperar. Mas sobre o intervalo apareceu um jogador alto do Portimonense, chegado da Bélgica, um português que por lá tinha andado emigrado e tinha um nome que parecia estranho para jogador de futebol, Norton de Matos. Só que desenrascava-se a jogar, principalmente quando o punham a avançado. Nessa jogada, apanhou a bola à entrada da área, andou às voltas e disparou. O Meszaros ia defender, voltei a pensar, mas ele não defendeu. E de repente estávamos a perder por dois a zero.
Era a primeira vez que eu via o Sporting a jogar sem ser na televisão, e íamos perder. Como as coisas estavam, como depois recomeçavam na segunda parte, senti que íamos perder… E foi assim. O jogo ficou em dois a zero, e nem foi azar, porque nesse domingo à tarde a equipa do Sporting não parecia a mesma que ia à frente do campeonato.
Lembro-me de voltar para casa à boleia, fazendo contas, nos meus catorze anos, aos pontos e aos jogos que nos faltavam. E de pensar em como haveríamos de acabar com aquela fase má em que só conseguíamos ganhar à equipa da vizinhança. Mas mesmo assim os maus resultados continuaram, primeiro um empate em casa com o Leiria e depois outro em Guimarães. Foram seis jogos do campeonato em que só ganhámos um, o jogo em que nosso capitão levou um murro do guarda-redes adversário, dentro da área, murro que valeria um dos dois penalties assinalados e concretizados pelo Jordão.
Mas tudo acabou por correr bem. Voltámos às vitórias, duas seguidas, ambas por três a zero, em casa com uma equipa chamada Amora e depois no Estoril, onde garantimos o campeonato. O meu primeiro campeonato, porque antes eu pouco ligava a futebol. No único jogo que vi ao vivo, quando o Sporting foi jogar perto da minha casa, perdemos. Mas fomos campeões, como eu sempre acreditava a cada jogo que apontava no pequeno caderno, mesmo que por vezes não apontasse uma vitória.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Tomada de posse

Conforme se pode ver aqui, os números parecem não bater certo. Depois de «afinada a contagem», segundo o presidente em exercício da Assembleia Geral, de quem não fixei o nome, o escolhido Godinho Lopes tomou posse assim do meu clube, ou antes, como presidente do meu clube. Tenho esperança de que o Sporting, depois do desastre dos últimos 15 anos, possa mudar um dia, se possível já amanhã.

domingo, 27 de março de 2011

Esta noite, como tantas vezes acontece, a realidade ultrapassou a ficção

Nem num romance de intriga e mistério se imaginaria possível. Mas aconteceu. Foram eleitos no Sporting, à segunda contagem, muitos dos rostos do desastre do clube nos últimos quinze anos. E ao mesmo tempo foi aproveitado para a Assembleia Geral, da lista de ruptura, um dos defensores mais empenhados até há uns meses desse mesmo desastre.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Em branco

O Sporting... Agora foi o treinador Paulo Sérgio a sair, como se esperava. Na altura em que JEB foi para presidente (não ponho aqui o nome de tal praga rogada ao meu clube), escrevi que tudo iria acabar mal. Um exercício óbvio de previsão, tendo em conta a figura (ou a praga). Vêm aí eleições. Nem sei bem o que pensar. José Saramago, se fosse vivo, talvez pudesse escrever uma sequela do «Ensaio Sobre a Lucidez». Já sei que se poderia falar do «Ensaio Sobre a Cegueira» (ou inclusive não meter o nosso Nobel nisto e ir buscar livros como «Elogio da Loucura» ou «Tertúlia de Mentirosos»), mas parece-me mais indicado uma história sobre o voto em branco.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Só mesmo uma criança

Há uns dias o meu filho perguntou-me quem era o novo jogador do Sporting. Respondi-lhe que era o Cristiano. E ele, com a maior das naturalidades, fez outra pergunta: «Ronaldo?» Eu disse que não, que era apenas o Cristiano. E fiquei a pensar que só mesmo uma criança de seis anos pode ter alguma esperança nos insuportavelmente incompetentes dirigentes do meu clube.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Carta aberta àquele que foi o pior presidente da longa história do Sporting Clube de Portugal

Caro JEB
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Trato-o assim, usando apenas as três letras de uma sigla que nunca cheguei a perceber quem arranjou, só para não ter de escrever um nome – o seu – que ficará para sempre ligado ao pior da história do Sporting.
Escrevo-lhe esta carta porque hoje é o dia, segundo creio, em que você deixa definitivamente o clube depois da demissão pela qual há tanto tempo milhares e milhares de sportinguistas aguardavam. Eu não podia deixar de assinalar este dia.
Daqui para a frente, espero que nunca se esqueça disto: você foi mesmo o pior, e o que mais nos envergonhou. Se for preciso, escreva num papelinho e ande com ele sempre na carteira, e procure ganhar o hábito de lê-lo com regularidade. Para que tenha sempre presente que você foi mesmo a pior coisa que alguma vez podia ter acontecido ao Sporting.
Quero também dar-lhe uma explicação sobre a palavra que usei no início desta carta («caro»). Não o fiz, obviamente, por qualquer tipo de consideração que tenha por si, pois consideração por si estou bem longe de ter nem que seja só um bocadinho. O que você fez ao Sporting merece algo muito diferente de consideração. Você fez-nos muito mal, e além disso – faço questão de repetir – envergonhou-nos como nunca antes alguém nos havia envergonhado. Jorge Gonçalves, um presidente também de má memória que tivemos e que ficou conhecido por usar longos bigodes, ao pé de si merecia já não digo uma estátua à entrada do nosso estádio, mas pelo menos um busto (veja lá, por isso, o tamanho da vergonha que você nos tem feito passar desde que desgraçadamente nos saiu ao caminho…). Usei o «caro» antes da sigla JEB por causa do que você nos custou mês após mês. Você foi um presidente demasiado caro, ou antes, demasiadíssimo, se é que a palavra existe. A cada dia que passava consigo a presidente, o Sporting devia tê-lo multado por tudo o que você ia fazendo de mal. Mas não, nunca o multou, e você ainda recebia um salário de várias dezenas de milhares de euros no fim de cada mês. Por isso, aqui, eu só podia mesmo começar por tratá-lo por «caro».
Depois de si no Sporting, fica-se com a sensação de que o clube já passou pelo que de pior lhe poderia acontecer. O dia 14 de Fevereiro devia ficar marcado no calendário leonino. O dia em que nos livrámos do pior presidente de uma longa história. E aos sportinguistas mais jovens, nesse dia, poderiam os outros passar a falar das suas figuras enquanto presidente do nosso clube. E dizer-lhes: «Vêem o que ele fez?! Pois fez sempre o contrário do que devia ter feito.»
Pelo Sporting, peço-lhe, nunca mais se meta no nosso caminho!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A grande vingança?

Uma hipótese: a venda de Liedson ser a grande vingança de José Eduardo Bettencourt. Nos dias que lhe restam para deixar definitivamente o Sporting (creio que fica mais a sua incompetência até ao fim do mês), o que poderá ainda fazer para nos tramar?

sábado, 29 de janeiro de 2011

Para sempre

Eu estava um bocado preocupado: como iria dizer ao meu filho, de seis anos, que o Liedson pode estar de saída do Sporting? Mas não precisei de dizer, ele apercebeu-se das notícias. E procurou tranquilizar-me: «Pai, o Liedson vai continuar para sempre na minha Playstation.» Pelo que consegui perceber, ainda hoje marcou cinco ou seis golos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Fantástico

Fantástico!!!!! Mil vezes fantástico!!!!! Um milhão de vezes fantástico!!!!! A maior praga da história do meu clube acaba de se ir embora.
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Yannick

Um golo de Yannick qualificou o Sporting para a «Liga Europa». Curiosamente, o mesmo jogador que José Eduardo Bettencourt tentou esta semana oferecer ao Benfica. Anda o meu clube a pagar principescamente a um presidente para isto...
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sábado, 21 de agosto de 2010

O pior sportinguista de sempre

Os resultados de mais de um ano de desvario, desleixo, desinteresse e incompetência não deixam dúvidas. Este é o pior sportinguista de sempre, com a agravante, ou a ironia, de ser o que custa mais dinheiro todos os meses ao meu clube.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Pausa

Esta época, como já deve ter dado para ver, não há aqui grandes comentários sobre os jogos do Sporting, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos anos, sem que falhasse um jogo. O triste presidente que lá temos, confesso, esgotou-me a paciência. Direi alguma coisa, de vez em quando.
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terça-feira, 6 de julho de 2010

O Sporting nunca desceu tão baixo

Nunca o meu clube desceu tão baixo como com José Eduardo Bettencourt. Sim, agora tenho a certeza de que ao pé dele Jorge Gonçalves merecia não direi uma estátua mas pelo menos um pequeno busto.
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Ainda não foi desta

O Sporting promoveu ontem uma conferência de imprensa absolutamente deplorável sobre a cedência ao desbarato do capitão da equipa de futebol a um dos seus maiores rivais. Nessa conferência de imprensa, como se esperava, o presidente perdeu as estribeiras (apesar de tentar falar de forma pausada, enquanto olhava por cima dos óculos). Ainda não foi desta que o meu clube se viu livre das suas maçãs podres.
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segunda-feira, 5 de julho de 2010

O futuro

Depois de ler as notícias da rocambolesca venda ao desbarato de João Moutinho a um dos principais adversários, já não sei se no futuro não chegará aos dirigentes do meu clube, nomeadamente ao inclassificável presidente, a ideia de colocar os sócios no mercado.
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domingo, 9 de maio de 2010

Para acabar

Sporting 0, Naval 1, vigésima nona jornada do Campeonato Nacional 2009/ 2010
Leixões 1, Sporting 2 (Miguel Veloso, Pedro Silva), trigésima jornada do Campeonato Nacional 2009/ 2010
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Os dois últimos jogos no campeonato. Nem sei o que diga, com o clube a 28 pontos do primeiro, a 23 do segundo e a 20 do terceiro. A diferença para o primeiro é maior do que a diferença para o último. Temos mesmo dirigentes medíocres. Uma verdadeira tragédia, que pelas indicações para a próxima temporada ameaça repetir-se. Alguém com muita força, de certeza, rogou mesmo uma praga ao meu clube. Uma praga com nome, claro: José Eduardo Bettencourt.
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