quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Como encontrei Roberto Bolaño

Parece ser o escritor do momento, como se comprova, por exemplo, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui. Ainda não li os livros do chileno Roberto Bolaño, mas hei-de lá chegar. De qualquer forma, já o conhecia desde o princípio do Outono de 2002, alguns meses antes da sua morte. Encontrei-o nessa altura nas páginas de um romance, um que curiosamente ando agora a reler. Na terceira parte (umas cinquenta páginas) de «Soldados de Salamina», o romance de Javier Cercas, o narrador entrevista Roberto Bolaño (a entrevista está incluída no romance); Bolãno tinha lido dois livros de Cercas, um de contos e um pequeno romance chamado «O Inquilino» (existe uma edição portuguesa, da ASA, que já trouxe para Portugal três livros do escritor de Cáceres), e acaba por insistir para que voltem a encontrar-se. Nesse encontro, durante um almoço, Bolaño quase que se transforma no narrador do romance de Cercas. E é ele quem acaba por ser a chave de «Soldados de Salamina». Boa parte das tais cinquenta páginas têm Bolaño a tomar conta da história.
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O sucesso da rapariga da caixa

Falei disto em Fevereiro passado e agora fico a saber por aqui que o livro está a ser um sucesso. Sairá por cá na Gradiva, as atribulações da jovem francesa Anna Sam, formada em Linguística e durante vários anos caixa de um supermercado na periferia de Rennes.
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A reler

Por falta de jeito do que vai saindo por cá (este ano então, de livros tem sido uma coisa terrível, tanto que o melhor é nem fazer balanços), estou a reler o fabuloso «Soldados de Salamina», de Javier Cercas (como ainda há pouco tempo reli «Os Impostores», de Santiago Gamboa, outro romance absolutamente notável). Não consigo esconder um bocadinho de inveja quando leio páginas como estas. Já agora, a propósito de «Soldados de Salamina», existe também um filme (de 2003; a protagonista é uma escritora, enquanto no romance quem anda atrás da história do homem do regime franquista é um escritor).
(imagem: pormenor de uma foto de Robert Capa,
utilizada nas edições de «Soldados de Salamina» em vários países)
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Primeira capa

Capa do primeiro número da revista «human», à venda a partir de hoje. É a edição de Janeiro de 2009. Informações sobre a revista, aqui.
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(clicar na imagem
para aumentar)

sábado, 27 de dezembro de 2008

Estes vimaranenses estão loucos

Ver aqui. O Vitória de Guimarães acaba de contratar, no chamado «mercado de Inverno», um jogador medíocre. Só podem mesmo estar loucos, ou então é uma espécie de esmola para um jogador que já passou por lá antes de ter andado a fazer figuras tristes no Sporting – onde chegou a capitão de equipa, naquele que é um dos maiores mistérios da longa história do meu clube. Um golo de Simão Sabrosa numa vitória do Benfica em Alvalade, com o despropositado capitão a desviar-se para o benfiquista passar, é bem a imagem deste jogador que se enganou na modalidade (talvez uma opção mais acertada tivesse sido o bilhar, ou na volta a equitação).
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Um pequeno choque

Foi o que senti quando dei com a capa da «Visão» com Marcelo Caetano. Estive para comprar, mas depois disse para comigo que para aquele peditório não ia contribuir. Compreendo que é preciso vender papel, mas daí até branquear delinquentes… Não bastava já o que no ano passado fizeram com o criminoso de Santa Comba, que na volta ainda algum dia acaba transformado em santo. Já agora, ver comentários sobre o trabalho da «Visão» aqui e aqui.
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O arruaceiro vai-se safar

(clicar na imagem para aumentar)
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal

Para todos os visitantes deste blog, um Feliz Natal e um Excelente Ano de 2009!
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… e a recordação de uma pequenina história de Natal, aqui.

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O primeiro número

O número um da revista «human» (edição de Janeiro de 2009) estará nas bancas na próxima Segunda-feira, dia 29. (à esquerda, pormenor da capa)
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O treinador que não gosta de rebeldes

Só agora escrevo sobre o Sporting 0 – Académica 0. Esperei de propósito, para ver o que faziam os outros. Ainda bem que ficou tudo na mesma, mas podia não ter ficado e, uma vez mais, Paulo Bento poderia ter atrasado o Sporting no campeonato. Vi num jornal um título sobre os rebeldes terem chegado tarde, com imagens de Vukcevic e Yannick. Foi um bocado o que aconteceu, pela pouca inteligência de Paulo Bento (o QI, de que já várias vezes falei aqui). Ou então tudo não passou de uma questão de gosto. Paulo Bento terá um QI que poderia tê-lo levado a tomar duas ou três decisões de jeito para ganhar o jogo à Académica, coisa que só não aconteceu porque ele não gosta de rebeldes. Talvez prefira jogadores à imagem do que ele foi, apagado, sem se lhe ouvir uma palavra a não ser alguma para elogiar o treinador, e sempre de cabeça em baixo e muitas das vezes com as mãos atrás das costas. De qualquer forma, uma decisão tomou durante o jogo que é de louvar, a retirada do hecatômbico Caneira para meter Miguel Veloso, que até se saiu mais ou menos a defesa esquerdo (sabe jogar à bola, ao contrário do colega); mas podia ter sido outro a entrar, até o guarda-redes Tiago se o árbitro não se opusesse.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O início

Deixo a seguir o início do meu novo romance, que será publicado em Fevereiro de 2009 (ed. Quetzal). Chama-se UMA NOITE COM O FOGO.
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Há muito tempo que escrevia este livro. Alguns anos. Mas escrevia-o apenas na minha mente, com o que pensava, com tudo aquilo que ia recordando. Se tivesse conseguido reunir as palavras necessárias para contar a história, se as tivesse encontrado, escolhido, até se tivesse inventado algumas para na volta fazer boa figura, tudo haveria de ser, digamos assim, mais normal. Era uma vez… Eu, de noite, uma noite muito quente, abafada, próximo do que julgava insuportável, uma noite com o fogo. Como se vivesse sempre essa noite. Como se ela tivesse passado a existir de uma forma definitiva. Um filme a voltar inevitavelmente ao princípio. A ideia de haver um tipo de cinema circular, ou aos círculos, marcado por um momento um bocadinho forçado, mas apenas um momento, fugaz, aquele em que de repente se passava do fim para o princípio e tudo voltava a acontecer. Tudo, desde o princípio. Eu ainda em casa, depois de ligar a televisão. Teriam passado dez ou quinze segundos sobre o aparecimento das imagens no ecrã. Não mais do que isso. Era de noite na televisão, como era de noite naquele sítio, o da casa. A minha casa. Estavam em directo com as notícias. Tudo ardia, dava até a ideia de que a câmara filmava bem dentro das chamas; mas não, nem ela nem quem a segurava corriam qualquer risco. Era a objectiva que fazia o milagre, como se naquele momento não houvesse mais nada no mundo em que gastar milagres. Eu ouvia o barulho do telefone, insistente, mas não ia atender. Estava preso ao ecrã, mais do que pelas chamas, por causa da palavra que aparecia num dos cantos. O nome do lugar da minha infância. E o barulho do telefone, sem parar. Quando finalmente atendi, surgiu a voz da minha mãe. Perguntava se já sabia. Apenas isso. E eu já sabia, tinha acabado de saber. Tinha acabado de ver. O fogo. O lugar da minha infância, naquela noite, invadido pelo fogo.
É este o livro que tantas vezes escrevi dentro da cabeça. O livro aqui já com as palavras, as que antes não consegui reunir, as que durante alguns anos não encontrei, as que não fui capaz de escolher. Até as palavras que sempre me pareceram impossíveis de inventar. Ainda nem passaram duas horas sobre as imagens vistas na televisão e sobre o que escutei da minha mãe, pelo telefone. Uma boa parte do Alentejo já ficou para trás, sempre com o carro apressado nas estradas distribuídas quase ao calhas pela planície. Sempre à procura do trajecto mais a direito, uma estrada nacional, uma estrada municipal, por vezes uma que nem isso – e a auto-estrada, essa sempre a direito, longe, lá do outro lado, nada em caminho. Tenho bem à minha frente os montes que se seguem à planície, uma fronteira. Tão tarde na noite o normal seria nem conseguir vê-los. Mas vejo, vejo-os sem dificuldade, os seus contornos bem definidos. A história pode agora começar.
(foto: Rui André)
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Até tinha piada

Agora já se pode dizer que esta capa do «Record» até tinha piada.
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Número um

A edição número um (de Janeiro de 2009) da revista «human» fechou na passada Terça-feira, perto das nove da manhã. Agora é esperar até lá para 29 ou 30 deste mês para que chegue às bancas.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Uma reportagem

Da revista «Gingko».
(clicar nas imagens para aumentar)
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Os últimos dois jogos

Pouco ou nada vi dos últimos dois jogos do Sporting – Basileia 0 - Sporting 1 (Yannick), para a Liga dos Campeões, e Sporting 3 - Marítimo 0 (Yannick, Liedson e Romagnoli), na estreia na Taça da Liga. Duas vitórias normais, primeiro frente a uma equipa que além de participar no campeonato da Suíça também participa, embora sob disfarce, numa das séries da nossa terceira divisão, depois frente a uma outra mais forte mas que depois de apanhar uma cabazada em casa no jogo com o débil Benfica chegou a Alvalade sem saber bem como se haveria de apresentar. De notar a tristeza de Yannick, apesar dos golos (Paulo Bento parece ser o grande culpado da desmotivação do jogador), as habituais tristes figuras do assustador Caneira, a segurança do guarda-redes Tiago e o desinteresse que o Sporting está a causar nos seus adeptos (perante a cegueira dos dirigentes, que tentam perceber o que se passa recorrendo a sondagens).
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma entrevista

Há mais de setenta anos que eu não dava uma entrevista. Agora está uma aqui.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Como seriam as assembleias gerais?

Tirado de um trabalho dos jornalistas António José Vilela e Vítor Matos, publicado na revista «Sábado»…
«A filha Ana Catarina é o administrador suplente e a mulher Maria de Fátima era a presidente da Assembleia Geral [da DL, a empresa unipessoal de Dias Loureiro].»
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domingo, 7 de dezembro de 2008

Por momentos pensei que era o Marcelo Rebelo de Sousa

Esta pequena rã na verdade é uma rela. Por aqui há muitas destas. Hoje de manhã estava à entrada de casa, já do lado de dentro. Eu era para colocá-la lá fora, no meio de umas plantas que ladeiam a porta, mas o que é certo é que acabei por esquecer-me. Lembrei-me vai para uma hora, quando de repente ela se pôs a coaxar como se tivesse um altifalante na boca. Como estava meio a dormitar ao computador ainda pensei que o Marcelo Rebelo de Sousa, que falava na televisão, se tinha passado da cabeça e então tinha desatado a falar num idioma novo, quem sabe por sugestão da RTP. Mas não, não era ele, era a rela. Uns minutos de buscas (já não estava no sítio onde a tinha visto de manhã) e dei com ela numa das travessas do postigo da porta de entrada. Fez-me lembrar o símbolo do Sapo ADSL, fez-me até chegar uma ideia, a de que a ligação à Internet está a funcionar bem mesmo aqui no meio da floresta porque vem através dela, que distribui o sinal tipo rooter. Anda hesitei entre colocar ou não a rela lá fora, nas plantas junto à porta. Mas um novo coaxar fez-me decidir. Agora está mesmo lá fora e apesar de ainda se ouvir o coaxar que faz de vez em quando já não provoca eco. E além disso a ligação à Internet não foi afectada.
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Mudança de planos

Tinha pensado escrever esta noite sobre a vitória do Sporting na Amadora – Estrela da Amadora 1 – Sporting 3 (Izmailov, Liedson, Vukcevic) –, colocar aqui alguns comentários, dizer o que achei do regresso do Vukcevic com um ar mais esquisito do que o que tinha antes. Mas não, depois daquela coisa estranhíssima do Benfica ir à Madeira ganhar por seis a zero (fiquei a saber do resultado há pouco, ou «há pedaço», como diz o Alberto João Jardim), depois disso, nem pensar. Não consigo escrever, ou melhor, não me apetece.
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Na volta, uma das frases do ano

Foi escrita por Rogério Casanova e apareceu ontem no suplemento «Actual», do «Expresso» (num texto sobre o mais recente romance de Paul Auster). Parece-me candidata a frase do ano – pelo menos eu não me lembraria de melhor. É esta: «A reputação de Auster sempre foi um dos grandes mistérios contemporâneos.»
(foto de Luis Magán)
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sábado, 6 de dezembro de 2008

Uma crónica de Luís Graça (7)

Sétima de uma série de crónicas do Luís Graça. As anteriores… Primeira, segunda, terceira, quarta, quinta e sexta.
Nota: esta crónica é a versão editada por mim de um comentário deixado pelo Luís ao que escrevi aqui sobre o último «Sporting – Porto» para a Taça de Portugal.
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Onde estou? Quem sou eu? Por que é que já não há futebol de jeito no campeonato português?
Eu bem queria ver o jogo, mas os imponderáveis impediram-me de chegar a tempo ao Snooker Clube, equipadinho com o pólo Stromp, de que tanto gosto.
A primeira vez que o vi ao vivo (já tinha visto em fotos antigas) foi na temporada de 1979/1980, com a linha atacante formada por Manoel, Manuel Fernandes e Jordão.
(Que grande golo marcou o Manoel a um grande ídolo meu, o sueco Ronnie Hellstrom, num jogo de má memória com o Kaiserslautern, arbitrado por um árbitro com nome de realizador de cinema de culto: John Carpenter. Acho que o jornal «A Bola» titulou «O Regresso do Mal», título português do famoso «Halloween». Vi o filme numa sessão das 18h30m do Monumental, com um auricular de transístor Sanyo e a ouvir o «Portugal – Itália» do Europeu de hóquei. Quando era golo de Portugal eu tirava o auricular do Sanyo e toda a gente festejava o golo de Portugal, enquanto um gajo com uma agulha de tricot andava a furar gente numa terreola dos Estados Unidos.)
Bem, como estive a ajudar os amigos a «desmontar a tenda» no Festival de BD da Amadora (e eu e o Eduardo Raposo ficámos presos na escada que dava acesso ao salão, porque àquela hora já só se podia sair, não dava para entrar outra vez; lá mandei um berro à menina que estava ao pé da ambulância, ela chamou o segurança, o segurança disse para saltarmos por cima de uns vasos com plantas que já estavam a bloquear o caminho para o piso inferior, a garagem; e da garagem subimos para a entrada do Festival, onde o Rui Brito e o Lameiras andavam à nossa procura, porque eu me tinha esquecido do telemóvel em casa).
Com tudo isto chegámos ao Snooker Clube só a tempo de sofrer com os penalties e nos batermos com uns cachorros especiais e uns pregos, cortesia do Zé. E nem foi preciso beber muito para esquecer. Depois fomos dar umas tacadas para o pano verde e já saímos bem dispostos. Estar com os amigos é bem mais importante do que sportingues, benficas e fcportos.
E o Snooker Clube é o local onde sou mais do que cliente, sou amigo e sempre bem tratado, apesar de o amigo Almeida ser do «inimigo» – Benfica. Mas é um «inimigo» fidalgo, fraterno e com sentido de humor. Ao ponto de me vir dar o cartaz de anúncio do «Sporting – Porto» para o campeonato nacional, no final da nossa desgraça.
– Ó Luís, é capaz de querer ficar com isto para recordação...
– Mas o amigo Almeida tem de autografar...
– Isso já não consigo...
E lá nos rimos os dois, que isto de ser do Sporting dá uma estaleca do camarquilhão nas derrotas.
Portanto, foram duas derrotas seguidinhas no Snooker Clube, equipado à Stromp. Mas não desisto. Hei-de lá ir ver o próximo Sporting – Porto, ou Porto – Sporting. E equipado com um pólo do Sporting. Mas por causa das coisas levo o outro pólo do Sporting, que também é lindíssimo. É aquele de fundo branco, com listas amarelas e verdes horizontais. Pode ser que pegue.
Enfim, saudações leoninas.
E nem sei o que se tem passado com a nossa equipa carismática e vencedora, a de ténis de mesa. Pelo meu lado, comecei o Campeonato do Inatel. Podem ler tudo brevemente em http://www.oprazerdamesa.blogspot.com/.
E as reportagens do Salão Erótico no blogue do BD Voyeur. É ir através do link do «Prazer da Mesa» até ao Kuentro (que é sobre BD) e depois o Kuentro avisa quando começar a mandar brasa sobre o Salão. Mal o Machado tenha tempo de postar, é só saúde e muitas mulheres nuas.
Algumas delas andaram em cima de mim. Ou melhor, do Dick Hard. Vou aparecer uma terça-feira destas no «Boa-noite, Alvim», na rábula com o Nuno Costa Santos. E mais não conto. Deve ser lá para o final de Novembro, princípios de Dezembro. Mas até pode ser uma terça anterior. Previsões só no final do encontro.
Viva a SIC Radical! Viva o Alvim! Viva o Nuno Costa Santos! Viva o Gimba! Viva o papagaio Baixinho! Viva o Pedro Dias! Viva o João Manzarra!
E vivam as miúdas do Curto-Circuito! Principalmente a Joana Dias, que faz anos no mesmo dia que eu. E aquela que curte gajas também é simpática. Já para não falar da fresquinha Rita Andrade.
Viva o «Cabaret da Coxa»! (pode ser que regresse, tenho um dedo mindinho a dizer-me coisas, eles andam a dar repetições do programa; será só coincidência?)
Realmente, eu não posso andar nos blogs. Perco-me. Não tenho GPS. Tudo isto a propósito da derrota do nosso clube... Então e quando é que durmo?
Estúpido! (é comigo, não é com vocês) Devia estar a preparar já o curso de escrita criativa que vou dar na Learning Inovation, ali para as bandas do El Corte Inglés, nas segundas e sextas-feiras de Fevereiro, entre as 18h e as 21h, com pausa para sexo, whisky e cigarrinho, a meio da sessão. Começa a 9 e acaba a 27. (mais pormenores pelo telefone 309912840)
Mas estou a dizer isto por acaso. Pagam-me o mesmo, independentemente do número de alunos.
Mas curto dar aulas numa rua com o nome de um homem que muito admiro (Ramalho Ortigão). E já conheci o caniche Pipo, que anda lá pela zona e «ladra porque quer que as pessoas lhe façam festas», segundo a versão da dona.
Olha lá, ó António, o Fernando Pessoa das paredes aí de casa e o ouriço das visitas nocturnas também ladram, ou isso é só o Monge e os colegas?
E por aqui me fico, que daqui a meia hora começam a martelar as paredes do prédio. As obras já duram há mais de um mês e meio, a darem-me cabo da cabeça. E eu para aqui. Não resisto aos blogs dos amigos. Amanhã (hoje!!!), se tiver enxaquecas, posso queixar-me?
Bem, o melhor é tomar um kainever, para ver se descanso o mínimo. Mas daqui a umas sete horas vou acordar tipo zombie. Onde estou? Quem sou eu? Por que é que já não há futebol de jeito no campeonato português?
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Leitura recomendada

Leitura recomendada a Cavaco Silva, doutorado em Literatura pela Universidade de Goa. Dois excertos… «A transacção acabaria por ser concretizada com base num relatório favorável entregue pelas próprias empresas de Porto Rico que tinham como investidor o libanês Abdul Rahman El-Assir, amigo do ex-ministro e que é descrito na imprensa internacional ‘como traficante de armas’.»/ «’Em Outubro de 2001, antes de os contratos de aquisição terem sido oficialmente celebrados, fui chamado para participar numa reunião em Lisboa, onde estavam presentes os responsáveis da SLN e o investidor das duas empresas’, revela Vieira Jordão. E adianta: ‘Foi um encontro fugaz e recordo-me que se chamava El-Assir e que era tratado por mister.’» Recomenda-se também a leitura disto.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A verdade…

A verdade é que não me apetece dizer nada sobre o Sporting 2 (Hélder Postiga, Liedson) – Guimarães 0. Entrámos na fase em que começamos a ganhar com facilidade depois de por incompetência nos termos deixado ficar para trás, como nas últimas épocas. A ver se esta acaba por ser diferente...
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Feliz Natal, senhor Lourenço

Divulgação do próximo curso de escrita criativa do Luís Graça (texto sem edição, colocado aqui exactamente como foi recebido por e-mail).
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LUÍS CARGA VOLTA À GRAÇA NA RUA DO JASMIM
O magnífico escritor, dramaturgo, poeta, jornalista, ensaísta, actor, travesti, publicitário, mesa-tenista, hidro-ginasta, romancista e modesto como o caraças Luís Graça vai voltar à carga com mais um curso de Escrita Criativa na Associação Agostinho da Silva, na Rua do Jasmim, número 11. Se não sabem onde é podem perguntar na esplanada do café do Príncipe Real, costuma lá estar o João Botelho. Ou perguntam ao pessoal que está a jogar à sueca na esquina que dá para a Rua do Jasmim. Para quem vem do snack-bar "O desejo" é subir a rua e entrar à esquerda no edifício da Junta de Freguesia das Mercês.
Como é um Curso de Escrita Criativa Natalícia será disputado entre 15/20 Dezembro, de segunda a sexta, mas podem meter a rapidíssima, se quiserem, embora se arrisquem a partir o motor. Horas: as ideais para qualquer pessoa civilizada: 18h/19h30m. (O Renato Epífânio é que manda e as inscrições são com ele, pelos telelés ring-ring-ring 96 704 42 86 e 21 34 22 783).
O quê?!? O 21 não é telelé? Ó pá, vão dar banho ao canis, venho eu de um clube de strip onde faltaram as húngaras que iam dar show lésbico e estão-me a chatear a carola com pormenores? Vejam lá se crescem.
O título do curso? O que é que isso interessa? Está bem, pronto, eu digo: FELIZ NATAL, SR.LOURENÇO.
Porquê? Porque é dado a partir de uma peça de teatro cá do Luís Graça (entrem em
www.gandaordinarice.blogspot.com --- cuidado com a bolinha vermelha nos outros dias --- e procurem a peça nos arquivos, a 16 de Setembro de 2007).
E a partir de uma obra cinematográfica menor de um realizador chinês, ou coreano, ou japonês, chamado Nagisa Oshima, ou Adalgisa China ou uma coisa assim. O gajo fez um filme que se chama "Feliz Natal, Mr.Lawrence". Mete gajos amarelos e o David Bowie. Vi no Trindade, no Porto, numa noite de Inverno e a minha mãe saiu a meio. Afinal, alguém tem de vender droga para sustentar a família. Mas como estava a chover muito ela deu a droga aos pombos (por isso é que as gaivotas do Porto agora já atacam os pombos, estão revoltadas com a falta de equidade) e voltou para a sala de cinema. No final perguntou-me:
--- Então, filho, gostaste?
--- Assim, assim. Estava à espera que o Bowie cantasse um tema ou dois. E o japonês era mesmo mau. Mas também não se pode esperar muito de um realizador desconhecido, um actor que vai para a cama com homens e mulheres e música de um gajo que é ladrão de motos em Tóquio. O nome do gajo diz tudo: Sakamoto.
Resumindo: venham mas é lá inscrever-se no curso, que as Private Dance não são à borla, uma Stout num club de strip normal custa 9 euros e um Drambuie 12. E nos clubes de strip ninguém acredita no Pai Natal.
Os gajos pagam-me na mesma, mesmo que os alunos fiquem na conversa no jardim do Príncipe Real e comecem a dar tangas do género: "Ai, coiso e tal, a porta estava fechada, pensámos que o stôr não vinha e fomo-nos embora".
Olhem, para mim é tinto. Por acaso até nem foi. Fiquei a mamar garrafinhas de cachaça com o Sardinha --- na rua, na rua, fora do horário de trabalho, que eu não conduzo e o Sardinha tinha de estar na lota de manhã cedo, no outro dia --- que é um bacano lá do ATL que controla os putos nos computadores e não deixa os gajos entrar na página da Assembleia da República. Acho muito bem que antes dos 18 anos a pornografia seja barrada.
Apareçam, paguem e comam umas fatias de bolo-rei no último dia do curso. Oferece a Associação.
No curso anterior ofereci eu bombons Mon Chérie, em homenagem à grande stripper bocagiana Mimi Monchérie.
O texto é muito grande, Inês? Que se lixe! A maior parte da malta só vê os bonecos. Quem aparecer é por causa do bolo-rei à borla e na esperança de encontrar "engates". A Escrita Criativa está na moda.
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António Souto – Crónica (6)

Sexta crónica de António Souto, depois desta, desta, desta, desta e desta. O António mantém uma crónica («Ex-abrupto») no jornal da sua terra («Jornal D’Angeja»). Esta é a da edição de Novembro.
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Uma crise de barriga cheia
Arrancou já o natal, quer se queira, quer não. Nas ruas da capital e noutras da periferia, as luminárias já brilham em cores e feitios sortidos. Os lojistas, porém, mantêm-se resistentes em montras toldadas de crise, sem decorações vistosas e apelativas. A procura é pouca, dizem, nem sequer olham para as vitrinas as pessoas de passo apressado que fazem contas à vida.
Já nem os assadores de castanhas se dão por satisfeitos do ofício que levam a dois euros a dúzia, de castanhas, bem entendido, que mais barato não podem, que há que remunerar as ditas, trazidas por intermediários de carrinhas a gasóleo que pagam o gasóleo e as portagens e os parques para estacionar no centro da cidade para a descarga, e depois há ainda o carvão e os quinhentos euros de seis em seis meses que têm de pagar de impostos, mais o trabalho de manhã à noite, ao frio e à chuva, que a seguir ao outono vem logo o inverno.
Parece haver uma excepção, a dos cauteleiros, uma classe irmã de engraxadores que, pela baixa das cidades, mantém a voz confiada em dar a ventura aos outros, e agora que aí vem a lotaria do natal a sorte é certa. Para os outros, claro está, que para aqueles também a crise lhes bate à porta, como a todos os eus, na primeira pessoa, sempre.
No ano passado, como nos anteriores, era mais ou menos o mesmo, mas este ano é que é, a crise não dá mesmo tréguas, têm sido, aliás, umas atrás das outras, agravou-se na américa de bush, passou pela europa e aterrou no posto de combustível mais próximo e no bpn aqui por baixo da nossa porta, tudo assim baixinho, em surdina, em minúsculas, e uns quantos sempre a comer e a beber à fartazana e a rirem-se ainda de nós pelas costas e pela frente.
São assim os torvelinhos da globalização, agora em marcha atrás, crêem os mais entusiastas, com obama a assomar já nos varandins da casa branca com as primeiras damas prazenteiras amainando as bolsas internacionais e as nossas. É esse o convencimento de muitos.
É essa a minha convicção, diz o deputado, é essa a minha convicção, diz o ministro, é essa a minha convicção, diz o presidente da república, é essa a nossa convicção, dizem os que menos desejam comprometer-se, e tão rapidamente começou a andar a «convicção» de boca em boca que pouco faltará para que se banalize todinha por tão trapaceiramente gasta.
E no entanto arrancou já o natal, quer se queira, quer não. E muito antes de nascer o redentor despontou já no topo da capital a maior árvore da europa, a árvore zon, enroupada meticulosamente em 1.625.000 microlâmpadas zon, 1.500 lâmpadas tipo bolinha zon, 90 estrelas néon zon e cerca de 13 quilómetros de mangueira luminosa zon, e tudo tudo zon zon respingado com um vistoso fogo à madeirense.
E nós olhamos para aquilo tudo e, num deslumbramento barroco, com tejo ao fundo, mandamos a crise às urtigas e borrifamo-nos para os desvarios todos de toda a gente.
Depois, refeitos, regressamos de barriga cheia à vida e vamos ao pão, que a fome é certa...
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A inteligência

O título deste post não é muito feliz, mas pronto, é o que se pode arranjar; tudo porque o post não é sobre a inteligência mas sobre a falta dela. Viu-se ontem à noite, no Sporting 2 (Miguel Veloso, Liedson) – Barcelona 5. A pouca inteligência de Paulo Bento como treinador ficou mais uma vez à vista logo antes de começar o jogo, uns minutos antes, quando foi conhecida a equipa. Pelas escolhas que fez, ou queria complicar tudo ou então não consegue ver a evidência de que uma equipa que inclui jogadores medíocres, sobretudo na defesa, corre o risco de a qualquer momento sofrer grandes dissabores. No jogo de ontem a defesa foi uma calamidade, salvando-se Grimi, de quem não tenho uma opinião por aí além. De Daniel Carriço pouco sei, mas a ideia que me dá é de que não vai sair dali nenhum craque (não se atrapalha com a bola como Polga e Caneira, mas há qualquer coisa de estranho nele, uma certa falta de à-vontade, uma maneira estranha de correr, e depois a própria figura não é bem a do costumeiro jogador de futebol, mais parecendo um actor de cinema dos anos quarenta ou cinquenta; cinema norte-americano, não daqueles filmes chamados «portugueses»). Mas o problema maior esteve nos outros dois elementos, Polga e Caneira, cada um com um golo na própria baliza, coisa que numa equipa com uma defesa normal seria uma notícia tipo jornal do incrível mas que neste caso acaba por ser, digamos assim, compreensível. Já escrevi várias vezes que os dois são iguais na mediocridade mas com uma grande diferença: enquanto Polga é um lutador incansável, Caneira parece sofrer de uma apatia crónica de que só se livra lá de tempos a tempos, quando algum jornalista cai na asneira de lhe fazer uma entrevista e aí ele pode sobressair a contar anedotas como aquela de ser «um grande líder».
De ontem, a ideia que fica é a de que não havia hipótese de o Sporting não ser goleado. Primeiro a maneira como o actor de cinema se deixou enganar por Messi para um primeiro golo inacreditável. Depois o auto-golo de Polga, sem saber o que fazer com a bola. A seguir, a parvoíce de Polga a deixar marcar o livre para o terceiro golo do Barcelona. E depois ainda, cúmulo da asneira na noite de ontem… Passados dois minutos de sorte em que foi possível a equipa reentrar na discussão do resultado, bastaram alguns segundos para Caneira repor as coisas no caminho da tragédia, chutando a bola à maluca com a canela para dentro da própria baliza.
O estranho de tudo isto, para além da questão da inteligência, é que os responsáveis do Sporting parecem encarar uma goleada em casa por cinco a dois com absoluta normalidade (ver aqui algumas declarações absolutamente patéticas). Ganhar, perder, empatar, ser goleado, golear, parece que é tudo igual. Se calhar até têm razão; afinal, não passa de um jogo de futebol. Mas na História vai ficar registado, cabazada em casa com o Barcelona, cinco a dois, a mesma diferença dos célebres seis a três.
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domingo, 23 de novembro de 2008

Uma pergunta

Quantos antigos ajudantes de Cavaco Silva poderão estar atolados no lodo do BPN?
vvv
Já agora, além da pergunta, um comentário: pôr a tratar dos impostos dos portugueses um tipo que lá na terra dele era conhecido por Zeca Diabo é bem revelador da ligeireza com que o actual presidente da República por vezes trata as questões do país.
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As convicções mais profundas

Estou convencido de que estava certo quando em tempos escrevi aqui que nunca votaria num partido liderado por Manuela Ferreira Leite; numas eleições com ela candidata a primeira-ministra, eu certamente votaria em branco. As declarações que fez sobre a suspensão da democracia por seis meses, como outras parvoíces que já disse, confirmam que é uma pessoa de outro tempo, até um pouco perigosa. Mesmo que se diga que estava a tentar fazer humor à volta de um regresso da ditadura, é mais do que óbvio que esse humor falhado lhe veio das suas convicções mais profundas.
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Confirmações

Os jogos do Sporting para o campeonato agora já pouco interessam, de qualquer forma sempre posso dizer alguma coisa sobre o Naval 0 – Sporting 1 (Liedson). Foram várias as confirmações. A equipa continua uma confusão. Derlei tem tanto de bom jogador como de destrambelhado (passe para o golo e mais uma expulsão). Liedson é mesmo muito bom e se a equipa tivesse para cada posição um jogador do nível dele poderia ganhar com relativa facilidade a Liga dos Campeões. Caneira é definitivamente um caso perdido (o penalty à maluca do costume, uma expulsão que só revela irresponsabilidade e a tradicional falta de aplicação, para além do pouco jeito que sempre revela quando a bola está por perto). Já Paulo Bento está cada vez mais confuso, como o prova a opção por um avançado (Hélder Postiga) a fazer de maestro da equipa, e além de confuso insiste nas declarações parvas e de baixo nível, como as que fez ontem logo a seguir ao jogo e que depois da insistência do jornalista não teve coragem de concretizar; receio que se esteja a perder o treinador que em tempos muito prometia (apesar de se notar que era algo limitado em certas coisas) e que eu até tinha orgulho em ver à frente da equipa do Sporting.
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Revista «Ler»

Há umas semanas que tenho a «Ler» de Novembro em casa, mas só agora lhe consegui pegar com olhos de ver. Muito boa a entrevista de Carlos Vaz Marques com Miguel Esteves Cardoso, ou a entrevista que Miguel Esteves Cardoso deu a Carlos Vaz Marques, nem sei como diga. Uma coisa estranha… Há que tempos que não via o Miguel Esteves Cardoso. Fiquei impressionado por dar com ele mais gordo; mais um pouco e fica como o Rochemback.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A falta de tempo

Não tive tempo para colocar nada aqui sobre o jogo do Leixões – Sporting 0, Leixões 1 –, mas também nem saberia o que escrever, tirando algo sobre o facto de o Leixões ter ganho muito bem. Confirma-se que Paulo Bento anda empenhadíssimo em passar de cavalo para burro, pelo que faz e sobretudo pelo que diz.
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domingo, 16 de novembro de 2008

Projecto «human»

O meu novo desafio profissional é o projecto «human», da empresa Just Media. Entre outras coisas, o projecto tem uma revista mensal, que começará a sair em Janeiro de 2009 (revista «human»), e um portal de actualização diária, já a partir desta segunda-feira, dia 17.
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sábado, 15 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A saída da Taça

Qualquer coisa me dizia que o jogo – Sporting 1 (Liedson), Porto 1 (eliminação nos penalties) – não ia correr bem. Mas depois do começo viu-se que não; de um lado o Sporting a jogar muito bem e com uma grande capacidade de luta, do outro uma equipa a parecer que não tinha um mínimo de categoria. Depois, na segunda parte, a mudança; o Sporting a cair e o Porto a ganhar força. No fim, uma desgraça, com a eliminação no desempate por penalties e eu a lembrar-me do pessimismo inicial. Deixo ainda algumas notas…
- a arbitragem foi uma vergonha, mas mesmo assim ainda me parece que nem temos muita razão de queixa (penalty por marcar numa mão de Rolando, outro numa agressão de Rochemback ao mesmo Rolando, e ouvi falar de outro de Rui Patrício sobre Hulk no lance da expulsão de Caneira, mas não perebi bem a jogada); além da expulsão perdoada a Rochemback e do segundo amarelo a Caneira que deveria ter sido vermelho directo depois da bárbara agressão a Hulk;
- o golo do Porto foi patético, com Hulk a correr mais de cinquenta metros sem que o leitão Rochemback o conseguisse apanhar, nem para fazer uma falta;
- Caneira além da falta de jeito para o futebol não prima pela inteligência (mesmo depois de ter escapado do vermelho directo na agressão a Hulk, ainda se armou em parvo com o avançado brasileiro – resultado, amarelo para os dois, e logo Caneira que já tinha um primeiro amarelo);
- ainda o golo do Porto – fez-me lembrar um outro, há duas épocas, o do empate a um do Paços de Ferreira em casa contra o Sporting, quando Caneira também ficou nas lonas enquanto o avançado Cristiano corria para rematar à baliza (na imagem); esse golo pode ter custado o campeonato nessa época;
- Polga jogou muito bem, muito esforçado, incansável, e até marcou um penalty com segurança (se tivesse controlo sobre a bola, com a capacidade de luta que demonstra seria um jogador fantástico);
- Paulo Bento não interveio no jogo, não percebo por quê (nem ele se calhar percebe); fez no banco mais ou menos o que Filipe Soares Franco fez na tribuna ao lado de Pinto da Costa;
- Foi bom ver Yannick de volta, depois da inexplicável embirração de Paulo Bento, que insiste em deixá-lo de fora;
- Jesualdo Ferreira, um anti-desportista encartado, fartou-se de protestar no lance em que Hulk simulou um penalty e foi expulso;
- eu nunca mandaria Rochemback ou Abel marcarem os penalties, nem Polga, o único dos três que não falhou;
- na volta Stojkovic talvez tivesse chegado a alguma das bolas rematadas nos penalties pelos jogadores do Porto;
- Romagnoli estava a jogar muito bem, e até a lutar mais do que o costume, mas teve de ser sacrificado numa substituição por um defesa depois da estupidez do medíocre Caneira, que não descansou enquanto não conseguiu ser expulso;
- Pinto da Costa abandonou a tribuna a pedir desculpa por ter passado a eliminatória; Soares Franco, de pé, não se cansava de bater palmas, ao mesmo tempo que mostrava um semblante difícil de classificar (triste?, alegre?, nem uma coisa nem outra?)
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sábado, 8 de novembro de 2008

Um convite

É para dia 25 este convite. Deixo-o aqui socorrendo-me de algumas palavras do próprio autor, de um e-mail que me enviou ontem à tarde.
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Vou lançar o meu novo livro intitulado «A Arte de Ver e Superar» (editora Sinais de Fogo) no próximo dia 25 de Novembro de 2008 (Terça-feira), na FNAC do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, pelas 19h00.
A apresentação estará a cargo de dois professores universitários:
– Sidónio Serpa (psicólogo e docente da Faculdade de Motricidade Humana, UTL);
– Carlos Saraiva Alves (economista e docente do Instituto Superior de Gestão, ISG).
Considerando que se trata sempre de um momento simbólico, mas importante para o autor, quero convidar os amigos e as pessoas da minha teia de contactos para estarem presentes nesta sessão.
É um livro no âmbito do desenvolvimento pessoal e da «auto-ajuda», que é simples e provocador, mas muito sério. Levanta questões tão diversas como:
– aquilo que não conseguimos «ver»;
– superação de obstáculos na nossa vida;
– o nosso auto-aperfeiçoamento;
– a nossa integração no todo colectivo;
– como encaramos o mundo do trabalho e derivados;
– valorização do bem precioso que é a saúde;
– preservação das relações mais fortes;
– as preocupações ecológicas;
– a postura activa em favor de um mundo melhor.
Espero que possa comparecer e que goste da sessão e do livro.
Se me quiser ajudar a divulgar esta sessão junto de outras pessoas que gostem de livros e potencialmente interessadas, desde já fico muito grato.
Com as minhas mais cordiais saudações,
Rodolfo Miguel Bacelar Begonha
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Uma história com piada

Tem piada esta história do escritor português que era para ganhar o «Prémio Portugal Telecom de Literatura» e que acabou por não ganhar por terem medo de que ele não fosse ao Brasil receber a taça, perdão, o cheque. Não sei se é verdadeira, mas tem realmente piada. Eu, por mim, se por qualquer desvario do mundo me dessem o prémio posso desde já assegurar que ia lá ao Brasil recebê-lo. Mais difícil seria apanharem-me por estes tempos na cerimónia de entrega do «Grande Prémio do Romance e da Novela da APE», com o Cavaco nas entregas. Enfim, havia sempre a hipótese de mandar o editor, ou alguém da família; ou então fazer de conta que não era nada de grave, ir lá tipo zombie e dizer meias dúzia de coisas para não dar muita barraca.
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Uma festa difícil de perceber

Por falta de tempo não consegui mesmo ver o Sporting na terça-feira à noite com os ucranianos – Sporting 1 (Derlei), Shakhtar Donetsk 0. Também por falta de tempo só agora escrevo esta nota. A vitória deu a qualificação antecipada para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Uma festa, pelo menos foi o que me pareceu do que ia ouvindo no rádio do carro. Não percebi bem a razão. A qualificação é algo de muito bom, mas é apenas para os oitavos de final. Se fosse para umas meias-finais ou para a final, ou se fosse a vitória na própria Liga dos Campeões, tudo bem. Mas tanto barulho pelo nada de passar aos oitavos de final… Escusava até de aparecer gente com lembranças de não estarmos tão adiantados nesta competição desde 1982, quando chegámos aos quartos de final e fomos eliminados pelos espanhóis da Real Sociedade – já agora, convém lembrar que por esses tempos ainda havia a Taça dos Clubes Campeões Europeus, e que tudo começava apenas uma eliminatória antes dos oitavos de final; para cair frente à Real Sociedad (1-0 e 0-2) bastou ao Sporting eliminar o Dinamo de Zagreb (0-1 e 3-0, com três golos do próprio treinador, o último dos quais magistral) e o CSKA de Sofia (2-2 e 0-0).
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Falo do golo magistral aqui.
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terça-feira, 4 de novembro de 2008

O nome num texto

Ver o meu nome neste texto deixa-me cheio de orgulho, claro.
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António Souto – Crónica (5)

Quinta crónica de António Souto, depois desta, desta, desta e desta . O António mantém uma crónica («Ex-abrupto») no jornal da sua terra («Jornal D’Angeja»). Esta é a da edição de Outubro.
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Contos (d)e realidades
«A Última Colina» (1), um livro de Urbano Tavares Rodrigues, o mais recente, uma antologia de contos.
Admiro o autor (que tenho o privilégio de conhecer e de o ter modestamente como amigo), a sua bondade (sempre presente no olhar e no trato), o modo como governa a palavra, a sua mestria no falar e no dizer, o seu aprumo de valores.
A descoberta que fiz da/ na sua obra foi mais do que isto mesmo, foi uma revelação, um modo único de desvendar o homem e os afectos, um modo único de aprender as relações insidiosas entre os homens, mas, igualmente, a sua capacidade de perdoar, mesmo quando as consequências das atrocidades ficam indelevelmente gravadas na memória.
Em «A Última Colina» retomam-se estas dimensões. O registo do passado (de um passado-presente) vagueia pelos interstícios do texto, confundindo-se com as marcas da solidariedade e da fraternidade; a ternura e os apegos parecem ainda dar as mãos a uma ânsia de amar e de partilhar carícias. A juventude do autor (que em breve festejará os 85 anos) emerge por entre salpicos de alguma consciente desistência. Só nisto dói a leitura de um ou outro conto.
E depois há os outros, de uma manifesta actualidade.
(…) «Aquele palácio tinha a ver mais comigo do que jamais poderia ter imaginado.
Quem me guiava agora, através da pequena multidão de convidados, era a minha mulher, com o sorriso meigo dos seus melhores dias e um leve lume irónico nos grandes olhos verdes.
Acotovelávamos damas ultrapomposas, outras balofas e outras despidas em veludos e sedas rangentes, empresários vermelhos e atléticos, tostados pelo sol da riqueza ou com barbas altivas. Gente que falava de novas marcas e estratégias do poder, do simpático Bill Gates e da Microsoft, mas também de publicidade, de futebol, da televisão, numa linguagem cheia de segurança e de chavões. Eram os senhores do dinheiro e os senhores do mundo.
Olhámo-nos, eu e a minha mulher, com cumplicidade. ‘Têm os governantes necessariamente de se apalhaçar assim para agradarem e falar tanto em democracia e liberdade quando cada vez mais desses valores se distanciam? Teremos de gramar eternamente as mesmas obesidades mentais, a mesma mediocridade, o mesmo egoísmo palrador?’» (…)
(2)
Conto atrás de conto, revisitam-se lugares, vozes e perfumes, reconstrói-se uma vida. A vida de quem soube compreender as injustiças da Vida.
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Vida que insiste em manter-se injusta. Em tornar-nos semelhantes e diferentes, discriminadamente desiguais. Povos do Norte e Povos do Sul, desenvolvidos e subdesenvolvidos, ricos e pobres.
Porém, quando a Europa se une – os outros, mal deles, são os outros –, ficamos todos (nós) repentinamente mais ricos, porque mais unidos na fartura. Mais iguais. Pelo menos é o que nos dizem.
Mas quando umas parcas linhas de jornal nos noticiam que nós, daqui, portugueses, tardamos cerca de dois anos, em relação ao resto da Europa, a usufruir de novas terapêuticas, só porque os medicamentos mais eficazes, por serem caros, custam também aqui a chegar – como agora acontece no caso do cancro do pulmão –, então enxergamos como a ficção é tão real e tão oportunas são as palavras de Urbano Tavares Rodrigues…
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(1) «A Última Colina» (contos), Dom Quixote, Setembro de 2008
(2) In «Um Dia na Vida»
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Vale a pena

Sobre a falência do Banco Português de Negócios (BPN), vale a pena ler este excelente artigo de Pedro Santos Guerreiro. Pessoalmente, não posso deixar de esboçar um certo sorriso ao ler o seguinte excerto, onde o director do «Jornal de Negócios» fala de José de Oliveira e Costa: «que hostilizou a Deloitte, quando a auditora lhe fez reservas às contas; que contratou, para a substituir, a BDO Binder que, entretanto, caucinou sem pestanejo as contas anuais».
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Uma pergunta

Depois disto, disto e agora disto, será que ainda falta alguma coisa para demitir este tipo e impedi-lo de exercer cargos públicos em Portugal?
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Em Fevereiro

Afinal, o meu próximo romance, que pensei que seria publicado ainda este ano, fica para Fevereiro. Culpa minha, que me atrasei uns dias. É o que dá não ter a rapidez do Rodrigues dos Santos (sempre a abrir, tipo o que vem à rede é peixe), ou não ter nascido com duas ou três «vozes do eu», como parece que acontece com o Lobo Antunes, segundo ele conta («vozes do eu», ou seja, «vozes sem nome que estão dentro de nós», «vozes» que na volta vão ditando tudo, e o escritor, imagino, faz um bocado o papel de secretário, ou de dactilógrafo). Mas pronto, cada um desenrasca-se como pode.
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A rapariga da praia

Há uns dias, pelo fim da tarde, não muito longe daqui.
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O primeiro erro do arquipélago

Já contei a história uma vez num programa da Antena 1. O dia em que eu deixei de ler os livros de António Lobo Antunes. Eu lia tudo o que o homem escrevia, depois da descoberta de um belíssimo romance chamado «As Naus» (o grande livro de Lobo Antunes e que segundo julgo saber esteve para se chamar «O Regresso das Caravelas»). Lia tudo mas ao mesmo tempo sentia como que uma certa incomodidade, cada vez mais. Um dia dos primeiros anos da década de noventa. Eu a ler mais um romance, e a incomodidade cada vez mais notória. Uma família desgraçada que vivia em Alcântara. Uma rapariga, o tipo que vivia com ela e também o pai da rapariga. O pai sempre num sofrimento (doença). Os pormenores desse sofrimento. A casa que eu imaginava quase com as paredes a desfazerem-se. Um dia, não levava ainda muitas páginas lidas do romance, um dia disse para comigo: «Não, eu não estou para isto. Nunca mais leio os livros do Lobo Antunes.» E a verdade é que deixei de ler.
Até agora, vai para uns quinze anos. Nunca mais, nem um dos romances que entretanto foram saindo. De vez em quando fazem-me chegar a última novidade. E eu, nada. Nem uma espreitadela. Até quarta-feira da semana passada. «O Arquipélago da Insónia». Mais um envio, na volta um milagre qualquer, e o livro veio-me parar às mãos. Tenho-o aqui ao lado da secretária. Já folheei e pouco consegui perceber. Nem chegou para me assustar. O sofrimento de sempre; pressinto que está lá, mais do que isso, mais do que pressentir, tenho a certeza de que está lá. Ainda por cima reparei num erro logo na primeira frase, uma pequena palavra que ficou esquecida. «De onde me virá a impressão que na casa, apesar de igual, quase tudo lhe falta?»
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domingo, 2 de novembro de 2008

«Em Rio Ave»

Felizmente o jogo de ontem à noite em Vila do Conde – Rio Ave 0, Sporting 1 (Liedson) – correu bem; ganhámos, o assustador Caneira passou despercebido no regresso, Liedson vai mostrando que não desaprendeu e desta vez parece que Paulo Bento nem disse nenhuma asneira quando foi para falar. Mas atenção, isto é muito importante; ou seja, eu estou totalmente em desacordo com o pedido que o Francisco faz aqui.
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Nota: pedi emprestado o título deste post a alguns jornalistas que teimam em dizer «no jogo disputado em Rio Ave» em vez de «no jogo disputado em Vila do Conde».
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sábado, 1 de novembro de 2008

Hoje de manhã

Hoje de manhã, por aqui, depois do corte da lenha.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O mar, um destes dias

Uma crónica de Luís Graça (6)

Sexta de uma série de crónicas do Luís Graça. Anteriores: 1, 2, 3, 4 e 5.
Nota: escrita para o projecto «Cidades Crónicas», um espaço da lusofonia com grande colaboração de brasileiros (o que justifica certas explicações ao longo do texto); o Luís participou no projecto em 2006 e 2007 a convite do seu criador, Paulo José Miranda.
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Um mouro na invicta
«Mouros, mouros, andamos nós a trabalhar o ano inteiro lá em cima para vocês torrarem tudo cá em baixo.»
Foi assim. Há uns anos valentes. Um adepto portista (torcedor do Futebol Clube do Porto) e portuense (presumo que o senhor fosse natural ou habitante da Cidade Invicta) não resistiu às provocações bem-humoradas de um adepto do Sporting em pleno Estádio de Alvalade (o antigo estádio do Sporting, em Lisboa).
A discussão começara a propósito de uma jogada qualquer entre «leões» (Sporting) e «dragões» (Porto). Rapidamente passou do futebol para o famoso e clássico Porto – Lisboa, bem ao estilo de um duelo verbal entre cariocas e paulistas.
Esta pequena história, presenciada na bancada Superior Norte de Alvalade por um sportinguista (eu) e um portista e portuense (o meu amigo Manuel Perez), serve para ilustrar as enormes diferenças culturais que três centenas de quilómetros podem provocar.
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Gosto do Porto. Do Porto-cidade de gente com o coração quente e a língua sempre afiada para um vernáculo consagrado, cujo templo é o Mercado do Bolhão, onde as vendedoras exercitam a bem-falância de insultar sem maldade, como dizia outro amigo meu, que exerce o mister de camionista.
Passei mais de dez anos sem ir ao Porto. O casamento de uma prima levou-me de volta às margens do Douro (o rio que banha a cidade, onde navegam os barcos com os tonéis do famoso Vinho do Porto).
Fiquei triste. A crise económica e as obras deram à cidade um ar ainda mais cinzento e circunspecto do que aquele que lhe era já bem tradicional.
Na Praça da Batalha, onde fiquei instalado, os toxicodependentes misturam-se com as gaivotas e os pombos (em confrontos por vezes letais para os pombos, na discussão da migalha diária); com os estudantes que desenham a fachada do imponente Teatro de S. João, enquanto a cem metros de distância a palavra «Águia» no topo de um edifício sujo é apenas um jazigo do defunto cinema onde os cartazes de «Os Vikings» (com Kirk Douglas e Tony Curtis, realizado pelo falecido Richard Fleisher) me fascinaram sem remissão.
Em pleno século XXI, há pessoas que consideram andar de skate um passatempo eticamente reprovável. Em frente do falecido cinema, os miúdos espinoteiam alegremente, enquanto um cidadão não resiste a invectivá-los: «Vão trabalhar, caralho!»
O Porto é agora uma cidade em que os grandes centros comerciais asfixiaram o pequeno comércio. As lojas são cada vez mais iguais. E mesmo a vetusta Livraria Lello, um prodígio arquitectónico, não resiste à ignorância de algumas pessoas, porque os livros são um luxo. «A Lello? Não sei. Mas há ali uma livraria antiga.»
O Majestic, deslumbrante café no centro da cidade (na Rua de Santa Catarina, que deu origem ao pequeno poema de Jorge de Sousa Braga, chamado «Nos semáforos de Santa Catarina» – «ao menos os teus olhos/ permanecem verdes/ todo o ano») é mais frequentado por estrangeiros do que por portugueses. Paga-se nove euros e setenta e cinco cêntimos por um «Chá à Majectic» (dá direito a chá, cacau ou leite, torradas com compota, scones e uma tarte), mas sabe-se que é apenas um investimento. A limpeza da alma também se paga. Faz muito bem ficar sentado nas mesas do Majestic a ouvir o piano e ver os empregados a circular nas suas fardas brancas, a lembrar os grumetes de navio.
À noite, sai-se do Majestic, sobe-se a Rua de Santa Catarina e corta-se à esquerda por alturas do Automóvel Clube de Portugal. Junta de Freguesia de Santo Ildefonso. Por baixo de um dos únicos edifícios construídos em Portugal para abrigar jornais (no caso o «Jornal de Notícias», líder de vendas), travestis brasileiros e putas portuenses de baixo nível dividem o território numa aparente coexistência pacífica, lado a lado. Nem Santa Catarina nem Santo Ildefonso valem de nada, para as presas dos azares da vida, sejam brasileiras ou lusitanas. Os carros passam no viaduto. As putas estão paradas à chuva. A vida continua.
Alguns metros acima, o Pérola Negra (há não muitos anos famoso pelos espectáculos de sexo ao vivo) converteu-se à língua inglesa e vende Table Dances a cinquenta euros, com entrada a vinte e cinco, correspondente ao consumo mínimo. De ténis não se pode entrar. Nem tampouco de boné, gorro ou lenço na cabeça.
Fiquei à porta. Vi as fotos das strippers. Cheiro de Leste e Brasil. Mas não soube se eram apenas fotos exemplificativas ou se correspondiam às strippers a trabalhar na casa.
A madrugada pode ser boa conselheira. Aconselhou-me a ler a situação. Raciocínio rápido, marcha lenta e descontraída. Podem ser uma boa combinação para evitar um assalto. Não sei se ia acontecer. Podia ter acontecido. Como um pequeno tubarão curioso, um sujeito de mau aspecto e cabelo apanhado em rabo-de-cavalo farejou-me a existência despistada. Talvez a burguesa exibição do meu blusão de pele proporcionasse pensamentos libidinosos ao moinante.
A precaução não deixou o pânico tomar conta de mim. A Câmara Municipal estava a cinco minutos de distância, numa avenida central agora transformada em terreno bombardeado por B-52. Ou talvez seja apenas as crateras/ cicatrizes provocadas pelas obras do Metropolitano.
Um café clássico está travestido de MacDonalds. Não chove, mas está frio. O blusão e o cachecol sabem-me bem. Regresso à Messe da Batalha com duas sanduíches de queijo embrulhadas.
Passa das duas da manhã. Leio os jornais do dia, presos a um pau, fechado a cadeado. Um hábito que não conheço em mais lado nenhum. Como se o leitor se pudesse transformar em toureiro e sacasse de meia-dúzia de verónicas (passe de toureio) para fintar as más notícias com traje de luzes.
Na secção de «Massagens», o calor humano do Porto faz-se sentir. É uma prostituição mais aconchegante, como uma sopa dos pobres, como um pedido de desculpas, uma carícia nos cabelos encaracolados do Princípezinho de Saint-Exupéry. «O que significa cativar?»
«Universitária + amiga. Por necessidade atendem cavalheiros e casais. Show lésbico.»
«25 anos. Faz convívios para poder pagar a renda. Ajude-me.»
«A iniciar. Polaca. Seja educado.»
«Senhora 25 A, loira. Não sou profissional. Recebe alguns amigos em troca de pequena ajuda. Não ligue para brincar.»
Priscila, mulata brasileira, quer brincar. Gosta de sexo. É garota de programa há sete meses. Confessa muita coisa no blog e recusa comparações com Bruna Surfistinha, que começou por se prostituir, experimentou a escrita epistolar blogueira, lançou um livro e reformou-se como celebridade nacional, sem perder a vergonha de sentir o peso da condenação familiar.
Priscila diz apenas que a sua família não pode saber.
Mas não tem medo de assumir a sua preferência clubística: Benfica. Há posts e mais posts sobre o seu clube do coração em Portugal. E nem sequer se importa que os jogadores do Futebol Clube do Porto que conhece pessoalmente possam ficar irritados com o facto. A ideia não é essa.
Para além do Benfica, os clientes também dão prazer a Priscila, que tem de fazer um esforço para não se deixar envolver. Priscila tem orgasmos com os clientes. Precisa de quarenta minutos antes de qualquer marcação. Porque não há desculpas para o desleixo e a falta de higiene. Aprendeu com os seus pais.
«O trem é bagunçado, mas mesmo assim tem gerência.»
Priscila choca-se com a falta de exigência de alguns clientes. É vaidosa. Escreve muitas vezes que é gostosa.
«Tem uns [clientes] que não dispensam nada. Pegam tudo que é bagaceira.»
E o casamento?
A minha prima Irene pegou na faca e arrependeu-se à última da hora, olhando com alguma desconfiança para o bolo de noiva.
«Passo-lhe a palavra para cortar o bolo.» E o sabre imponente passou para as mãos do diligente funcionário do Hotel Nave.
Fui para o bar, ver um jogo de voleibol entre o Benfica e o Vitória de Guimarães. Até à hora do futebol (Sporting de Braga – Benfica) estive só. Depois o bar fervilhou de provocações, uns pelo Benfica, outros contra.
Acordei sem ressacas e fui fazer uma aula de hidroginástica para o Holmes Place da Boavista, onde encontrei um campeão de Riade (Portugal foi campeão mundial de Sub-20 na Arábia Saudita, em 1989). Como agora tenho barba, o Jorge Couto não me reconheceu.
Anónimo continuei na hidroginástica. Mas a sentir o calor humano dentro de água, principalmente quando a monitora Rosália se mandou para dentro da piscina vestida e tudo, executando os exercícios com os alunos, num carnaval de ritmo e salpicos que meteu «rodinhas» e «lagartinhas». No Holmes do Arrábida Shopping (em Gaia, do outro lado do Rio Douro) senti o mesmo calor humano dentro de água. Com um núcleo totalmente diferente.
Regressei de comboio, a ler a revista «Águas Furtadas», cujo editor é o meu amigo Rui Amaral, que já não encontrava desde 1996. Prometi-lhe um conto.
E bamos acabar esta crónica, carago, que já bai longa.
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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Um bocadinho de um conto

É apenas um bocadinho de um conto. O primeiro bocadinho que aqui coloco do livro de contos que tenho vindo a escrever e que ainda demorará algum tempo a acabar. O pequeno Chuckie em todos os contos, e muitos animais; para já tenho duas perdizes, uma gineta, uma águia, um lagarto e um javali.
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O pai do pequeno Chuckie costumava falar de uma mulher a quem chamavam a Perdizinha, uma mulher de tempos já passados. Tratavam-na assim porque era muito pequena, mas sobretudo por andar depressa. Uma mulher rápida e pequenina, um verdadeiro contraste com outra desses tempos, a Pata Larga, forte, alta e sempre a gabar-se de que calçava o quarenta e três. A Pata Larga, tinha-lhe o pai contado, falava como se carregasse na boca dois torrões de terra, um de cada lado, quem sabe se por causa dos equilíbrios, embora ela não precisasse muito de equilíbrios, principalmente por causa dos pés alongados.
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Dois cobradores de fraque

António Souto – Crónica (4)

Quarta crónica de António Souto, depois desta, desta e desta. O António mantém uma crónica («Ex-abrupto») no jornal da sua terra («Jornal D’Angeja»). Esta é a da edição de Setembro.
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Desatinos daqui e da terra do Pai Natal
Situação delicada! Enorme transtorno! Dieta forçada! O refeitório do Parlamento, por recomendação da ASAE, encerra para melhoramentos. A ASAE irrompe finalmente pelo poder legislativo adentro. Nada de especial, nada de privilégios, o exemplo deve vir de cima. A lei é a lei, que é como quem diz, dura lex sed lex! O problema, diz a televisão, é que os trabalhos de requalificação só agora vão começar, terminadas que são as férias no hemiciclo, e por um período previsível de dois meses; e o maior problema é que, como todos sabem, em Portugal a previsão das obras acaba sempre por se arrastar um pouco mais; e o problema maior de todos é os senhores deputados ficarem sem local para as suas refeições, e logo por um lapso de tempo tão grande. Só faltou mesmo acrescentar: Um escândalo!
Sim, porque isto gera um enorme transtorno na vida horária das sessões e dos plenários (e já basta terem-se os senhores deputados deslocado para a sala do Senado, que a principal também se encontra em obras de beneficiação), e então nos outros lugares amesendados nas imediações da Assembleia da República nem se fala, que não estão por certo preparados para esta imprevista correria sazonal dos parlamentares, para já não falar no desembolso acrescido que estes terão de suportar, que o subsídio de refeição não dará para cobrir a conta dos almoços. Um incómodo dos diabos, como se antevê. E por isso a televisão compareceu e deu eco deste desconcerto, porque Assembleia da República há só uma e nela está Portugal inteiro.
Nada que se compare com escolas sem refeitórios (ainda), com alunos sem refeições e com pais sem dinheiro para elas, mas escolas há muitas e a televisão não pode chegar a todas, e como não pode chegar a todas o melhor é não chegar a nenhuma. Mas a ASAE est(ar)á atenta.
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GNR consegue evitar que caixa multibanco seja esventrada no meio dum despovoado. Cenário: uma carrinha com porta traseira aberta; caixa multibanco fora da carrinha, no chão; um gerador de corrente eléctrica; uma rebarbadora; um agente da autoridade explicando o sucedido à televisão. Os larápios foram «apanhados» em flagrante a tentar abrir à força a dita caixa, certamente uma das que fora roubada nas vésperas.
«Apanhados» é como quem diz, que os indivíduos conseguiram fugir numa viatura de alta cilindrada, pelos vistos pelo ermo afora, a toda a velocidade, mas os agentes tinham tudo controlado (ou quase), que quando desconfiaram de algumas movimentações deram logo o alerta a outras forças, e outras patrulhas cercaram logo a zona. Depois foi só surpreendê-los com a boca na botija, ou quase, que eles avistaram os captores e esgueiraram-se pelo descampado além, num carro de alta cilindrada. E estavam armados, estavam, mas não houve troca de tiros, ninguém se magoou, até porque os larápios abalaram a todo o gás numa viatura de alta cilindrada por entre as patrulhas que os cercavam. E para trás ficava a prova do êxito da operação, a caixa multibanco por arrombar com gerador eléctrico e esmerilhadeira ao lado. Tudo como planeado, só que os artistas tinham um carro de alta cilindrada e romperam o cerco, o cerco que as patrulhas tinham montado naquele quase montado. Isto há dias aziagos…
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Dia vinte e três de Setembro. «Na Finlândia, pela segunda vez em dez meses», um novo massacre numa escola. Da primeira vez, foram assassinados oito jovens; desta vez, foram assassinados dez jovens e feridos três. Cite-se a imprensa: «Em Novembro, um jovem de 18 anos, Pekka-Eric, entrou armado na escola secundária local e matou sete colegas e uma professora. Agora, Matti Juhani Saari terá procurado copiar o massacre de Tuusula em muitos dos seus pormenores. Tal como Pekka-Eric, também se filmou a disparar, imitou as mesmas posições e colocou o vídeo na Internet. Lado a lado, as imagens parecem a repetição do mesmo acontecimento.» Armas, novas tecnologias, juventude – matéria que dá que pensar, sobretudo quando esta questão se passa no país da Nokia e do Pai Natal, num país do norte, país-referência, exemplar, para muitos outros países como nós, ditos do sul da Europa. Num depoimento de alguém que conhece bem a realidade da Finlândia, acrescenta-se: «Os finlandeses procuram não precisar de ninguém e tendem a isolar-se. Aliás, as crianças são educadas desde muito cedo para a autonomia, ao ponto de ser raríssimo ver uma criança de mão dada com o avô ou com o pai na rua. Os jovens vivem voltados para a televisão e para a Internet, onde têm comunidades virtuais de amigos, pelo que os pais não têm qualquer controlo sobre a forma como passam o dia.» Citações do jornal «Público» (24.09.2008)
Dia vinte e quatro de Setembro. Debate quinzenal com o Governo na Assembleia da República. De entre os assuntos em destaque: «Código do Processo Penal» e «criminalidade», do lado da oposição; «e-escolas» e «e-escolinhas», do lado do Governo.
As temáticas, a sul como a norte, aproximam-se. Porém, onde lá afloram já preocupantes consequências com a eventual influência das novas tecnologias, reina cá a euforia e o quase deslumbramento pela circum-navegação do neo-magalhães. Compreendemos, mas…
Ninguém negará o nosso atraso nesta matéria; ninguém negará a inequívoca mais-valia das novas tecnologias na qualificação das pessoas; ninguém negará o seu imprescindível recurso num mundo globalizado; ninguém negará que o seu conhecimento se deve adquirir em idade escolar. Mas convirá igualmente avaliar com seriedade a sua conveniente utilização. Quantas horas passam diariamente os alunos diante do computador? Que fazem eles enquanto o manuseiam? Quem controla os jovens e/ ou os orienta? Que cautelas assumem os pais face à desprotegida manipulação deste instrumento? Com quem comunicam os adolescentes, por vezes horas a fio? Que proveito tiram efectivamente deste precioso recurso em termos de aprendizagem? Que efeito produz na sua sociabilidade?
O tempo, porventura não muito longínquo, dar-nos-á respostas. Com ou sem Pai Natal…
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Um bronco?

Cada vez mais tenho a sensação de que Paulo Bento pode mesmo ser um bronco. Ao certo não sei se é, mas a ideia que fica é a de que pode ser. No Sábado ouvi-o falar novamente de Vukcevic; uma série de asneiras que qualquer treinador inteligente guardaria para si e para aqueles que o acompanham no clube. Com Paulo Bento não é assim; ele fala, fala, fala, às vezes irrita-se e diz «ó amigo» ao jornalista, e depois de as asneiras já terem saído põe-se a dizer que não quer voltar ao assunto. Demasiado tarde, como facilmente se compreende mas ele dificilmente alguma vez compreenderá. Na volta, no caso de Vukcevic, até pode ser que tenha razão no que diz, mas o facto de o dizer na comunicação social tira-lhe toda essa razão; e eu nem estou certo de que tenha razão. A verdade é que Paulo Bento mostra grandes dificuldades no relacionamento com os jogadores. Eu podia gastar aqui duas ou três linhas com nomes, mas não vale a pena. Só falta agora descobrir que também se incompatibilizou com Yannick e que por isso é que o deixou de fora do jogo de ontem à noite (Paços de Ferreira 0, Sporting 0), à semelhança do que fez a Miguel Veloso. Já na época passada, no início, Paulo Bento começou a embirrar com Yannick; espero que não acabe por estragar um dos melhores jogadores do Sporting, que até tinha sido o autor do golo na última vitória em Paços de Ferreira. Aliás, é tanto mais estranho para mim que Yannick não seja titular no ataque do Sporting quando eu defendo que na selecção nacional ele também o deveria ser (teria dado muito jeito contra os albaneses no lugar daquele trambolho que Queirós mandou vir de Bremen). Para acabar, devo dizer que ontem à noite o jogo me deu sono, algo bem diferente do que aconteceu na segunda parte do jogo do Leixões, no Sábado, algo verdadeiramente empolgante.
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domingo, 26 de outubro de 2008

As primeiras palavras

Começa assim o meu próximo romance (a edição será da Quetzal):
Há muito tempo que escrevia este livro. Alguns anos. Mas escrevia-o apenas na minha mente, com o que pensava, com tudo aquilo que ia recordando. Se tivesse conseguido reunir as palavras necessárias para contar a história, se as tivesse encontrado, escolhido, até se tivesse inventado algumas para na volta fazer boa figura, tudo haveria de ser, digamos assim, mais normal. Era uma vez… Eu, de noite, uma noite muito quente, abafada, próximo do que julgava insuportável, uma noite com o fogo. Como se vivesse sempre essa noite. Como se ela tivesse passado a existir de uma forma definitiva. Um filme a voltar inevitavelmente ao princípio. A ideia de haver um tipo de cinema circular, ou aos círculos, marcado por um momento um bocadinho forçado, mas apenas um momento, fugaz, aquele em que de repente se passava do fim para o princípio e tudo voltava a acontecer. Tudo, desde o princípio. Eu ainda em casa, depois de ligar a televisão. Teriam passado dez ou quinze segundos sobre o aparecimento das imagens no ecrã. Não mais do que isso. Era de noite na televisão, como era de noite naquele sítio, o da casa. A minha casa. Estavam em directo com as notícias. Tudo ardia, dava até a ideia de que a câmara filmava bem dentro das chamas; mas não, nem ela nem quem a segurava corriam qualquer risco. Era a objectiva que fazia o milagre, como se naquele momento não houvesse mais nada no mundo em que gastar milagres. (…)
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Ontem

Ontem, o Atlântico alentejano, pouco antes de se perceber que lá mais para norte havia um estranho bicho à deriva; um dragão mal orientado.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

JRS comentado

Ver aqui alguns comentários à desastrosa entrevista de José Rodrigues dos Santos (JRS) ao «Diário de Notícias». Já na altura da saída do romance anterior o ouvi na rádio, com o mesmo tom, obcecado em falar mal de outros escritores portugueses.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O inquilino

Roubei o título deste post a um dos meus três escritores favoritos, o espanhol Javier Cercas (os outros são o colombiano Santiago Gamboa e o chileno Roberto Ampuero). Cercas, autor dos fantásticos romances «Soldados de Salamina» e «A Velocidade da Luz», escreveu quando ainda não era famoso uma novela inesquecível com este título, em que já entra inclusive uma das personagens de «A Velocidade da Luz». Aqui, neste post, o inquilino é um grilo, o da foto. Vive cá em casa e anda sempre de um lado para o outro; sala, quartos, corredor, cozinha (e também costuma ir até à rua), ou seja, já deve ter perdido a conta aos quilómetros que faz. É preciso andar com muito cuidado para não o pisar, porque a verdade é que nunca se sabe bem de onde ele pode aparecer; de entre os livros de uma das prateleiras que na sala estão junto ao chão, de debaixo de um sofá, de detrás do fogão, da parte amachucada de um tapete. De algum lado ele aparece. É o inquilino cá de casa, com presença sempre garantida. O que vale é que parece que é mudo.
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Um marcador

A propósito disto, vale a pena ver um dos marcadores que no Blogtailors arranjaram.
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Na Ucrânia

Não foi só pela vitória, foi pela entrega dos jogadores, pela sua capacidade de luta; esta noite gostei muito da exibição do Sporting na Ucrânia – Shakhtar Donetsk 0, Sporting 1 (Liedson). Lembrou-me jogos de outras épocas de Paulo Bento, quando Paulo Bento era mais treinador do que é agora. De entre todos os que estiveram em campo, um destaque óbvio para Liedson; se o Sporting tivesse para cada posição jogadores do nível dele (e o mesmo para treinador e dirigentes), dá-me a ideia de que ganharia a Liga dos Campeões nas calmas. O Shakhtar também esteve muito bem, ao não nos complicar a vida; aliás, nesta jornada da Liga dos Campeões todos os clubes ucranianos estiveram muito bem.
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