Bom, recomendo vivamente a leitura deste longo romance publicado on-line. Intriga, mistério, revelações surpreendentes, personagens inesquecíveis (o senhor Montado, a enigmática Camila – «Já encontrou o seu Carlos, Camila?» –, o homem que grita, o Eng. Kadhafi, o anónimo, o Prof. Doutor Kim Jong-il, a Isabel Luísa – que aderiu ao novo acordo ortográfico, «Voçê precisa de andar um bocadinho mais pelo Mundo real…» –, entre tantas outras. Para além do Pedro, obviamente).
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
sábado, 3 de janeiro de 2009
Blogs de 2008
Não sei se são os melhores de 2008, mas continuam a ser os que mais visito. Blog colectivo, «Corta-fitas»; individual (ou quase), «A Origem das Espécies». Visitas frequentes também, entre outros, a este, este e este.
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domingo, 9 de novembro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Os Dias do Blog – 6
Sexta crónica sobre blogs da série que fiz mensalmente entre finais de 2003 e meados de 2007. Esta é a crónica de Maio de 2004. Início aqui.
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Essa Maria Filomena Mónica
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Essa Maria Filomena Mónica
(Maio de 2004)
Eça de Queirós e Santana Lopes metidos de repente nos blogs. Não porque se lembrassem os contribuintes destes novos espaços de ir buscar as intemporais opiniões do escritor sobre a nossa política e, sobretudo, os nossos políticos, fazendo do presidente da câmara de Lisboa o manequim para alombar com os capotes que Eça descreveu, mas porque o presidente arranjou maneira de se misturar com o autor de «Os Maias». O assunto dos blogs, então, o hotel lisboeta mandado comprar por Santana Lopes às três pancadas para aí instalar uma Casa Eça de Queirós.
Vejamos o «O Blog do Alex», a 24 de Março, data em que no jornal «Público» Maria Filomena Mónica disse de sua justiça sobre a decisão de Santana Lopes: «Santana Lopes comprou uma casa qualquer para instalar a Casa Eça de Queirós! Ora: 1º - A casa nada tem a ver com ele [ela, Eça, já se vê, não Santana, se bem que a casa, ou melhor, o hotel, também não tenha muito a ver com Santana]; 2º - Ele sempre viveu em casas e quartos alugados! [ainda e sempre ele, Eça, claro]; 3º - Os papéis pessoais de Eça estão no fundo do mar, quando o navio Santo André ao regressar da Exposição Universal de Paris afundou em 24 de Janeiro de 1901; 4º - A sua biblioteca foi roubada em 1911 quando a viúva se encontrava em Vigo! [seria desnecessário referir sua, de Eça, a ver pelo ano; além do mais, não se sabe se Santana tem biblioteca, e em caso de não ter se é porque alguém lha roubou]; 5º - O seu espólio está na Biblioteca Nacional, muito bem tratado e não vai sair de lá! Para quê esta casa? [espólio de Eça, não é de certeza o de Santana].» O autor do blog refere que os seus cinco tópicos foram adaptados do artigo de Maria Filomena Mónica; já o que está entre parênteses rectos são acrescentos meus.
Ainda no mesmo dia, o blog «O Vilacondense»... «Infelizmente não está on-line o superior artigo de Maria Filomena Mónica. Chama-se ‘Uma casa vazia para Eça de Queirós’ e glosa com a intenção de Pedro Santana Lopes em criar uma casa para ‘reconstituições da memória queiroziana’. Ora, segundo esta autora e estudiosa da obra daquele nome maior da literatura lusa, não há espólio de Eça de Queirós. Ou seja, não há conteúdo para ‘encher’ a moradia adquirida por PSL. E porquê? Porque os móveis e o arquivo que a viúva enviou de Londres estão no fundo do mar, pois o barco que os transportava afundou-se. Depois, porque a biblioteca do escritor alegadamente nascido na Póvoa de Varzim foi roubada pelo genro de uma das criadas da casa. Restam, sim, algumas edições de obras de autores estrangeiros, sem grande relevo. Conclui Maria Filomena Mónica que ‘a ideia de que a futura casa pudesse vir a albergar o espólio do escritor é um absurdo’, pelo que ‘a Câmara de Lisboa gastou dinheiro (e tem de nos dizer quanto) com a aquisição de um prédio onde apenas poderá exibir’ a já escolhida directora, Ana Nascimento Piedade’. Depois dos sempre recordados concertos para violino de Chopin, parece que o nosso PSL ainda não se apercebeu de que o ditado ‘quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?’ lhe assenta que nem uma luva...» Dos comentários, um destaque [João Ricardo]: «Essa do ‘alegadamente’ nascido na Póvoa de Varzim é um achado. Não sabia que a rivalidade entre Vila do Conde e a Póvoa de Varzim era assim tão grande...»
Ainda 24 de Março, o blog «Placard», referindo o artigo de Maria Filomena Mónica, «acrescenta»: «Para Santana Lopes é perfeitamente indiferente que o hotel Bragança seja na Rua do Alecrim ou na Rua Vítor Cordon, tanto mais que ele não era o presidente da câmara e, portanto, não é responsável. Mesmo que se não deva divulgar a idade de ninguém, ele nem sequer tinha nascido. Depois as coisas ocorrem-lhe sempre com algum atraso, tanto assim que só deu por ter sido o responsável pela cultura do país passada uma dúzia de anos e não se sabe depois de quantas passagens pelas docas. É sempre uma concessão da sua parte dedicar um espaço à instalação de uma Casa Eça de Queirós, uma vez que não o conheceu e não espera tê-lo como cliente do novo casino em cuja construção está empenhado, a bem da redução dos aviltantes níveis de pobreza no concelho e da erradicação da toxicodependência no Intendente.» Mais... «A Dra. Ana Piedade foi seleccionada seguramente em resultado de concurso público e no mais escrupuloso respeito pelas transparentes normas que a autarquia tem em vigor, embora com carácter reservado por questões de segurança. Depois, como a própria defende, o que é relevante é o facto de o edifício se situar numa zona a transbordar de referências queirozianas. Sendo assim, poderia o mesmo ter sido adquirido, com igual e inatacável lógica, no Porto, na Póvoa de Varzim ou mesmo em Havana. Nos Campos Elíseos não, que o preço por metro quadrado está pela hora da morte. E como é o próprio presidente da câmara a decidir ‘estas coisas’, muita sorte houve em que o mesmo, pura e simplesmente, não tivesse decidido que Eça nem sequer existiu porque dele se não fala no Kremlin.»
Até parece que a polémica foi desencadeada pelo artigo de Maria Filomena Mónica, mas não. Mudando de dia, para três de Abril, vejamos o blog «Prazer Inculto»: «O suplemento humorístico do ‘Público’, ‘Inimigo P.’ está cada vez melhor. As notícias inventadas constituem, frequentemente, tiros mais certeiros do que as notícias que o ‘corpo principal’ se atreve a tocar. Entre várias, esta semana, destaco a que relata a vontade do presidente da C. de Lisboa em resolver o diferendo que obrigou Eça de Queirós a ir viver para uma ilha das Canárias por causa de um secretário de estado do PSD.» Eça e Santana, apenas. Só que depois... «O melhor parágrafo é o que refere a forma como Maria Filomena Mónica teria recebido os pedidos de informação de S. Lopes a propósito da actual vida do escritor de ‘Os Maias’: ‘O quê?! Mas o senhor presidente está a falar de quê?’.»
Nem assim. Talvez da polémica nunca se consiga separar o nome de Maria Filomena Mónica. Mérito dela. E de Eça, que lhe deu matéria para escrever páginas fascinantes.
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Blogs consultados
http://oblogdoalex.blogspot.com/, com textos assinados por Alex;
http://ovilacondense.blogspot.com/, com textos assinados por «Dupond» e «Dupont»;
http://placard.weblog.com.pt/, com textos assinados por LFV;
http://prazer_inculto.blogspot.com/, mantido por Possidónio Cachapa.
Vejamos o «O Blog do Alex», a 24 de Março, data em que no jornal «Público» Maria Filomena Mónica disse de sua justiça sobre a decisão de Santana Lopes: «Santana Lopes comprou uma casa qualquer para instalar a Casa Eça de Queirós! Ora: 1º - A casa nada tem a ver com ele [ela, Eça, já se vê, não Santana, se bem que a casa, ou melhor, o hotel, também não tenha muito a ver com Santana]; 2º - Ele sempre viveu em casas e quartos alugados! [ainda e sempre ele, Eça, claro]; 3º - Os papéis pessoais de Eça estão no fundo do mar, quando o navio Santo André ao regressar da Exposição Universal de Paris afundou em 24 de Janeiro de 1901; 4º - A sua biblioteca foi roubada em 1911 quando a viúva se encontrava em Vigo! [seria desnecessário referir sua, de Eça, a ver pelo ano; além do mais, não se sabe se Santana tem biblioteca, e em caso de não ter se é porque alguém lha roubou]; 5º - O seu espólio está na Biblioteca Nacional, muito bem tratado e não vai sair de lá! Para quê esta casa? [espólio de Eça, não é de certeza o de Santana].» O autor do blog refere que os seus cinco tópicos foram adaptados do artigo de Maria Filomena Mónica; já o que está entre parênteses rectos são acrescentos meus.
Ainda no mesmo dia, o blog «O Vilacondense»... «Infelizmente não está on-line o superior artigo de Maria Filomena Mónica. Chama-se ‘Uma casa vazia para Eça de Queirós’ e glosa com a intenção de Pedro Santana Lopes em criar uma casa para ‘reconstituições da memória queiroziana’. Ora, segundo esta autora e estudiosa da obra daquele nome maior da literatura lusa, não há espólio de Eça de Queirós. Ou seja, não há conteúdo para ‘encher’ a moradia adquirida por PSL. E porquê? Porque os móveis e o arquivo que a viúva enviou de Londres estão no fundo do mar, pois o barco que os transportava afundou-se. Depois, porque a biblioteca do escritor alegadamente nascido na Póvoa de Varzim foi roubada pelo genro de uma das criadas da casa. Restam, sim, algumas edições de obras de autores estrangeiros, sem grande relevo. Conclui Maria Filomena Mónica que ‘a ideia de que a futura casa pudesse vir a albergar o espólio do escritor é um absurdo’, pelo que ‘a Câmara de Lisboa gastou dinheiro (e tem de nos dizer quanto) com a aquisição de um prédio onde apenas poderá exibir’ a já escolhida directora, Ana Nascimento Piedade’. Depois dos sempre recordados concertos para violino de Chopin, parece que o nosso PSL ainda não se apercebeu de que o ditado ‘quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?’ lhe assenta que nem uma luva...» Dos comentários, um destaque [João Ricardo]: «Essa do ‘alegadamente’ nascido na Póvoa de Varzim é um achado. Não sabia que a rivalidade entre Vila do Conde e a Póvoa de Varzim era assim tão grande...»
Ainda 24 de Março, o blog «Placard», referindo o artigo de Maria Filomena Mónica, «acrescenta»: «Para Santana Lopes é perfeitamente indiferente que o hotel Bragança seja na Rua do Alecrim ou na Rua Vítor Cordon, tanto mais que ele não era o presidente da câmara e, portanto, não é responsável. Mesmo que se não deva divulgar a idade de ninguém, ele nem sequer tinha nascido. Depois as coisas ocorrem-lhe sempre com algum atraso, tanto assim que só deu por ter sido o responsável pela cultura do país passada uma dúzia de anos e não se sabe depois de quantas passagens pelas docas. É sempre uma concessão da sua parte dedicar um espaço à instalação de uma Casa Eça de Queirós, uma vez que não o conheceu e não espera tê-lo como cliente do novo casino em cuja construção está empenhado, a bem da redução dos aviltantes níveis de pobreza no concelho e da erradicação da toxicodependência no Intendente.» Mais... «A Dra. Ana Piedade foi seleccionada seguramente em resultado de concurso público e no mais escrupuloso respeito pelas transparentes normas que a autarquia tem em vigor, embora com carácter reservado por questões de segurança. Depois, como a própria defende, o que é relevante é o facto de o edifício se situar numa zona a transbordar de referências queirozianas. Sendo assim, poderia o mesmo ter sido adquirido, com igual e inatacável lógica, no Porto, na Póvoa de Varzim ou mesmo em Havana. Nos Campos Elíseos não, que o preço por metro quadrado está pela hora da morte. E como é o próprio presidente da câmara a decidir ‘estas coisas’, muita sorte houve em que o mesmo, pura e simplesmente, não tivesse decidido que Eça nem sequer existiu porque dele se não fala no Kremlin.»
Até parece que a polémica foi desencadeada pelo artigo de Maria Filomena Mónica, mas não. Mudando de dia, para três de Abril, vejamos o blog «Prazer Inculto»: «O suplemento humorístico do ‘Público’, ‘Inimigo P.’ está cada vez melhor. As notícias inventadas constituem, frequentemente, tiros mais certeiros do que as notícias que o ‘corpo principal’ se atreve a tocar. Entre várias, esta semana, destaco a que relata a vontade do presidente da C. de Lisboa em resolver o diferendo que obrigou Eça de Queirós a ir viver para uma ilha das Canárias por causa de um secretário de estado do PSD.» Eça e Santana, apenas. Só que depois... «O melhor parágrafo é o que refere a forma como Maria Filomena Mónica teria recebido os pedidos de informação de S. Lopes a propósito da actual vida do escritor de ‘Os Maias’: ‘O quê?! Mas o senhor presidente está a falar de quê?’.»
Nem assim. Talvez da polémica nunca se consiga separar o nome de Maria Filomena Mónica. Mérito dela. E de Eça, que lhe deu matéria para escrever páginas fascinantes.
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Blogs consultados
http://oblogdoalex.blogspot.com/, com textos assinados por Alex;
http://ovilacondense.blogspot.com/, com textos assinados por «Dupond» e «Dupont»;
http://placard.weblog.com.pt/, com textos assinados por LFV;
http://prazer_inculto.blogspot.com/, mantido por Possidónio Cachapa.
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Crónica «Os Dias do Blog»
domingo, 7 de setembro de 2008
Os Dias do Blog – 5
Quinta crónica sobre blogs da série que fiz mensalmente entre finais de 2003 e meados de 2007. Esta é a crónica de Abril de 2004. Início aqui.
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O que lêem alguns portugueses
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O que lêem alguns portugueses
(Abril de 2004)
O mundo dos blogs, que dá espaço a tantas confissões, também haveria de trazer à luz do dia a informação sobre aquilo que se vai lendo, ou melhor, aquilo que aqueles que o alimentam (esse mundo) vão lendo. Não será propriamente uma originalidade, que isso de mostrar o que se vai lendo já fazem, e desde há muito tempo, jornais, rádios e até, imagine-se, televisões. Vamos então às confissões...
Para abrir, referência a um peso pesado, «Equador». Quinta-feira, 12 de Fevereiro, Manuel Jorge Marmelo (blog «Apenas um pouco tarde»): «Li, finalmente, ‘Equador’ (...) Não tenho muito a dizer, excepto que vivi o livro com prazer, mais rapidamente do que as suas 500 e tal páginas faziam supor. Não sei se MST prestou um serviço à literatura portuguesa, à medida do umbigo do próprio, mas sei que está ali uma boa história, que acumula o predicado de ser bem contada. Discordo, porém, da opinião de uma amiga, segundo a qual MST resistiu à tentação do happy end - a morte pode muito bem ser um happy end.»
Depois, Fernando Assis Pacheco, referência um dia antes, a 11, a cargo de Paulo Moreiras (autor de um dos grandes romances que a literatura portuguesa conseguiu apresentar nos últimos anos, «A Demanda de D. Fuas Bragatela»), no seu blog «O elogio da ginga». Moreiras, especialista na matéria (da ginja, com livro publicado e tudo), escreveu: «Ao regressar a ‘Trabalhos e Paixões de Benito Prada’, de Fernando Assis Pacheco, leitura de outros tempos, voltei a deliciar-me com aquela sátira mordaz e fina de um grande escritor. Agora mais maduro, consigo encontrar nas palavras e nas frases de Assis Pacheco um eco que anteriormente me era esquivo. Para rematar, encontro num belo pedaço de prosa, a ginja de que tanto gosto – ‘... o qual trouxera um outro que falava muito menos e ingurgitava álcoois de todos os sabores, tanto que depois queixou-se por gestos da ginja com mofo e da orquestra antiquada, cuspiu um caroço para longe, pediu mais um cálice...’».
Voltando ao dia 12, uma visita ao «Abrupto», onde há indícios de que Pacheco Pereira lê Kafka e Simone de Beauvoir. «Hoje, há oitenta e nove anos, Kafka queixava-se que as discussões da senhoria com um vizinho não o deixavam escrever. ‘Desespero absoluto! Será que sou perseguido por senhorias que não me deixam trabalhar?’ pergunta Kafka. Simone de Beauvoir, pelo contrário, não tinha que aturar senhorias. Passou este dia, há cinquenta e sete anos, a barafustar contra os costumes americanos. Beauvoir estava em Nova Iorque e irritava-se com as montras preparadas para o Dia de S. Valentim, cheias de coraçõezinhos. Os americanos ‘gastam o tempo’ com isto, anotou irritada. Ainda mais a irritava o costume de cantar ‘Parabéns a você’ nos locais públicos. Estou com ela.»
Ainda no «Abrupto, conselhos de um visitante, a 11 (um post de Francisco de Sousa Fialho): «O Pacheco Pereira chama a atenção para a ‘sensibilidade contemporânea (…), que será muito diferente (ou distante) da sensibilidade de outros tempos’. Talvez o seja. Ou talvez sejam outras coisas que mudaram, mas não a sensibilidade. Ou talvez seja sobre a noção de ‘sensibilidade’ que se alimente o equívoco. Concordo plenamente que há hoje um apetite renovado pelos clássicos, que não é apenas uma moda mas talvez a intuição de que algures se perdeu o fio ou se emaranhou o novelo e que vale a pena recapitular o percurso para destrinçar os nós que entretanto nos confundiram. A este propósito, ainda que aparentemente sem propósito nenhum, recomendo-lhe vivamente um livro recente: ‘Reformation’, de Diarmaid MacCulloch (Penguin Books).»
Ainda na quarta-feira, 11 de Fevereiro, mas já no blog «Meia livraria», que tem uma frase de apresentação de Fernando Pessoa, «Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/ No mínimo que fazes.» O assunto, Paulo Coelho. Cláudio, que alimenta o blog, escreve, sob o título «Paulo, o Coelho»: «Gente que lê os livros do Paulo Coelho diz frases como: ‘Hades ler o novo do Paulo Coelho! Comprei o meu na Shell, é espectacular!’ ou ‘Vocêses não gostam de Paulo Coelho é porque não percebem, aquilo tem um segundo sentido. Leiam e hadem ver!’ Alvitro até um postulado: Nem todos os que dizem hades sabem ler, mas todos os que lêm Paulo Coelho dizem hades. Espero que gostem do esotérico pormenor do itálico em Coelho. Tem um segundo sentido.» Como não se diz nada sobre outros itálicos (em «hadem», por exemplo – mas não em «lêm»), aqui neste texto ficou só mesmo o «Coelho» em itálico.
Outro blog, «Bomba inteligente», de Carla Hilário de Almeida Quevedo. Recuo até 8 de Fevereiro: «Já que o Marcelo Rebelo de Sousa não falou de uma das edições portuguesas mais importantes do ano, falo eu. Trata-se da tradução das ‘Tragédias’ de Sófocles por Maria Helena da Rocha Pereira, Maria do Céu Fialho e José Ribeiro Ferreira, da editora Minerva de Coimbra. Uma beleza de livro. A seguir a esta maravilha, só mesmo a tradução da ‘Ilíada’ do Frederico Lourenço.» No dia seguinte, e depois de tão elevadas leituras, piadas de argentinos (não um livro, mas piadas mesmo). Duas, para amostra – «Jogam as selecções do Brasil e da Argentina. O jogo está empatado. O comentador argentino diz: ‘Brasil zero golos, Argentina zero golaaaaçoooos!’»; «Dois argentinos estão no estrangeiro, prestes a entrar numa festa. Um diz: ‘E se dissermos que somos argentinos?’ Diz o outro: ‘Nã... que se lixem.’» Piadas de argentinos, e eu com um romance escrito por um argentino nos meus planos de leitura mais imediatos. Veremos no que dá…
Para acabar, uma referência a um livro escrito pelo autor do primeiro blog. Recuando mais, até 2 de Fevereiro, e no «Aviz, de Francisco José Viegas, que não poderia faltar num «inquérito» destes. «Estou a ler e a divertir-me. Pessoa aparece no meio de um vendaval semeado por Manuel Jorge Marmelo. O livro tem o título ‘Os Fantasma de Pessoa’, e a colecção é a ‘Literatura ou Morte’, da Asa.» Pode ser uma boa alternativa, se me chatear com o argentino.
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Blogs consultados
http://www.marmelo.blogspot.com/, mantido por Manuel Jorge Marmelo;
http://www.elogiodaginja.blogspot.com/, mantido por Paulo Moreiras;
http://www.abrupto.blogspot.com/, mantido por José Pacheco Pereira;
http://www.meialivraria.blogspot.com/, com textos assinados por Cláudio;
http://www.bomba-inteligente.blogspot.com/, mantido por Carla Hilário de Almeida Quevedo;
http://www.aviz.blogspot.com/, mantido por Francisco José Viegas.
Para abrir, referência a um peso pesado, «Equador». Quinta-feira, 12 de Fevereiro, Manuel Jorge Marmelo (blog «Apenas um pouco tarde»): «Li, finalmente, ‘Equador’ (...) Não tenho muito a dizer, excepto que vivi o livro com prazer, mais rapidamente do que as suas 500 e tal páginas faziam supor. Não sei se MST prestou um serviço à literatura portuguesa, à medida do umbigo do próprio, mas sei que está ali uma boa história, que acumula o predicado de ser bem contada. Discordo, porém, da opinião de uma amiga, segundo a qual MST resistiu à tentação do happy end - a morte pode muito bem ser um happy end.»
Depois, Fernando Assis Pacheco, referência um dia antes, a 11, a cargo de Paulo Moreiras (autor de um dos grandes romances que a literatura portuguesa conseguiu apresentar nos últimos anos, «A Demanda de D. Fuas Bragatela»), no seu blog «O elogio da ginga». Moreiras, especialista na matéria (da ginja, com livro publicado e tudo), escreveu: «Ao regressar a ‘Trabalhos e Paixões de Benito Prada’, de Fernando Assis Pacheco, leitura de outros tempos, voltei a deliciar-me com aquela sátira mordaz e fina de um grande escritor. Agora mais maduro, consigo encontrar nas palavras e nas frases de Assis Pacheco um eco que anteriormente me era esquivo. Para rematar, encontro num belo pedaço de prosa, a ginja de que tanto gosto – ‘... o qual trouxera um outro que falava muito menos e ingurgitava álcoois de todos os sabores, tanto que depois queixou-se por gestos da ginja com mofo e da orquestra antiquada, cuspiu um caroço para longe, pediu mais um cálice...’».
Voltando ao dia 12, uma visita ao «Abrupto», onde há indícios de que Pacheco Pereira lê Kafka e Simone de Beauvoir. «Hoje, há oitenta e nove anos, Kafka queixava-se que as discussões da senhoria com um vizinho não o deixavam escrever. ‘Desespero absoluto! Será que sou perseguido por senhorias que não me deixam trabalhar?’ pergunta Kafka. Simone de Beauvoir, pelo contrário, não tinha que aturar senhorias. Passou este dia, há cinquenta e sete anos, a barafustar contra os costumes americanos. Beauvoir estava em Nova Iorque e irritava-se com as montras preparadas para o Dia de S. Valentim, cheias de coraçõezinhos. Os americanos ‘gastam o tempo’ com isto, anotou irritada. Ainda mais a irritava o costume de cantar ‘Parabéns a você’ nos locais públicos. Estou com ela.»
Ainda no «Abrupto, conselhos de um visitante, a 11 (um post de Francisco de Sousa Fialho): «O Pacheco Pereira chama a atenção para a ‘sensibilidade contemporânea (…), que será muito diferente (ou distante) da sensibilidade de outros tempos’. Talvez o seja. Ou talvez sejam outras coisas que mudaram, mas não a sensibilidade. Ou talvez seja sobre a noção de ‘sensibilidade’ que se alimente o equívoco. Concordo plenamente que há hoje um apetite renovado pelos clássicos, que não é apenas uma moda mas talvez a intuição de que algures se perdeu o fio ou se emaranhou o novelo e que vale a pena recapitular o percurso para destrinçar os nós que entretanto nos confundiram. A este propósito, ainda que aparentemente sem propósito nenhum, recomendo-lhe vivamente um livro recente: ‘Reformation’, de Diarmaid MacCulloch (Penguin Books).»
Ainda na quarta-feira, 11 de Fevereiro, mas já no blog «Meia livraria», que tem uma frase de apresentação de Fernando Pessoa, «Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/ No mínimo que fazes.» O assunto, Paulo Coelho. Cláudio, que alimenta o blog, escreve, sob o título «Paulo, o Coelho»: «Gente que lê os livros do Paulo Coelho diz frases como: ‘Hades ler o novo do Paulo Coelho! Comprei o meu na Shell, é espectacular!’ ou ‘Vocêses não gostam de Paulo Coelho é porque não percebem, aquilo tem um segundo sentido. Leiam e hadem ver!’ Alvitro até um postulado: Nem todos os que dizem hades sabem ler, mas todos os que lêm Paulo Coelho dizem hades. Espero que gostem do esotérico pormenor do itálico em Coelho. Tem um segundo sentido.» Como não se diz nada sobre outros itálicos (em «hadem», por exemplo – mas não em «lêm»), aqui neste texto ficou só mesmo o «Coelho» em itálico.
Outro blog, «Bomba inteligente», de Carla Hilário de Almeida Quevedo. Recuo até 8 de Fevereiro: «Já que o Marcelo Rebelo de Sousa não falou de uma das edições portuguesas mais importantes do ano, falo eu. Trata-se da tradução das ‘Tragédias’ de Sófocles por Maria Helena da Rocha Pereira, Maria do Céu Fialho e José Ribeiro Ferreira, da editora Minerva de Coimbra. Uma beleza de livro. A seguir a esta maravilha, só mesmo a tradução da ‘Ilíada’ do Frederico Lourenço.» No dia seguinte, e depois de tão elevadas leituras, piadas de argentinos (não um livro, mas piadas mesmo). Duas, para amostra – «Jogam as selecções do Brasil e da Argentina. O jogo está empatado. O comentador argentino diz: ‘Brasil zero golos, Argentina zero golaaaaçoooos!’»; «Dois argentinos estão no estrangeiro, prestes a entrar numa festa. Um diz: ‘E se dissermos que somos argentinos?’ Diz o outro: ‘Nã... que se lixem.’» Piadas de argentinos, e eu com um romance escrito por um argentino nos meus planos de leitura mais imediatos. Veremos no que dá…
Para acabar, uma referência a um livro escrito pelo autor do primeiro blog. Recuando mais, até 2 de Fevereiro, e no «Aviz, de Francisco José Viegas, que não poderia faltar num «inquérito» destes. «Estou a ler e a divertir-me. Pessoa aparece no meio de um vendaval semeado por Manuel Jorge Marmelo. O livro tem o título ‘Os Fantasma de Pessoa’, e a colecção é a ‘Literatura ou Morte’, da Asa.» Pode ser uma boa alternativa, se me chatear com o argentino.
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Blogs consultados
http://www.marmelo.blogspot.com/, mantido por Manuel Jorge Marmelo;
http://www.elogiodaginja.blogspot.com/, mantido por Paulo Moreiras;
http://www.abrupto.blogspot.com/, mantido por José Pacheco Pereira;
http://www.meialivraria.blogspot.com/, com textos assinados por Cláudio;
http://www.bomba-inteligente.blogspot.com/, mantido por Carla Hilário de Almeida Quevedo;
http://www.aviz.blogspot.com/, mantido por Francisco José Viegas.
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terça-feira, 26 de agosto de 2008
Os Dias do Blog – 4
Quarta crónica sobre blogs da série que fiz mensalmente entre finais de 2003 e meados de 2007. Esta é a crónica de Março de 2004. Início aqui.
A nossa responsabilidade social
A nossa responsabilidade social
(Março de 2004)
Dia 8 de Março, depois da polémica relacionada com a Mcdonald’s e com as crianças deficientes, o blog «Acanto» (http://acanto.weblog.com.pt/) apresenta a defesa da multinacional norte-americana. «Anda p'raí um conjunto de pessoas sedenta de que algo corra mal no Euro 2004 para bater no ceguinho... É impressionante vê-las na televisão a salivar ansiosas pela chegada de tão maravilhoso evento, que pela sua grandiosidade certamente lhes dará razão. Desta vez foi a McDonald’s que impede crianças deficientes de participar numa das suas actividades. Críticas e mais críticas da brigada dos críticos. Só que cometeram vários erros: 1. A crítica deixa de fazer sentido a partir do momento que se diz que as crianças terão ‘de passar mais de cinco horas no estádio em actividades físicas exigentes que implicam corridas, aprendizagem das coreografias, participação no ensaio, actividades lúdicas, etc. Não há nada pior do que desiludir uma criança, que chegada a hora de participação sente que não tem condições para concretizar as actividades deste dia, dia que se pretende que seja de sonho e não de desilusão!’ 2. A McDonalds é das poucas empresas em Portugal que se pode orgulhar de ter nos seus quadros pessoas com deficiência. Já agora, quantos deputados estão na Assembleia da República que possuem algum nível de deficiência? Ou nos jornais? Ou que são pivots de informação? 3. A McDonald’s é uma empresa à escala mundial. Como tal já está largamente habituada a este tipo de hipocrisias. Daí apoiar várias instituições e tendo a sua própria (Ronald McDonald). Pena que não haja mais empresas que tenham a mesma política para com os deficientes que a McDonald’s.»
Pelo que se viu durante a polémica, pouca gente estará disposta a concordar com o que aqui se escreveu (relembre-se a pressa com que Pedro Santana Lopes se distanciou da iniciativa – a que inicialmente aderiu a Câmara de Lisboa –, depois de perceber que a coisa podia chamuscá-lo, ou a recusa imediata da Câmara do Porto, inclusive associando aos propósitos da McDonald’s o adjectivo «nazista»). Já nos comentários, a coisa fica equilibrada; em três, um parece alinhar pela McDonald’s («A esquerda anti-globalização tudo faz para atingir os seus fins. Até contra-informação...»), outro é contra («Se a McDonalds fosse ‘amiga’ das crianças deficientes tinha agendado em paralelo um programa para estas crianças. Aí, sim, seria tratá-las igualmente. Não o fez, porque não quer saber delas para nada.»), e outro vai por uma terceira via, descomprometida, com os deputados ao barulho («Já agora, quantos deputados estão na Assembleia da República que possuem algum nível de deficiência? Esses números devem sempre ficar em segredo…»).
Outro blog, o «Santa Ignorância» (http://santaignorancia.blogspot.com)/, aborda o assunto na mesma perspectiva do anterior. Carla Soares escreve o seguinte: «Gostaria de saber o que acontecia se a McDonald's levasse as crianças deficientes às actividades do Euro 2004 em questão. Imagino que logo a acusariam de falta de senso, de irresponsabilidade em reconhecer as diferenças que as crianças menos capazes possuem que as impedem de participar de modo adequado nas actividades lúdico-desportivas. Qual é o medo de dar o nome à realidade e encará-la como ela é? Não me pareceu que neste caso se descriminasse as crianças pela deficiência, antes se procura dar as melhores condições aos participantes. Uma criança com dificuldades físicas e/ ou mentais teria dificuldades em participar, muito provavelmente ser-lhe-ia prejudicial, e traria problemas ao natural desenrolar do programa. A integração e aceitação das pessoas deficientes também passa por aceitar as suas limitações, e não querer que façam e participem em tudo o que uma pessoa saudável faz e participa. É aceitá-las como pessoas, não como coitadinhos.»
Casos como este, ou outros de outro âmbito, relacionados com empresas e demais tipos de organizações (por exemplo, o recente escândalo da Parmalat), colocam na ordem do dia uma questão que por vezes é esquecida em Portugal: a responsabilidade social das organizações (RSO). Interessantes contributos sobre o tema podem ser encontrados um pouco por todo o mundo da web, fazendo uma busca dessa expressão (ou da equivalente inglesa, Corporate Social Responsability – CSI). Veja-se, por exemplo, o que se diz no blog «Responsabilidade Social» (http://rso.blogs.sapo.pt/) a certa altura: «É um conceito segundo o qual empresas e instituições decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e um ambiente mais limpo, ou seja, a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais por parte das organizações, nas suas operações correntes e na sua interacção com todas as partes interessadas (accionistas, colaboradores, fornecedores, parceiros sociais, parceiros locais, administração pública e autoridades, subcontratados, filiais, etc).» O autor do blog, Luís Bento, o único português membro do Grupo de Paris em Responsabilidade Social, pergunta mesmo: «Porque será que não se abordam em Portugal, de forma integrada, estas dimensões [Ética, Responsabilidade Social e Desenvolvimento Sustentado]? Será que a Carta de Lisboa é mais conhecida internacionalmente do que em Portugal, onde foi aprovada e adoptada?» Sobre a Carta de Lisboa, um excerto de um texto do blog… «Em 1993, assolada por uma taxa de desemprego sem precedentes, a Europa, através do Conselho Europeu, adoptou o Livro Branco sobre a Competitividade e o Emprego, que constituiu um ponto de partida extremamente importante para a evolução da política estrutural da União Europeia a longo prazo, culminada com a adopção, em 2000, da chamada Carta de Lisboa e, em 2001, do Livro Verde para Promover um Quadro Europeu para a Responsabilidade Social das Empresas.»
Blogs consultados
http://acanto.weblog.com.pt/, com textos assinados por «cparis»;
http://santaignorancia.blogspot.com/, mantido por Adeodato Pinto, Bruno Costa, Carla Soares, Nelson Antunes e Sérgio Alves;
Pelo que se viu durante a polémica, pouca gente estará disposta a concordar com o que aqui se escreveu (relembre-se a pressa com que Pedro Santana Lopes se distanciou da iniciativa – a que inicialmente aderiu a Câmara de Lisboa –, depois de perceber que a coisa podia chamuscá-lo, ou a recusa imediata da Câmara do Porto, inclusive associando aos propósitos da McDonald’s o adjectivo «nazista»). Já nos comentários, a coisa fica equilibrada; em três, um parece alinhar pela McDonald’s («A esquerda anti-globalização tudo faz para atingir os seus fins. Até contra-informação...»), outro é contra («Se a McDonalds fosse ‘amiga’ das crianças deficientes tinha agendado em paralelo um programa para estas crianças. Aí, sim, seria tratá-las igualmente. Não o fez, porque não quer saber delas para nada.»), e outro vai por uma terceira via, descomprometida, com os deputados ao barulho («Já agora, quantos deputados estão na Assembleia da República que possuem algum nível de deficiência? Esses números devem sempre ficar em segredo…»).
Outro blog, o «Santa Ignorância» (http://santaignorancia.blogspot.com)/, aborda o assunto na mesma perspectiva do anterior. Carla Soares escreve o seguinte: «Gostaria de saber o que acontecia se a McDonald's levasse as crianças deficientes às actividades do Euro 2004 em questão. Imagino que logo a acusariam de falta de senso, de irresponsabilidade em reconhecer as diferenças que as crianças menos capazes possuem que as impedem de participar de modo adequado nas actividades lúdico-desportivas. Qual é o medo de dar o nome à realidade e encará-la como ela é? Não me pareceu que neste caso se descriminasse as crianças pela deficiência, antes se procura dar as melhores condições aos participantes. Uma criança com dificuldades físicas e/ ou mentais teria dificuldades em participar, muito provavelmente ser-lhe-ia prejudicial, e traria problemas ao natural desenrolar do programa. A integração e aceitação das pessoas deficientes também passa por aceitar as suas limitações, e não querer que façam e participem em tudo o que uma pessoa saudável faz e participa. É aceitá-las como pessoas, não como coitadinhos.»
Casos como este, ou outros de outro âmbito, relacionados com empresas e demais tipos de organizações (por exemplo, o recente escândalo da Parmalat), colocam na ordem do dia uma questão que por vezes é esquecida em Portugal: a responsabilidade social das organizações (RSO). Interessantes contributos sobre o tema podem ser encontrados um pouco por todo o mundo da web, fazendo uma busca dessa expressão (ou da equivalente inglesa, Corporate Social Responsability – CSI). Veja-se, por exemplo, o que se diz no blog «Responsabilidade Social» (http://rso.blogs.sapo.pt/) a certa altura: «É um conceito segundo o qual empresas e instituições decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e um ambiente mais limpo, ou seja, a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais por parte das organizações, nas suas operações correntes e na sua interacção com todas as partes interessadas (accionistas, colaboradores, fornecedores, parceiros sociais, parceiros locais, administração pública e autoridades, subcontratados, filiais, etc).» O autor do blog, Luís Bento, o único português membro do Grupo de Paris em Responsabilidade Social, pergunta mesmo: «Porque será que não se abordam em Portugal, de forma integrada, estas dimensões [Ética, Responsabilidade Social e Desenvolvimento Sustentado]? Será que a Carta de Lisboa é mais conhecida internacionalmente do que em Portugal, onde foi aprovada e adoptada?» Sobre a Carta de Lisboa, um excerto de um texto do blog… «Em 1993, assolada por uma taxa de desemprego sem precedentes, a Europa, através do Conselho Europeu, adoptou o Livro Branco sobre a Competitividade e o Emprego, que constituiu um ponto de partida extremamente importante para a evolução da política estrutural da União Europeia a longo prazo, culminada com a adopção, em 2000, da chamada Carta de Lisboa e, em 2001, do Livro Verde para Promover um Quadro Europeu para a Responsabilidade Social das Empresas.»
Blogs consultados
http://acanto.weblog.com.pt/, com textos assinados por «cparis»;
http://santaignorancia.blogspot.com/, mantido por Adeodato Pinto, Bruno Costa, Carla Soares, Nelson Antunes e Sérgio Alves;
http://rso.blogs.sapo.pt/, mantido por Luís Bento.
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Crónica «Os Dias do Blog»
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Os Dias do Blog – 3
Terceira crónica sobre blogs da série que fiz mensalmente entre finais de 2003 e meados de 2007. Esta é a crónica de Fevereiro de 2004. Início aqui.
Os livros, «coisa pública»
(Fevereiro de 2004)
À volta dos livros, ou em volta, como também há quem apregoe. Retalhos do mundo dos blogs sobre a literatura de cá, e não só. Para começar, Pedro Mexia, no «Dicionário do Diabo», ainda em 2003, precisamente no último dia do ano. «O melhor livro português que li este ano foi ‘Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina’ (Caminho), de Mário de Carvalho, por razões que explicarei esta semana noutro lado [e explicou, até em mais do que uma ocasião]. Sugiro também Manuel António Pina, ‘Os Livros’ (Assírio e Alvim), que finalmente começa a ser reconhecido por cada vez mais gente como um dos nossos grandes poetas, conversado e pensativo, irónico e quase terrível. E, nas traduções de autores vivos, sem dúvida a versão portuguesa de ‘Like Life’, da fantástica Lorrie Moore, publicado entre nós pela Relógio d’Água. Há uma tradição do conto na América que explica aconteceram autores assim, de um realismo desencantado e acerado, tão bom como em Carver ou Richard Ford. Finalmente, no ensaio, ‘Impasses’, de Fernando Gil e Paulo Tunhas, porque é bom tomar contacto com opiniões diferentes nos temas de consenso forçado.»
Também a 31 de Dezembro, Francisco José Viegas começava no seu «Aviz» uma escolha de doze títulos (que acabaria em menos de nada, logo a 1 de Janeiro). A abrir, um aviso… «Livros do Ano. Durante os próximos dias, aparecerão pequenos textos com este título. O resto não me apetece comemorar. Nem os blogs. Os livros, muitas vezes, são a única coisa ‘pública’ que fica (o resto, ou é uma grande alegria no coração, que não se pode partilhar em balanço nenhum, ou não merece ser distinguido). Por mim, para já, escolherei os livros.» Boa escolha. Os livros, então (com excertos dos comentários). «Mário de Carvalho, ‘Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina’ (Caminho). O ano estava a terminar sem um livro que se risse muito de nós próprios. Mário de Carvalho escolheu a ironia, o riso, a gargalhada, a comédia. E fez bem, fez-nos bem./ Richard Zimler, ‘Meia-Noite ou o Princípio do Mundo’ (Gótica). Dois tipos de extermínio: o dos negros e o dos judeus, num romance escrito à maneira clássica./ Daniel Faria, ‘Poesia’ (Quasi). Lê-lo [Daniel Faria] é rir do ‘sistema literário’ que não vê dois palmos à frente das suas prateleiras e cumplicidades./ Harold Bloom, ‘Génio’ (Objetiva, Brasil). O que me intriga é saber que Bloom assusta tanta gente, sobretudo ignorantes e modernos./ Antonio Muñoz Molina, ‘Sefarad’ (Editorial Notícias). A editora portuguesa alterou o subtítulo (‘Entre o Nazismo e o Comunismo, Um Romance sobre o Exílio.’) para o amenizar na capa (‘Entre o Nazismo e o Estalinismo’), num exercício de marketing político para salvar o mercado ideológico./ José Bento, ‘Alguns Motetos’ (Assírio & Alvim). José Tolentino Mendonça diz que a poesia de José Bento segue uma ‘condição quase clandestina’./ Patrícia Melo, ‘Valsa Negra’ (Companhia das Letras, Brasil). Não se sabe como se sai vivo da sua leitura./ Manuel António Pina, ‘Os Papéis de K.’ (Assírio & Alvim). Devolve, em prosa, algum desse ‘mistério’ que tem vivido nos versos de Manuel António Pina./ Maria Filomena Molder, ‘A Imperfeição da Filosofia’ (Relógio d'Água). Para quem passa pela blogosfera e se irrita com a leviandade com que são apresentados tantos juízos definitivos./ Manuel António Pina, ‘Os Livros’ (Assírio & Alvim). Um livro sereníssimo, vindo do fundo das bibliotecas, pausado como os grandes capítulos das vidas todas./ Fernando Gil, Paulo Tunhas (& Danièle Cohn), ‘Impasses’ (Europa-América). Um livro contra a má-fé, que é cada vez mais um instrumento acessível e popular./ Vasco Graça Moura/ Petrarca, ‘Rimas’ (Bertrand). Durante muito tempo teremos de agradecer a VGM o seu trabalho como tradutor.»
Em relação a esta última escolha, pergunta-se em «O Blog do Alex»... «Afinal de contas, quem escreveu as Rimas?». Isto a 15 de Janeiro. A 17, resposta no «Aviz». «O 'Blog do Alex' acha que as ‘“Rimas’, de Petrarca, são só de Petrarca e não de Petrarca e de Vasco Graça Moura, conforme aparece na capa do livro, e assim mencionado na pequena selecção de ‘livros do ano’ do ‘Avis’. A questão da tradução & autoria fica para depois, mas o Alex deixou passar o pior, já agora: o livro aparece na categoria ‘ficção’, por puro engano.»
Mais livros… Uma sugestão de José Mário Silva no «Blog de Esquerda», em pleno dia 25 de Dezembro. «Ofereçam às pessoas de que mais gostam (pais, irmãos, namoradas, amigos) o melhor livro de Literatura – com L maiúsculo – publicado este ano em Portugal: ‘A Planície em Chamas’, genial conjunto de dezassete contos do escritor mexicano Juan Rulfo (o autor dessa outra obra-prima que é ‘Pedro Páramo’), traduzido por Ana Santos e editado pela Cavalo de Ferro.» E, já agora, para (des)compor as coisas, o «Bloguítica», a 14 de Janeiro… «Pedro Santana Lopes presidiu ontem ao lançamento, no Grémio Literário, do seu livro ‘Causas de Cultura’. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa garantiu que o lançamento desta obra, nesta altura, era apenas ‘um exercício de memórias’, rejeitando que este seria o pontapé de saída para a sua candidatura às presidenciais de 2006. O Bloguítica está em condições de confirmar a veracidade desta tese. Segundo as fontes consultadas, o pontapé de saída para a sua candidatura às presidenciais de 2006 ocorrerá com o lançamento do livro ‘Causas de Futebol’, ou posteriormente, com o lançamento de um outro livro intitulado, muito simplesmente, ‘Kausas’. O número de admiradoras de Pedro Santana Lopes presentes à porta do Grémio Literário rondava os seis a oito milhares, razão pela qual o stock do livro esgotou e está já agendada uma segunda edição.»
Para acabar, devo referir que o professor Marcelo Rebelo de Sousa, não num blog mas na revista «Os Meus Livros», dedicou um bocadinho da sua coluna a um romance que publiquei em 2003. Título, autor e editora, com duas vírgulas pelo meio. Enfim, só elogios.
Blogs consultados
http://dicionariodiabo.blogspot.com/, mantido por Pedro Mexia;
http://aviz.blogspot.com/, mantido por Francisco José Viegas;
http://oblogdoalex.blogspot.com/, com textos assinados por Alex.
http://www.blogdeesquerda/, mantido por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva;
http://dicionariodiabo.blogspot.com/, mantido por Paulo Gorjão.
Também a 31 de Dezembro, Francisco José Viegas começava no seu «Aviz» uma escolha de doze títulos (que acabaria em menos de nada, logo a 1 de Janeiro). A abrir, um aviso… «Livros do Ano. Durante os próximos dias, aparecerão pequenos textos com este título. O resto não me apetece comemorar. Nem os blogs. Os livros, muitas vezes, são a única coisa ‘pública’ que fica (o resto, ou é uma grande alegria no coração, que não se pode partilhar em balanço nenhum, ou não merece ser distinguido). Por mim, para já, escolherei os livros.» Boa escolha. Os livros, então (com excertos dos comentários). «Mário de Carvalho, ‘Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina’ (Caminho). O ano estava a terminar sem um livro que se risse muito de nós próprios. Mário de Carvalho escolheu a ironia, o riso, a gargalhada, a comédia. E fez bem, fez-nos bem./ Richard Zimler, ‘Meia-Noite ou o Princípio do Mundo’ (Gótica). Dois tipos de extermínio: o dos negros e o dos judeus, num romance escrito à maneira clássica./ Daniel Faria, ‘Poesia’ (Quasi). Lê-lo [Daniel Faria] é rir do ‘sistema literário’ que não vê dois palmos à frente das suas prateleiras e cumplicidades./ Harold Bloom, ‘Génio’ (Objetiva, Brasil). O que me intriga é saber que Bloom assusta tanta gente, sobretudo ignorantes e modernos./ Antonio Muñoz Molina, ‘Sefarad’ (Editorial Notícias). A editora portuguesa alterou o subtítulo (‘Entre o Nazismo e o Comunismo, Um Romance sobre o Exílio.’) para o amenizar na capa (‘Entre o Nazismo e o Estalinismo’), num exercício de marketing político para salvar o mercado ideológico./ José Bento, ‘Alguns Motetos’ (Assírio & Alvim). José Tolentino Mendonça diz que a poesia de José Bento segue uma ‘condição quase clandestina’./ Patrícia Melo, ‘Valsa Negra’ (Companhia das Letras, Brasil). Não se sabe como se sai vivo da sua leitura./ Manuel António Pina, ‘Os Papéis de K.’ (Assírio & Alvim). Devolve, em prosa, algum desse ‘mistério’ que tem vivido nos versos de Manuel António Pina./ Maria Filomena Molder, ‘A Imperfeição da Filosofia’ (Relógio d'Água). Para quem passa pela blogosfera e se irrita com a leviandade com que são apresentados tantos juízos definitivos./ Manuel António Pina, ‘Os Livros’ (Assírio & Alvim). Um livro sereníssimo, vindo do fundo das bibliotecas, pausado como os grandes capítulos das vidas todas./ Fernando Gil, Paulo Tunhas (& Danièle Cohn), ‘Impasses’ (Europa-América). Um livro contra a má-fé, que é cada vez mais um instrumento acessível e popular./ Vasco Graça Moura/ Petrarca, ‘Rimas’ (Bertrand). Durante muito tempo teremos de agradecer a VGM o seu trabalho como tradutor.»
Em relação a esta última escolha, pergunta-se em «O Blog do Alex»... «Afinal de contas, quem escreveu as Rimas?». Isto a 15 de Janeiro. A 17, resposta no «Aviz». «O 'Blog do Alex' acha que as ‘“Rimas’, de Petrarca, são só de Petrarca e não de Petrarca e de Vasco Graça Moura, conforme aparece na capa do livro, e assim mencionado na pequena selecção de ‘livros do ano’ do ‘Avis’. A questão da tradução & autoria fica para depois, mas o Alex deixou passar o pior, já agora: o livro aparece na categoria ‘ficção’, por puro engano.»
Mais livros… Uma sugestão de José Mário Silva no «Blog de Esquerda», em pleno dia 25 de Dezembro. «Ofereçam às pessoas de que mais gostam (pais, irmãos, namoradas, amigos) o melhor livro de Literatura – com L maiúsculo – publicado este ano em Portugal: ‘A Planície em Chamas’, genial conjunto de dezassete contos do escritor mexicano Juan Rulfo (o autor dessa outra obra-prima que é ‘Pedro Páramo’), traduzido por Ana Santos e editado pela Cavalo de Ferro.» E, já agora, para (des)compor as coisas, o «Bloguítica», a 14 de Janeiro… «Pedro Santana Lopes presidiu ontem ao lançamento, no Grémio Literário, do seu livro ‘Causas de Cultura’. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa garantiu que o lançamento desta obra, nesta altura, era apenas ‘um exercício de memórias’, rejeitando que este seria o pontapé de saída para a sua candidatura às presidenciais de 2006. O Bloguítica está em condições de confirmar a veracidade desta tese. Segundo as fontes consultadas, o pontapé de saída para a sua candidatura às presidenciais de 2006 ocorrerá com o lançamento do livro ‘Causas de Futebol’, ou posteriormente, com o lançamento de um outro livro intitulado, muito simplesmente, ‘Kausas’. O número de admiradoras de Pedro Santana Lopes presentes à porta do Grémio Literário rondava os seis a oito milhares, razão pela qual o stock do livro esgotou e está já agendada uma segunda edição.»
Para acabar, devo referir que o professor Marcelo Rebelo de Sousa, não num blog mas na revista «Os Meus Livros», dedicou um bocadinho da sua coluna a um romance que publiquei em 2003. Título, autor e editora, com duas vírgulas pelo meio. Enfim, só elogios.
Blogs consultados
http://dicionariodiabo.blogspot.com/, mantido por Pedro Mexia;
http://aviz.blogspot.com/, mantido por Francisco José Viegas;
http://oblogdoalex.blogspot.com/, com textos assinados por Alex.
http://www.blogdeesquerda/, mantido por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva;
http://dicionariodiabo.blogspot.com/, mantido por Paulo Gorjão.
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Crónica «Os Dias do Blog»
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Os Dias do Blog – 2
Segunda crónica sobre blogs da série que fiz mensalmente entre finais de 2003 e meados de 2007. Esta é a crónica de Janeiro de 2004. Início aqui.
Isso de reagir à prisão de Saddam
(Janeiro de 2004)
Domingo, 14 de Dezembro, perto das três e meia da tarde (15.29), um texto intitulado «Primeira reacção à captura de Saddam». O mais procurado dos iraquianos tinha sido preso no sábado à noite e, umas horas passadas, bem antes de Bush, Aznar e, já agora, Barroso aparecerem com as suas próprias reacções (Blair tinha-se antecipado), um dos autores do Blogue de Esquerda (http://bde.weblog.com.pt/, o BdE II), Manuel Deniz Silva, lançava para a rede aquela «primeira reacção», quase com champanhe a acompanhar: «Neste blogue abrimos uma garrafa de champanhe quando o regime de Saddam caiu. Agora abriríamos outra se a tivéssemos no frigorífico.»
Postas as coisas assim, e antes dos «grandes» (e, para muita gente, queridos) líderes falarem, vejamos o que se dizia por outras bandas. Por exemplo, Pacheco Pereira, no seu Abrupto (http://abrupto.blogspot.com/), com o sorumbático título «Prisão de Saddam»: «Se se confirmar, é um acontecimento importante. A chamada ‘resistência’, nome viciado e programático, é, como com maior rigor a imprensa de referência internacional a descreve, um movimento para-militar ligado às estruturas do partido de Saddam, o Baath. Sendo assim, a queda de estruturas de comando político-militar, que estão por trás dos ataques, é relevante para o seu desmantelamento (...)» Reacção a 14, às 11.46.
Voltemos ao Blogue de Esquerda, não para uma segunda reacção aos acontecimentos, mas para isolar um dos comentários recebidos, assinado por NSL (do blog Off & Sina, http://www.off-e-sina.blogspot.com/): «(...) Temo que toda esta guerra acabe por criar um mito (...). Será Saddam o próximo ícone da resistência anti-americana. Já houve o facto de terem transformado um odiado líder árabe num venerado resistente da causa islâmica, o que não é pouco. Mas, se gostarem de rir, aconselho o blog Al-Qaeda Portugal (...)»
Seguindo o conselho, entremos então na Al-Qaeda de cá (http://www.al-qaeda-pt.blogspot.com/). Sexta-feira, 12 de Dezembro, um dia antes da prisão de Saddam, um texto intitulado «Estatísticas?!»... «Não há melhor nome para a arte de contar os mortos. São os nossos olhos olhando os olhos estáticos na esperança de, em dois (olhos), contarmos um (morto). Um pequeno dedo que aponta num caderno pautado rabiscado com caracteres árabes: Kathalú 15 (Mataram 15). Seriam 30 olhos com pouco para ver? (...) uma guerra com poucos mortos. (...) na guerra do Iraque 2.0 morreram desde o início 400 americanos e, segundo as estatísticas parciais da ONU, 3.500 civis (entre 5.000 e 10.000 segundo a Igreja Católica), a isso acrescentamos as baixas militares iraquianas, cerca de 30.000 (de acordo com variadas fontes). Assim teremos uma contagem de cerca de 35.400 mortos. (give or take...) Se contarmos que nos ataques de 9/11 morreram 3.030 pessoas (contagem conjunta das torres gémeas, do Pentágono e do avião solitário), veremos que morreram 11,68 vezes mais pessoas na segunda guerra pós-9/11. Ou melhor, se só contarmos com as inocentes mortes civis de ambos os lados, veremos que só no Iraque (no Afeganistão foram outros tantos) morreram mais inocentes do que nos atentados de 9/11. Quase o dobro, para sermos exactos. Se uns não estavam à espera, os outros não podiam fugir. Podemos a isso acrescentar o uso de bombas de fragmentação (proibidíssimas pelas variadas organizações internacionais), que só no Iraque deixaram uma plantação de 2.000.000 de clusters prontas a rebentar. Deve ser assim que querem construir um país novo: oferecendo próteses a metade da população. Enfim, nada mau para um país que, com duas bombas só, matou 250.000 pessoas em 1945. Ainda por cima se orgulham disso ao ponto de terem o avião que fez o lançamento no seu principal museu como atracção principal. (estes americanos são mórbidos)» Assina U-xana Bino Lada e, neste caso, nem dá vontade de rir; noutros talvez...
De novo Saddam, agora no blog Mata-Mouros (http://matamouros.blogspot.com/), também uma reacção ainda a quente, dia 14 às 13.22. Antes, um esclarecimento: «Quem são os mouros que queremos ‘matar’? – (...) são os atributos perniciosos que pairam no tempo presente e dominam os que lhes não quiseram resistir. O pensamento único, pleno de heteronomia nas suas origens. As condutas doutrinadas pelas tendências. A tradição que assenta exclusivamente na lei da inércia. A superstição mascarada de religião. Os falsos consensos. O corporativismo transformado em lógica existencial. O Estado como dogma insofismável. A ‘cunha’ convertida em elemento insuperável do modo de ser português. O fado como elogio da desdita. O conformismo. A abúlica mansidão. O estar sempre com o que está.» Mas vamos à reacção, «Um lindo dia para a Liberdade» (surgiria depois a versão II): «O tirano foi capturado. Sintomaticamente enfiado num buraco e assemelhando-se – também no aspecto físico – a um sósia de Fidel Castro, foi preso sem resistência. Uma vez mais, sem honra nem glória. Hoje é um grande dia!»
Só que isto de reacções tem que se lhe diga; quando se começa... De novo o BdE... Ainda a 14, sucedem-se as reacções, a «segunda», a «terceira», a «quarta» e até, antes delas, umas «reacções itálicas» Nas «itálicas», «Espera-se que não seja de plástico como o peru.» (Manuel Deniz Silva); na «segunda», «... um traidor sanguinário da sua pátria e do seu povo, um monstro sádico, um realíssimo filho da puta.» (José Mário Silva); na «terceira», «... não gostei de ver os pulos de alegria e os gritos histéricos dos jornalistas (mesmo se iraquianos) e ainda menos o anúncio fanfarrão de Paul Bremer: ‘We got him!’. A guerra não é um jogo de futebol e um adversário militar não é um troféu de caça.» (JMS); na «quarta», «Seria um erro crasso esquecer, hoje, um facto simples: a justiça que finalmente se abate sobre Saddam não torna mais justa uma guerra injusta.» (JMS).
Fiquemos por aqui de reacções. Abre-se agora espaço para a telenovela de Saddam sob prisão. Argumentistas e actores secundários não hão-de faltar.
Blogs consultados
http://www.blogdeesquerda/ (II), mantido por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva;
http://abrupto.blogspot.com/), mantido por José Pacheco Pereira;
http://www.off-e-sina.blogspot.com/, mantido por Gonçalo Soares da Costa, Henrique Bastos e Nuno Seabra Lopes;
http://www.al-qaeda-pt.blogspot.com/, com textos assinados por U-xana Bino Lada e outros;
http://matamouros.blogspot.com/, com textos assinados por CAA.
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Postas as coisas assim, e antes dos «grandes» (e, para muita gente, queridos) líderes falarem, vejamos o que se dizia por outras bandas. Por exemplo, Pacheco Pereira, no seu Abrupto (http://abrupto.blogspot.com/), com o sorumbático título «Prisão de Saddam»: «Se se confirmar, é um acontecimento importante. A chamada ‘resistência’, nome viciado e programático, é, como com maior rigor a imprensa de referência internacional a descreve, um movimento para-militar ligado às estruturas do partido de Saddam, o Baath. Sendo assim, a queda de estruturas de comando político-militar, que estão por trás dos ataques, é relevante para o seu desmantelamento (...)» Reacção a 14, às 11.46.
Voltemos ao Blogue de Esquerda, não para uma segunda reacção aos acontecimentos, mas para isolar um dos comentários recebidos, assinado por NSL (do blog Off & Sina, http://www.off-e-sina.blogspot.com/): «(...) Temo que toda esta guerra acabe por criar um mito (...). Será Saddam o próximo ícone da resistência anti-americana. Já houve o facto de terem transformado um odiado líder árabe num venerado resistente da causa islâmica, o que não é pouco. Mas, se gostarem de rir, aconselho o blog Al-Qaeda Portugal (...)»
Seguindo o conselho, entremos então na Al-Qaeda de cá (http://www.al-qaeda-pt.blogspot.com/). Sexta-feira, 12 de Dezembro, um dia antes da prisão de Saddam, um texto intitulado «Estatísticas?!»... «Não há melhor nome para a arte de contar os mortos. São os nossos olhos olhando os olhos estáticos na esperança de, em dois (olhos), contarmos um (morto). Um pequeno dedo que aponta num caderno pautado rabiscado com caracteres árabes: Kathalú 15 (Mataram 15). Seriam 30 olhos com pouco para ver? (...) uma guerra com poucos mortos. (...) na guerra do Iraque 2.0 morreram desde o início 400 americanos e, segundo as estatísticas parciais da ONU, 3.500 civis (entre 5.000 e 10.000 segundo a Igreja Católica), a isso acrescentamos as baixas militares iraquianas, cerca de 30.000 (de acordo com variadas fontes). Assim teremos uma contagem de cerca de 35.400 mortos. (give or take...) Se contarmos que nos ataques de 9/11 morreram 3.030 pessoas (contagem conjunta das torres gémeas, do Pentágono e do avião solitário), veremos que morreram 11,68 vezes mais pessoas na segunda guerra pós-9/11. Ou melhor, se só contarmos com as inocentes mortes civis de ambos os lados, veremos que só no Iraque (no Afeganistão foram outros tantos) morreram mais inocentes do que nos atentados de 9/11. Quase o dobro, para sermos exactos. Se uns não estavam à espera, os outros não podiam fugir. Podemos a isso acrescentar o uso de bombas de fragmentação (proibidíssimas pelas variadas organizações internacionais), que só no Iraque deixaram uma plantação de 2.000.000 de clusters prontas a rebentar. Deve ser assim que querem construir um país novo: oferecendo próteses a metade da população. Enfim, nada mau para um país que, com duas bombas só, matou 250.000 pessoas em 1945. Ainda por cima se orgulham disso ao ponto de terem o avião que fez o lançamento no seu principal museu como atracção principal. (estes americanos são mórbidos)» Assina U-xana Bino Lada e, neste caso, nem dá vontade de rir; noutros talvez...
De novo Saddam, agora no blog Mata-Mouros (http://matamouros.blogspot.com/), também uma reacção ainda a quente, dia 14 às 13.22. Antes, um esclarecimento: «Quem são os mouros que queremos ‘matar’? – (...) são os atributos perniciosos que pairam no tempo presente e dominam os que lhes não quiseram resistir. O pensamento único, pleno de heteronomia nas suas origens. As condutas doutrinadas pelas tendências. A tradição que assenta exclusivamente na lei da inércia. A superstição mascarada de religião. Os falsos consensos. O corporativismo transformado em lógica existencial. O Estado como dogma insofismável. A ‘cunha’ convertida em elemento insuperável do modo de ser português. O fado como elogio da desdita. O conformismo. A abúlica mansidão. O estar sempre com o que está.» Mas vamos à reacção, «Um lindo dia para a Liberdade» (surgiria depois a versão II): «O tirano foi capturado. Sintomaticamente enfiado num buraco e assemelhando-se – também no aspecto físico – a um sósia de Fidel Castro, foi preso sem resistência. Uma vez mais, sem honra nem glória. Hoje é um grande dia!»
Só que isto de reacções tem que se lhe diga; quando se começa... De novo o BdE... Ainda a 14, sucedem-se as reacções, a «segunda», a «terceira», a «quarta» e até, antes delas, umas «reacções itálicas» Nas «itálicas», «Espera-se que não seja de plástico como o peru.» (Manuel Deniz Silva); na «segunda», «... um traidor sanguinário da sua pátria e do seu povo, um monstro sádico, um realíssimo filho da puta.» (José Mário Silva); na «terceira», «... não gostei de ver os pulos de alegria e os gritos histéricos dos jornalistas (mesmo se iraquianos) e ainda menos o anúncio fanfarrão de Paul Bremer: ‘We got him!’. A guerra não é um jogo de futebol e um adversário militar não é um troféu de caça.» (JMS); na «quarta», «Seria um erro crasso esquecer, hoje, um facto simples: a justiça que finalmente se abate sobre Saddam não torna mais justa uma guerra injusta.» (JMS).
Fiquemos por aqui de reacções. Abre-se agora espaço para a telenovela de Saddam sob prisão. Argumentistas e actores secundários não hão-de faltar.
Blogs consultados
http://www.blogdeesquerda/ (II), mantido por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva;
http://abrupto.blogspot.com/), mantido por José Pacheco Pereira;
http://www.off-e-sina.blogspot.com/, mantido por Gonçalo Soares da Costa, Henrique Bastos e Nuno Seabra Lopes;
http://www.al-qaeda-pt.blogspot.com/, com textos assinados por U-xana Bino Lada e outros;
http://matamouros.blogspot.com/, com textos assinados por CAA.
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Blogs,
Crónica «Os Dias do Blog»
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Os Dias do Blog – 1
Durante algum tempo, tive uma crónica mensal sobre blogs numa revista. Começo agora a publicar aqui a série que fiz. Esta é a crónica de Dezembro de 2003.
Nem sempre a abrir
Sonhar, desejar e ambicionar no «país relativo», e para acabar ne varietur
(Dezembro de 2003)
E se uma cara bem conhecida, de repente, logo a abrir um telejornal, lhe oferecesse… um livro? Oferecesse, enfim, não seria bem o caso, antes sim, se a dita cara, bem conhecida, já se vê, a abrir, lhe falasse de um livro. Às oito da noite, ou até faltando um minuto para as oito, a ver se se antecipava à concorrência, por causa de expressões agora tão familiares como o estrangeiríssimo share ou os bem portugueses níveis de audiências.
De coisas assim fala Francisco José Viegas (http://www.aviz.blogspot.com/, 4 de Novembro), não a lançar ideias, mas a comentar as de alguém, precisamente Nelson de Matos, que «sonha com um dia em que os telejornais abram com a notícia da publicação de um romance de autor português». Refere-se Francisco José Viegas a um desabafo do editor da Dom Quixote, atirado para a rede uns dias antes (http://textosdecontracapa.blogspot.com/, 3 de Novembro), acabando por acrescentar que «há coisas mais importantes», embora compreenda «o desejo do Nelson».
Com misturas de sonhos e desejos, há sempre o risco de às tantas surgir a confusão. Ora nem mais... A 6 de Novembro, lá apareceu um reparo de Nelson de Matos: «Eu não disse que ‘sonho com’; disse que ‘ambiciono que’. Parece a mesma coisa, mas não é. A segunda expressão tem uma determinação que não gostaria de pôr de lado. Ou seja, precisamos de insistir, precisamos de continuar a chamar a atenção para o logro que representam os actuais alinhamentos dos telejornais. Logro, mentira, oportunismo, manipulação – não sei bem que palavra usar.»
Sem notícia de que no «Aviz» tenha aparecido resposta, fica pelo menos uma reflexão de entre os comentários ao reparo de Nelson de Matos. JPN, um dos três internautas a deixar mensagem, fala de ser «subtil a diferença entre sonhar e ambicionar», contudo «preciosa». E defende que «devemos manter essa determinação, para que conste que não é em nosso nome que falam aqueles que dizem que constroem estes alinhamentos porque tantos por cento de tantos por cento de gente assim o exigem».
Coisas do «país relativo» de O’Neill, o mesmo país a que Marcelo Rebelo de Sousa atribuiu dezasseis valores (de zero a vinte), o que levou Pedro Machado (http://www.paisrelativo.blogspot.com/, 9 de Novembro) a escrever: «Uma avaliação dos últimos trinta anos. Julgada com dezasseis valores. Com esta média, Portugal pode apresentar-se directamente a doutoramento. Deixaremos de bastar-nos com pelintrices honoris causa. Finalmente, Portugal doutor! Obrigado, professor.» E Pedro Machado remete para uma notícia do «Público» (http://jornal.publico.pt/2003/11/07/Nacional/P31.html), onde a certa altura é revelado que o professor avisou que «o actual estado de espírito da sociedade portuguesa ficou de fora desta avaliação».
Mas voltemos às coisas dos alinhamentos. Já no dia 4 de Novembro, Francisco José Viegas referia que o «problema é que os telejornais são muitas vezes ‘alinhados’ (estou a falar do alinhamento editorial) por gente com a sensibilidade de um elefante e convenhamos que os romances portugueses não são lá muito apelativos». Viegas que, mesmo assim, revelava o seguinte: «Um dia destes, no entanto, fiquei espantado com o rodapé de um telejornal, onde se anunciavam os prémios Fémina e Medicis – para língua francesa. O texto do rodapé indicava títulos, autores, etc.. Uma boa notícia? Não. Uma péssima notícia; esses textos são geralmente de uma indigência ideológica devastadora e de uma gramática a rondar o absurdo. Mas um telejornal (já não sei em que canal era) que anuncia os quatro livros franceses premiados e ignora edições de livros ao pé da porta dá que pensar. Nada de ‘nacionalismos’ – um ‘bom romance’ seja em que língua for (inclusive a nossa) é sempre superior a um ‘romance português’, evidentemente. Simplesmente, ao dar a informação pormenorizada sobre os Fémina e Médicis, a televisão dizia: ‘Estão a ver como nos interessamos pela informação literária? Estão a ver?’ A gente já os conhece.»
Tão bem os conhecemos que não se pode dizer à confiança se a abrir apresentariam ou não o texto seguinte, da autoria de José Mário Silva (http://www.blogdeesquerda/, 13 de Novembro), que classifica como «uma notícia importante». Título: «Ne Varietur». Miolo: «Em breve, o Blog de Esquerda vai ter os seus textos fixados por especialistas (pausa para exclamar ‘Oh!’). Desculpem a imodéstia, mas é mesmo assim. Como não somos menos que o autor de ‘A Ordem Natural das Coisas’, também queremos correcções e emendas ratificadas por um comité, também queremos rigor na exegese e também queremos dizer em voz alta, num latim sonoro, as palavras mágicas: ne varietur.» O que se pode dizer à confiança é que eu coloco o texto a fechar. E nem é por causa das coisas, perdão, da ordem natural das coisas, sejam lá elas quais forem.
Blogs consultados
http://www.aviz.blogspot.com/, mantido por Francisco José Viegas
http://textosdecontracapa.blogspot.com/, mantido por Nelson de Matos
http://www.paisrelativo.blogspot.com/, mantido por Filipe Nunes, Mariana Vieira da Silva, Mark Kirkby, Miguel Cabrita, Pedro Adão e Silva, Pedro Machado, Rui Branco e Sílvia Sousa
http://www.blogdeesquerda/, mantido por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva
De coisas assim fala Francisco José Viegas (http://www.aviz.blogspot.com/, 4 de Novembro), não a lançar ideias, mas a comentar as de alguém, precisamente Nelson de Matos, que «sonha com um dia em que os telejornais abram com a notícia da publicação de um romance de autor português». Refere-se Francisco José Viegas a um desabafo do editor da Dom Quixote, atirado para a rede uns dias antes (http://textosdecontracapa.blogspot.com/, 3 de Novembro), acabando por acrescentar que «há coisas mais importantes», embora compreenda «o desejo do Nelson».
Com misturas de sonhos e desejos, há sempre o risco de às tantas surgir a confusão. Ora nem mais... A 6 de Novembro, lá apareceu um reparo de Nelson de Matos: «Eu não disse que ‘sonho com’; disse que ‘ambiciono que’. Parece a mesma coisa, mas não é. A segunda expressão tem uma determinação que não gostaria de pôr de lado. Ou seja, precisamos de insistir, precisamos de continuar a chamar a atenção para o logro que representam os actuais alinhamentos dos telejornais. Logro, mentira, oportunismo, manipulação – não sei bem que palavra usar.»
Sem notícia de que no «Aviz» tenha aparecido resposta, fica pelo menos uma reflexão de entre os comentários ao reparo de Nelson de Matos. JPN, um dos três internautas a deixar mensagem, fala de ser «subtil a diferença entre sonhar e ambicionar», contudo «preciosa». E defende que «devemos manter essa determinação, para que conste que não é em nosso nome que falam aqueles que dizem que constroem estes alinhamentos porque tantos por cento de tantos por cento de gente assim o exigem».
Coisas do «país relativo» de O’Neill, o mesmo país a que Marcelo Rebelo de Sousa atribuiu dezasseis valores (de zero a vinte), o que levou Pedro Machado (http://www.paisrelativo.blogspot.com/, 9 de Novembro) a escrever: «Uma avaliação dos últimos trinta anos. Julgada com dezasseis valores. Com esta média, Portugal pode apresentar-se directamente a doutoramento. Deixaremos de bastar-nos com pelintrices honoris causa. Finalmente, Portugal doutor! Obrigado, professor.» E Pedro Machado remete para uma notícia do «Público» (http://jornal.publico.pt/2003/11/07/Nacional/P31.html), onde a certa altura é revelado que o professor avisou que «o actual estado de espírito da sociedade portuguesa ficou de fora desta avaliação».
Mas voltemos às coisas dos alinhamentos. Já no dia 4 de Novembro, Francisco José Viegas referia que o «problema é que os telejornais são muitas vezes ‘alinhados’ (estou a falar do alinhamento editorial) por gente com a sensibilidade de um elefante e convenhamos que os romances portugueses não são lá muito apelativos». Viegas que, mesmo assim, revelava o seguinte: «Um dia destes, no entanto, fiquei espantado com o rodapé de um telejornal, onde se anunciavam os prémios Fémina e Medicis – para língua francesa. O texto do rodapé indicava títulos, autores, etc.. Uma boa notícia? Não. Uma péssima notícia; esses textos são geralmente de uma indigência ideológica devastadora e de uma gramática a rondar o absurdo. Mas um telejornal (já não sei em que canal era) que anuncia os quatro livros franceses premiados e ignora edições de livros ao pé da porta dá que pensar. Nada de ‘nacionalismos’ – um ‘bom romance’ seja em que língua for (inclusive a nossa) é sempre superior a um ‘romance português’, evidentemente. Simplesmente, ao dar a informação pormenorizada sobre os Fémina e Médicis, a televisão dizia: ‘Estão a ver como nos interessamos pela informação literária? Estão a ver?’ A gente já os conhece.»
Tão bem os conhecemos que não se pode dizer à confiança se a abrir apresentariam ou não o texto seguinte, da autoria de José Mário Silva (http://www.blogdeesquerda/, 13 de Novembro), que classifica como «uma notícia importante». Título: «Ne Varietur». Miolo: «Em breve, o Blog de Esquerda vai ter os seus textos fixados por especialistas (pausa para exclamar ‘Oh!’). Desculpem a imodéstia, mas é mesmo assim. Como não somos menos que o autor de ‘A Ordem Natural das Coisas’, também queremos correcções e emendas ratificadas por um comité, também queremos rigor na exegese e também queremos dizer em voz alta, num latim sonoro, as palavras mágicas: ne varietur.» O que se pode dizer à confiança é que eu coloco o texto a fechar. E nem é por causa das coisas, perdão, da ordem natural das coisas, sejam lá elas quais forem.
Blogs consultados
http://www.aviz.blogspot.com/, mantido por Francisco José Viegas
http://textosdecontracapa.blogspot.com/, mantido por Nelson de Matos
http://www.paisrelativo.blogspot.com/, mantido por Filipe Nunes, Mariana Vieira da Silva, Mark Kirkby, Miguel Cabrita, Pedro Adão e Silva, Pedro Machado, Rui Branco e Sílvia Sousa
http://www.blogdeesquerda/, mantido por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva
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quinta-feira, 22 de maio de 2008
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Os melhores blogs de 2007
Escolha fácil, mesmo muito fácil. Um blog individual, ou quase individual, («A Origem das Espécies», de Francisco José Viegas, e um blog colectivo («Corta-fitas»). Já para os livros, escolher os melhores de 2007 é uma tarefa mais complicada, como no post seguinte explicarei.
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