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sábado, 2 de fevereiro de 2008

Gente para tudo

Daniel Bessa, hoje, na sua mini-coluna do «Expresso», agradece ao ex-ministro da Saúde (que trata por «meu caro António Correia de Campos») todo o trabalho que ele fez; agradece com um «muito obrigado» que parece extremamente sentido. Há gente para tudo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

É o que dá uma pessoa afastar-se

Um dia afastado do blog e de tudo o resto e José Sócrates, assim sem mais nem menos, remodela o governo. Cultura e educação… A troca da ministra da Cultura, mesmo tratando-se de certa forma da minha área, tanto se me dá, até com a troca a ter sido por um advogado. Já a de Correia de Campos – como escrevi aqui há uns dias, uma pessoa absolutamente execrável – só pode ser vista com bons olhos; quanto à nova ministra, Ana Jorge, tive alguns contactos profissionais com ela em finais da década de 90 e a ideia com que fiquei é de se trata de uma pessoa serena e conhecedora da área – vamos a ver o que faz, num sector que apesar dos rankings que por vezes se mostram (Portugal no décimo segundo lugar em termos mundiais ao nível dos serviços de saúde, por exemplo) só nos pode deixar envergonhados (Correia de Campos ria-se, mas isso não era de admirar, pelos comportamentos que se lhe conhecem desde há muitos anos).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A hiena

Nunca pensei que as coisas chegassem a este ponto em Portugal. Claro que sei que a política se tornou abrigo da incompetência e, pior do que isso, da pura maldade, mas mesmo assim eu tinha a sensação de que existiam limites. Acho que me enganei. Em dois dias morreram dois bebés sem que houvesse condições para lhes prestar com dignidade a assistência que em 2008 seria previsível que se prestasse num país da União Europeia. Perto da hora do almoço, vi o ministro da Saúde – uma pessoa absolutamente detestável – a furtar-se a prestar declarações sobre as tropelias das suas decisões no sistema português de saúde. Dizia que era com a ARS, presumo que as administrações regionais de saúde de cada um dos sítios onde morreram os bebés, um na rampa de acesso a um hospital e outro numa ambulância creio que apenas com a mãe e o motorista. António Correia de Campos, o ministro, falava da ARS, e ria-se, como se a morte de dois bebés nestas circunstâncias (fosse em que circunstâncias fosse) pudesse despertar num ser humano, imagine-se, o riso. Os jornalistas devem ter ficado em parvos. O ministro ria. E depois, do estúdio, meteram o presidente de uma ARS – sem rir – a dizer que agora o que era preciso era fazer uma auditoria.
Pensei nisto esta tarde. Lembro-me de ir no carro e de pensar que não podia ser, que isto não estava a acontecer no meu país. Mas não, infelizmente era verdade. E à noite, num dos noticiários, lá repetiram o ministro, a rir, sempre a rir, discretamente, que talvez pensasse que mais do que isso podia parecer, sei lá, podia parecer demais. Mas depois ainda mostraram outra coisa, que eu não tinha visto antes. Correia de Campos parecia ter um bornal inesgotável para a indecência. Disse a um jornalista algo como isto: «senhor jornalista, se as suas avozinhas… ou antes, se as suas bisavozinhas não tivessem morrido ainda estariam vivas». Depois de dizer «avozinhas» hesitou, deve ter feito contas rapidamente, deve ter pensado qualquer coisa como «espera aí, este tipo, pela idade, ainda deve ter as avós vivas, é melhor dizer bisavós que essas já devem ter mesmo morrido». E então completou a piada de mau gosto metendo «bisavozinhas» em vez de «avozinhas». Depois disto, de tudo isto, talvez seja de acreditar em tudo no que diz respeito ao ministro. Sobretudo que não há mesmo limites para a indecência.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Pergunta discreta

Uma mulher de 85 anos morreu depois de quatro horas de espera nas urgências do Hospital de Aveiro. E se a Polícia Judiciária interrogasse o ministro da Saúde e o primeiro-ministro por causa desta morte?