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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Em branco
Fui vereador na câmara municipal da minha terra (Monchique, no Algarve) e ainda sou deputado municipal, depois de eleito em listas do PSD. Para as eleições legislativas já tinha alguma inclinação para ir votar em branco (Manuela Ferreira Leite), mas ainda não estava decidido; a decisão tomei-a agora, ao saber que no Conselho Nacional do PSD escolheram para cabeça de lista pelo Algarve Jorge Bacelar Gouveia, de Lisboa.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009
António Souto – Crónica (14)
Décima quarta crónica de António Souto, depois desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta e desta. O António mantém uma crónica («Ex-abrupto») no jornal da sua terra («Jornal D’Angeja»). Esta é a da edição de Julho de 2009..
Vagares
Já se iniciaram as férias. O tempo agora é de vagares, mas só por um tempo, sempre curto no final, sempre mais curto que o próprio Verão. Aproveitamos agora para fazer o que em período de ganha-pão não nos dá jeito, como descansar, por exemplo, e para descansar, muitas vezes, basta fazermos aquilo que nos apetece e nos dá mais gozo, sem pavores de perdermos o transporte, sem as estafas das filas massacrantes, sem o nefando rigor dos horários ou sem os olhares punitivos de quem comanda e ordena.
E ainda vai o ócio no adro e já se acabou a leitura do primeiro livro de desocupação: Os Passos da Cruz (de Nuno Júdice). Conheço o autor, como conheço o ensaísta e o poeta que se encantam nele. Nunca o experimentara na ficção, e a descoberta fez-se com agrado. Nesta novela emaranham-se com mestria tempos e personagens, confunde-se o leitor com um narrador habilidoso, enleia-se uma certa realidade com uma certa ficção: «Com efeito, o meu objectivo naquele momento deixara de ser arranjar gasolina para voltar para a cidade, preferindo explorar a situação em que me encontrava, recolhendo o maior número possível de elementos para o meu livro que, a partir destes factos reais, poderia deixar de ser uma biografia, que dificilmente evitaria o que se costuma designar por ‘biografia romanceada’, para se transformar num relato construído a partir da minha própria experiência.» Em última análise, sublinha-se a complexidade do Ser, a demanda das raízes de um ser múltiplo. Uma leitura recomendável que se articula com uma outra (feita por ocasião da Feira do Livro), igualmente aconselhável: A Divina Miséria (de João de Melo). Também novela, nela se expandem dez capítulos, como «passos» ou «estações» (que há aqui muito de simbologia mística), cujos eixos acentuam, para além da descrença na Igreja solidária e num americanismo globalizante, uma sedutora preocupação com a frágil existência humana, um pessimismo anunciado: «As gerações de agora, as pessoas em si, uma a uma, perderam os sonhos, os segredos, o dia seguinte, o horizonte do olhar. Hoje em dia, ninguém é de ninguém. Não há nada a dar nem a receber. Que é feito do sentimento de gratidão? Onde a arte de ouvir, de escutar o coração desamparado do tempo e das pessoas que nele vivem e morrem? Não se agradece a idade, o saber, a experiência, a vontade, o ser. Ninguém aqui faz nada por ninguém.»
Estive em Avanca, entre Estarreja e Ovar, melhor, estive no Avanca’09, isto é, nos «Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia» que, entre 22 e 26 de Julho, fizeram nesta vila, à semelhança de edições anteriores, a «festa do cinema». Aceitei, pela terceira vez, o honroso convite para participar no júri de uma das competições. No folheto de apresentação, podia ler-se: «80 filmes em exibição»; «12 filmes em estreia mundial»; «48 filmes em estreia nacional»; «71 países inscreveram cerca de 2000 filmes»; «7 workshops internacionais»; «11 individualidades no trabalho»; «12 anos de festival». A isto, poderíamos ainda acrescentar as largas dezenas de participantes nos workshops, os muitos espectadores que assistiram às exibições programadas, os muitos elementos do júri que visionaram os filmes em competição, bem como os muitos voluntários que com entusiasmo diariamente fizeram com que o festival decorresse como previsto. Porém, para um evento com esta dimensão, que envolve parceiros locais e institucionais (empresas, organismos e autarquias locais, Escola Egas Moniz, ICAM, IPJ, Direcção Regional de Cultura) e que, pela qualidade e pela longevidade, adquiriu uma inequívoca projecção internacional, persiste, sobretudo por parte dos meios de comunicação social, um silêncio e um alheamento estranhamente redutores. O Cineclube de Avanca (tal como o seu responsável, António Costa Valente) merecia uma maior e melhor atenção. Para o ano, voltando lá, voltaremos à carga!
Entrei no Titanic, na estação do Rossio, em Lisboa, por entre destroços e memórias, objectos «recuperados com enorme esforço dos escombros da área circundante do naufrágio». Uma viagem iniciada em 10 de Abril de 1912, no Reino Unido, terminaria abruptamente dois dias depois no Atlântico Norte, com o embate deste monstro a vapor num iceberg. Com 2.206 pessoas a bordo (1.314 passageiros e 892 elementos da tripulação), ali faleceram nas águas geladas 1.497 seres humanos, entre ricos e pobres, entre gente de primeira classe e gente anónima de terceira classe. A exposição, embora interessante e capaz de transportar o visitante ao ambiente trágico do sucedido, não parece justificar os 13 euros (por adulto) cobrados à entrada. Nem mesmo para visitantes de primeira classe, com os pés assentes em terra.
De regresso a férias, vamos a férias, com outras impressões e outros vagares.
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domingo, 2 de agosto de 2009
Whisky
Para descobrir aqui, o homem do copo de whisky.
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Romance «Uma Noite com o Fogo»,
Whisky
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Autógrafos
Este Sábado, estarei em duas sessões de autógrafos do meu romance «Uma Noite com o Fogo», ambas no Algarve, em feiras do livro. Às 17H00 em Faro, no Fórum Algarve; às 21H30 em Portimão, na zona ribeirinha da cidade.
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Sessão de Autógrafos
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Fim da tarde
Esta quinta-feira, ao fim da tarde, por aqui. À espera do jantar. A Tecla, à porta da arrecadação; e em cima da mesa, indiferentes aos meninos do caramanchão, o Lito (amarelo) e a Palhinha. O quarto gato, o Punkinho (lê-se panquinho), anda de viagem pelo montado e por isso vai-se safando com uns ratos, umas cobras, umas lagartixas, com sorte até com alguma perdiz menos despachada..
O Sporting, ao contrário dos adversários, apostou menos na contratação de jogadores e mais na contratação de um presidente
Mesmo não querendo pensar nisso, a verdade é que eu esperava o resultado do jogo de ontem à noite (Sporting 0, Twente 0). Por um lado, devido às indicações dadas pelo Sporting nos jogos de preparação; por outro, pelo valor (pouco) da equipa holandesa. Não era difícil acertar, a menos que à custa do génio de Liedson ou até de Matias Fernández as coisas se resolvessem. Talvez na Holanda o Sporting consiga um resultado que lhe permita passar à fase seguinte da competição, mas no ponto em que estão as coisas já nem digo nada…Pelo andar da carruagem, Paulo Bento pode tornar-se num case study. O treinador-espectador. Por vezes, dá mesma a ideia de que se tornou em mais um espectador dos jogos, e daqueles desinteressados. Lá está, a ver, descansado da vida, como podia estar no cinema, num restaurante ou inclusive a passear um cão. Nem o facto de ter em campo jogadores como Polga ou Caneira (do pior que Alvalade conheceu nos últimos anos, embora sem chegar, qualquer deles, ao caso-limite de Purovic), nem isso parece preocupá-lo.
O Sporting pode estar mesmo metido num grande problema. Depois da lógica ilógica dos tempos de Filipe Soares Franco – que dizia que era melhor o clube ficar em segundo do que em primeiro –, vive uma fase de apatia em que só o que destoa é o entusiasmo de José Eduardo Bettencourt. Que apostou menos na contratação de jogadores (ao contrário dos adversários) e mais na contratação de um presidente (ele próprio). Podia ser uma boa solução, se ele fosse mais novo e tivesse sido formado na academia.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
Estranha mistura
A propósito disto, de o lobo mau ter sido rasteirado num jogo de futebol em «Os Maias», lembrei-me do que me dizia por vezes a professora de português no tempo em que no secundário eu estudava o romance de Eça, numa escola de Portimão. Se eu falhava alguma coisa, lá vinham as frases inevitáveis: «Os teus Maias não são iguais aos meus. Onde é que os compraste? Em Monchique?!» Claro que isto era uma coisa menor, comparado com outras que fazia aquele ser ignóbil, que era uma estranha mistura de psicopata, cobra e monstro-de-gila. Tornou as minhas aulas de português do décimo e do décimo primeiro ano (tive o azar de a apanhar durante dois anos seguidos) num verdadeiro inferno, e cada obra recomendada, por causa dela, tornava-se uma leitura penosa. Até com «Os Maias», com ela sempre a assombrar a mente dos alunos, era assim. Passado um ano, já no décimo segundo e livre daquele pesadelo, li o livro com um imenso fascínio e sempre com uma profunda admiração pelo autor. Voltei a reler agora, com a mesma admiração e ainda com mais fascínio.
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Romance «Os Maias»
domingo, 26 de julho de 2009
O lobo mau de «Os Maias»
«O lobo mau estava a jogar à bola e de repente passaram-lhe uma rasteira.» É um «excerto» de «Os Maias», de Eça de Queirós, pelo menos a julgar pelo que o meu filho, de quatro anos, «leu» à irmã, de dois, logo a seguir a tirar-me o livro da mão. Foi há três ou quatro dias, quando eu ia naquela parte do romance em que o Ega visita a redacção do jornal «A Tarde»..
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Revista «human» de Agosto
Nas bancas a partir desta sexta-feira, 24. Na capa, a directora da SIC Mulher, Sofia Carvalho. Mais informações sobre a edição aqui. Deixo a seguir o meu editorial…
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Clichés, o inglês, as férias
Se algo me surpreendeu na entrevista de Sofia Carvalho, a directora do canal televisivo «SIC Mulher», que publicamos nesta edição, foi a recusa de clichés como por exemplo «gestão no feminino». A certa altura ela diz: «As características de liderança não estão relacionadas com o sexo, mas sim com pessoas. Já encontrei homens muito emocionais e reconheço uma grande racionalidade nas mulheres que lideram. A questão de os homens serem mais racionais nas decisões e as mulheres mais emocionais é, na minha opinião, um mito.» Nunca tinha pensado muito nisto, mas mesmo assim o assunto já me passou pela cabeça várias vezes, ao ler afirmações sempre em sentido contrário. É frequente no mundo da gestão. Por isso a surpresa de agora dar com uma opinião bem diferente de toda essa corrente. Talvez um dia eu venha a pensar a sério no assunto, mas mesmo assim não me parece que vá chegar a conclusões definitivas.
Foi a figura de Sofia Carvalho que puxámos para a capa desta edição, a de Agosto, que é um bocadinho mais curta mas mesmo assim mantém a maior parte das secções habituais. Outros destaques são os temas do outplacement e do executive search, denominações em inglês que vejo sempre com alguma desconfiança mas que não me atrevo a substituir por uma tradução, de tão disseminadas que estão assim. Como os clichés de que falava no início, também o inglês se apoderou de muito do vocabulário do mundo da gestão e das empresas.
É a edição do mês que associamos a férias. Até por isso acabámos por decidir colocar nos habituais «múltiplos olhares» uma pergunta sobre se faz sentido que as empresas, e até o próprio país, quase parem em Agosto. Na próxima edição voltaremos à dimensão habitual.
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Clichés, o inglês, as férias
Se algo me surpreendeu na entrevista de Sofia Carvalho, a directora do canal televisivo «SIC Mulher», que publicamos nesta edição, foi a recusa de clichés como por exemplo «gestão no feminino». A certa altura ela diz: «As características de liderança não estão relacionadas com o sexo, mas sim com pessoas. Já encontrei homens muito emocionais e reconheço uma grande racionalidade nas mulheres que lideram. A questão de os homens serem mais racionais nas decisões e as mulheres mais emocionais é, na minha opinião, um mito.» Nunca tinha pensado muito nisto, mas mesmo assim o assunto já me passou pela cabeça várias vezes, ao ler afirmações sempre em sentido contrário. É frequente no mundo da gestão. Por isso a surpresa de agora dar com uma opinião bem diferente de toda essa corrente. Talvez um dia eu venha a pensar a sério no assunto, mas mesmo assim não me parece que vá chegar a conclusões definitivas.
Foi a figura de Sofia Carvalho que puxámos para a capa desta edição, a de Agosto, que é um bocadinho mais curta mas mesmo assim mantém a maior parte das secções habituais. Outros destaques são os temas do outplacement e do executive search, denominações em inglês que vejo sempre com alguma desconfiança mas que não me atrevo a substituir por uma tradução, de tão disseminadas que estão assim. Como os clichés de que falava no início, também o inglês se apoderou de muito do vocabulário do mundo da gestão e das empresas.
É a edição do mês que associamos a férias. Até por isso acabámos por decidir colocar nos habituais «múltiplos olhares» uma pergunta sobre se faz sentido que as empresas, e até o próprio país, quase parem em Agosto. Na próxima edição voltaremos à dimensão habitual.
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
Assustador
Assustador, o jogo de preparação do Sporting em Guimarães – Guimarães 2, Sporting 2 (Matías Fernández, Hélder Postiga) . Além das tão esperadas quanto incompreensíveis insistências em fazer jogar o disparatado Polga e o limitadíssimo Caneira, para já não falar de Rui Patrício e de Rochemback, ainda por cima o jogo mostrou uma equipa sem capacidade de luta (deixou-se empatar depois de estar a ganhar por dois a zero) e um treinador a parecer alheado das suas funções, o que aliás já não é novidade. Alguma coisa estranha se passa com a equipa do Sporting e sobretudo com Paulo Bento. O treinador dá a ideia de que apenas faz figura de corpo presente, aparecendo na conferência de imprensa a seguir a cada jogo a descrever (com notórias dificuldades) o que se passou e a procurar nos jornalistas algum apoio psicológico, desabafando que as coisas vão mal, e que tem jogadores que não se aplicam e por aí adiante. E depois, outra coisa, ainda mais estranha: nos jornais, o que se vê é referências a dias de folga, de cada vez que se abre um jornal desportivo nas páginas do Sporting é dia de folga para aqui, dia de folga para ali; por exemplo, li que a seguir a este jogo de Guimarães Paulo Bento deu um dia de folga aos jogadores e que para o dia a seguir a essa folga marcou um treino para as seis da tarde, e isto fez-me lembrar uma equipa das competições amadoras, dos campeonatos distritais, com jogadores que têm o seu trabalho e vão treinar ao fim da tarde e mesmo assim não o fazem todos os dias. Ainda mais duas coisas sobre o jogo de Guimarães: com toda a polémica que tem havido com Miguel Veloso e a posição de defesa esquerdo, é de mau gosto e até perigoso (veja-se o segundo golo do Guimarães) de repente mandar esse jogador para defesa esquerdo, é mesmo atirar lenha para a fogueira, andar à procura de problemas; e uma frase um bocado parva de Paulo Bento na conferência de imprensa, «quando estamos no deserto não podemos dar água ao adversário» (será que para ele o Sporting está no deserto?).
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Preparação da época 2009/ 2010
quarta-feira, 22 de julho de 2009
sábado, 18 de julho de 2009
A apresentação
Preocupante a apresentação do Sporting esta noite – Sporting 1 (Hélder Postiga), Feyenoord 2. Como se esperava, a equipa entrou com alguns jogadores medíocres em campo (sobretudo Polga e Caneira), jogadores tidos como estrelas e que vão jogar a maior parte dos jogos. A inteligência de Paulo Bento parece mesmo que não descola; dá até a ideia de que no Sporting é cada vez mais um empregado e não um líder. Mau também foi o ambiente, com as cadeiras coloridas a fazerem de espectadores. É notório o afastamento dos sportinguistas, que o actual presidente tenta contrariar depois dos anos vergonhosos de Filipe Soares Franco (que pode ter tido no Sporting um efeito parecido ao que João Vale e Azevedo teve no Benfica).
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Mau começo
Pareceu-me um mau começo o do Sporting no jogo do Troféu da Cidade de Albufeira (Sporting 0, Nottingham Forest 1); primeiro jogo mais a sério depois do «treino» contra o Atlético do Cacém. Estou na expectativa sobre o que poderá dar esta época, com o Porto mais fraco e o Benfica ainda sem se perceber se vai ser a confusão do costume ou se poderá formar uma equipa de jeito. Em relação à época passada, a diferença é que temos um jogador que promete (Matias) e um presidente que se nota que é mesmo sportinguista (enquanto Filipe Soares Franco preferia clientes a adeptos e torcia para que não ficássemos em primeiro para poupar nos prémios aos jogadores). Mas os perigos continuam, quer na equipa (principalmente o desastre Polga, o medíocre Caneira, o débil Rochemback e o inseguro Rui Patrício), quer nos dirigentes (onde tirando o presidente tudo parece na mesma). Vamos ver o que isto dá…
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Há mais de dois anos
Foi há mais de dois anos. Publiquei neste blog um post intitulado «Alarve», a propósito da campanha insultuosa que o infeliz Manuel Pinho arranjou para a minha terra, a que mandou chamar «Allgarve», acrescentado uma letra ao nome da região. Na altura recomendei o nome da região para o próprio Pinho no estrangeiro, só que em vez de acrescentos retirava-se uma letra, o g, para ficar «Alarve»; talvez assim fosse possível exportá-lo. Daí para cá, ele teimou em fazer figuras tristes, sendo a mais recente a de colocar dois dos seus dedos na própria cabeça, simulando que tinha um par de cornos. Pouco depois desse gesto animalesco, recebi o texto que publico a seguir, do meu amigo José Vilhena Mesquita, professor da Universidade do Algarve. Foi escrito na altura em que surgiu o insulto do «Allgarve»..
Allgarve, um caso de dislexia política
Por José Carlos Vilhena Mesquita
Nos últimos anos temos vindo, infelizmente, a assistir a diversos indícios de dislexia intelectual e de idiotice política por parte de altas figuras da governação nacional. Os políticos, essa iluminada fauna da sandice nacional, desconfio que têm sido recrutados nas listas de espera dos nossos hospícios mentais. Porém, o mais grave é que, sem qualquer pejo ou o mais ténue constrangimento, têm-se apoderado das cadeiras do poder político-administrativo.
Não há politicastro, por mais imbecil ou menos cretino que seja, que não tenha já sido nomeado director-geral, assessor, chefe de gabinete, secretário de Estado ou até mesmo ministro duma pasta qualquer. Desde que tenha o cartão do partido, qualquer um serve. E quanto mais néscio e mais obtuso, tanto melhor.
Lamentavelmente é assim que parece funcionar a lógica do recrutamento partidário para a formulação dos grandes poderes de decisão nacional. Tudo indica que para ser político não interessa possuir grandes dotes de inteligência e de erudição, de habilitações académicas ou de competência profissional, de idoneidade cívica ou de honradez moral. A coisa funciona precisamente ao contrário. O que verdadeiramente interessa é que não tenha opinião discordante, sobretudo que apoie a inépcia e corrobore da improficiência do seu chefe político.
Perante isto não admira que a iliteracia intelectual e a dislexia mental dos nossos políticos tenham enriquecido abundantemente o hilariante anedotário nacional. Quem não se lembra dos concertos para violino de Chopin, de que Santana Lopes tanto gostava, ou das contas do PIB que engasgaram António Guterres; ou de Freitas do Amaral a criticar a liberdade dos povos europeus por publicarem caricaturas de Maomé; ou das inúmeras gafes de Mário Soares, a quem já nem se liga, e de que já ninguém se lembra, porque a sua boa disposição e o seu sentido de humor tudo faziam esquecer em benefício de umas boas e sonoras gargalhadas.
Todavia, há um ministro que insiste em fazer alarde da sua confrangedora inépcia mental através de monumentais gafes políticas. Refiro-me ao ministro da Economia e da Inovação (esta da «Inovação» é de cabo de esquadra), Manuel Pinho, que chegou ao governo com aquele sorriso de felicidade muito peculiar nas pessoas que na televisão ganham o concurso do «preço certo». Dizem que é pessoa culta, mas que não gosta nada de Almeida Garrett. Mas isso é outra conversa.
As suas gafes políticas são verdadeiras pérolas da laracha popular. Diz-se que está em acesa compita com vários outros ministros para ser laureado com a medalha de cortiça do «Grande Prémio Nacional do Ridículo». Para atingir esse galardão, a votação entre os principais competidores no colégio governativo ficou recentemente muito mais equilibrada, por causa da visita de Sócrates à China. Na comitiva oficial o ministro Pinho tentou convencer os empresários do capitalismo comunista a investirem em Portugal, assegurando-lhes que a nossa competitividade no seio da Europa resulta dos baixos salários que auferem os nossos trabalhadores. Os privilegiados da nomenclatura chinesa ficaram muito impressionados com as palavras do ministro. Porém sentiram-se desiludidos, talvez porque investir em Portugal pareceu-lhes o mesmo que reinvestir na China, onde o povo é pobre por causa dos baixos salários, e, tal como os portugueses, também é triste por causa da política vigente.
Mas o que os chineses não sabiam é que, poucos dias antes, o ministro Pinho havia escoiceado os sindicatos portugueses, acusando-os de instigarem a falta de competitividade do país no seio da Europa por causa dos altos salários que os nossos trabalhadores auferiam. Isto é, o ministro muda de opinião conforme as circunstâncias e as conveniências. Creio que como político e como pessoa está claramente definido...
Depois de asnear a torto e a direito, só falta saber quem foi a azémola que meteu na cabeça do ministro a ideia de criar a marca «Allgarve», alterando de forma abusiva a honrada designação de um território, e de um ancestral reino, muito mais antigo do que o próprio espaço nacional. Parece que o ministro foi na conversa dum criativo de marketing a soldo duma empresa inglesa. Mas o que o homem fez foi espetar dois ll na cabeça do ministro, convencendo-o de que assim ficava mais bonito, porque convinha que o Algarve fosse literalmente todo inglês («all» significa tudo).
A apresentação deste aborto publicitário, ou mais propriamente deste ultraje ao povo algarvio, fez-se com pompa e circunstância, e só não deu grande celeuma porque o ministro prometeu gastar vários milhões de euros na campanha de promoção do «Allgarve». Os empresários dos mais diversos quadrantes esfregaram as mãos de contentes, os apaniguados da política vigente escaldaram as mãos com frenéticos aplausos, enquanto outros escondiam as mãos em concha por detrás das costas, à espera do deles, como fazia o Abreu… Por isso é que a celeuma morreu à nascença, já que os acostumados oportunistas esperam encher os bolsos com mais esta cretinice dos nossos políticos. Tem sido sempre assim. É por isso que estamos na cauda da Europa.
Dizem que a próxima pérola do ministro é estender a graçola à designação do próprio país, que passará a escrever-se «Portugall», para agradar aos ingleses e aos americanos, que assim ficam cada vez mais com a certeza de que somos uma nação subserviente, um país de chapados imbecis.
Resta-me sugerir ao ministro que dê também o exemplo e passe a grafar o seu nome à espanhola, Piño, pois que grande parte da nossa economia já está nas mãos de nuestros hermanos.
Perante o despautério governativo e as constantes calinadas políticas, creio que já todos adivinharam que o «Grande Prémio Nacional do Ridículo» vai para... el ministro Piño.
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Não há politicastro, por mais imbecil ou menos cretino que seja, que não tenha já sido nomeado director-geral, assessor, chefe de gabinete, secretário de Estado ou até mesmo ministro duma pasta qualquer. Desde que tenha o cartão do partido, qualquer um serve. E quanto mais néscio e mais obtuso, tanto melhor.
Lamentavelmente é assim que parece funcionar a lógica do recrutamento partidário para a formulação dos grandes poderes de decisão nacional. Tudo indica que para ser político não interessa possuir grandes dotes de inteligência e de erudição, de habilitações académicas ou de competência profissional, de idoneidade cívica ou de honradez moral. A coisa funciona precisamente ao contrário. O que verdadeiramente interessa é que não tenha opinião discordante, sobretudo que apoie a inépcia e corrobore da improficiência do seu chefe político.
Perante isto não admira que a iliteracia intelectual e a dislexia mental dos nossos políticos tenham enriquecido abundantemente o hilariante anedotário nacional. Quem não se lembra dos concertos para violino de Chopin, de que Santana Lopes tanto gostava, ou das contas do PIB que engasgaram António Guterres; ou de Freitas do Amaral a criticar a liberdade dos povos europeus por publicarem caricaturas de Maomé; ou das inúmeras gafes de Mário Soares, a quem já nem se liga, e de que já ninguém se lembra, porque a sua boa disposição e o seu sentido de humor tudo faziam esquecer em benefício de umas boas e sonoras gargalhadas.
Todavia, há um ministro que insiste em fazer alarde da sua confrangedora inépcia mental através de monumentais gafes políticas. Refiro-me ao ministro da Economia e da Inovação (esta da «Inovação» é de cabo de esquadra), Manuel Pinho, que chegou ao governo com aquele sorriso de felicidade muito peculiar nas pessoas que na televisão ganham o concurso do «preço certo». Dizem que é pessoa culta, mas que não gosta nada de Almeida Garrett. Mas isso é outra conversa.
As suas gafes políticas são verdadeiras pérolas da laracha popular. Diz-se que está em acesa compita com vários outros ministros para ser laureado com a medalha de cortiça do «Grande Prémio Nacional do Ridículo». Para atingir esse galardão, a votação entre os principais competidores no colégio governativo ficou recentemente muito mais equilibrada, por causa da visita de Sócrates à China. Na comitiva oficial o ministro Pinho tentou convencer os empresários do capitalismo comunista a investirem em Portugal, assegurando-lhes que a nossa competitividade no seio da Europa resulta dos baixos salários que auferem os nossos trabalhadores. Os privilegiados da nomenclatura chinesa ficaram muito impressionados com as palavras do ministro. Porém sentiram-se desiludidos, talvez porque investir em Portugal pareceu-lhes o mesmo que reinvestir na China, onde o povo é pobre por causa dos baixos salários, e, tal como os portugueses, também é triste por causa da política vigente.
Mas o que os chineses não sabiam é que, poucos dias antes, o ministro Pinho havia escoiceado os sindicatos portugueses, acusando-os de instigarem a falta de competitividade do país no seio da Europa por causa dos altos salários que os nossos trabalhadores auferiam. Isto é, o ministro muda de opinião conforme as circunstâncias e as conveniências. Creio que como político e como pessoa está claramente definido...
Depois de asnear a torto e a direito, só falta saber quem foi a azémola que meteu na cabeça do ministro a ideia de criar a marca «Allgarve», alterando de forma abusiva a honrada designação de um território, e de um ancestral reino, muito mais antigo do que o próprio espaço nacional. Parece que o ministro foi na conversa dum criativo de marketing a soldo duma empresa inglesa. Mas o que o homem fez foi espetar dois ll na cabeça do ministro, convencendo-o de que assim ficava mais bonito, porque convinha que o Algarve fosse literalmente todo inglês («all» significa tudo).
A apresentação deste aborto publicitário, ou mais propriamente deste ultraje ao povo algarvio, fez-se com pompa e circunstância, e só não deu grande celeuma porque o ministro prometeu gastar vários milhões de euros na campanha de promoção do «Allgarve». Os empresários dos mais diversos quadrantes esfregaram as mãos de contentes, os apaniguados da política vigente escaldaram as mãos com frenéticos aplausos, enquanto outros escondiam as mãos em concha por detrás das costas, à espera do deles, como fazia o Abreu… Por isso é que a celeuma morreu à nascença, já que os acostumados oportunistas esperam encher os bolsos com mais esta cretinice dos nossos políticos. Tem sido sempre assim. É por isso que estamos na cauda da Europa.
Dizem que a próxima pérola do ministro é estender a graçola à designação do próprio país, que passará a escrever-se «Portugall», para agradar aos ingleses e aos americanos, que assim ficam cada vez mais com a certeza de que somos uma nação subserviente, um país de chapados imbecis.
Resta-me sugerir ao ministro que dê também o exemplo e passe a grafar o seu nome à espanhola, Piño, pois que grande parte da nossa economia já está nas mãos de nuestros hermanos.
Perante o despautério governativo e as constantes calinadas políticas, creio que já todos adivinharam que o «Grande Prémio Nacional do Ridículo» vai para... el ministro Piño.
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O insultuoso «Allgarve»
sábado, 11 de julho de 2009
Amor com amor se paga
Uma casa (dos bicos) e trinta mil euros depois, José Saramago apoia a recandidatura de António Costa à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.Na minha terra (na foto, do blog «Monscicus»), onde na passagem que tive pela câmara tentei entre outras coisas vender um dos carros que o presidente tinha para seu uso exclusivo, fui uma vez convidado pela biblioteca para uma conversa com leitores; aceitei, a biblioteca mandou imprimir convites, mas já próximo do dia marcado teve tudo de ser anulado porque a câmara mandou suspender todas as actividades culturais no concelho durante uma semana (precisamente a que incluía o dia da conversa).
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