terça-feira, 21 de outubro de 2008

A frase da noite

«Há um famoso filósofo contemporâneo que diz que ‘previsões só no fim do jogo’.»
Alberto Castro, economista e professor universitário, esta noite, no programa «Prós e Contras», da RTP, sobre a crise dos mercados financeiros (Alberto Castro citou este «famoso filósofo contemporâneo» segundos depois de ter citado o poeta espanhol Antonio Machado; já agora, no mesmo programa, o jovem empresário Miguel Júdice disse à apresentadora, Fátima Campos Ferreira, que «é preciso eliminar certas gorduras» – ela não percebeu bem e interpelou-o, e aí ele respondeu que estava a referir-se às empresas em geral)
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Feira do Livro de Belgrado

Na próxima quinta-feira, pelas 21h30, vou estar na Feira do Livro de Belgrado para falar sobre o meu próximo romance.
(ok, desta vez é mentira)
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À solta

Ver aqui. As capas dos novos livros da Quetzal.
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domingo, 19 de outubro de 2008

Impossível comentar

O jogo do Sporting em Leiria – Leiria 0, Sporting 1 (Liedson) – foi tão deprimente que por mais que eu queira não consigo deixar aqui grandes comentários. A equipa não parece com capacidade para entusiasmar os adeptos, tirando a honrosa excepção de Liedson, que acabou por regressar aos golos. Nem se pode considerar como atenuante o estádio onde o jogo se realizou, com os espectadores a serem substituídos por cadeiras coloridas, coisa que na televisão até disfarça; o Sporting, mesmo naquele ambiente desértico, frio, apocalíptico, devia ter mostrado mais qualquer coisa. Uma nota ainda para Polga, que ao fim de meia dúzia de anos no clube fez um remate à jogador.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Setenta e cinco

Setenta e cinco números depois do Verão de 2002, termina por estes dias o meu trabalho na «Pessoal». Coloquei aqui o meu último editorial, como costumo fazer a cada mês. O projecto, obviamente, continua.
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Os novos romances de Saramago e Rodrigues dos Santos

Este ano, pela primeira vez, dá para acompanhar de perto a Feira de Frankfurt, principalmente com a ajuda do Francisco José Viegas no blog da revista «Ler» e dos autores do Blogtailors. Foi aliás deste último blog que tirei estas fotos das capas dos novos romances de José Saramago e José Rodrigues dos Santos, «A Viagem do Elefante» e «A Vida num Sopro». Considerando as duas imagens, parece que a mulher na estação dos comboios está a fazer um enorme esforço para conseguir ver o elefante roxo, que se afasta devagar não se sabe para onde.
.(clicar nas imagens para aumentar)
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O homem que vê albaneses um pouco por todo o lado

Ainda a propósito do jogo de quarta à noite, referência para uma asneira capaz de fazer figura ao lado dos remates daquele trambolho que actuou no centro do ataque de Portugal. Cheguei a casa com o jogo já a decorrer, depois de ouvir o hino nacional – verdadeiramente arrepiante, pela forma como foi cantado no estádio – mesmo no meio do montado, fora do carro, pois nessa altura estava a abrir o portão que impede a fuga do gado que anda aqui pelas redondezas. Devo ter perdido uns três ou quatro minutos do jogo. Mas antes da paragem que me permitiu ouvir o hino, no meio do escuro, no mesmo sítio onde um destes dias, pela manhã, ao sair para Lisboa, encontrei cinco javalis todos malucos a regressarem aos esconderijos depois de uma noitada mais prolongada, antes da paragem ouvi o que iam dizendo os comentadores. Um deles era um comentador político, Pedro Marques Lopes (na foto), que de repente decidiu meter a literatura nos palpites futebolísticos. Disse que a caminho do estúdio, por causa do jogo com a Albânia, se tinha lembrado de um romance de Mario Vargas Llosa, escrito há muitos anos, «A Tia Julia e o Escrevedor». Disse maravilhas sobre o livro, e com razão, e disse também que o queria oferecer ao Fernando Correia, que era quem conduzia a emissão. Pedro Marques Lopes tinha-se lembrado do romance porque, conforme assinalou, uma das personagens odiava albaneses. Nada mais errado. A personagem a que ele se referia, um escritor (ou «escrevedor») de radionovelas de Lima (Peru) chamado Pedro Camacho, odiava era argentinos (no fim do romance há uma surpresa em relação a esse ódio). Já numa adaptação para o cinema, num filme a anos-luz do livro, chamado «A Paixão de Júlia», a personagem (interpretada por Peter Falk, o famoso Columbo) não odeia argentinos, aí creio que já odeia albaneses (ou até talvez seja húngaros, não estou absolutamente certo, pois vi o filme há muito tempo, ainda andava na faculdade). Também mudaram o apelido da personagem, de Camacho para Carmichel, além de milhentas coisas mais.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O jogo de ontem

Custa-me dizer isto, mas parece-me que Carlos Queiroz tem sido pouco profissional.
(clicar nas imagens para aumentar)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Um romance

Acabei mesmo a escrita do meu próximo romance, de que tenho vindo a colocar aqui alguns excertos. Esta tarde, faltava um quarto para as quatro. Não tenho colocado nada no blog, mas não teve a ver com isso. O problema é a PT, que desde terça-feira passada não arranja as linhas telefónicas, por onde também passa a ligação à Internet (ainda por cima numa casa onde não chega a rede de telemóvel). De qualquer forma, estas chatices podem ter ajudado a acabar mesmo o romance. Ainda não tinha posto aqui o título; chama-se «Uma Noite com o Fogo» (imagem do cenário aqui).
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

As iniciais de alguns escritores

Depois do Prémio Nobel da Literatura em 2001, V. S. Naipul continuou V. S. Naipul, provavelmente pela odisseia que seria dizer Vidiadhar Surajprasad. Este ano, o novo premiado teve mais sorte e de J. M. G. Le Clézio passou de um dia para o outro a Jean-Marie Gustave Le Clézio. Não imagino o que daqui a uns anos poderia acontecer a Gonçalo M. Tavares, que ouvi uma vez confessar numa entrevista a Carlos Vaz Marques, meio atrapalhado, que o M. era de Manuel.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Uma pergunta

Por onde andam aqueles que defendiam a privatização da Caixa Geral de Depósitos?
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Carta a Ana Sara

Excerto da crónica publicada ontem no «Diário de Notícias» por Alberto Gonçalves, intitulada «Ex.ma Sra. Ana Sara Brito,»:
Soube, através dos jornais, que V. Exa. é desde 2007 a responsável pelo pelouro da Habitação na Câmara Municipal de Lisboa. Também soube, através deste mesmo jornal, que a autarquia a que V. Exa. pertence tem por hábito arranjar casa, decente e a preços muito módicos, a conhecidos que assim o pretendam. Parece que se os conhecidos forem políticos, artistas ou jornalistas mais fácil se torna o processo.
V. Exa. estará ao corrente da situação, já que, à semelhança de centenas ou de milhares, beneficiou de domicílio nas condições referidas durante duas décadas, do qual só abdicou no ano transacto porque, devido à «ética» (cito), não queria ser «senhoria de si própria». Tratou-se apenas, portanto, de uma espécie de conflito ontológico e não da constatação de uma ilegalidade. Segundo insiste V. Exa., com o apoio de outros ilustres lisboetas, não há ilegalidade nenhuma em auferir de uma reforma de 3.350 euros e pagar uma renda de 146 pelo T1 na rua do Salitre que o falecido eng. Abecassis entendeu dispensar-lhe.
Legal ou não, há quem ache isto uma vergonha e um insulto aos contribuintes. Eu acho uma bênção. V. Exa. justifica a requisição inicial do T1 com «motivos pessoais». Por acaso, são motivos pessoalíssimos que me levam a precisar de uma casinha do género na capital, a que às vezes desço em trabalho ou lazer. A diária de um hotel decente anda pelo custo do mês inteiro em residência patrocinada pela CML, e ainda que não me queixe do salário, percebe-se que os rendimentos não são para aqui chamados.
Donde venho por este meio pedir a V. Exa., que em boa hora recusou demitir-se, a cedência de um apartamento em local que me alivie a bolsa e a vida. O da rua do Salitre, agora vago, serve perfeitamente. E o problema da utilização ocasional da casa não se põe: V. Exa. saberá do director municipal que não utiliza de todo a que a autarquia lhe ofereceu, mantendo-a de reserva para, volto a citar, quando se divorciar.
Credenciais? É verdade que não sou político e as aguarelas que arrisquei na juventude não me atribuem o estatuto de artista. Mas julgo que as crónicas regulares na imprensa me concedem um estatuto próximo do de jornalista, critério que facilitará a decisão. Além disso, confesso tratar por tu o chefe de gabinete de S. Exa., o sr. presidente da Câmara, visto que somos conterrâneos e temos amigos comuns.
E juro: se daqui a vinte ou quarenta anos um milagre me eleger para o cargo que V. Exa. hoje tão competentemente ocupa, prometo que renunciarei sem queixumes à regalia. Senhorio de mim próprio, nunca. Por causa da ética ou lá o que é.
Aguardo resposta.
Atenciosamente, A.G.
Crónica completa aqui.
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