sexta-feira, 19 de março de 2010

Dia do Pai

No Dia do Pai, mais três excertos de «O Sorriso Enigmático do Javali» (depois destes).
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«Escolheram a noite para a viagem, e essa noite acabou por chegar. O pequeno Tuki ia dormir mais tarde. Tinha prometido que aguentaria umas horas além do habitual, e para consegui-lo tinha inclusive dormido a sesta depois de chegar da escola, a meio da tarde. Saíram a seguir ao jantar, em silêncio, como se fossem para uma missão muito importante.»
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«Foi então que parou, decidido a não dar explicações que o mais certo seria originarem perguntas mais difíceis. E quando voltou às palavras foi para falar da borboleta. A que estava ali, na soleira da porta. Falou sem grandes esperanças de que o filho aceitasse ficar sem resposta sobre os políticos e a sua especial característica que os prendia à mentira como um cão feroz, de preferência rafeiro, a uma corrente das fortes. Mas o filho não insistiu em saber dos políticos.
'Essa malandragem’, pensou o pai do pequeno Tuki.»

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«Talvez. Podia ser mesmo uma explicação. O lagarto pareceu sorrir. Foi só nesse momento que o pai do pequeno Tuki reparou nele, agarrado à manga direita da camisa. Nem era agarrado, era preso. Uma camisa inutilizada. Um buraco. A ponta da cauda do lagarto, a ponta da clave de sol cravada na manga, e o lagarto pendurado. Sorria. Parecia um sorriso atrapalhado, embaraçado. Não tinha ar de querer arranjar problemas, mas a verdade é que tinha arranjado. Aquela camisa... Umas dezenas de euros, pensou o pai do pequeno Tuki. Uma camisa quase nova. Lembrou-se de muitos anos antes, de ver nos livros de cowboys do Tex Willer os chapéus inutilizados… Muitas vezes acontecia, uma bala furava o chapéu, num tiroteio, a um dos companheiros do Tex Willer, que tinha o famoso nome de Kit Carson. Costumava acontecer, e ele, sem ligar a que a bala lhe tivesse passado a uns milímetros da cabeça, limitava-se a dizer, em tom de lamento: ‘Um chapéu quase novo...’
Lembrou-se também de outro sorriso, o do javali.»
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O fim

Sporting 2 (Liedson, Miguel Veloso), Atlético de Madrid 2, segundo jogo dos oitavos de final da Liga Europa 2009/ 2010
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Fim da linha também na Europa, num jogo em que ficou demonstrado que, apesar de a equipa estar bem melhor por estes tempos, a época teve uma preparação incompetente, como aliás se esperava de uma direcção incompetente. Polga e Caneira juntos no centro de defesa, já se sabia, é uma mistura explosiva (e explode sempre contra nós); um júnior, ou mesmo dois, pior não teriam feito. De resto, o caso Izmailov, que ficou de fora, parece muito estranho, por mais explicações que agora surjam. Das claques, é melhor nem falar, depois do que se viu e das entrevistas dos responsáveis na televisão…
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quinta-feira, 18 de março de 2010

terça-feira, 16 de março de 2010

Pai

Na semana do Dia do Pai, três excertos de «O Sorriso Enigmático do Javali».
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«O pai do pequeno Tuki costumava falar de uma mulher a quem chamavam a Perdizinha, uma mulher de tempos já passados. Tratavam-na assim porque era muito baixa, mas sobretudo por andar depressa. Uma mulher desembaraçada e pequenina, um verdadeiro contraste com outra desses tempos, a Pata Larga, forte, alta e sempre a gabar-se de que calçava o quarenta e três. A Pata Larga, tinha-lhe o pai contado, falava como se carregasse na boca dois torrões de terra, um de cada lado, quem sabe se por causa dos equilíbrios, embora ela não precisasse muito de equilíbrios, principalmente por causa dos pés alongados.»
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«O pai do pequeno Tuki estendeu a pá para a zona do grelhador. A motosserra do estômago da gineta parecia que ia explodir a qualquer momento. A pá avançava muito devagar, entre a parede e o corpo da gineta. Era preciso forçar um pouco, mas sem precipitações, com paciência. O tempo parecia não passar. A gineta tinha os olhos de um lado para o outro, como que à procura do melhor sítio para escapar. Agora via-se que ela percebia a urgência de arranjar forças para sair dali. O pequeno Tuki pensou que o pai deveria ter calçado botas de borracha, umas que tinha e que lhe chegavam quase aos joelhos, não fosse a gineta atirar-se-lhe às pernas e dar-lhe alguma dentada. Mas não, as botas não seriam suficientes. A gineta era capaz de dar uns altos enormes, ele já tinha visto ginetas aos saltos no montado. Saltavam muito alto. Talvez o pai devesse ter calçado umas luvas e colocado a máscara de proteger o rosto que usava com a máquina de cortar erva.»
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«A cobra também não se mexia, tirando o nervoso que lhe tinha tomado conta da língua. E o pai do pequeno Tuki naquilo, parado, a pensar, em tantas coisas, mas sem se mexer. Ouvia o filho atrás com o ancinho, de volta das ervas, e nem se conseguia virar para ver se ele estava a uma distância segura da fogueira. Mas também a fogueira já não ardia muito, era uma coisa pequena, à espera de mais ramagem para tomar outras proporções. A ramagem das oliveiras que limparia a seguir. O pai do pequeno Tuki conseguia pensar normalmente, só não se conseguia mexer. Compreendia que por desconhecer se a cobra era venenosa estava a correr riscos ali, tão perto dela. Mas o facto de compreender isso não fazia com que se protegesse. Conseguia até pensar na imagem das cobras a hipnotizarem as presas antes de atacarem, e pensava que isso podia estar a acontecer com ele, aquela cobra a hipnotizá-lo, mas mesmo assim não se mexia. Ou seria ele, inadvertidamente, que estava a hipnotizar a cobra? Ele não se mexia, mas ela, à parte a língua, também não se mexia.»
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segunda-feira, 15 de março de 2010

Uma certa vergonha

Apesar de o ter feito como independente, fui duas vezes candidato em listas do PSD a eleições autárquicas. Como resultado, acabei por ser vereador da câmara da minha terra e depois membro da assembleia municipal. Por este percurso – não muito relevante, reconheço –, não posso deixar de sentir uma certa vergonha pelo que foi aprovado no último congresso do partido. No sábado, por estar em viagem, acompanhei muito do que aconteceu pelo rádio do carro. Já no domingo não soube de nada; até que ao fim da tarde vi a notícia sobre a lei da rolha. A princípio custou-me a acreditar que fosse possível uma tal aberração, mas depois pensei melhor e concluí que pelo andar da carruagem neste país já nada me deve espantar. Havia quem falasse em Jesus Cristo descer à terra, em Mafra, mas afinal quem desceu foi o camarada Joseph Stalin (quem sabe se com a ajuda do Sean Penn). Agora, por curiosidade, vou pegar na calculadora e ver quantas vezes me poderiam expulsar do partido, se eu lá estivesse e se a lei pudesse ser aplicada para trás. Isto por tudo o que já disse e escrevi sobre algumas lideranças(?), a menos de sessenta dias de eleições ou a mais do que isso, nem sei, nunca me preocupei em consultar o calendário antes de dar uma opinião.
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Tarde

Atlético de Madrid 0, Sporting 0, primeiro jogo dos oitavos de final da Liga Europa 2009/ 2010
Sporting 3 (Grimi, Liedson, Saleiro), Guimarães 1, vigésima terceira jornada do Campeonato Nacional 2009/ 2010
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Os últimos dois jogos confirmaram. Agora estamos bem, o problema é que já vamos tarde na época. A ver o que ainda pode acontecer…
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terça-feira, 9 de março de 2010

Imagens daqui (8)

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Ainda o verdadeiro Sporting

Belenenses 0, Sporting 4 (Liedson 4), vigésima segunda jornada do Campeonato Nacional 2009/ 2010
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Parece que continuamos a ter em campo a equipa do Sporting e não a da Sporting sade, e ainda bem. Uma nota para a força demonstrada pelo treinador, que faz o seu trabalho tentando alhear-se ao anúncio que vai sendo feito do seu sucessor. Outra nota, obviamente, para Liedson e para o seu enorme valor.
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sábado, 6 de março de 2010

Os bandidos

Cada vez mais me vou convencendo disto.
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sexta-feira, 5 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

Imagens daqui (7)

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É sempre bom saber que temos o verdadeiro Sporting a jogar

Sporting 3 (Yannick, Izmailov, Miguel Veloso), Porto 0, vigésima primeira jornada do Campeonato Nacional 2009/ 2010
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Como escrevi aqui, agora é mesmo o Sporting que anda a jogar e não a equipa anterior, representante da Sporting sade. A época já está mais do que estragada, mas é sempre bom saber que temos o verdadeiro Sporting a jogar. Resta ver até quando, ou até quando é que a sade deixa. Mais uma vez, foi fantástico ter a dupla Liedson/ Yannick em campo. Assustador, mesmo assustador, foi dar com o casal Bettencourt/ Pinto da Costa, os dois muito juntinhos, na tribuna de honra, ou lá como lhe chamam.
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