domingo, 7 de setembro de 2008

A mente por uns instantes invadida

Coloco a seguir o que o Luís Graça deixou ficar na caixa de comentários do post sobre a capa de Setembro da revista «Ler» (Ler Blog»). Uma entrevista a Eduardo Lourenço, como a revista fez (Carlos Vaz Marques), mas admitindo que a mente do ensaísta, não sei como, foi por uns instantes invadida pela de outra pessoa (nota: editei o texto, mas muito à pressa).
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Comentário:
De Luís Graça a 6 de Setembro de 2008 às 06:24
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SE O ESPÍRITO DE MARGARIDA REBELO PINTO POSSUÍSSE EDUARDO LOURENÇO

A LER combinou a entrevista para as 17 horas, no terraço do CCB, a pedido de Eduardo Lourenço (EL), porque «as 17 horas do terraço do CCB são as melhores para ver o transcendente reflexo do sol na prata dorsal das composições da CP».
Eduardo Lourenço chegou com 20 minutos de atraso, porque tinha andado aos saldos nas camisas de manga curta, no Rosa & Teixeira.

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EL – Têm preços muito em conta. Em França as camisas já não são o que eram. Mesmo o povo, tradicionalmente descamisado – e até os sans-coulottes – usa um tipo de camisas globalizadas. Portugal será ainda e sempre a minha terra, apesar de eu estar «avanceado» pelas gálias.
CARLOS VAZ MARQUES (CVM) – Gostou de ter sido convidado para dar uma entrevista à LER?
EL – Não sou elistista, apesar de ser tido como tal. O meu discurso é facilmente compreensível para qualquer mero doutorado em Física Quântica. Por isso, falar para a LER merece-me um enorme respeito. É tão respeitoso estar na capa da LER como na da Selecções do Reader's Digest. Ou na CARAS, para referir a minha revista literária favorita.
CVM – Ouvi dizer que ficou um pouco aborrecido pelo facto de os dois primeiros números da LER terem tido António Lobo Antunes e José Saramago na capa...
EL – Quem disse isso?
Eduardo Lourenço colocou os óculos escuros Ray-Ban Wings e tamborilou nervosamente com os dedos na sua long drink, com um pequeno sombrero a abanar guerrilheiramente na brisa da tarde.
Um longo silêncio. Após uma pausa, Eduardo Lourenço levantou-se, puxou as calças para cima, sentou-se, deu um pequeno gole na sua bebida, tirou os óculos escuros e...
EL – Ó Carlos, isso é muito injusto... Eu respeito toda a gente. Mesmo romancistas que escrevem aos solavancos como o Toni ou que usam pontuação desgarrada, como o Zé. Nem toda a gente pode ser a Margarida Rebelo Pinto. O facto de venderem muito menos que a Margarida não quer dizer que sejam desprovidos de talento. Está a imaginar o que era se as livrarias pusessem nos seus estabelecimentos bonecos de cartão em tamanho natural com a cara do Toni ou do Zé? Não pode ser, a Margarida tem muito mais writing-appeal... A sua ebúrnea verve paragráfica combina maravilhosamente com o azul-turquesa de um poente em Saint-Tropez.As coisas são assim. A Margarida trouxe milhares e milhares de sopeiras para a leitura... Gente que não passava de um «Guerra e Paz», de um João Miguel Fernandes Jorge, de um Guimarães Rosa-dos-Ventos, de um Jorge Marado. Nem toda a gente teve educação e foi sensibilizada para ler Paulo Coelho. Devia haver uma Margarida Rebelo Pinto em cada esquina.
O sol começava já a desaparecer no horizonte quando se aproximou de nós o poeta José Tolentino Mendonça (JTM). Timidamente, dirigiu-se ao ensaísta na sua voz suave e sussurrada.
JTM – Peço desculpa por interromper a entrevista. Mas se o Carlos me desse licença era um grande prazer poder cumprimentar o Eduardo Lourenço...
CVM – Toda a licença.
Eduardo Lourenço fez menção de desligar o gravador, mas José Tolentino Mendonça antecipou-se.
JTM – Por amor de Deus, quem desliga o gravador sou eu.
Voltámos a ligar o gravador. Um diálogo entre José Tolentino Mendonça e Eduardo Lourenço é sempre importante para a literatura portuguesa.
EL – Então, continua a fazer os seus versinhos?
JTM – De vez em quando... É um grande prazer vê-lo por Belém. Posso oferecer-lhe um pastel? Trouxe meia-dúzia. Já abriram outra vez. Domingo passado não houve futebol e as claques foram destruir as rochas da Boca do Inferno. Depois falamos... Depois falamos... Vai ficar muito tempo em Portugal?
EL – Ainda não sei bem. Tenho de falar com as pessoas da Leya. Vou começar a escrever para uma chancela nova, mas ainda não percebi bem qual. Até lá vou ser o coordenador das entregas de livros escolares. Parece que tem havido uns problemas e o Isaías acha que eu sou a pessoa indicada para bater as estradas do país e levar a cultura de lés-a-lés. Afinal, temos 800 quilómetros de costa.
Nesta altura, Eduardo Lourenço levantou-se.
EL – Ó Carlos, desculpe, diga lá ao Francisco que já não há entrevista. Vamos todos até ao Salão Erótico. Pavilhão 4 da FIL, 31/10 a 2/11.

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sábado, 6 de setembro de 2008

Um pormenor da tarde

O que vou escrevendo

Um pouco do que vou escrevendo…
Um vulto escuro, a mexer-se devagar, mas sem sair do sítio onde estava. Parecia uma pedra do empedrado, uma das maiores, a querer levantar-se…
(imagem do cenário aqui)
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Revista «Ler»

A cada mês, um mistério. Aí está a capa da revista «Ler» de Setembro, com Eduardo Lourenço.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Uma crónica do Luís Graça (3)

Terceira de uma série de crónicas do Luís Graça. A primeira pode ser lida aqui e a segunda aqui.

Caricas ao sprint
Definitivamente, as corridas de caricas fazem parte do passado. Já não há miúdos a jogar à carica na praia, em cima de um muro, no chão, em qualquer lado.
Para quem não saiba, as caricas são as tampas das garrafas. Um produto de grande valor desportivo para qualquer miúdo da minha geração. Uma carica lisa (que não tivesse ficado muito vincada na hora de abrir a garrafa de cerveja ou o refrigerante) possuía grande valor para os potenciais «ciclo-cariquistas» da minha infância.
O processo de criação de um ciclista não era muito complicado, mas requeria humildade, «olho clínico» e paciência. Primeiro, a criança munia-se de um saco de plástico onde guardar as caricas abandonadas pelos empregados de café; posteriormente, dirigia-se ao dito estabelecimento, à «hora de ponta», quando houvesse muitas caricas no chão; depois, recolhia as caricas que estivessem mais lisinhas, ou seja, com aspecto de competição. Ainda era necessário passar pela papelaria mais próxima e comprar papel de lustro de várias cores, bem como fita gomada e uma tesoura. Claro que o lar já estava equipado com o «Diário de Notícias», que incluía na secção de desporto a constituição de todas as equipas participantes na Volta a Portugal.
A etapa seguinte na fabricação de uma carica de alta competição assemelhava-se a um acto cirúrgico. A precisão tornava-se imperiosa na arte de recortar as tirinhas minúsculas com o nome do ciclista. Uma distracção e o ciclista desaparecia abruptamente da Volta a Portugal, verdadeiramente vítima da tesoura involuntária da censura. Qual doping...
Conforme a equipa, assim era a cor do papel de lustro que constituía a «camisola» do ciclista. Seria a primeira coisa a ocupar o pequeno espaço circular de uma carica. Por cima, justapunha-se o nome do ciclista, que muitas vezes sobrava e ficava dobrado. Entrava então na dança a fita gomada, com muito jeitinho, pois mal aderisse ao papel de jornal o ciclista ficava irremediavelmente colado, para o bem e para o mal. O processo repetia-se para todo o pelotão da Volta a Portugal.
Fácil será depreender que a época nobre do «ciclo-cariquismo» coincidia com o mês de Agosto. Por um duplo motivo: as férias escolares (então ditas férias grandes, que na altura se prolongavam até Outubro) e a disputa da Volta a Portugal em Bicicleta.
De férias no campo, eu era um verdadeiro todo-o-terreno do «ciclo-cariquismo». Jogava à carica nos muros da minha vivenda (exercício de perícia, dada a exiguidade do espaço e a irregularidade da superfície), no chão de pedra (onde se desenhou uma pista a tinta vermelha, com bandeira de xadrez na chegada e tudo) e no quintal, na terra batida à volta do pinheiro manso. Aí, a pista era esculpida facilmente com a ajuda de uma colher de pedreiro, criando um carreiro de excelente qualidade. Tudo isto se passava na Venda do Pinheiro, depois tornada famosa pelo «Big Brother». Na altura, os miúdos estavam mais na onda do Joaquim Agostinho, do Fernando Mendes, do Leonel Miranda, do Emiliano Dionísio, do José Martins ou do Firmino Bernardino.
Mas o fenómeno do «ciclo-cariquismo» era universal. Na Praia de S. Martinho do Porto fui espectador privilegiado das competições que decorriam em gigantescas pistas à beira-mar, na areia molhada. Havia de tudo, como na farmácia: túneis, prémios da montanha com subidas em espiral e saltos à MacGyver para rectas enormes, curvas com relevé e dezenas de adultos que observavam com admiração o engenho dos miúdos com 13 ou 14 anos, mais velhos do que eu aquela meia-dúzia de anos que parecia uma eternidade.
Ouviam-se os nomes de Eddy Merckx, Poulidor ou Van Impe, porque nem todos podiam ser o Joaquim Agostinho. Na praia, as caricas não tinham o nome dos ciclistas. Eram de usar-e-deitar-fora.
Outro acessório útil ao «ciclo-cariquista» era o penso rápido. Porque essa coisa de passar horas a mandar piparotes com o indicador numa superfície metálica bicuda fazia mesmo pequenos buracos que nos punham a sangrar ligeiramente. Como uma bailarina clássica com os pés em sangue, por dançar em pontas – a comparação não é a mais feliz, mas foi o que se pôde arranjar.
As caricas eram uma paixão. O berlinde e o pião estavam decididamente a perder terreno para a carica, objecto que possuía a enorme capacidade onírica de transformar uma tampa de garrafa num herói à escolha. Era a vertigem da velocidade.
Curiosamente, a carica nunca foi usada no motociclismo. Não havia caricas do Giacomo Agostini, do Barry Sheene ou do Angel Nieto. Nem havia caricas de pilotos de Fórmula Um. No último caso, a explicação era simples: havia os carrinhos em miniatura.
De resto, as situações eram perfeitamente complementares. Os «ciclo-cariquistas» eram também apreciadores de corridas de carrinhos. E as caricas serviam também como marcos de delimitação das pistas. Obviamente, para delimitar as pistas era necessário muitas caricas. Nada que constituísse um problema na Venda do Pinheiro, terra da fábrica da Laranjina C. Para além do preto-e-vermelho da Laranjina C, havia outras caricas famosas no mercado: Sagres, Trinaranjus, Luso – só para dar alguns exemplos.
Que saudades das caricas, caraças!...

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Dia histórico

Pela primeira vez em muito tempo este blog teve um dia sem nenhum post novo. Ontem. Terá sido, portanto, um dia histórico.
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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Mistura injustificada

Uma mistura de confiança com alguma apreensão, era o que eu sentia ontem antes do jogo do Sporting em Braga – Braga 0, Sporting 1 (Hélder Postiga). Afinal não se justificava a mistura. A equipa apresentou-se personalizada, lutadora e quase sempre a usar a inteligência (aqui destoou um pouco Hélder Postiga, o substituto de Yannick, que por vezes parecia que andava à procura do cartão vermelho; mas dá-se-lhe algum desconto, por causa do golo). E ainda duas coisas… Primeira, o Sporting entrou de início com jogadores que sabem jogar futebol, isto se fecharmos os olhos à presença de Caneira, que era mais do que certa para este jogo; mas ontem à noite até ele disfarçou as tradicionais fragilidades. Segunda, dois dos suplentes utilizados (Tiuí e Miguel Veloso) destoaram do resto da equipa, já o terceiro (Vukcevic, finalmente de regresso, embora jogando poucos minutos) representa sem dúvida um bom sinal para o futuro.
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O que vou escrevendo

Um pouco do que vou escrevendo…
Uma águia a voar e com o fogo nas penas. Como poderia ela voar? A menos que não fosse uma águia aquilo que se aproximava…
(imagem do cenário aqui)
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Fernando Venâncio

O texto que coloco a seguir é da autoria de Fernando Venâncio (na foto, de Paulo Escrevente). Está na edição deste mês da revista «Pessoal» (secção «Os Meus Trabalhos»).
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Vamo-nos todos divertir imenso
Gosto de que me perguntem o que faço na vida. O clima de boa disposição está garantido. Se bem percebi, iluminam-se-me os olhos, e, mesmo que a pressa não permita entrechos, o outro ficou certo de que estava ali uma grande conversa.
Mas não exageremos. O essencial diz-se num sopro: sou professor, dou aulas. A certo grupo de alunos, levo a exprimirem-se em português, e pelo menos a entendê-lo. A outros, inicio-os na complexa Política Linguística europeia, com os seus modelos, as suas manhas, as suas hipocrisias, os seus ideais. A minha acção no mundo por aí se fica. Não pertenço a circuitos influentes, não varro os continentes comunicando as últimas, sou duma pacatez que até a mim próprio faz impressão. Fora do espaço de ensino, sou um mero observador. De longe em longe, e lamentando a intromissão, acedo a contar aquilo que avisto. Mas devo dizer que se avista muito.
Durante algum tempo, lancei avisos à navegação num blogue. Fui feliz com isso, e ouso pensar que não fui o único. Mas, quando depus o microfone, descobri uma tranquilidade nova: a de não ter que produzir «opiniões».
Antes dos blogues, servia-me do que havia: o pacientíssimo papel dos jornais. Uma descoberta aqui, uma denúncia ali, um desapontamento acolá, eu ia mapeando o mundo literário nacional e fazendo a minha terapia – sendo pago por isso, ainda que mal. Mal, e por culpa minha, nossa, a dos trabalhadores intelectuais, que convencemos directores de jornais e editores dessa imensa graça que não é o nosso nome por cima dos títulos ou em baixo dos textos. Para me garantir algum respeito próprio, prefiro pensar que eles, decentemente, nos desprezam.
Reuni tão inocentes divertimentos em dois livros, «Maquinações e Bons Sentimentos», em 2002, e «Último Minuete em Lisboa», este ano. Neles tentei a «outra» história da literatura do meu tempo. E gosto de pensar que, num dia distante, se o olhar histórico aliciar ainda algum desviante, serei lido com avidez, em bárbaro suporte ou em holograma. Um neto de netos irá ter aquilo que, quando, há 20 anos, esgaravatei o século XIX literário português por trás da versão dos vencedores, eu não tive: os relatos de quem espreitou nos bastidores desse mundo. Tive de espreitar eu próprio, deu mesmo uma tese de doutoramento, mas não mudou um iota à História Oficial. Seria, de resto, pasmoso que mudasse.
Este empenho na coisa literária nunca foi, tem de confessar-se, além de um derivativo. Um lugar ameno, de longe em longe alvoroçado, mas donde sempre se sai sem particular drama. O espaço que nunca abandonei é o da observação do idioma. Como objecto histórico, como criação colectiva.
O linguista estava feito aos 10 anos, quando em mim três feições de português se debatiam já: a alentejana natal, a lisboeta da primária, a minhota em que acabara de mergulhar. Um jovem de hoje não faz ideia da compartimentação linguística que, há 50 anos, entre nós vigorava. Nada, decerto, que se compare ao país que hoje habito, onde a intercompreensão dialectal se torna precária a 50 quilómetros. Mas era mais do que suficiente para desnortear um tenro infante, despertando-o, de caminho, para as agruras e os fascínios da ciência.
A diversidade linguística portuguesa (entretanto grandemente esbatida pela mobilidade e pela televisão) teve sempre uma leitura predominantemente nacionalista. Teve-a, e tem-na ainda, a própria História da Língua. Tudo quanto se observe em território nacional recebe uma explicação endémica, aconchegante. Mítica, às vezes mitológica, mas fantasiosa de cima a baixo. Ora, o nosso idioma, só por artifício se pode defini-lo como produto «nacional». As suas feições marcantes estavam já decididas, e actuantes, quando sobreveio a «nacionalidade», e teriam sempre existido, mesmo sem ela. Entendeu-me bem: o que chamamos «português» existiria mesmo que não existisse Portugal. Teria sido chamado, sim, o que efectivamente já era de nascença: «galego».
Sei que, exprimindo-me assim, estou a ser inconveniente. Espero demonstrar, um dia, que estou a ser simplesmente sério. Isso vai exigir um livro, «Português e Companhia», que, transbordando de amor pátrio, há anos preparo.
Não excluo que, dessa vez, a pachorrenta e sedativa História Oficial franza pelo menos um sobrolho. Uma coisa posso garantir: vamo-nos todos divertir imenso.
[Texto: Fernando Venâncio]
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Fernando Venâncio (n. Mértola, 1944) é professor na Universidade de Amesterdão, onde se formou em Linguística e se doutorou em Teoria Literária. Colabora na «Ler» e no «Expresso». Publicou os romances «Os Esquemas de Fradique» e «El-Rei no Porto». Traduz ficção do neerlandês.
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A errata de Octávio Machado (3)

Ainda a errata do livro de Octávio Machado. Depois do que coloquei aqui e aqui, mais uma correcção.
Na p. 114, onde se lê «têm ódio», deve ler-se «gostam pouco de».
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O terrível Tiago

Ver aqui. Provavelmente o primeiro jogador do mundo a prender o presidente do próprio clube..

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O livro censurado

O livro de José Cardoso Pires apreendido em 1952 pelo regime criminoso de Salazar e que até agora não tinha sido reeditado. «Histórias de Amor» tem finalmente uma nova edição, que sairá na segunda quinzena deste mês, nas Edições Nelson de Matos; edição que reproduz os cortes feitos em 1952 pela quadrilha do lápis azul, a Comissão da Censura, e ainda uma longa carta que José Cardoso Pires lhe dirigiu e três críticas então publicadas na imprensa (de Luís de Sousa Rebelo, Mário Dionísio e Óscar Lopes). A imagem da contracapa reproduz um retrato a óleo do escritor, de 1954, da autoria de Júlio Pomar.
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Texto de divulgação da editora
A primeira edição deste livro foi publicada em Julho de 1952, pela Editorial Gleba, numa colecção de bolso intitulada «Os Livros das Três Abelhas», dirigida por Victor Palla e Aurélio Cruz.
Foi retirado do mercado pela Censura em 26 de Agosto de 1952.
Tendo sido possível utilizar o exemplar onde estão sublinhadas a lápis azul as partes do texto que motivaram a apreensão da edição, indicam-se nesta edição esses sublinhados, mediante a sobreposição de uma rede de cinzento sobre o texto original, mantido sem cortes.
José Cardoso Pires nunca mais publicou este livro na sua versão inicial, embora o tenha mantido sempre na lista das suas obras completas.
Alguns destes contos (excepção feita a «Romance com data», que permaneceu sempre inédito) foram mais tarde reescritos e incluídos na edição de «Jogos de Azar», publicada em 1963, pela Editora Arcádia.
Nesta edição conservam-se todos os contos na sua versão inicial.
José Cardoso Pires, então com 27 anos, decidiu reclamar da apreensão do livro junto dos Serviços de Censura. Primeiro, pessoalmente, tendo conseguido manter em seu poder o exemplar com a indicação dos cortes de censura que serviu de base a esta edição; depois, por escrito, logo em 26 de Outubro de 1952, através da carta que é conservada como anexo no final da edição.
Críticas de Mário Dionísio, Oscar Lopes e Luís de Sousa Rebelo, publicadas em 1952, são também conservadas, no final, como anexos a esta edição.
«Histórias de Amor»
Autor: José Cardoso Pires
Colecção «Mil Horas de Leitura», nº. 5
Revisão de Ana Cardoso Pires
Formato: 13,5x20,9
Nº. de págs.: 200
Preço com IVA: €20,00
ISBN: 978-989-95597-7-6
EAN: 9789899559776

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