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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Chamem a polícia!...

Já me tinham falado desta disponibilidade há algum tempo, mas na altura eu não acreditei. Pelo menos disse para comigo que era melhor não acreditar. Gonçalo Amaral estava «disponível para ser presidente de câmara no Algarve», e inclusive já alguém tinha tentado ver se dava para Monchique, a minha terra (havia de ser bonito um duelo entre o Tuta, presidente infelizmente já há 25 anos, e o polícia do «Caso Maddie»…). Agora confirma-se que a história da disponibilidade, afinal, era verdadeira.
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sábado, 30 de agosto de 2008

Perfil de presidente

Coloquei no meu blog «Mundo RH» uma parte de um trabalho que fiz em tempos sobre autarquias locais. Para essa parte tive uma enorme ajuda do meu amigo Luís Bento. Um dos seus contributos foi traçar o perfil-tipo de quem ocupa as cadeiras da presidência nos municípios portugueses. Deixo a seguir as 13 ideias-chave que o Luís definiu.
1. É um(a) homem(mulher) com experiência política prévia nos respectivos partidos, com experiência de vida, capaz de galvanizar a opinião pública local através de projectos e de ideias que traduzam realizações possíveis e/ ou necessárias, com idade compreendida entre os 45 e os 55 anos. Vive maioritariamente do salário que aufere, mas detém competências e capacidades para exercer outra profissão. Gosta da evidência pública e, muitas vezes, exagera na importância que a si próprio(a) confere.
2. Não tem, normalmente, experiência de gestão – situação que prefere esconder – e revela carências no domínio do planeamento estratégico.
3. Gosta de ser pragmático(a), talvez para se defender – e tem dificuldades em perceber os mecanismos financeiros, entendendo muito melhor as regras económicas.
4. Trabalha muitas horas, rodeia-se de diversos assessores – muitas vezes sem qualquer preparação para gerirem os dossiers que lhes são confiados –, conferindo-lhes a necessária confiança política.
5. Tem dificuldades de análise de dossiers mais complexos.
6. Queixa-se da máquina administrativa, mas pouco faz para melhorá-la, pois tem medo de perder influência e controlo.
7. Procura a notoriedade externa, mas dentro da câmara tem dificuldades de diálogo com os técnicos e com os funcionários.
8. Adora conceder audiências e fazer-se esperar.
9. Está sempre à procura de conseguir licenciar grandes empreendimentos – os que trazem receitas significativas –, podendo, muitas vezes, desrespeitar o Plano Director Municipal (PDM), só para aumentar, a curto prazo, a receita do município.
10. Tem uma enorme falta de sensibilidade para as questões ligadas às novas tecnologias, com excepção dos telemóveis e dos automóveis topo de gama.
11. É um(a) excelente «vendedor(a)» do seu concelho, tudo fazendo para lhe conferir notoriedade nacional.
12. Gosta, verdadeiramente, do contacto com as populações e vive intensamente os problemas dos seus munícipes.
13. Por vezes, tem dificuldade em perceber que ainda não é primeiro(a)-ministro(a).

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domingo, 2 de março de 2008

Um caso extremo de compreensão lenta

Na noite da última sexta-feira, durante mais uma sessão da Assembleia Municipal de Monchique, o presidente da câmara anunciou para este fim-de-semana a realização de um workshop (que algumas vezes designou também por «workshoping»); disse ele que era para apresentar as potencialidades do concelho a um considerável número de grupos económicos, cujos representantes tinha convidado para estarem presentes, e disse também que esperava que a iniciativa pudesse resultar em investimentos em Monchique. Disse ainda outra coisa, ou antes, confessou: não tinha compreendido até agora a importância de uma iniciativa como aquela, nomeadamente por falta de tempo. Podia-se admitir isto numa pessoa que estivesse há um ano ou dois no cargo, mas não numa pessoa que estivesse, por exemplo, há quatro ou cinco. E no caso desta pessoa, então, é melhor nem entrar em grandes considerações; está no cargo há vinte e cinco anos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Pergunta discreta

José Sá Fernandes ainda é vereador da Câmara de Lisboa?

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Adivinhem quem poderia estar neste jantar

Coloco a seguir três curtíssimos excertos do romance «Estranha Forma de Vida», de Carlos Ademar (Oficina do Livro, 2007) – são de uma conversa que decorre durante um jantar na Torre Vasco da Gama, em Lisboa, no qual participam um «empresário da noite» (nestes excertos não fala) o líder de uma organização criminosa (Alberto, sócio do empresário), um vereador de um executivo municipal (Afonso) e o assessor deste (Gustavo). O autor diz que todos os factos referidos no romance são fruto da sua imaginação.

– Pois é assim, temos que ser nós, os empresários, a fazer avançar o país – proferiu Alberto, enquanto bebia da sua água.
– E cabe ao poder político criar as condições para que este progresso se dê com sustentabilidade – respondeu Afonso Fontelo.
– Bem que os senhores podiam facilitar um pouco mais este nosso trabalho – continuou Alberto.
– Acredite, senhor Alberto, que, no que me diz respeito, tudo faço e farei para que essa ajuda seja concreta. Só que temos, e ainda bem, regras para cumprir. A sociedade assim o exige.
(…)
– Muito bem! – disse com gentileza Gustavo, em jeito de remate.
– Então, e o senhor, que fazia antes de chegar à Câmara? – devolveu Alberto a pergunta.
– Era deputado. Fui eleito nas últimas eleições. Antes disso, fiz o estágio de advocacia.
– Então, e o senhor vereador? – continuou Alberto.
– Eu e o doutor Gustavo temos um percurso quase paralelo. Entrámos para o partido ainda miúdos. Ali nos conhecemos. Depois fomos para a faculdade, fizemos o curso juntos. Com o canudo na mão foi o estágio, dei umas aulas na universidade, depois veio o Parlamento, durante dois anos, e finalmente a Câmara. Quando ganhámos as eleições autárquicas, convidei o meu amigo Gustavo para me ajudar a organizar a papelada do gabinete.
– Os amigos são exactamente para isso – exclamou Alberto, não poupando no sarcasmo. Depois, tentando remediar: – Houve uma altura em que pensei dedicar-me à política. Mas com os poucos estudos que tenho não ia longe.
– Os estudos não são tudo. A vontade de fazer coisas pela sociedade com total desprendimento é o mais importante – retorquiu Gustavo, pedagógico.
– Pois, pois! Não, isso tenho, faltam-me apenas os estudos.
(…)
– O jantar estava óptimo e a companhia também, mas eu tenho aqui um envelope. Gostava de contribuir para a próxima campanha eleitoral do partido. Sabemos quanto custam essas campanhas e que o dinheiro que recebem do Estado não chega para nada.
– Infelizmente é verdade, senhor Alberto caro vizinho. Se não fossem os financiamentos particulares, não sei o que seria da política portuguesa – concordou Afonso, parecendo reconciliado com o anfitrião.
– O senhor Alberto não ignora que este tipo de operação se reveste de uma grande discrição? – lembrou Gustavo, preocupado.
– Com certeza, doutor. Como pretende fazer?
– Sugiro que desçamos juntos, e dentro do seu carro, que é menos referenciável que o nosso… – aventou o chefe de gabinete.
– Pois muito bem! Assim seja! – anuiu Alberto. – Já agora, o senhor vereador vai-nos resolver a questão da discoteca, não vai?
– Ó senhor Alberto, dito assim até parece que o senhor nos está a comprar! – reparou Afonso.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

As coisas em que uma pessoa se mete…

As coisas em que uma pessoa se mete… Uma vez entrevistei Macário Correia, em Tavira. Lembrei-me de colocar aqui o resultado da entrevista por causa do caso de suposto assédio sexual em que o autarca se viu envolvido. E o resultado não é uma entrevista, mas um texto feito a partir de uma conversa toda ultra-rápida. Foi no Verão de 2003. Marcámos a entrevista, por causa de um trabalho grande da revista que dirijo («Pessoal»), um trabalho sobre gestão autárquica. Saí de Lisboa, do escritório, ao fim da tarde. Jantei em casa, em Montemor-o-Novo, e depois segui para Monchique, para passar a noite na casa dos meus pais. Em Santa Susana, uma aldeia entre Montemor e Alcácer do Sal, ia-me despistando; esqueci-me de que na entrada havia uma rotunda (como é possível uma pessoa esquecer-se das rotundas, que em Portugal existem um pouco por todo o lado?), mas lá controlei o carro, e depois na rotunda da saída já ia avisado. Dormi em Monchique e às cinco da manhã abalei para a Zambujeira do Mar; tinha de ir buscar o fotógrafo ao «Festival do Sudoeste». E depois, viagem até Tavira. Macário apareceu à hora marcada. O pior foi a seguir, quando nos disse que tínhamos apenas quinze minutos, porque ele ia receber um secretário de Estado. Fiquei tão espantado que perdi logo meio minuto antes de reagir. E depois mais meio minuto a pensar numa solução. E então lembrei-me… Na revista tínhamos uma secção chamada «Stress? Relax», em que se escolhia mensalmente uma pessoa para fazermos com ela um trabalho sobre a vida profissional e algum hobby que tivesse, ou mais do que um. E lá começámos entrevista. Eu a perguntar a correr e Macário Correia com as respostas, e eu sempre a apressá-lo, e o fotógrafo a aproveitar para tirar as fotografias durante a conversa. Tentei puxar a coisa para o ciclismo (o hobby), mas a certa altura apercebi-me de que o hobby e o trabalho coincidiam; o hobby era a própria câmara. Ao fim dos quinze minutos (vá lá, uns dezasseis ou dezassete), saí com a ideia de que talvez desse para fazer um texto para a tal secção. Fui buscar o carro ao estacionamento e passei pelo largo da câmara para apanhar o fotógrafo. Reparei que Macário estava à porta da câmara a olhar para um lado e para outro, com ar de impaciente; devia estar à espera do secretário de Estado, mas pelos carros que se avistavam não parecia que o homem estivesse a chegar. Também não fiquei para verificar; aguardavam-me três horas de condução até Lisboa, e ao fim da tarde mais uma até casa. Sempre deu para fazer o texto para o «Stress? Relax». Aqui fica... Macário no Verão de 2003.


Macário Correia
A minha câmara

Macário Correia, presidente da câmara municipal de Tavira desde 1998, já não tem tempo nem para as bicicletas nem para o jogging, os hobbies que lhe eram publicamente conhecidos nos anos do cavaquismo. Num domingo, por exemplo, chega a estar 17 horas ao serviço da câmara, por causa das «missões», um termo que usa com frequência. Do mal o menos, parece que o trabalho na «sua» câmara é agora também o seu grande hobby.

Talvez não seja boa ideia tentar entrevistar Macário Correia em plena câmara. Sempre assoberbado por inúmeros afazeres, com todos os minutinhos contados, no caso da «Pessoal» arranjou um quarto de hora e mais uns descontos para uma conversa. Tinha um secretário de Estado, segundo disse, «já a subir as escadas», o da cultura, que chegava para uma reunião. Quinze minutos de uma segunda-feira de Agosto, depois de até nem ter havido grandes problemas para fazer a marcação, porque conforme avisou a secretária «o senhor presidente não vai de férias». Macário fala do dia anterior para exemplificar a lufa-lufa em que anda. «Ontem, domingo, trabalhei 17 horas contínuas ao serviço da minha câmara, em actos públicos diversos, em missões de gabinete. Entrei aqui no gabinete às sete e trinta da manhã, comecei por ver algum expediente que tinha para tratar, assuntos para encaminhar para os diferentes funcionários, vi a comunicação social, especialmente a imprensa, contactei os meus bombeiros, que estavam nas frentes de fogo em Monchique, e fiz um acto simbólico que faço em dois ou três minutos e que é, nos domingos e nos feriados, colocar as bandeiras nos paços do concelho. Depois, parti para um conjunto de compromissos seguintes... Comecei por atribuir prémios a um concurso de construções na areia numa das praias do concelho de Tavira, Terra Estreita, ao fim da manhã estive com os pescadores no cais de Santa Luzia para entregar lembranças adequadas ao dia da festa de Santa Luzia, depois tive um almoço com uma marcha popular em Santa Catarina, que é outra aldeia do concelho de Tavira, daí parti para o Cachopo, onde participei nas festas populares e na procissão da aldeia, regressei a Santa Luzia para participar nas festas populares e na procissão da vila, dali ainda fui para uma outra localidade no interior da serra que é o Faz Fato, onde se realizava a inauguração da remodelação de uma escola primária e uma festa também a esse respeito. Foi assim o meu dia, das sete e meia da manhã até à meia-noite, um domingo em que fui, como é normal, em funções de contacto com a população, a remodelação de uma escola, a entrega de prémios, participação em festas, organização de alguma documentação aqui internamente... Isto é um dia de domingo, como são todos os outros.»
Engenheiro agrónomo e arquitecto paisagista, 46 anos, casado e pai de três filhos, Macário Correia nem liga se se lhe fala de populismo. «Faço o que são as minhas missões, que é trabalhar. Não tenho nada em cima da secretária para despachar, tenho uma agenda, tenho os apontamentos para a reunião seguinte, não tenho nada pendente, venho para aqui de madrugada...» A secretária está mesmo vazia, nem um computador, que há quem diga que fica sempre bem, se descobre. «Não tenho tempo para esperar que o computador me responda a algumas questões. Quando vejo necessidade de procurar alguma coisa, procuro... Uso computador, mas nem sempre tenho tempo para isso. Os computadores, às vezes, são lentos, a gente quer procurar alguma coisa e tem um telefone a tocar... De maneira que para mim é mais fácil pedir às minhas secretárias que me encontrem um documento, ou que pesquisem assuntos, do que estar no meio disso, e com os telefones a tocarem.. É uma forma de gestão. Já tive computador, mas achei que não era a forma ideal de trabalhar.»

Isso das comparações...
Macário Correia conquistou a câmara de Tavira em 1998, depois de 21 anos em que o concelho esteve nas mãos de um partido que não o seu. Chegava directamente de Lisboa, de vereador da oposição na capital. Não tem por isso dificuldades em fazer o contraponto entre as duas realidades, recuando até aos tempos de secretário de Estado e às suas lutas do ambiente e nas capas do semanário «O Independente». «Vivi em Lisboa durante 20 anos. Exerci lá múltiplas funções, conheci bem a cidade, fui quatro anos vereador... Obviamente que tenho uma relação mais forte, mais genuína, com Tavira. Foi aqui que nasci, foi aqui que andei na escola, foi aqui que tive a minha infância. É uma relação diferente nalguns aspectos. Lisboa... Há muita gente que lá vive, que lá trabalha, mas que não tem origem nos bairros da cidade, a relação é mais profissional, mais funcional do que propriamente uma relação de origem, que é a que eu tenho aqui.»
Aproveitando a maré de comparações, um desafio: pôr lado a lado a gestão de uma câmara e a de uma empresa... «Vive-se hoje nas câmaras uma situação cada vez mais empresarial. Uma câmara é uma empresa de prestação de serviços que não tem por objectivo dividir lucros com os accionistas, mas tem por objectivo reforçar o conforto da população. Por isso, gerimos uma empresa com centenas de trabalhadores, com receitas e despesas, com critérios de racionalidade e de eficiência... Temos de fazer a gestão de serviços directamente ou por administração indirecta, temos de criar empresas associadas, temos de participar em capital de outras... É uma gestão empresarial, activa e dinâmica e, ao mesmo tempo, com uma relação muito directa com os accionistas, ou seja, os eleitores, a população.»
A população, a proximidade com a população dita accionista... «É fundamental a proximidade. O presidente da câmara é por excelência o representante directo das pessoas, com as quais tem um contacto diário.» Mais uma comparação, com deputados, governadores civis e por aí adiante... «São situações diferentes. Os deputados representam populações, mas a maior parte das vezes ninguém sabe a quem se dirigir. Neste momento, no Algarve, há oito deputados. Se perguntarem ao comum dos cidadãos quem eles são, garanto que nem um por cento sabe responder.» Mas não terão os deputados noção disso? «A função de deputado está pouco prestigiada. Fui deputado durante seis anos, sei do que falo. O parlamento tem muitos deputados, e tem muitos que não fazem nada. São funções muito bem pagas, ganham o dobro do que eu ganho e não têm responsabilidade quase nenhuma. Fazem número durante as votações, mas não têm uma actividade directa de relação com as populações. Quanto aos governadores civis, são figuras em extinção. Apenas a timidez do governo e a falta de coragem é que leva a que ainda existam. Não fazem sentido nenhum, não são necessários, não têm qualquer função útil para o desenvolvimento da sociedade.»
Posto isto, uma análise mais, digamos assim, sociológica... «Na política, há muita gente medíocre e incompetente, e pouco preparada para a vida política... E há muita gente que está na vida política para se exibir, que não é capaz de fazer nada de concreto... São pessoas que têm atrofias mentais, nalguns casos dificuldades de adaptação profissional e que estão na vida política porque não sabem fazer outra coisa.» Será isso um mal português, ou poderá mudar? «Espero bem que sim, que haja um esforço grande da parte dos partidos políticos para qualificarem os seus quadros dirigentes e que em relação às missões políticas haja um esforço no sentido de qualificar.»

Voltando à câmara
Voltando à câmara, e aproveitando o tema da qualificação, o que se passa com as pessoas que trabalham com Macário Correia? Ou, melhor dizendo, com os recursos humanos, se bem que na Administração Pública ainda não esteja muito em voga a expressão... «Temos participado em acções de formação. Os funcionários da câmara de Tavira estão permanentemente em acções de aperfeiçoamento profissional. A minha câmara tem meia centena de técnicos superiores. Quando cheguei tinha meia dúzia. Eu passei de meia dúzia para meia centena em cinco anos, o que revela um esforço para a criação de quadros próprios e, ao mesmo tempo, qualificação dos que cá estão, e dos que vão sendo admitidos. Todos os anos temos dezenas e dezenas de acções de formação para que o pessoal esteja melhor preparado.» O pior é o espartilho legal, embora isso não pareça assustar Macário... «Há dificuldades. Tenho pessoas que são altamente qualificadas, dedicadas, competentes do ponto de vista profissional. Mas tenho de pagar a essas do mesmo modo que pago a outras que são pesos mortos na minha câmara municipal. Tenho meia dúzia de pessoas, que não há qualquer dificuldade em saber quem são, que não acrescentam nada... São pessoas que criam problemas, que arranjam enredos, que arrastam papéis... Se elas não estivessem no sistema, as coisas funcionavam melhor. Mas tenho-as cá e tenho de lhes pagar igual aos competentes, empenhados, dedicados e activos.»
Macário Correia não acha isto saudável, mas lá vai continuando a labuta na «sua» câmara de Tavira, mesmo com os «pesos mortos». Do trabalho autárquico e do seu hobby igualmente autárquico não parece cansar-se, nem que até ao domingo esteja nele envolvido 17 horas por dia. As horas do presidente e das suas «missões», presidente que diz ter «ideias claras» para a autarquia. «Quero fazer de Tavira uma cidade média, uma grande referência cultural, com condições para acolher um turismo de qualidade, através da recuperação de património, pondo de pé museus, recuperando palácios, dando vida a conventos, criando hotéis e pousadas de referência, e ao mesmo tempo associar isso a um conjunto de eventos culturais.» Fala com entusiasmo, enquanto parece espreitar a ver se avista o secretário de Estado a chegar ao cimo das escadas, mas fala ao mesmo tempo com uma serenidade que chega a impressionar. Vê-se que faz o que gosta, as suas «missões», que parece levar em frente com a mesma naturalidade dos tempos em que era capa de jornal e via serem repetidas na televisão frases lapidares como aquela em que uma vez associou a ideia de beijar uma rapariga que fuma à de lamber um cinzeiro. «Os meninos queques do Independente não gostavam de mim, o que me dá uma honra enorme. Tenho um imenso orgulho nisso.» Resta saber se em Tavira há desses «meninos queques».