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sábado, 27 de outubro de 2012

Entrevista



Se há uma entrevista que me arrependo de ter feito, é esta.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A sabedoria do Corvo



Desempenhei dois cargos políticos em representação do PSD, por isso me choca tanto a situação actual. Com José Sócrates, em que mesmo no tempo em que havia quem lhe chamasse «menino de ouro» dava para perceber que a coisa não ia acabar bem, era diferente. Eu via os desmandos, criticava-os, mas sabia que nunca ninguém me haveria de confrontar com o que ia acontecendo. Agora não, por mais que critique a loucura que nos vai sendo preparada dia após dia não me livro, de vez em quando, de ouvir coisas do género de o partido em cujas listas já participei estar a dar cabo do país. Por mais que o outro tenha dado, e muito, ainda ficou por cá alguma coisa para Pedro Passos Coelho mostrar serviço. E como tem mostrado...
Claro que eu ainda fui a tempo de não votar em Pedro Passos Coelho. A princípio, antes da sua chegada à liderança do PSD, ainda tinha alguma expectativa, mas depois comecei a ouvir um ou outro disparate e fui desconfiando. Quase em cima das eleições para o partido fui entrevistá-lo – uma conversa muito simpática, devo assinalar –, mas eu saí de lá (dos escritórios da empresa onde ele estava na altura) espantado, ou talvez deva dizer assustado. Ainda comentei algumas das respostas com uma jornalista que me acompanhou, mas ela limitou-se a perguntar do que é que eu estava à espera.
Não votei, como disse, mas estava longe de esperar esta calamidade. De qualquer maneira, logo após as eleições comecei a perceber aquilo com que poderíamos vir a confrontar-nos. A quebra da palavra chocou-me verdadeiramente. Já estava habituado a isso com muitos políticos, mas com Pedro Passos Coelho ultrapassou-se tudo o que era conhecido em Portugal. Diga ele o que disser, depois do histórico como primeiro-ministro, sei que a sua palavra não vale absolutamente nada.
Por isso não vejo agora grandes hipóteses a não ser um governo de iniciativa presidencial – embora essa opção não esteja isenta de problemas. É dramático constatar a situação a que chegámos e ter como alternativa o partido que mais contribuiu para levar o país à bancarrota, e pior, saber que um dos ministros – nem que fosse da pasta dos automóveis de alta cilindrada – seria Carlos Zorrinho, o velho comprador da bomba de Pedro Mota Soares e agora reincidente nas compras.
Independentemente do que venha a acontecer – governo de iniciativa presidencial, eleições ou a continuidade da loucura actual –, o PSD tem de começar a pensar em livrar-se mesmo de Pedro Passos Coelho. Nem é só a questão de ganhar ou não eleições (e as dos Açores já mostraram muito), é antes de tudo não permitir que o país seja arrastado para um poço já não digo sem fundo mas com um fundo, passe o pleonasmo, muito mas mesmo muito fundo; e por um governo que em grande parte o representa. Quanto a eleições, para o PSD, o melhor será pensar a médio ou mesmo a longo prazo, porque as próximas é para perder, e por muitos.
Acho que se numa eleição nacional o PSD, depois de tudo o que um governo em grande parte seu tem feito ao país, tiver mais de dez por cento dos votos, será caso para dizer que se caiu na loucura total. Mas se calhar até se aproximará dos vinte e cinco ou trinta, e para isso eu nem quererei pensar em explicações (sei que nunca as encontrarei). Falo em dez por cento para não falar em menos, ou até para não falar inclusive em zero, porque a sabedoria do Corvo, onde agora nas eleições açorianas ninguém votou neste PSD, dificilmente chegará ao país.

Uma nota: no Corvo o PSD fez um acordo com o PPM tendo em vista a eleição de um deputado monárquico em vez de dois socialistas; não deixa no entanto de ser simbólica a imagem de zero votos.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os javalis pequenos saíram à noite


Enquanto Pedro Passos Coelho anunciava mais medidas de austeridade, eu estava a trabalhar (mais umas duas horas e não a meia hora da treta que ele anunciou). Só o ouvi depois no carro, de regresso a casa. Foi poucos minutos a seguir a ter parado no meio do campo por causa dos javalis pequenos, que parece que escolheram esta noite para uma saída geral (tentei apanhar alguns com o telemóvel, mas não saiu grande coisa porque uma mão tinha de estar sempre no volante para direccionar a luzes). Depois, já mesmo a chegar, ainda dei com o texugo gordo do montado (que não via há meses), mas esse até ao telemóvel conseguiu escapar, correndo de forma atabalhoada e com as banhas aos saltos. E ao estacionar o carro, não sei por quê, liguei o rádio. Lá estava o tipo a anunciar as medidas, pesaroso. É melhor ser pesaroso do que ser mentiroso, acho eu. Nos primeiros anúncios, mal chegou ao governo, passou por mentiroso, depois do que tinha apregoado na campanha, onde até uma adolescente de uma escola teve a lata de enganar. Agora é diferente. Já não se trata de mentiras. Anunciou, está anunciado. Presume-se que não tinha feito promessas para 2012 ou para 2013, apenas para 2011. E portanto, agora, anunciou. Apareceu então pesaroso, apenas isso. Deve ter percebido que um primeiro-ministro não deve mentir, até deve ter percebido – arrisco – que qualquer pessoa não deve mentir. Fico agora a aguardar pelos novos modelos de carros que os membros do governo e outros parecidos vão passar a usar. Não creio que no estado em que o país se encontra possam continuar com Mercedes e BMWs de alta cilindrada, como os que hoje vi de um lado para o outro junto à Presidência do Conselho de Ministros. Certamente irão trocar por outros, e nalguns casos abolir o direito a carro. Os que mantiverem esse direito, espero que não usem mais do que utilitários. Um Fiat Punto para secretário de Estado, uma coisa um bocadinho acima para ministro. Não vai cair a ninguém nenhum parente na lama, quase de certeza. Se cair, enfim, que se levante.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Gostei


Gostei de ouvir ontem à tarde Pedro Passos Coelho dizer no Parlamento que da última vez que aí tinha estado, afinal, tinha falado de mais – a propósito da dívida da Madeira e do respectivo plano de recuperação, ou lá como vai ser chamado. Teve a humildade (e a «frontalidade», palavra sua) de assumir um erro. Está a aprender. Agiu de forma diferente da do dia em que no mesmo sítio anunciou a imposto extraordinário de 50% sobre o subsídio de Natal. Nessa altura, se a medida era inevitável (como as coisas estão, e com a falta de informação que temos, admito que era, mas certezas nem me atrevo a ter sobre o assunto), se era inevitável, ia eu dizendo, pedia desculpa por tudo o que tinha andado a apregoar na campanha eleitoral, com o cúmulo daquela cena lamentável numa escola de Vila Franca de Xira, e depois de pedir desculpa fazia o anúncio. Mas não. Comportou-se então como um vulgar mentiroso. Por isso, agora, gostei da atitude. Demonstra que tem capacidade para aprender com os próprios erros, coisa que, como se sabe, não está ao alcance de toda a gente.

sábado, 2 de julho de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Uma mania

A mania de Pedro Passos Coelho querer privatizar a Caixa Geral de Depósitos já chateia. Quer dizer, a mim já me chateia há algum tempo, não é de agora. Um dia entrevistei-o, pouco antes de ele ter ganho as eleições para líder do PSD, e ele foi capa da revista com essa entrevista. Uma conversa muito simpática, e lembro-me do título que pus na entrevista, uma frase dele, «Não podemos deixar enraizar a ideia de que quem faz a marosca é recompensado». Demasiado tarde, já estava bem enraizada… Mas mesmo assim a frase deu em título, e foi para a capa. Lembro-me das perguntas que levava para fazer, mais incómodas, menos incómodas, algumas que nem uma coisa nem outra. Levava também uma da privatização da Caixa Geral de Depósitos, ainda por cima numa altura em que estava bem quente a confusão no sector financeiro. Quando cheguei a essa pergunta, em vez de colocar uma pequena cruz à frente e fazê-la, não, nada disso; fiz um risco por cima e passei à pergunta seguinte. E por momentos, breves momentos, disse para comigo, em pensamento, era só o que faltava numa entrevista minha ter de falar desta porcaria. Passei à parte de José Sócrates e foi aí que arranjei o título.