Nos últimos anos passei algumas tardes na feira do livro, sentado ao sol, sentado à chuva, sentado a ver as pessoas a subirem e a descerem o parque, sentado a assinar livros e procurando evitar aquelas dedicatórias às três pancadas, como as que são referidas no final deste post («Para Joaquim Oliveira, António Lobo Antunes», «Cordialmente, José Saramago»). Ontem, durante umas horas (final da tarde, princípio da noite), foi o reverso da medalha; por razões profissionais, dei por mim a contemplar os pavilhões estranhamente minúsculos da feira desde a varanda do Eleven, com empregados que nunca mais acabavam, sempre de um lado para o outro, de bandejas a abarrotar. Não vi nenhum escritor conhecido (e desconfio que dos desconhecidos a mesma coisa) – já políticos, empresários e aproximados havia com fartura. À saída deram-me uma caixa que tinha dentro uma garrafa de vinho e ainda, imagine-se, um livro (sem autógrafo mas com cartão).(foto: Eleven)
