Mostrar mensagens com a etiqueta Incêndios. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Incêndios. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Uma ideia perigosa

Bastaram umas horas para o ministro da Agricultura, António Serrano, recuar na ideia perigosa que lançou, a de expropriação de propriedades rurais que não estivessem cuidadas de forma a evitar os incêndios. Esqueceu-se, já se vê, dos milhares de propriedades que o Estado que ele próprio representa deixa ao abandono ano após ano. E de como é ineficaz todo o sistema de combate aos incêndios.
Tenho muita dificuldade em perceber como determinadas pessoas chegam a cargos de grande responsabilidade. No Verão, com os incêndios que ano após ano repetem uma história de desleixo, desinteresse, incompetência e até más intenções, essa dificuldade ainda é maior. Pior que António Serrano só mesmo os inconcebíveis ministros da Administração Interna dos incêndios de há seis e sete anos na minha terra, um dos quais tive ao menos o gosto de no romance «Uma Noite com o Fogo» derrubar à pedrada.
.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Horrível

Há pouco, na TVI24, deparei com António Figueiredo Lopes comentando o clima de violência em Setúbal. Foi de repente, assim sem mais nem menos. Horrível, para mim, esta recordação inesperada do ministro dos incêndios de 2003 e parte de 2004. Lembrou-me uma das figuras mais sinistras do meu romance «Uma Noite com o Fogo», uma das que pairando sobre um ribeiro, com as chamas em fundo, aguardam uma fotografia (capítulo 10).
.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Um pouco do que vou escrevendo

É um excerto de um romance que vou tentando escrever. Na versão final o mais certo é que não apareça assim; de qualquer forma, aqui fica…
(…)
Acabei por parar o carro perto da saída para a estrada de terra que dá acesso ao vale, tentando que não ficasse em cima dos matos e sujeito a arder se alguma fagulha caísse por perto. Desci pela estrada, sempre com o mesmo silêncio interrompido apenas pelos estalidos que pareciam querer fugir da linha de fogo. Andei perto de um quilómetro até que abandonei a estrada e atravessei a ponte de madeira sobre o ribeiro, para chegar à aldeia. Pouco passava das duas da manhã. A linha de fogo estava cinquenta metros acima, no monte oposto ao que eu tinha descido, e podia entrar na aldeia, embora esta estivesse limpa de mato. Ali, junto com a antiga casa da minha avó, a minha família possui mais algumas casas menores, uma azenha e um terreno. Eu sabia, de conversas pelo telemóvel cerca de uma hora antes, que o meu irmão estava por perto. Provavelmente iria encontrá-lo mais adiante, se avançasse pela estrada de terra. Saí da aldeia e atravessei de novo a ponte. Continuei pela estrada de terra, atento à linha de fogo, do outro lado. Uns dez minutos depois cheguei a uma zona de montado da minha família. Ainda com a linha de fogo a acompanhar-me. Foi então que me deparei com uma espécie de monstro a encandear-me.
(…)