quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O que vou escrevendo

Um pouco do que vou escrevendo…
Lembrei-me a certa altura de que a linha de fogo, quase sempre tão calma, também poderia desatar a correr. Todos os seus quilómetros de chamas poderiam desatar a correr, ou antes, poderiam meter-se a serpentear pelos montes. O que é que isso causaria por ali? A linha de fogo a serpentear... Se assim calma não era apagada, a serpentear ainda menos seria. Ou o facto de ela serpentear, de se mostrar muito agitada, poderia levar a que os bombeiros a atacassem? Talvez não, talvez pensassem que assim ainda era menos ameaçadora do que se estivesse calma, talvez um chefe – algum «responsável», como era costume ouvir-se dizer, principalmente nos casos em que aquilo que verdadeiramente se percebia era a irresponsabilidade –, talvez um desses mandadores se saísse com uma frase do tipo «cão que ladra não morde», ou «serpente que serpenteia não ferra o dente», e talvez a seguir desse ordem para que deixassem a linha de fogo serpentear à vontade. Talvez até dissesse que a serpentear ela queimaria menos do que se estivesse calma, com tempo e atenção para atingir cada árvore, cada mato, cada erva seca, cada bicho que se atrasasse a fugir para bem longe.
(imagem do cenário aqui)
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2 comentários:

CrisTina disse...

Desde que li O Medo Longe De Ti, tenho por hábito passar por aqui embora não deixe comentários. Foi um livro que me marcou e que provavelmente referenciarei sempre como sendo um dos meus favoritos.
Também sofro de sportinguite crónica e desejo que hoje o verde seja mais forte!

amv disse...

Cristina

É sempre bom recordar esse romance. Ainda bem que gostou de o ler. Eu voltei a ele no livro que publiquei no ano passado.
Obrigado pelas suas palavras.

Quanto ao Sporting, ontem podíamos facilmente ter sido mais fortes, mas estranhamente acabámos por sair do campo a demonstrar uma fraqueza enorme.

Um abraço,

António