sábado, 24 de novembro de 2007

O texto de Vasco Pulido Valente sobre «Rio das Flores»

Li a análise do último (ou melhor, do mais recente) romance de Miguel Sousa Tavares («Rio das Flores») feita por Vasco Pulido Valente, que saiu hoje no «Público». Não comprei o jornal, nem sabia da coisa; vi por acaso uma referência num blog e depois fui a outro ler o texto. Ainda não li o romance, e quero ver se leio, embora uma espreitadela ao início, numa livraria, me tenha dado que pensar – começo meio à Camilo (com aquela mania do nome completo), meio à García Márquez de «Cem Anos de Solidão», só que o pai da personagem em vez de a levar a conhecer o gelo leva-a a uma tourada; e depois, a personagem tem já não me lembro quantos «anos de idade», recurso estilístico comparado ao «há x anos atrás», que Miguel Sousa Tavares também usa com frequência. Mas conto ler o livro, porque gostei da história do anterior («Equador»), mesmo com os erros – que começavam logo com uma confusão da época em que foi construído o Canal de Suez – e com a escrita que dava a ideia de aquilo ter sido sempre a despachar.
Da conta em que tenho Vasco Pulido Valente, só posso dizer que o que escreveu sobre «Rio das Flores» é bem capaz de ser verdade. Há uma frase que me chamou a atenção; esta… «[Miguel Sousa Tavares] Não escreve como quem escreve um romance, escreve como quem escreve um relatório: directamente, com a mesma luz branca e monótona para tudo.» Eu costumo comparar estes casos de forma diferente, com um velho manual de gestão da força de vendas que tinha numa das cadeiras da faculdade, um livro de um cromo norte-americano chamado Tom Hopkins que aparecia na capa a fazer lembrar uma das personagens do «Dallas» (o manual tem uns vinte anos e curiosamente há uns meses chegou-me ao escritório um exemplar de uma nova edição, a quinta, com o cromo ainda e sempre na capa só que mais velho um bocadinho mais bem arranjado).
No meio destas polémicas das literaturas, estranho o silêncio sobre o novo romance de José Rodrigues dos Santos, que também conto ler. Como «Rio das Flores», já o folheei numa livraria e chamou-me a atenção um estranho «crrrrrrr, crrrrrr» que provavelmente é o substituto dos «uhs» da esmagadora maioria das personagens do romance anterior. Os livros deste autor já se sabe que é mais para a palhaçada, mas sempre podia haver alguma coisa tipo Vasco Pulido Valente e «Rio das Flores»; para ver se isto animava um pouco.

4 comentários:

Luis Eme disse...

Pois... estas criticas animam sempre as vendas...

Tenho por cá o "Equador", à espera de vaga, e não sinto grande interesse no "calhamaço".

Faz-me confusão estes romances de mais de quinhentas páginas...

amv disse...

Luís

Mas olhe que a história é porreira, apesar de muitas falhas na escrita, e depois eu tenho um exemplar da décima quarta edição, que me ofereceram (aí já tinha muitos erros corrigidos, dos factuais, claro, porque a linguagem é a mesma - mas eu li um exemplar emprestado de uma das primeiras edições, ainda com as confusões todas). Quanto a ser grande... Bom o autor podia ter cortado o mini-romance que meteu lá dentro com a história do casal inglês da Índia.

Polémicas para vender... Neste caso não seria preciso; eu, por exemplo, precisaria mais de uma boa polémica do que estes figurões. Mas também, onde é que iam arranjar polémica com um livro assinado por mim? Só se eu tivesse mandado colocarem uma bomba na casa do crítico do Público que desancou o romance que publiqeui há uns meses, e talvez outra no próprio jornal. (A respeito de olémicas, não falo, é claro, da minha terra, onde o vereador da cultura quando a biblioteca municipal me convidou para ir lá falar um dia, à tarde, mandou suspender as actividades culturais durante uma semana - a que incluia esse dia, obviamente - e assim a sessão teve de ser anulada quando já tinham enviado os convites. Em contrapartida, na sua terra fui muito bem tratado, em 1996, quando aí fui receber o Prémio Literário Cidade de Almada).

António

Luis Eme disse...

Claro que vou ler o "Equador". Até porque gosto de ler MST (menos as crónicas desportivas portistas, demasiado facciosas...). Por exemplo adorei ler "Não te Deixarei Morrer, David Crockett"...

Pois, o ditado tem mesmo aplicação, santos da terra tem dificuldade em fazer milagres...

Lembro-me do António ter ganho o prémio literário mas não fazia a associação.

CLeone disse...

As polemicas são que se busc. parece que tb a Atlântico encomendou ao VPV uma bordoada no Grass (não vi, mas julgo que é o caso). É a crítica que há, a dos manetas...