domingo, 14 de janeiro de 2007

Pergunta

A que é que se pode comparar a atribuição de um doutoramento em Literatura (ainda que honoris causa) a Cavaco Silva?

(responder, por favor, no espaço de «comentários»)

Deve haver aqui algum erro

Copio esta notícia do site do «Público»…

Estudantes indianos de direita contestam atribuição do grau
Doutoramento de Cavaco Silva provoca manifestação em Goa
14.01.2007 - 12h01 PUBLICO.PT, : Nuno Simas/Lusa
O doutoramento honoris causa do Presidente português Cavaco Silva, atribuído hoje pela Universidade de Goa, foi marcado por uma manifestação de alunos que protestavam contra a entrega deste grau a um cidadão estrangeiro, algo que acontece pela primeira vez naquela faculdade.
Os cerca de 30 manifestantes, que foram detidos pela polícia, empunhavam cartazes com inscrições em inglês e hindi como "abaixo o imperialismo" e "14 de Janeiro - Dia negro para a Universidade de Goa".
Este incidente deu-se em frente à Kala Academy onde decorreu o doutoramento em literatura de Cavaco Silva, que não assistiu à manifestação.
Esta é a primeira vez que a Universidade de Goa entrega o doutoramento honoris causa, tendo escolhido um cidadão estrangeiro para o efeito.
Segundo os manifestantes, a organização estudantil de direita criticou a entrega deste grau académico e defendeu que essa distinção devia ser dada a goeses ou indianos.

Não me interessa a manifestação dos estudantes, embora a compreenda, especialmente pela figura escolhida. Mas em literatura???
Nota - Este post não é o original; alterei, a pedido de várias famílias, a comparação que fiz inicialmente (e que esteve on-line durante um bocado) para mostrar como a situação é completamente descabida. De qualquer forma, aceito aqui sugestões nos comentários (respostas à pergunta «A que é que se pode comparar a atribuição de um doutoramento honoris causa em literatura a Cavaco Silva?»).

Dizer o quê?

Belenenses – 0, Sporting – 0. Sem comentários. Se comentasse, ia dizer o quê?

Textos sobre livros – 11

Mais um livro, lido já vai para um ano ou dois – aliás, vendo pelo título, é fazer as contas (como disse uma vez um palerma em directo na televisão).

Livro: «Trinta Anos de Democracia – E Depois, Pronto», de Clara Pinto Correia (Relógio D’Água, 107 pp.)

A ditadura que ainda entendemos mal

Um «sermão» sobre o Portugal dos últimos trinta anos, que muita gente devia ouvir, ou antes, devia ler. Uma visão lúcida, sem meias palavras e, sobretudo, muito, mas mesmo muito clara, sobre uma «nova ditadura» que a autora diz ainda entendermos mal.
Eu tinha seis anos no 25 de Abril, e não foi nada bom. Desse dia, o que me ficou bem marcado na memória foi o golpe que fiz num dos polegares, em brincadeiras na casa da minha avó. Uma faca, foi isso que me abriu o polegar e o fez ficar depois nuns tons azulados. Já à noite, quando vi na televisão os novos senhores do país, enfim, naquela idade tanto se me dava, ainda que ficasse desconfiado ao ouvir que dos que apareciam na televisão se calhar o único que se aproveitava era o Fialho Gouveia, e que na volta os monstros que iam embora tinham ali uns substitutos à altura. O passar do tempo foi-me mostrando que aquelas reticências tinham muitas razões de ser. Acabaram por surgir outras caras, veio a cor na televisão, e hoje só posso dizer que foi muito bom. Como Clara Pinto Correia, que «tinha 14 anos no 25 de Abril».
É assim, com a idade, que ela começa «Trinta Anos de Democracia – E Depois, Pronto». E continua: «Foi muito bom./ E não tenho qualquer espécie de dúvida de que a vivência democrática que iniciámos a seguir deu frutos preciosos que nunca poderíamos ter recolhido da atmosfera rarefeita que andávamos a respirar antes. Basta olhar para pessoas que admiro, ou recolher amostragens pessoais entre os meus amigos e familiares. É indiscutível que foram esses tempos complexos que permitiram que…» Seguem-se inúmeras referências, a nomes e obras que só mesmo uma outra «atmosfera» permitiu que surgissem em Portugal. «Foi muito bom.» Foi mesmo muito bom. Só que… «Mas, entretanto, precisamente enquanto estava a ser possível acontecer tudo isto, foram passando três décadas./ E durante esse espaço de tempo, lentamente, subtilmente, ocorreu um fenómeno paralelo do qual provavelmente ninguém estava à espera. Quase não demos por ele enquanto esteve a definir-se. Não temos qualquer marco preciso para podermos estabelecer quando é que foi que o deslize começou a acontecer e como./ (…) Aquela ditadura antiga, (…) na sua face visível, foi substituída por outra ditadura diferente, que nós ainda entendemos mal, e que não se fez anunciar por hino absolutamente nenhum.» É esta «nova ditadura» que Clara Pinto Correia apresenta em cerca de cem páginas sobre o Portugal dos últimos trinta anos. Para quem ainda não a conhece, ou para quem a conhece, até de ginjeira, mas simplesmente não se preocupa com ela, com os caminhos que segue, se calhar porque lhe falta a polícia política, a televisão a preto e branco e os senhores de voz tremelicante.
Clara Pinto Correia escreveu um texto notável sobre os 30 anos que se seguiram ao 25 de Abril. Um «sermão», como se deduz das inúmeras referências ao longo do livro, desde uma nota de abertura intitulada «Sermões aos Peixes» até promessas de novos sermões para assuntos específicos em notas de rodapé. Um texto notável, pela lucidez com que analisa o que nos tem vindo a acontecer, e de uma clareza impressionante, bem escrito, fluente e incapaz de chatear o leitor, nem que seja num qualquer recanto de uma frase. Se as análises que por cá vão surgindo fossem assim escritas, decerto já entenderíamos na perfeição a «nova ditadura». Talvez não passasse já de uma simples recordação, num país verdadeiramente democrático.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Li agora...

Li agora no site do «Record»…

Peseiro: «Lembrei-me do erro que cometi no Sporting»
TÉCNICO EXPLICA SAÍDA DO AL-HILAL

José Peseiro explicou a saída do Al-Hilal com as diferenças de perspectivas com os dirigentes. «Lembrei-me do erro que cometi no Sporting quando aceitei continuar sem condições pensando mais no clube do que em mim», justificou.O treinador faz um balanço positivo da experiência na Arábia – equipa lidera campeonato – e o objectivo passa por treinar outra equipa no estrangeiro, que até pode ser no mesmo país.
«Entendi que era melhor sair por falta de condições de rigor e profissionalismo, que podiam colocar em causa o futuro da equipa», disse.No próximo domingo vai a uma festa de despedida com todos os jogadores e staff.

Já cá faltava este cromo…

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Muito a correr

Muito a correr, e sem comentários, os dois últimos jogos do Sporting. Sporting – 1 (Liedson), Académica – 0 e depois o jogo da Taça de Portugal, União da Madeira – 1, Sporting – 3 (João Moutinho, Farnerud e Rodrigo Tello).

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Houve tempos em que as coisas eram piores – parte 2

Pois é isso mesmo; como escrevi há uns dias ali abaixo, houve tempos em que as coisas estiveram piores no Sporting. Passados três meses sobre o texto do Leandro, de ele ser «um bom miúdo» (Fevereiro de 1998), publiquei outro, que coloco a seguir. Estávamos em Maio e o campeonato aproximava-se do final.

Carlos, o chacalzinho
Está a chegar ao fim mais um campeonato nacional de futebol e o Sporting conseguiu mesmo à justa apurar-se para as competições europeias. Custa-me escrever isto, com esta frieza, mas foi exactamente o que aconteceu. E quem assistiu aos últimos jogos sabe bem que só por sorte é que tão estranho objectivo foi alcançado. Porque a verdade é que o Sporting poderia não ter ganho nenhum desses jogos, poderia mesmo ter perdido a maior parte deles. E teria ficado pelo meio da classificação. Até há uns meses, os sportinguistas fartavam-se de dizer piadas relacionadas com o facto de Artur Jorge ter sido o coveiro do Benfica. Agora o melhor é ficarem calados, porque o Sporting também já arranjou o seu Artur Jorge. Quando se esperava, ou melhor, quando alguns dirigentes esperavam um leão, saiu-lhes um pobre chacal, um chacalzinho, Carlos como o terrorista, mas futebolisticamente mais inofensivo do que um gato recém-nascido.
Carlos, o chacalzinho, acabou por viver no Sporting a mesma luta que viveu há um ano no Salgueiros, a luta por um lugar na cada vez menos prestigiada Taça UEFA. O ano passado não o conseguiu, porque o seu melhor jogador, Abílio, falhou um
penalty em Faro. Este ano conseguiu-o, e logo à custa de um jogador de pescoço pequeno, Vidigal, que mesmo assim chegou de cabeça mais alto do que os gigantes da defesa do Belenenses. O destino tem coisas destas, e contrariá-lo é sempre uma carga de trabalhos. As duas situações vividas pelo inofensivo Carlos, no entanto, não deviam ter nada a ver com o Sporting. Porque o Sporting, por mais que os seus dirigentes definam estratégias que a nenhum elemento dos pequenos cantores de Viena ficariam mal, o Sporting, dizia, não é um clube para andar envolvido nessas guerrazinhas. Carlos, o chacalzinho, é que parece ter vocação para tais empreendimentos. Só que, infelizmente, cruzou-se com o caminho do Sporting, ou melhor, saiu-lhe ao encontro, para o envolver na sua auréola bem peculiar.
Há dois anos, o Sporting contratou, segundo se falava, o melhor treinador da Bélgica, o senhor Robert Waseige, e logo houve quem o comparasse, vá-se lá saber por quê, a um assador de castanhas. E, de facto, fosse ou não o melhor treinador da Bélgica, o senhor Waseige não conseguiu grande coisa por cá. Só que não serviu de emenda aos responsáveis do Sporting, porque depois dos cantatores e dos «chicos vitais» de que nem o Diabo mais inventivo se haveria de lembrar, foram buscar para dirigir a equipa, parece que a troco de cinco mil contos por mês e, se calhar, de um saco de chupa-chupas, um perfeito continuador da saga. Carlos, o chacal de pistola de água, não perdeu tempo e começou a fazer das suas. Primeiro que tudo, com medo sabe-se lá de que sombras, rodeou-se dos amigos, que bem diz o ditado que são mesmo para as ocasiões. E num ápice o Sporting viu-se com um secretário-técnico que antes era roupeiro do Salgueiros, e com os jogadores Renato e Leão, que vinham de ser titularíssimos da equipa do Salgueiros. E com um tal Madureira a treinador de guarda-redes, ele que antes treinava os guarda-redes do Salgueiros e enquanto jogador fora uma grande referência das balizas, precisamente, do Salgueiros. E também com um tal Agatão a preparador-físico, o mesmo que antes era preparador-físico de um clube da cidade dita invicta (o Salgueiros, como não podia deixar de ser) e que nos seus tempos de jogador tinha feito carreira no Boavista e no Estrela da Amadora, depois de tempos de glória num outro chamado O Elvas.
Claro que com um pequeno chacal e com tais ajudantes de aprendiz de felino ao comando, o Sporting passou a fazer no campeonato o papel do Salgueiros, do Boavista e do Estrela da Amadora, umas vezes alternadamente, outras ao mesmo tempo. E, quem sabe, se as coisas não mudarem, não fará algum dia o papel do outro o que se chama O Elvas. Tudo isto com a agravante de o tal Madureira, por exemplo, dizer aos jornalistas para perguntarem aos jogadores por que é que a equipa passou a jogar mal. E de Carlos, o chacalzinho, dizer que «o Leandro é um bom miúdo» e que «o Beto é um puto giro» e que «estão a fazer coisas bonitas», mas que no jogo tal «não foram tão sérios» como no jogo tal e coiso. E também que acerca do próximo jogo não revela pormenores da táctica, porque assim «os gajos iam ficar a saber». Os «gajos», enfim, «quer dizer, os adversários, os outros, os malandros, aqueles malandros». De Agatão e do secretário-técnico roupeiro é que, ao menos isso, quase não se ouve uma palavra.
Assim, os sócios e os adeptos tiveram de passar a gramar, ou melhor, «a suportar», como diria José Roquette numa linguagem mais de acordo com os meios empresariais, a suportar uma tropa que em três tempos pôs uma equipa relativamente competitiva a arrastar-se pelas ruas da amargura. Sempre com Carlos, o chacalzinho, a assumir o papel de general. Os sócios começaram a ver nas conferências de imprensa um técnico a dizer que não sabia «as razões do mau rendimento da equipa» e que via «boas exibições» em jogos de uma pobreza sub-sahariana. E começaram a notar os atrasos aos treinos e as noitadas das vedetas mais bem parecidas. E também que Carlos, o Chacalzinho, controlava o nervoso com chupa-chupas e dava pulos no banco como um macaco telecomandado sabe-se lá por que criança traquina. E que dizia tencionar «fazer revoluções no plantel», decerto para afastar os nomes marcantes do Sporting, aqueles ainda capazes de confrontá-lo com a realidade do seu pequeno mundo futebolístico. «Revoluções» para colocar bem colocados na vida, e no Sporting, é claro, os nandinhos e os marcos severos da sua devoção. Tudo isto, pensado ao quilómetro na cabeça do chacalzinho, para «mudar o clube de alto a baixo» e «transformá-lo num Ajax». Exactamente, «num Ajax», foi o que ele disse. Provavelmente estava a referir-se ao Ajax Limpa Vidros.

Textos sobre livros – 10

Já agora, outro texto sobre um livro, que também mete – e muito – o criminoso chileno que morreu no domingo.

Livro: «Salvador Allende – O Crime da Casa Branca», de Patricia Verdugo (Campo das Letras, 197 pp.)

A casa suspeita do costume

Uma investigação sobre os acontecimentos que levaram à morte de Salvador Allende no dia 11 de Setembro de 1973. Às mãos sujas de Pinochet & friends, chilenos e de mais a norte.
No dia 11 de Setembro de 1973, em Santiago, capital do Chile, o general Augusto Pinochet conversava com um colega de golpe. Dizia assim, referindo-se a Salvador Allende, que viria a morrer nesse dia: «Tenho a impressão de que o senhor civil arrancou nos blindados. E Mendoza não tem contacto com ele?» Respondeu o colega, almirante, de nome Patricio Carvajal: «Não, mas nos blindados não fugiu. Os carros de assalto partiram antes e eu posteriormente falei com ele pelo telefone.» Pinochet disse então: «De acordo. Nesse caso, é preciso impedir a saída e, se ele sair, é preciso prendê-lo.» Pinochet, mais adiante, dizia que era preciso uma rendição incondicional para quem fosse preso, e que era preciso prometer respeitar a vida dessas pessoas. «A vida e a sua integridade física e de seguida despacha-se para qualquer lado.» Carvajal acabou por perguntar se mantinham então a oferta de fazer Allende sair do país, depois de preso. E Pinochet respondeu que sim… «Mantém-se a oferta de o fazer sair do país... E o avião pode cair, por ser velho, quando estiver no mar.»
Este e outros diálogos, com o passar do tempo, acabaram por ser revelados ao mundo. Para vergonha de um mundo que permitiu, e insiste em permitir, que tantos tiranos levem a sua avante, ajudados pela mão nem sempre invisível da casa branca de Washington. Vejamos então outro diálogo, também de 11 de Setembro de 1973, e que Patricia Verdugo reproduz em «Salvador Allende – O Crime da Casa Branca». O almirante é o mesmo, mas o general muda; desta vez é Javier Palacios, também da tropa manhosa de Pinochet. Palacios, frente ao cadáver de Allende, fala de forma lacónica em «missão cumprida», em «La Moneda tomada» e em «presidente morto». Fala em castelhano. Já Carvajal prefere o inglês para comunicar as revelações a outros cabecilhas: «They say that Allende commited suicide and is dead now.»
Patricia Verdugo escreve: «Talvez não fosse casual e o almirante soubesse que o estavam a escutar na estação da CIA, facilitando assim a comunicação de tão importante notícia. Talvez… Podemos dar por assente que Nixon e Kissinger [Prémio Nobel da Paz???] o souberam antes do resto dos chilenos.» A autora, jornalista chilena premiada internacionalmente, e activista dos direitos humanos, apresenta uma investigação que só não é absolutamente surpreendente porque nos dias que correm já se sabe o que a casa gasta; a branca, já se vê.

Fiquei preocupado

Ainda uma coisa dos tempos conturbados do Sporting, na outra semana, depois das derrotas com o Benfica e com os russos. Paulo Bento pedia a sócios e adeptos para não assobiarem, dizerem mal e coisas do género. Dizia que não o afectava (presumo que se considera um ser superior), que só afectava os jogadores (presumo que os considera uns atrasados mentais, ou pelo menos uns rapazes psicologicamente instáveis). Fiquei preocupado e a achar que o homem se calhar até não tem tanto nível como tenho vindo a pensar que poderia ter.

E o Scolari?

Deixei de ouvir falar do Scolari. Ainda é o seleccionador nacional? Está em Portugal? Vai ao escritório (presumo que lhe arranjaram um na federação)? Alguém sabe alguma coisa do homem?

Servir ou não servir

Caneira queixa-se do relvado do estádio do Sporting. Toda a gente viu que a equipa jogou nesse relvado com o Benfica e com os russos e que o Benfica e os russos ganharam porque para eles o estádio – por um fenómeno inexplicável – foi outro, sei lá, tipo o do Estrela da Amadora, que levou uma relva nova aí há uns tempos, relva que até ficou famosa.
Caneira pode queixar-se de a relva não servir para a equipa do Sporting. Quem sou eu para não aceitar isso? Logo eu, que não me canso de dizer que ele, Caneira, não serve para a equipa do Sporting.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

O regresso de Liedson

Regresso, já se vê, no Setúbal – 0, Sporting – 3 (Liedson, Nani, Liedson), de Sábado à noite. Mesmo assim, com três a zero, continuo a achar que a época acabou. Claro que gostei de ver a equipa sem Polga e sem Custódio (que ainda acabou por dar as caras na parte final, mas faz de conta que ninguém deu por isso). Caneira lá andou (mas também não havia mais nenhum disponível para o lugar) e Ricardo, enfim, esse já se sabe que vai jogar sempre enquanto não for vendido a algum clube mais distraído.