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domingo, 9 de agosto de 2009

As capas dos livros (3)

Do romance «Até Acabar com o Diabo», de 1998 (edição Pergaminho).
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Dizem que há pessoas que não fazem falta nenhuma ao mundo, que costuma haver pelo menos uma pessoa dessas em cada terra. E quando não há, dizem também, logo o destino se encarrega de a fazer chegar, por uma razão qualquer, ou até sem razão nenhuma. O Diabo era uma dessas pessoas, é o que quase toda a gente pensa, e se não fosse o mau-cheiro que lhe começou a sair da boca algumas horas depois de o burro ter entrado no café do Compadre Sabiniano, se não fosse por isso, nem teria valido a pena perderem tempo a enterrá-lo.
– Exactamente, senhora Domingas!
Um dia, logo pelo começo da manhã, Francisco fez-lhe uma espera em cima de um sobreiro. E quando ele passou montado no burro saltou-lhe para as costas e espetou-lhe uma faca de matar porcos na cabeça.
– Espetei-lha muitas vezes, senhor doutor, pelo menos umas dez vezes. Fui-lhe furando a cabeça sem ligar aos gritos que faziam levantar das árvores a passarada toda. E fiquei naquilo até o burro me atirar ao chão e desaparecer pelo caminho abaixo, com o filho da puta de rojo agarrado ao rabo.
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sábado, 8 de agosto de 2009

As capas dos livros (2)

Da novela «Os Abençoados Fiéis do Senhor S. Romão», de 1997 (edição Pergaminho).
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O Senhor S. Romão foi encontrado na Umbria, dentro de uma sementeira de favas. É um achado tão velho que até a mulher que o fez já morreu e agora ninguém se lembra de como se chamava ou de como era a sua figura. Diz o povo que a ela Deus se encarregou de lhe arranjar um lugar bom para a alma, e isso deve ser certo, porque os sacrifícios em favor do divino têm fama de vir a receber compensações depois da morte. O Céu, como apregoa o senhor abade Simão Agostinho, é só para quem o merece, e da mulher que um dia deu com o Senhor S. Romão pode-se dizer à confiança que está nessa conta.
Sempre tem sido muito falado o que ela passou com o santo, depois de o ter trazido aqui para a igreja do Alferce e de o ter colocado no altar maior. Ele desapareceu em menos de nada, e isso foi uma coisa que deixou toda a gente de boca aberta e sem saber o que pensar. Mas passado um tempo a mulher voltou a encontrá-lo nas ditas favas e tudo voltou ao princípio. De novo o levou para a igreja, de novo ele fugiu, e assim foi de novo em novo até que um belo dia assilhou. Da igreja não mais saiu, descansou a mulher, comeram-se as favas e o povo orou.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

As capas dos livros (1)

Já velhinha, quase com 13 anos, a do livro de contos «Quando o Presidente da República Visitou Monchique por Mera Curiosidade» (edição Pergaminho).
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Pedro Aquilino chegou a Monchique a meio de uma tarde cálida de Agosto. Nem o calor nem o mau-cheiro do cadáver do elefante, que continuava abandonado à entrada da vila, o fizeram retroceder. E assim foi recebido nos paços do concelho pelo novo presidente da câmara. O antigo, de quem já ninguém se lembrava, resolveu dar sinal de si e voltou a mandar papelinhos por baixo da porta, desta vez com saudações democráticas.
– Ah, têm dois presidentes da câmara! – comentou Pedro Aquilino. – E nem assim arranjaram tempo para mandar enterrar o desgraçado do elefante!
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