sexta-feira, 2 de março de 2007

Académica e Aves


Sporting – 2 (Liedson), Académica – 1. Lá continuamos a ver se com a Taça de Portugal depois dá para dizer que a época fica salva. Não me parece que ganhar a taça sirva de grande desculpa para as asneiras do campeonato, mas enfim, sempre é a Taça de Portugal. Deste jogo, de que não consegui ver a segunda parte, mas sobre a qual li alguma coisa, parece-me que a ideia que fica é a de uma inversão do que é habitual na actuação do Sporting, com a primeira parte sem aflições (que chegaram na segunda), ao contrário do que é habitual. Nota ainda para o facto (relevante e provavelmente inspirador para a equipa) de o capitão (?) Custódio nem no banco se ter sentado. Quanto ao Aves, deixo a seguir o que escrevi depois do jogo da última sexta-feira (empate a zero)…
Das últimas viagens de regresso a casa, do escritório de Lisboa para Montemor, a de sexta-feira à noite terá sido das mais irritantes. Foi a ouvir a primeira parte do jogo do Sporting com o Aves, sabendo o que seria mais provável que acontecesse, que a equipa emperrasse e depois do intervalo, já comigo em casa, desse para ver o jogo como que do início, na televisão; e talvez o Sporting, mesmo atrofiado, ganhasse, nem que fosse apenas por um golo ou dois, ajudado pelo árbitro ou não. Por mais mal que as coisas estivessem, não me parecia possível que uma equipa que se tem apresentado muito limitada, como o Aves, pudesse causar um problema tão grande como aquele que causou. Ainda por cima com um treinador que lá vai sempre fazendo o discurso vazio de que é preciso acreditar, lutar e mais uma série de palavras igualmente vazias (com o tempo a passar e a equipa a não fazer pontos), um treinador que ainda teve a lata de dizer que não ia jogar tão defensivo como o Chelsea no campo do Porto na última jornada da Liga do Campeões – asneira com que também se saiu Jaime Pacheco, isto quando o Chelsea na maior parte do tempo dominou completamente o Porto e ficou a sensação, por vezes, de que só não ganhou porque não quis, enquanto que o Porto para empatar, e até para ganhar, porque também poderia ter ganho, precisou de jogar nos limites. Mas adiante… O treinador do Aves saiu-se com a asneira de se meter a comparar o seu clube com o Chelsea, ele que há muitos anos, mais de vinte, quando apareceu no mundo da bola, precisamente por fazer subir o Aves à então denominada primeira divisão, uma vez deu uma longa entrevista creio que à extinta «Gazeta dos Desportos» em que fazia afirmações, no mínimo, estranhas, sobre as quais dizer que estava com a mania das grandezas era pouco. Uma dessas afirmações, lembro-me, era de que na tropa já havia uns superiores que quando o olhavam diziam que ele tinha qualquer coisa de especial e que haveria de chegar longe; enfim, não terá sido exactamente com estas palavras, mas terá andado perto. Bom, o Aves empatar em Alvalade, e ainda por cima com este treinador, não me parecia possível. Mas vejamos melhor as coisas. O problema do treinador… Se fosse assim o Benfica não teria ganho nas calmas em Alvalade com Fernando Santos a treinador. E outra comparação, o discurso para o futuro do treinador do Aves, sem que a equipa passe da cepa torta... Não é o mesmo discurso de Paulo Bento, aquelas tretas de lutar, dos objectivos e mais uma data de coisas metendo pelo meio a tranquilidade (como Fernando Santos mete a expressão «na realidade», que até rima)? E a equipa? Será que eu estava a ver bem as coisas ao pensar que a do Aves era limitada? Repare-se na equipa inicial do Sporting frente ao Aves. Tire-se os bons jogadores: Liedson, Nani, João Moutinho, Yannick e Miguel Veloso. Tire-se ainda Bueno e Ronny, que estão uns furos abaixo mas sabem jogar à bola. Vejamos os outros, que ainda são quatro e podem fazer a diferença. Ricardo, o Ricardo certinho, de uma boas defesas de vez em quando, de uns penalties defendidos quando o rei (ou a rainha de Inglaterra) faz anos. Será que Ricardo é melhor do que o guarda-redes (Nuno) que o Aves apresentou? Duvido muito. Caneira, o jogador que até faz uns cortes e atrapalha os adversários se não for para correr muito, mas que não tem a mínima ideia do que fazer se for preciso construir uma jogada de ataque pelo seu corredor. Será que algum dos defesas do Aves, por exemplo o lateral direito, que creio se chama Anilton e de quem eu nunca tinha ouvido falar? Polga, o desportista que se enganou na modalidade. Será que é melhor do que algum dos defesas do Aves, por exemplo Sérgio Nunes? Não tenho duvidas de que não. E o capitão (?), o impressionante capitão (?) Custódio, impressionante, explico, porque nunca o Sporting terá chegado a este descaramento (de quem decide) de ter como capitão, em toda a sua história, um jogador tão lento e desleixado, com tiques de vedeta que sabe que não se deve esforçar muito. Comparar Custódio com quem no Aves? Com Filipe Anunciação, por exemplo? Nem vale a pena comparar. Custódio, que pela sua postura na equipa lembra-me um dos bonecos da Marvel, o enérgico Capitão América, só que ao contrário, uma espécie de Capitão Amélia capaz de enlear qualquer equipa em que o ponham a ver se faz de capitão. Ou seja, eu admito que estava a ver mal quando pensava que o Sporting de qualquer maneira ganhava ao Aves. Misturando estes quatro problemas da equipa com os craques e mais Bueno e Ronny, pode muito bem dar uma coisa parecida com o Aves. E o empate, por isso, até era um resultado possível.
Claro que tudo isto que coloquei neste longo parágrafo são pormenores. Bastaria que houvesse dirigentes verdadeiramente profissionais e com capacidade de liderança, com dedicação e empenho, para que não permitissem estes desequilíbrios gravíssimos na equipa que é a principal bandeira do clube. Repare-se no que pode acontecer no caso de Nani, por exemplo… No dia do jogo com o Aves, saiu nos jornais a notícia de que afinal o ordenado dele não chega a três mil contos por mês. Muitas pessoas gostariam de ganhar o que ele ganha e que mesmo assim acha pouco? Mas a comparação a fazer não é essa. O que se pode perguntar é: será justo que se pague muito mais, mas mesmo muito mais, a jogadores como aqueles quatro de que falei e deixar assim um verdadeiro craque, ainda por cima bastante jovem… Na sexta-feira à noite, algum dirigente do Sporting poderia ter perguntado isso a um jogador do Aves (Artur Futre) que ele ter-lhe-ia explicado que não e até lhe citaria o exemplo de um tio dele que acabou por mandar o Sporting à fava no final da adolescência porque ganhava cinquenta contos, não sei quantas vezes menos do que alguns colegas que estavam a anos-luz do talento dele.
Penso que nesta altura só poderia haver a solução de os dirigentes controlarem as coisas, mas esses são o que toda a gente sabe e deles não se pode esperar nada. O treinador, Paulo Bento, não me parece que seja de considerar para esta discussão. Tenho achado desde a sua entrada na equipa principal que é um bom treinador para o Sporting, mas começo a duvidar disso. Não vejo nenhuma sensibilidade para os problemas de agora, como teve por exemplo para os da disciplina, quando mostrou alguma fibra. Mas agora mostra que ao mesmo tempo também é fraco, sobretudo nas conferências de imprensa, que enche de banalidades e de reflexões que deveriam ficar para ele e para a equipa. E há as apostas na mediocridade, e coisas lamentáveis como aquilo de se meter a responder ao outro que antes treinava o clube e de que já pouca gente se lembra, ou de ter ficado traumatizado com a rábula que sobre ele fez o líder dos Gato Fedorento. Além de, depois de pensar um pouco, eu ver que o discurso dele afinal é igual ao do treinador do Aves. Não sei, não tenho a certeza de isto que vou escrever ser justo ou não, mas talvez fosse altura de Paulo Bento pensar na hipótese de se demitir. Mas depois, com a equipa (?) de gestão (??) que o Sporting tem, o que poderia acontecer? Quem iria essa equipa arranjar para fazer de treinador? No fundo, a pergunta a que eu não consigo responder é mais terra-a-terra. Como, vendo as coisa do ponto de vista do adepto, poderá ser possível ter o Sporting a jogar só com bons jogadores? Como ter a equipa a entrar em campo com um guarda-redes de alto nível que defenda o que é defensável e de vez em quando segure até algumas bolas impossíveis? Como entrar em campo com uma defesa em que não apareça a mediocridade de Polga e de Caneira? Como deixar de emperrar à volta, imagine-se, do próprio capitão da equipa?

1 comentário:

Carlos disse...

Eis o problema! Mesmo que o PB se devolvesse ao juniores ou tentasse fazer-se coom treinador num clubito qualquer, de quem se lembrariam os génios da gestão do Sporting para o lugar?...
E como é de gestão, uma sugestão: compare os projectos alardeados pelo Roquette há 12 anos, e os resultados que garantiam, com os actuais projectos e o que visam alcançar. Sempre a promessa deste mundo e o outro, sempre o memso resultado, os meios é que são inversos...
Abraço
CL