sexta-feira, 11 de abril de 2008

Isso de ser editor

Nelson de Matos numa entrevista de hoje (da autoria de Hélder Beja), no semanário «Sexta»…
As pessoas que hoje detêm editoras estão mais vocacionadas para o negócio [do] que para a literatura?
Da minha geração ainda há alguns editores em Portugal. Mas somos uma geração em extinção. O mundo moderno não se compadece com o vagar que é necessário para construir uma relação com o autor. Hoje os editores nem sequer lêem os textos. Na maior parte dos casos, o título publica-se porque o autor tem um programa de televisão, é jornalista, é político, é tudo menos escritor. As exigências das organizações empresariais que hoje são as editoras já não se compadecem com esta situação. Esse trabalho só pode continuar a ser feito das pequenas iniciativas de edição que têm a figura do editor muito preservada.
Fala de autores que não são escritores. As editoras devem publicar livros apenas com interesse comercial?
As editoras actualmente quase só fazem isso. Quando surge algo em que não há certeza de que vai ter vendas, hesitam em publicar. Não tenho nada contra isso. Um colega dizia:
É preciso publicar o que dá para poder publicar o que não dá. É muito verdade. O que se tem que fazer é não misturar as águas, não enganar os leitores. Trabalhar com cuidado e com seriedade. Não se pode, por exemplo, publicar a Carolina Salgado ao lado de José Cardoso Pires.

4 comentários:

Luís Graça disse...

Toda a gente sabe o que o Nelson disse, mas é bom ouvir da sua boca.

Luis Eme disse...

Espero sinceramente que ele faça mesmo isso, como editor, António... que não seja apenas uma entrevista...

Manuel Leão disse...

António:

Permita-me uma correcção.
Apesar de tudo, ninguém publicou a Carolina Salgado. Publicou quem escreveu o que ela quis que escrevesse.

Senão, aquilo seria verdadeiramente impublicável. O assassinato da Língua, seria mil vezes mais grave do que o Apito Dourado. «Penso eu de que...».

Um abraço.

Hélder Beja disse...

E, pelos vistos, o Nelson está a cumprir a promessa. Os livros até agora editados não o envergonham. Pelo contrário.
Cumprimentos,
Hélder Beja