segunda-feira, 7 de abril de 2008

Animais de «O que Entra nos Livros» (2)

Foi uma parte bem pequenina de um segundo, uma parte ínfima em que consegui fugir dos pensamentos dos silos de cereais transformados em naves espaciais na planície alentejana, e então percebi o perigo do cavalo. E percebi a impossibilidade de travar a tempo, como se isso estivesse escrito nalgum livro de uma repartição esquecida dos arquivos do Estado capaz de escapar à voracidade de todas as reformas públicas, das apregoadas de boca por um qualquer político standard ou até de alguma que fosse mesmo a sério. Como se estivesse escrito que eu não conseguiria evitar o choque, e sabe-se lá com que consequências para mim. Um bocadinho de segundo, e o cavalo à frente do carro, depois de saído nem eu sabia de que escuridão. Um cavalo preto como essa mesma escuridão que começava logo a seguir às bermas.

1 comentário:

Luís Graça disse...

Assim de repente parece um Rottweiller, pela pelagem.