quinta-feira, 19 de março de 2009

A quinta frase

Resposta a este desafio do João Carvalho no «Delito de Opinião», onde também participo. É mais uma corrente do mundo dos blogs, a quinta frase da página 161 do livro que ando a ler; uma corrente, já agora, que não permite a entrada do meu último romance se por acaso alguma das pessoas desafiadas estiver de volta dele (tem apenas 139 páginas).
O livro chama-se «Com os Holandeses» e foi escrito por um senhor chamado J. Rentes de Carvalho. A quinta frase da página 161 é esta: «Um conhecimento mesmo superficial da universidade holandesa permite essa constatação imediata: as Letras são nela um luxo.»
Deixo o desafio à Adriana, ao Zé Carlos, à Rute, ao Manuel e ao Luís.
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2 comentários:

jcb disse...

Meu caro António: não sabe o quanto fiquei feliz por se lembrar da Casa de Cacela… E é com todo o gosto, portanto, que respondo ao desafio. Mas como, por mais umas semanas, é minha intenção que o blog só tenha poemas (amanhã posso pensar diferente), deixo a resposta ao seu repto (eia…, não me lembrava de escrever esta palavra) aqui mesmo, na caixa de comentários. E então é assim: nos últimos anos, e não digo isto propriamente com orgulho, leio quase sempre os mesmos dez ou doze livros. E o que tenho entre mãos é um desses – que já li umas poucas de vezes. É um livro precioso que tem por título “Pitões das Júnias – Esboço de Monografia Etnográfica”, da autoria, imagine-se, de um algarvio de Querença. Na página 161, leio: «As lojas são três e vendem de tudo: bebidas, tabaco, utensílios de cozinha, roupa, calçado, produtos de mercearia. A mais frequentada de todas é a do tio Albino, onde se beberrica ao balcão e homens e mulheres põem em dia assuntos de vida quotidiana, com o aplauso e a maledicência do costume. Há os que passam e os “aficionados”, poucos, que aí gastam as melhores horas do dia, saturados de álcool. Junto da porta, voltada a poente como a das igrejas, em espaço abrigado, aquecem-se velhas ao sol de Inverno, falucando, fiando na roca, fazendo na meia. E não há quem se livre do gume cortante de suas línguas.» A quinta frase da página 161 está, algures, neste parágrafo. E por este parágrafo se compreende como muita da nossa melhor literatura -- neste caso com a pena de Manuel Viegas Guerreiro -- não está necessariamente nos livros de ficção. Gostaria de repetir, para que se compreenda bem o que, em meu entender, é literatura da maior: «... aquecem-se velhas ao sol de Inverno, falucando, fiando na roca, fazendo na meia. E não há quem se livre do gume cortante de suas línguas.» Um abraço. jcb.

d.e. disse...

António,
Obrigado por me ter incluído na corrente. Não sei se lhe darei continuidade, mas à cautela aqui fica a melhor quinta frase que encontrei nas páginas 161 das minhas últimas leituras:
"Malagrida causava nas mulheres aquela espécie de arrebatamento que elas buscavam na religião para substituir o erotismo."
(Hélia Correia, "Lillias Fraser", Lisboa, Relógio d´Água, 2001.)
Grande abraço,
Manuel Nunes