domingo, 21 de maio de 2006

Hulohot, o português de Dan Brown

Há um português no último livro de Dan Brown que foi publicado por cá (Bertrand, Março de 2006). Em «Fortaleza Digital» (que é do século passado – 1998 –, anterior ao «Código da Vinci» e também ao romance onde apareceu pela primeira vez o professor de simbologia por quem agora Tom Hanks dá a cara no cinema) aparece um tal Hulohot, tipo perigoso, com várias mortes no currículo e sabe-se lá o que mais. Pela lógica que Brown segue com muitas das outras personagens, Hulohot deve ser o apelido da criatura. Talvez se chame João Miguel da Silva Hulohot, ou André Eduardo Hulohot e Castro. Ou outra combinação. «Com quarenta e dois anos, o mercenário português era um dos profissionais preferidos do comandante. Havia anos que trabalhava para a NSA. Nascido e criado em Lisboa, Hulohot trabalhara para a NSA um pouco por toda a Europa. E nunca ninguém conseguira relacionar as suas acções com Fort Mead. O único senão era o facto de Hulohot ser surdo, o que impossibilitava as comunicações telefónicas.» (pag. 354)
Hulohot foi incumbido de fazer uns servicinhos em Sevilha a mando do tal comandante, o director-adjunto de operações da NSA. Fala em castelhano, mas talvez seja do calor andaluz. «– Soy Hulohot – disse o assassino. As palavras, deformadas, pareciam sair-lhe das profundezas do estômago. Estendeu a mão. – El anillo./ Becker ficou a olhar para ele, confuso./ O homem meteu a mão no bolso e tirou de lá uma arma. Ergueu-a e apontou-a à cabeça de Becker.» (p.304) Becker é David Becker, um professor de literatura que namora com a protagonista do romance. Também foi mandado para Sevilha, sem sequer imaginar no que se ia meter.
Bom, o namorado da protagonista acaba por escapar ao mercenário português, mas este não desiste e vai atrás dele, numa perseguição que tem lugar nas ruas apertadas da zona da Giralda. Hulohot vai de arma em punho, vendo a presa através dos seus óculos cujas lentes são, do lado de dentro, o ecrã do computador que tem adaptado ao peito – por arma em punho, os dedos do punho que a segura, e os do outro punho, esses dedos servem de teclado. Tecnologia norte-americana implantada em mão-de-obra portuguesa.
A perseguição continua. A certa altura, a rua em que decorre começa a ficar mais estreita. Becker parece perdido. O português surdo está confiante… «As paredes apertavam-se de ambos os lados. A passagem encurvava. Procurou [Becker] um cruzamento, uma intercepção, uma saída. A passagem estreitava. Portas fechadas. Mais estreita. Portões fechados. Os passos [do terrível Hulohot] aproximavam-se. Estava [Becker] num troço a direito. E, de repente, a rua começou a subir. Cada vez mais íngreme. Sentiu [Becker] as pernas fraquejarem. Estava [Becker] a abrandar./ E então aconteceu./ Como uma estrada a que tivesse faltado o financiamento, a viela acabou. Havia uma parede elevada, um banco de madeira e mais nada.»
Rima e tudo, mas é da tradução. Já a imagem da estrada com falta de financiamento, essa deve ser mesmo de Brown. Quase tão surpreendente como o português Hulohot.

3 comentários:

Luís Graça disse...

Se estás à espera que eu leia o livro, podes tirar o cavalinho da chuva, ó António.
Hei-de ver o filme e é porque gosto muito do Tom Cruise (como actor) e da Auderey Tatou (como actriz...e não só, principalmente depois de a ver bastante desnuda em 'Um longo domingo de noivado').
Felicidades para o blog.
Espero que te dê 90% de prazer e 10% de chatices. Se as chatices passarem desta cifra não vale mesmo a pena.

Luís Graça disse...

Tom quê?
Obviamente...Tom Hanks!

Jay City disse...

Este livro é a fortaleza digital não o codigo da vinci ambos do mesmo autor (o filme é codigo da vinci, nao a fortaleza digital)