segunda-feira, 25 de maio de 2009

Revista «human» de Junho

(clicar na imagem para aumentar)
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Nas bancas a partir desta terça-feira, dia 26. Na capa, o líder da YDreams, António Câmara, entrevistado a propósito de um livro que acaba de publicar, «Voando com os Pés na Terra». Mais informações sobre a edição aqui. Deixo a seguir o meu editorial…
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O luxo de voar
António Câmara, o líder da YDreams, publicou por estes dias um livro com as crónicas que nos últimos anos foi escrevendo para jornais e revistas. É uma edição da Bertrand, com o título «Voando com os Pés na Terra». É ele o entrevistado principal deste número da «human», e logo na primeira resposta que nos deu diz que se pudesse escolher preferia que o título fosse apenas «Voando». O título não seria tão bom, obviamente, mas ele explica: «Nos últimos 10 anos, em que tenho estado à frente da YDreams, percebi que é preciso ter algum realismo. Em Portugal o realismo está muito associado à ideia de ter os pés na terra, é um realismo miserabilista, e por isso sempre me irritou, e irrita. Mas é preciso uma combinação entre o voar e os pés na terra, Cheguei a esse compromisso na minha filosofia de vida. Se pudesse ter esse luxo, só voava.»
Se não concordo com a ideia de alteração no título do livro, já com a explicação não posso deixar de concordar. Eu se pudesse também só voava e talvez então nem sequer me lembrasse de que isso poderia ser um luxo. O luxo de voar. Talvez esta expressão também desse para título do livro. Porque o seu autor, mesmo com os pés na terra, mesmo assim voa. Para longe, para muito longe, como se depreende a cada momento na entrevista, cuja leitura é imperdível. Não fora essa capacidade de voar e decerto não conseguiria ver o futuro de uma forma tão clara que lhe permite comentá-lo com o à-vontade com que um historiador discorre sobre o passado. Por isso colocámos na capa desta edição, junto ao nome de António Câmara, o título «um olhar sobre o futuro».
E em relação ao futuro, não avançando muito, indo apenas até 2015, quando a «human» já tiver passado do número 80, o nosso país será «o local mais vibrante para viver, estudar e trabalhar no continente europeu». É o que António Câmara escreve no livro, na página 122. António Câmara, um «optimista incorrigível», como se classifica. Eu não me considero tão optimista, nem tão incorrigível, mas enquanto lia a entrevista senti-me tentado a acreditar que o nosso país, um dia, não sei se um dos de 2015, poderá ser mesmo o local mais vibrante da Europa. Um líder inspirador, é o que me parece ser António Câmara. Com tantos maus exemplos nos líderes de cá, este caso do autor de «Voando com os Pés na Terra» não pode deixar de ser considerado um luxo. Talvez tanto como o luxo de voar.

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À volta da barragem (1)

(início da série)
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O fim

O jogo final – Sporting 3 (Derlei 2, Romagnoli), Nacional 1 – do campeonato, com dois pontos recuperados ao Porto. O segundo lugar pela quarta época consecutiva, provavelmente a ambição maior do incompetente presidente que felizmente está quase a abandonar o clube depois de um percurso que devia envergonhá-lo (pela forma desleixada, ligeira e distante que foi sempre a sua marca). A luta pelo título de campeão nacional fica uma vez mais para o ano, como ultimamente tem vindo a acontecer. Vamos ver que rumo trará o novo presidente, ou Paulo Pereira Cristóvão, cujas ideias me agradam mas de quem pouco conheço, ou José Eduardo Bettencourt, que me parece uma pessoa com valor mas que aparece na corrida pela presidência marcado pelas más companhias da sua lista, gente que tanto tem desprestigiado o clube nos últimos anos, gente que tem participado na delapidação do património, gente que é capaz das afirmações mais inacreditáveis para um sportinguista, como aquela de perder em casa por cinco a dois com o Barcelona ser «um resultado aceitável».
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sábado, 23 de maio de 2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Três anos

Este blog começou há três anos, a 21 de Maio de 2006.
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Os meninos do caramanchão

Esta manhã, por aqui.
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

António Souto – Crónica (12)

Imagem: Blogtailors
Décima segunda crónica de António Souto, depois desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta e desta. O António mantém uma crónica («Ex-abrupto») no jornal da sua terra («Jornal D’Angeja»). Esta é a da edição de Maio de 2009.
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Desconvergências
Domingo, três. Dia da Mãe, pelo menos aqui, neste nosso luso canto desconvergente. Noutras paragens, outras datas, mas o mesmo fim: lembrarmos e homenagearmos quem nos deu (à) luz. Na minha aldeia, quando criança, não havia o hábito destas celebrações, o dia da mãe era todos os dias, com a mãe. Aprendi tarde o sentido de ser mãe num Dia da Mãe; melhor, compreendi-o apenas quando fui pai. Hoje, com as minhas filhas, embarco nestes devaneios consumistas e, acuso, não há rosas que resistam, com ou sem entendimento.
Domingo, três. Fui à feira do livro, em Lisboa, no Parque Eduardo Sétimo. Pouco passava das treze e trinta e fazia um calor de rachar. Logo à chegada, aos primeiros passos, encontro um amigo jornalista, antigo colega de estudos em Aveiro. Trocámos impressões e algum desapontamento pelo ambiente da feira, muito tíbia, pouco animada. Está bem, com barracas novas, mais agradáveis e, aparentemente, mais funcionais, mas nada que se compare com outras feiras congéneres, aqui já ao lado, basta passar a fronteira, tudo adquire nelas outra dimensão e outra atracção. Adiante! Lamechice nossa, que havia que buscar um(a) caixa multibanco para retirar dinheiro para o almoço. Nada, para cima e para baixo e… nada. Afirmou-me um segurança de turno no espaço Leya que este ano não havia ali nenhuma dessas máquinas, mas que sossegasse, os pavilhões da feira estavam preparados para receber com cartão. Meti as mãos ao bolso e, com os trocos que encontrei, sempre alinhámos por duas bifanas e dois cachorros, que éramos quatro. Diga-se, para abono da verdade, que para além de umas farturas e de uns churros, pouco mais havia para satisfação do corpo (do espírito, sim, milhares de livros). Modernices. Como vingança, decidi nesta primeira visita não comprar nada. Limitei-me a regalar a vista nas capas expostas e a tirar uma foto à minha filha mais velha ao lado do meu amigo escritor, e para os amigos, Zé Eduardo (Agualusa), que sendo nós amigos de há largos anos, ambos praticamente com a mesma idade, ambos com dois filhos com praticamente a mesma idade, teimamos em marcar (informalmente) encontro praticamente todos os anos para não nos deslembrarmos. Até ao fim da feira, querendo o destino, voltarei a ela, com alguma massa no bolso para livros e, quem sabe, para um cafezinho com algum amigo que por ali se ache.
Sábado, dezasseis. Regressei à dita, e o que eu demorei para lá chegar, quase duas horas, tudo por causa da repavimentação de uns quantos metros no nó da Buraca (nome pouco decoroso para garantir a união do IC19 à Segunda Circular). Às dezassete, a Feira fervilhava, gente para baixo e para cima, a impressão era de festa. Cheguei ainda a tempo de desencantar para um café o António Manuel Venda, que autografava, de abraçar o João de Melo, que autografava, de voltar a saudar o Agualusa, que autografava, e de divisar muitos outros escritores que, como aqueles, autografavam também, de um António Lobo Antunes a uma Júlia Pinheiro, que estes lugares têm destes extremos. Desta vez, antes de abandonar o recinto, esbanjei uns euritos para, saciando a fome, trazer um bom punhado de palavras com título. Como um culto.
Sábado, dezasseis. Feira na alta Lisboa, festa na baixa (a mesma etimologia, dissemelhante o sentido). Festa amainada, porém, no Terreiro do Paço, por respeito a Nossa Senhora de Fátima, que de Fátima viera, em imagem, para abraçar pela segunda vez o desterrado filho-Rei, em betão. Grande ajuntamento e fervorosa oração, antes que se fizesse Ela ao Tejo para as grandes e transitórias honras no sopé do monumento almadense. Crenças e devoções.
Sábado, dezasseis, ainda. Em Almada mora um colega e amigo meu. Foi há poucos dias operado à cabeça, no privado. Coisa delicada. Mandaram-no para casa ao fim de cinco dias (!), para recuperar. Estava a recuperar, em casa, em Almada. Regressou de urgência ao hospital, com uma hemorragia, para nova intervenção. Ficou em coma induzido. Enquanto o assistiam, cantavam-se louvores à Virgem, em Almada. Parece que de sua casa ao santuário vai o passo de uma Avé-Maria ou de um Padre-Nosso. Em Almada, aos pés do Cristo-Rei. Descrenças e desvoções. Nossas.
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As minhas aulas de português

A aula de história que se pode ver aqui, bem recente, numa escola do norte, trouxe-me à memória as minhas aulas de português do décimo e do décimo primeiro anos, em meados da década de 80, em Portimão, com uma psicopata chamada Maria Amélia Saraiva (provavelmente a professora mais famosa da região e, por incrível que possa parecer, considerada por muita gente como uma verdadeira sumidade).
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Um anúncio

O livro que estou a acabar de escrever chama-se «O Sorriso Enigmático do Javali». Vamos a ver se fica mesmo com este título. Em princípio sim. Deixo aqui um bocadinho, muito, mesmo muito pequenino…
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Sentiu que o filho lhe dava uma das mãos. Olhou para ele e viu-o como se estivesse mais empolgado do que com medo. Apertou-lhe a mão com força, já a olhar para o javali, que continuava apenas com um olho aberto, um olho a rodar, a ver tudo em volta. E a sorrir.
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

A feira (1)

Foto: Berta Silva Lopes
No penúltimo dia, Sábado, lá fui à feira do livro, a de Lisboa. Estava marcada para as três da tarde uma sessão de autógrafos. Nestas coisas eu costumo pensar sempre se aparecerá alguém, se me conseguirei safar de passar uma vergonha mesmo à frente dos editores. Desta vez nem deu para pensar nisso. Às nove da manhã estava a sair de Lisboa depois de mais uma noite em branco para o fecho da próxima edição da revista. Pensei em não ir a casa e ficar no carro a dormir umas horas, mas logo abandonei a ideia ao perceber num dos espelhos do carro o estado em que estava. Lá conduzi para Montemor, pela estrada nacional, porque pela auto-estrada o mais provável seria deixar-me dormir ao volante. Tive de parar em Vendas Novas para fechar os olhos e encostar a cabeça durante cinco minutos, e à entrada de Montemor a mesma coisa. Depois lá fiz o resto do percurso até casa, pelo meio do montado. Dos javalis, nem sinal àquela hora; só das águias, dos coelhos e dos gatos-bravos. Eram dez e meia quando fui dormir, depois de ter posto o despertador para o meio-dia. Claro que depois não o ouvi tocar e só um acaso fez com que me acordassem por volta da uma. Entre fazer a barba, tomar banho e tentar convencer-me de que as olheiras eram apenas impressão minha, consegui sair de casa pouco depois da uma e meia. Pus-me a caminho de Lisboa, desta vez pela auto-estrada, carregando no acelerador e contando os minutos. Às três e cinco lá estava na feira, no stand da editora. Em jejum. Aceitei um café e recusei uma caipirinha, coisa que naquela zona estavam a oferecer a quem comprasse mais de vinte euros em livros ou, presumo, a quem chegasse para as sessões de autógrafos (porque eu não tinha comprado nada). Mesmo de banho tomado e com a barba feita, não me safei de a primeira pessoa conhecida que apareceu me dizer que o meu ar cansado lhe fazia lembrar vagamente o Lobo Antunes. Assustei-me, mas depois decidi fingir para comigo que se tratava de um elogio.
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Com o campeonato no fim

Com o campeonato no fim, sobre a vitória na Madeira – Marítimo 1, Sporting 2 (Liedson 2) – não há muito a dizer, principalmente por o lugar do Sporting estar definido. De qualquer maneira, honra a Liedson, que tudo resolve. Se tivéssemos dirigentes do nível dele, estaríamos no topo do futebol mundial. Infelizmente, os últimos anos têm demonstrado que não temos, que os dirigentes que tomaram conta do clube são absolutamente deploráveis, ficando inclusive muitas dúvidas sobre se alguns serão mesmo do Sporting.
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Algumas cores do montado (4)

Por estes dias, aqui por perto. Outras cores aqui, aqui e aqui.
(final da série)



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