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sexta-feira, 9 de novembro de 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Uma época diferente para os pequenitos
Está a começar mais uma época de futebol para os pequenitos. É uma época diferente em relação às anteriores, pois pela primeira vez faz-se sentir verdadeiramente a crise. Há clubes que já não conseguem participar com a mesma pujança com que o faziam antes (aparecem com uma equipa por escalão em vez de duas ou até três), e outros que simplesmente desistiram. Há miúdos que já não foram inscritos pelos pais. Já não se pode contar com o tradicional lanche que era distribuído no final, nem mesmo com os autocarros para o transporte. E até nos pequenos campos que são instalados em cada estádio para os torneios se nota faltas no material (uma baliza que fica sem rede, as fitas das marcações a não surgirem com a mesma fartura de antes e por aí adiante). Este pequeno mundo do futebol em que os miúdos se julgam Messis e Ronaldos também está a fazer, se bem que à força e sem períodos de adaptação, o seu ajustamento. Mas eles marcam golos na mesma, muitos, como sempre têm feito. Ontem, os que acompanho, marcaram 19 em quatro jogos (um deles na imagem) – e também sofreram alguns, o que é bom, para não ficarem a pensar que são os maiores.
Observo estas mudanças, como tantas outras na sociedade portuguesa, e não consigo deixar de pensar, entre outras coisas, nas filas de carros para os conselhos (de Estado e de ministros), filas compridas e topo de gama, como antes, como provavelmente para sempre. Circulam depressa, não vá alguém fazer mais do que gritar «Gatunos!», e por isso nem dá para perceber algum ajustamento – uma jante de liga menos leve, uns estofos mais espartanos, um motorista mais pequeno, sei lá, uma coisa qualquer que mostre que ali, naquele mundo tão distante do nosso mundo comum, as coisas também são ajustadas.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Sol (2003-2012)
O Sol. Inesquecível. Quero acreditar que passeia por uma nuvem branca, como aquelas lá ao fundo, tranquilo, feliz, sempre pensativo.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
Corta-cabeças
Geraldo Geraldes, o Sem Pavor, na Aldeia de Valverde (Évora), junto ao lar de idosos e virado para o jardim infantil. Tipo perigoso.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
O Alentejo e a minha ficção
Há muitos, muitos anos –
pode-se dizer que eu ainda era uma criança –, escrevi um livro com um título
muito comprido, creio que com pelo menos umas dez palavras. O título refere a
minha terra, na serra do Algarve, e também a visita de um presidente da
república. Recuando aos tempos da publicação, lembro-me de algumas coisas que
foram escritas sobre o livro, e a verdade é que do apoio da crítica não me posso
queixar. Porque tirando o facto de dizerem que a capa era má, pouco havia a não
ser elogios. Era um livro de contos, e eu gostava dele, gostava e ainda gosto,
mas não tinha pensado que muito mais pessoas – com excepção talvez da minha
mãe, do meu pai, do meu irmão e da minha tia – pudessem gostar. Só que houve
mesmo mais pessoas, pelo menos a julgar pelo que eu ia lendo nos jornais, onde
me apresentavam como um jovem autor algarvio, a juntar a vários elogios aos
contos, alguns bastante chamativos. Tão chamativos que até deu para coisas
como, imagine-se, ser convidado para um programa do Manuel Luís Goucha. Eu fui,
por insistência do editor, e ainda me lembro da primeira coisa que o
apresentador televisivo me disse, em directo, depois de ter levantado os olhos
de uma fotocópia do texto do «Expresso» sobre o livro: «Ah, mas você afinal não
é nada jovem!»
Comecei também a ser
convidado para ir a feiras do livro. E aí notei que o livro já era
relativamente conhecido e que até havia pessoas que sabiam quem era o autor. Lá
uma vez por outra, aparecia quem dissesse que tinha lido uma crítica num
jornal, ou ouvido qualquer coisa na rádio. Mas o mais frequente era o
comentário de que me tinham visto no programa do Goucha. Sabiam que eu era do
Algarve e que os contos eram do Algarve, e que o livro tinha um título muito
comprido, tão comprido que quase nunca o sabiam dizer bem, trocando a minha
terra, que o presidente visitava, por outras como Setúbal, Beja (a mais
frequente) e até, vá-se lá saber por quê, Lisboa.
Era um Algarve interior,
da serra, não o Algarve dos turistas e das praias, mas mesmo assim numa ou
noutra história as personagens aventuravam-se até aí. E isso tinha sido notado em
vários dos textos dos jornais. O que não tinha sido notado era o Alentejo, para
aonde as personagens também se aventuravam e onde nalguns casos as próprias
personagens viviam.
A minha terra fica na
fronteira com o Alentejo. Agora já não acontece tanto, mas da altura em que
escrevi o livro, alguns anos antes da publicação, lembro-me de que ainda havia
entre os mais velhos o hábito de dizer «vou lá abaixo ao Algarve» sempre que
era preciso ir a Portimão, a cidade mais próxima. E se fosse preciso falar em
ir a Sabóia, ou a Odemira, ninguém dizia que ia ao Alentejo. Ia mesmo a Sabóia,
ou a Odemira, como se a minha terra e essas terras do Baixo Alentejo fizessem
parte da mesma região. E na minha cabeça faziam, como ainda hoje fazem.
Tudo isto aconteceu há
muitos anos, num tempo em que eu estava longe de imaginar que haveria de passar
a viver no Alentejo, ainda por cima não numa daquelas terras próximas da minha
mas bem mais acima, no caso em Montemor-o-Novo.
Estava longe de imaginar
que os livros que haveria de escrever iriam até falar muito mais do Alentejo do
que da minha terra, o que faria não ter grande sentido o que depois se haveria
de continuar a dizer, de que eu escrevia sempre sobe o Algarve. Isto talvez
tenha sido um segundo choque, depois do primeiro do apresentador televisivo a
reparar que por mais que me chamassem jovem escritor eu, mesmo ainda na casa
dos vinte, afinal não era nada jovem. Tinha escrito as histórias do Algarve,
como no início tinha havido quem assinalasse (nalguns casos até de forma um
pouco depreciativa), e por isso haveria de continuar com elas, mesmo que escrevesse
sobre outra coisa qualquer. Como se uma qualquer lei obrigasse a isso. Era a
conclusão que eu tirava do que lia.
Tenho de pensar um pouco
para ver os livros que escrevi depois. As suas personagens, os seus lugares…
Confesso que na minha cabeça acabam até por se confundir, conhecem-se inclusive
aquelas que nunca se encontraram numa história ou num capítulo de um romance. E
os lugares… Quem andou por onde? Tenho muitas vezes que pensar. O Largo da
Câmara, em Montemor. Os montados da Serra do Monfurado. O Escoural. As viagens
para Évora pela estrada que passa por São Sebastião da Giesteira. As
deambulações por Évora num dos livros, tantas vezes, para os encontros que como
narrador tive com um estranho livreiro a quem um pequeno demónio dos livros
teimava em estragar o negócio. As viagens para a minha terra, cortando o
Alentejo a direito, para sul, e a imagem que de noite – quase sempre a altura
das viagens – mais vezes me ficava num dos livros: a da aproximação a Ferreira
do Alentejo, pelo lado norte, com as luzes amarelas do casario baixo; e bem no
alto, imponente, o edifício dos silos de cereais com as luzes brancas e azuis
que sempre me faziam lembrar – e ainda fazem – uma nave espacial acabada de
aterrar na planície. Ou preparada para zarpar.
Estas coisas dos meus
livros acabam por estar muito coladas às minhas viagens pelo Alentejo. Eu no
carro – ou para Lisboa, por causa do trabalho, ou para o Algarve, onde vivem as
pessoas de que falei no início, as quatro que eu pensava que seriam das poucas
a gostar do meu primeiro livro, mesmo que fosse só para me darem algum alento.
Muitas vezes, nos livros, o
Alentejo é visto de dentro do carro. Um deles, lembro-me, foi apresentado em
Lisboa na Casa Fernando Pessoa pelo escritor José Eduardo Agualusa. Ele leu um texto,
mas no final não mo deu, por isso recordo apenas duas ou três coisas do que
disse. Numa delas falou em narrativa «borgesiana», adjectivo complicado que
interpretei como um elogio, apesar de eu não ser propriamente o fã número um de
Borges. Outra foi que se notava facilmente estarmos em presença de um autor que
conduzia muito. Eu já sabia, na altura, que ele não costuma conduzir,
preferindo o táxi e o avião. E por isso – lembro-me bem –, durante um momento,
um momento muito, muito, muito breve, tive a ilusão, talvez o sonho, de que
esse comentário, de um escritor tão conhecido e, sobretudo, tão talentoso,
pudesse significar um bocadinho de admiração.
Texto escrito a partir das notas de suporte a uma
intervenção nas «Jornadas Literárias de Montemor-o-Novo» (painel «O Alentejo na ficção», que também teve a participação de Mário de
Carvalho, Rui Cardoso Martins e André Gago)
quarta-feira, 28 de março de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Um regresso
Fecho de mais uma
edição da revista, logo no princípio da semana, e um fecho mais controlado do
que o costume. Mas a chegada a casa praticamente de manhã, mesmo sem as quase
habituais brigadas da GNR a fazerem paragem (normalmente apanho duas, uma em
cada cidade que atravesso), o que dá sempre uns dez minutos cada. Nem foi isso,
talvez por ser noite de segunda para terça e não mais próximo do fim-de-semana,
daí estarem provavelmente todos a dormir, ou de greve, nunca se sabe. Mesmo
assim a viagem demorou, sobretudo pela tempestade que me ia acompanhando pelo
caminho. Quase a chegar, no entanto, já as coisas tinham melhorado e até a Lua
reaparecia, ainda que timidamente, a formar uma espécie de sorriso no céu
escuro. Mas depois, nos últimos quilómetros, há a estrada de terra no meio do
montado. Conduzi devagar, não por causa do piso mas pelas correrias dos javalis
àquela hora. De onde menos se espera pode sair um. Ou cinco. Ou dez. Cada vez
parece haver mais javalis, não sei se por causa da crise e de alguma
especificidade sua que faça com que se adaptem bem a estes tempos. São eles e
os anormais da política (sobretudo os reformados logo na casa dos quarenta, ou
até dos trinta, que agora parecem ser mais do que as mães). Com as lebres
também é preciso atenção na última parte do percurso pelo montado. E com as
ginetas e os escalavardos. Mas as luzes dos olhos normalmente denunciam-nos ao
longe, enquanto com os javalis (que andam sempre de fuças no chão, a chafurdar
– na prática como acontece na política), com os javalis é diferente. Mas enfim,
lá acabei por chegar a casa. Estacionei na zona dos carros, ainda fora do
monte. E de repente fui surpreendido por algo mole em que dei um pontapé.
Pensei numa lebre, embora no escuro não visse mais do que o próprio escuro, sem
um sinal que fosse das duas luzes dos olhos a brilhar. Mas não, não era uma
lebre. Nem um dos gatos do monte, que esses sim às vezes aparecem a enroscar-se
nas pernas. Instintivamente apanhei o que tinha pontapeado, no preciso momento
em que começava uma música divertida. Ali no escuro, com as casas a aparecerem
recortadas na claridade de uma das lâmpadas, eu segurava o volume de onde saía
a música. E só com a luz do ecrã do telemóvel consegui perceber. Não era na
cabeça redonda de uma lebre que eu segurava, nem na cabeça redonda de um gato.
Era numa bola. Uma dos meus filhos, agora mais usada pela bebé (que em vez de «bola»
ainda só diz «bó»). De certeza que a bebé a tinha largado ao princípio da
noite, à chegada. Quando entrei em casa fui remexer as brasas que ainda
resistiam na lareira. Ganharam de repente uma enorme vivacidade. E o calor
instalou-se por ali. Deixei a bola por perto, a secar da chuva da noite.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Domingo à tarde
Domingo à tarde. Arranjar as valas por aqui, por causa das
chuvadas do Inverno. É um trabalho um bocado complicado, mas vale a pena. Como
o trabalho na empresa, que tem alturas em que também é complicado, duro mesmo,
especialmente os fechos de edições pela noite dentro, seja de que projecto for
- dos nossos ou dos de clientes. Nessas alturas, pelos exemplos que vejo em
Portugal, já tive momentos de me passar pela cabeça a ideia de que se tivesse,
há muito tempo, ido roubar para a política levaria agora uma vida descansada.
Procuro sempre afastar essa ideia com todas as minhas forças. Pela vergonha que
seria, obviamente.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Os javalis pequenos saíram à noite
Enquanto Pedro Passos Coelho anunciava mais medidas de
austeridade, eu estava a trabalhar (mais umas duas horas e não a meia hora da
treta que ele anunciou). Só o ouvi depois no carro, de regresso a casa. Foi poucos
minutos a seguir a ter parado no meio do campo por causa dos javalis pequenos,
que parece que escolheram esta noite para uma saída geral (tentei apanhar
alguns com o telemóvel, mas não saiu grande coisa porque uma mão tinha de estar
sempre no volante para direccionar a luzes). Depois, já mesmo a chegar, ainda
dei com o texugo gordo do montado (que não via há meses), mas esse até ao
telemóvel conseguiu escapar, correndo de forma atabalhoada e com as banhas aos
saltos. E ao estacionar o carro, não sei por quê, liguei o rádio. Lá estava o
tipo a anunciar as medidas, pesaroso. É melhor ser pesaroso do que ser
mentiroso, acho eu. Nos primeiros anúncios, mal chegou ao governo, passou por
mentiroso, depois do que tinha apregoado na campanha, onde até uma adolescente
de uma escola teve a lata de enganar. Agora é diferente. Já não se trata de
mentiras. Anunciou, está anunciado. Presume-se que não tinha feito promessas
para 2012 ou para 2013, apenas para 2011. E portanto, agora, anunciou. Apareceu
então pesaroso, apenas isso. Deve ter percebido que um primeiro-ministro não
deve mentir, até deve ter percebido – arrisco – que qualquer pessoa não deve
mentir. Fico agora a aguardar pelos novos modelos de carros que os membros do
governo e outros parecidos vão passar a usar. Não creio que no estado em que o
país se encontra possam continuar com Mercedes e BMWs de alta cilindrada, como
os que hoje vi de um lado para o outro junto à Presidência do Conselho de
Ministros. Certamente irão trocar por outros, e nalguns casos abolir o direito
a carro. Os que mantiverem esse direito, espero que não usem mais do que
utilitários. Um Fiat Punto para secretário de Estado, uma coisa um bocadinho
acima para ministro. Não vai cair a ninguém nenhum parente na lama, quase de
certeza. Se cair, enfim, que se levante.
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
À mesma hora
Com o telemóvel a tremer, numa pista algures no Alentejo, esta noite. À mesma hora em que na televisão, presumo, havia quem discutisse os impostos, as falsas promessas, os sonsos, as mentiras, o 25 de Abril da economia, as idas para a rua, o desleixo, as facturas que afinal foram pagas, os espiões, as ligações brasileiras, os aventais, a Madeira, a insensibilidade, um olhar vesgo e impassível, as troikas, os bancos, as baldroikas, os cortes, os tachos e até, entre tantas outras coisas, como não poderia deixar de ser numa segunda-feira à noite, o futebol.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
Logo de manhã
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