quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Os ricochetes

Depois do Sporting 1 (Purovic, sem saber bem como), Estrela da Amadora 0, para a Taça de Portugal, talvez eu devesse retirar algo que já aqui escrevi sobre o jogador (?) montenegrino. Não aquilo de ele representar a indigência futebolística, digamos assim, em toda a sua plenitude, mas outra coisa: aquilo de a equipa do Sporting com ele jogar apenas com dez jogadores. Talvez não seja assim, e a comprová-lo está o golo que marcou sem saber bem como ao Estrela da Amadora, com um defesa adversário a cabecear a bola contra a cabeça dele para ela ir depois entrar na baliza. Ou seja, depois de Purovic ter entrado para o lugar do lesionado Liedson (e convenhamos que foram imagens muito estranhas, aquelas de Liedson a sair e de Purovic a entrar), não foi jogar com dez jogadores apenas; foi jogar com dez jogadores e mais uma pessoa em quem a bola pode sempre, assim de repente, por um capricho do destino, fazer ricochete e dar golo. Que venham então os ricochetes, de cada vez que Paulo Bento perder a cabeça e o fizer entrar em campo!

Escritores no meu romance (38)

Elly Welt, Estados Unidos
… dia em que o assistente hospitalar de cirurgia o anunciou como o alemão que acabava de chegar do McGill, que o mágico velhinho se apercebeu de que tinha vivido num permanente estado de depressão desde que a guerra acabara.
(excerto de «O que Entra nos Livros», página 148)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Mais de uma hora por dia

Num tempo em que os gestores (?) do Sporting revelam tanta incompetência para o trabalho que se espera de verdadeiros dirigentes de um clube desportivo (para uma sade a verdade é que não sei), nunca é de mais recordar uma decisão feliz tomada há muitos anos por pessoas que seguramente dedicavam mais de uma hora por dia ao clube.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Sobre Zapatero

Ontem teve lugar o debate entre os dois principais candidatos à liderança do governo de Espanha. Curiosamente, hoje de manhã estive a traduzir o artigo do meu amigo Manuel González Oubel da próxima edição da revista «Pessoal». Eis algumas das coisas que desta vez ele escreve sobre Zapatero:

(…)
A falta desse «algo» – desse guarda-chuva em forma de projecto nacional com o qual se podem identificar todos os espanhóis – pode apenas gerar a «gestão por ocorrências e minudências» a que nos tem habituado nos últimos anos o presidente do actual governo de Espanha, José Luis Zapatero. Entre as suas ocorrências está a ruptura do consenso básico que surgiu com a Constituição de 1978, a provocação contínua a 50% de cidadãos que pensam de forma diferente (ressuscitando continuamente o fantasma das duas Espanhas irreconciliáveis), o balão de oxigénio dado aos terroristas da ETA e a negociação com os mesmos de contrapartidas políticas, o facto de governar aliado com nacionalistas radicais e ainda o saque fiscal a trabalhadores e reformados (com impostos directos e indirectos que são completamente abusivos).
Também está entre as ocorrências e minudências do governo de Zapatero gerir e legislar em benefício dos amigos – a OPA da Endesa, o assalto ao BBVA, o Estatuto da Catalunha (a cujo referendo afluiu menos de 50% da população catalã), a mentira sistemática ao povo e no parlamento (negando que continuou a negociar com os terroristas depois do atentado no aeroporto de Barajas) ou a última, a do cheque de 400 euros para cada espanhol se ganhar as eleições (dinheiro, já se vê, arranjado previamente através da espoliação de reformados e trabalhadores). Além, é claro, de um longo etcétera de outras minudências.
(…)
As pessoas parecem «idiotizadas» sob o signo da imposição e da manipulação em que dão cartas todos esses «anões» da política ou um grupo significativo deles que existe no mundo dos negócios. A manipulação, a mentira e a falta de comunicação autêntica em duplo sentido e em todas as direcções é muito rentável para os políticos que nunca fizeram nada na vida, como é o caso de Zapatero e de muitos dos seus colaboradores, e também o de empresários e directores de empresas que, incapazes de competir no mercado livre, procuram obter resultados debaixo da asa de governantes de turno. Sem esquecer os muitos actores, jornalistas, artistas e professores, incensários do governo ao qual se agarram como lapas, acostumados que estão a viver à custa do dinheiro sacado nos impostos a trabalhadores e a reformados; a quem inclusive se dão ao luxo de insultar.

Nota: o meu amigo, é claro, não conhece José Sócrates, senão talvez até estivesse agradecido pelo que em Espanha lhe calhou em sorte.

Quando ele era pequenino - 2

O Monge, um pouco hesitante, enquanto os pais o chamam para nadar (princípios de 2005).
Início da série aqui.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Sempre mais além

O jornalista Rui Santos foi agredido esta madrugada à saída da SIC, depois do seu habitual comentário dos domingos à noite. O futebol português continua a ir sempre mais além do que se espera a cada momento. Depois das agressões ao jornalista Marinho Neves (já há muitos anos), de Sá Pinto a Artur Jorge, de desconhecidos a Ricardo Bexiga, de pessoas filmadas pelas câmaras das televisões a um empresário do guarda-redes Moretto, depois até da agressão de Scolari a um jogador de uma selecção adversária de Portugal, entre tantas outras, desta vez foram três encapuzados que tentaram repetir a graça com Rui Santos; três encapuzados munidos, imagine-se, de barrotes.

Um incompreensível desejo de perder

O jogo do Sporting ontem em Setúbal (Setúbal 1, Sporting 0) teve uma coisa curiosa. Ou melhor, nem foi bem o jogo. Foi uma coisa que aconteceu comigo quando me preparava para ver o jogo... Às sete e um quarto, estava eu ainda a ver um noticiário noutro canal que não aquele em que ia dar o jogo, de repente dei pelas horas e mudei para a TVI; foi um choque, um verdadeiro choque, já estavam em directo de Setúbal e no ecrã a primeira coisa que vi foi um grande plano de um rosto assim nem muito conhecido, mas que eu acabei por identificar imediatamente: era o rosto de Purovic. Não sei por quê, mas senti que ele ia jogar, que não estavam a filmar um suplente que andasse a correr de um lado para ao outro. Não, pelos movimentos que fazia ele ia estar na equipa escolhida para o jogo. Depois do choque, tentei pensar no que poderia estar a acontecer, mas o máximo que consegui foi ficar extremamente confuso. Nos últimos jogos, depois da integração de Tiuí, Paulo Bento parecia ter posto Purovic de lado, quem sabe – pensava eu – por ter num qualquer momento de lucidez, digamos assim, plena percebido que Purovic representa a indigência futebolística na sua versão mais completa. Mas não, o homem afinal não tinha percebido nada disso e zás, toca a meter o infeliz jogador (?) no onze titular. E eu, para não estar com coisas, para não me pôr a perguntar mentalmente «mas o que é que é isto?», pouco depois levei com mais um choque, ao perceber que além de Purovic também Farnerud (ciclismo, badminton, canoagem…) estava escolhido para entrar de início. Se com a primeira imagem, a do rosto de Purovic, eu senti que poderíamos perder o jogo, então com a informação sobre a titularidade de Farnerud tive mesmo a certeza.
O que terá levado Paulo Bento a entrar assim de peito aberto, apenas com nove verdadeiros jogadores, contra o Vitória de Setúbal? Foi isso que me perguntei, lembrando-me do que em tempos escrevi sobre a questão do QI. Eu sempre tenho vindo a defender a continuidade de Paulo Bento, mas depois acontecem coisas como estas e dou comigo a pensar se deverá ser mesmo assim. Nota-se, desde há muito, que não é propriamente o mais inteligente dos treinadores do nosso futebol, mas por outro lado teve alturas em que mostrou uma grande capacidade de liderança e um tremendo espírito de conquista. Agora – enfim, já nem é de agora –, parece que tudo isso se perdeu. A ambição foi-se (embora isso me pareça que tem mais a ver com a birra de Filipe Soares Franco em colocar o clube – a sade? – apenas a lutar por segundos lugares) e as decisões completamente irracionais acontecem cada vez mais vezes. Eu pensei… Qual a razão para não colocar Tiuí ao lado de Liedson? Ou, se Tiuí estivesse cansado por causa do último jogo, na Suiça, colocar um qualquer dos avançados dos juniores? Ou pedir a outro jogador do plantel (dos que sabem jogar futebol, obviamente) que fizesse o sacrifício de alinhar a avançado? Ou então jogar com dez, uma opção que me parece que as leis do futebol não proíbem. Isto no caso de Purovic. Aliás, jogando com dez o golo anulado a Tonel teria contado, porque só foi anulado (mesmo assim mal) porque Purovic, alheio a tudo o resto, estava em fora-de-jogo (uma situação que creio também aconteceu em Manchester, sendo nessa altura Liedson o prejudicado). E quanto a Farnerud, a mesma coisa, embora o problema do sueco pareça ser mais a falta de aplicação.
Depois, no decorrer do jogo, quando se foi comprovando que a derrota era algo provável, de repente Paulo Bento parece que percebeu os problemas que tinha arranjado; lentamente, mas percebeu. Tirou Purovic para meter Tiuí (tarde de mais), tirou Pedro Silva (um desastre a defesa direito), fazendo recuar para aí o jovem Pereirinha, e tirou Farnerud (tardíssimo). Na parte final a equipa até deu mostras de começar a aproximar-se de algum acerto, mas acabou por cair completamente nos últimos minutos, aceitando uma derrota que tinha sido construída em grande parte pelas opções incompreensíveis do treinador. Como se durante a tomada de decisões em relação à equipa a apresentar a ideia principal tivesse sido perder.
Quanto ao golo, resultado de um enorme falhanço do guarda-redes em que o Sporting e Scolari apostam, não sei bem o que dizer. O guarda-redes é jovem e tem alguma qualidade, daí a aposta ser em certa medida compreensível. De qualquer maneira, não sei até que ponto a opção não deverá ser repensada, pelas falhas que Rui Patrício tem tido, intercaladas com bons desempenhos (exactamente o problema de Ricardo, que tanto salvava o Sporting como logo a seguir enterrava o Sporting). No final do jogo o guarda-redes apareceu a prestar declarações, dando a ideia de que o tinham mandado ir falar. Disse com um ar superior que assumia as responsabilidades, como se tivesse sido a coisa mais natural do mundo o que tinha acontecido. Fez-me lembrar alguns políticos e por isso não gostei. Teria preferido vê-lo a dizer que lamentava o erro, que já aconteceu com muitos guarda-redes, inclusive grandes guarda-redes. De qualquer maneira a situação é difícil, por tudo o que envolveria, por exemplo, colocar agora o jovem Rui Patrício a suplente. O pior é se falhas como esta se repetirem muitas vezes.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Quando ele era pequenino - 1

O Monge, a dormir à sombra das flores, em finais de 2004.
(primeiro post da série)

Polga, Paul Auster

Estive a escrever a minha crónica mensal para uma revista, uma crónica em que costumo misturar futebol e literatura (talvez devesse dizer literatura e futebol). Desta vez tive muitas dificuldades, mas lá acabei por conseguir. Com a vantagem inesperada de pelo meio me lembrar da próxima crónica, da qual já fiz até um rascunho. Há-de chamar-se «Polga, Paul Auster».

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O Sporting

Isto interessa.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Simplesmente

Um dia aconteceu, simplesmente, e nem foi por causa de nenhuma questão fracturante, como agora se diz muito por aí.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Afinal, entre a Amadora e a Suiça não deve haver grande diferença

Pelo menos a diferença entre a Amadora e a cidade de Basileia. É a ideia com que fico depois da vitória nas calmas do Sporting esta noite (Basileia 0, Sporting 3 – Pereirinha e Liedson 2), que facilmente me faz lembrar o jogo do fim-de-semana passado com o Estrela a Amadora. Havia quem estivesse preocupado com a falta de jogadores por causa das lesões (Rui Oliveira e Costa, por exemplo, confessou isso na televisão), mas eu não me parecia que fosse caso para tanto; por vezes, o que me preocupa é a abundância de jogadores (?), por exemplo aqueles tipo Purovic, Farnerud e só não digo Polga para não ser insistente. Esta noite a equipa jogou com o onze, digamos assim, certinho (imagine-se o que teria sido colocar Purovic ao lado de Liedson…). Pereirinha sabe jogar futebol, Tiuí a mesma coisa ainda que não sendo um craque, e por aí adiante; Polga lá andou como sempre tem andado e até foi substituído, Ronny mesmo tapado por Grimi (bom jogador) pôde jogar um bocado, o guarda-redes vai resolvendo as confusões e Liedson parece que está novamente a acertar com a baliza. Mais duas notas: primeira, ainda sobre as semelhanças entre a Suiça e a Amadora, o humor de Paulo Bento ao fazer mais uma vez entrar Farnerud na parte final; segunda nota, se no Sporting Purovic continua felizmente no banco de suplentes, sem entrar nem que seja para jogar (?) um minuto, os suíços a meio da segunda parte fizeram entrar um Perovic (não reparei se sabe jogar ou se a diferença para Purovic é só o «e» em vez do «u», e não reparei porque nessa altura andava a espreitar de vez em quando o jogo do Benfica, que parecia divertido).