sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Ainda os louva-a-deus

Ainda os dois louva-a-deus do penúltimo post, ou melhor, apenas um deles, o mais pequeno (e que me pareceu ser o menos tímido). Estas são algumas das fotos que lhe tirei, antes de o maior aparecer.
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Os Dias do Blog – 1

Durante algum tempo, tive uma crónica mensal sobre blogs numa revista. Começo agora a publicar aqui a série que fiz. Esta é a crónica de Dezembro de 2003.

Nem sempre a abrir
Sonhar, desejar e ambicionar no «país relativo», e para acabar ne varietur
(Dezembro de 2003)
E se uma cara bem conhecida, de repente, logo a abrir um telejornal, lhe oferecesse… um livro? Oferecesse, enfim, não seria bem o caso, antes sim, se a dita cara, bem conhecida, já se vê, a abrir, lhe falasse de um livro. Às oito da noite, ou até faltando um minuto para as oito, a ver se se antecipava à concorrência, por causa de expressões agora tão familiares como o estrangeiríssimo share ou os bem portugueses níveis de audiências.
De coisas assim fala Francisco José Viegas (
http://www.aviz.blogspot.com/, 4 de Novembro), não a lançar ideias, mas a comentar as de alguém, precisamente Nelson de Matos, que «sonha com um dia em que os telejornais abram com a notícia da publicação de um romance de autor português». Refere-se Francisco José Viegas a um desabafo do editor da Dom Quixote, atirado para a rede uns dias antes (http://textosdecontracapa.blogspot.com/, 3 de Novembro), acabando por acrescentar que «há coisas mais importantes», embora compreenda «o desejo do Nelson».
Com misturas de sonhos e desejos, há sempre o risco de às tantas surgir a confusão. Ora nem mais... A 6 de Novembro, lá apareceu um reparo de Nelson de Matos: «Eu não disse que ‘sonho com’; disse que ‘ambiciono que’. Parece a mesma coisa, mas não é. A segunda expressão tem uma determinação que não gostaria de pôr de lado. Ou seja, precisamos de insistir, precisamos de continuar a chamar a atenção para o logro que representam os actuais alinhamentos dos telejornais. Logro, mentira, oportunismo, manipulação – não sei bem que palavra usar.»
Sem notícia de que no «Aviz» tenha aparecido resposta, fica pelo menos uma reflexão de entre os comentários ao reparo de Nelson de Matos. JPN, um dos três internautas a deixar mensagem, fala de ser «subtil a diferença entre sonhar e ambicionar», contudo «preciosa». E defende que «devemos manter essa determinação, para que conste que não é em nosso nome que falam aqueles que dizem que constroem estes alinhamentos porque tantos por cento de tantos por cento de gente assim o exigem».
Coisas do «país relativo» de O’Neill, o mesmo país a que Marcelo Rebelo de Sousa atribuiu dezasseis valores (de zero a vinte), o que levou Pedro Machado (
http://www.paisrelativo.blogspot.com/, 9 de Novembro) a escrever: «Uma avaliação dos últimos trinta anos. Julgada com dezasseis valores. Com esta média, Portugal pode apresentar-se directamente a doutoramento. Deixaremos de bastar-nos com pelintrices honoris causa. Finalmente, Portugal doutor! Obrigado, professor.» E Pedro Machado remete para uma notícia do «Público» (http://jornal.publico.pt/2003/11/07/Nacional/P31.html), onde a certa altura é revelado que o professor avisou que «o actual estado de espírito da sociedade portuguesa ficou de fora desta avaliação».
Mas voltemos às coisas dos alinhamentos. Já no dia 4 de Novembro, Francisco José Viegas referia que o «problema é que os telejornais são muitas vezes ‘alinhados’ (estou a falar do alinhamento editorial) por gente com a sensibilidade de um elefante e convenhamos que os romances portugueses não são lá muito apelativos». Viegas que, mesmo assim, revelava o seguinte: «Um dia destes, no entanto, fiquei espantado com o rodapé de um telejornal, onde se anunciavam os prémios Fémina e Medicis – para língua francesa. O texto do rodapé indicava títulos, autores, etc.. Uma boa notícia? Não. Uma péssima notícia; esses textos são geralmente de uma indigência ideológica devastadora e de uma gramática a rondar o absurdo. Mas um telejornal (já não sei em que canal era) que anuncia os quatro livros franceses premiados e ignora edições de livros ao pé da porta dá que pensar. Nada de ‘nacionalismos’ – um ‘bom romance’ seja em que língua for (inclusive a nossa) é sempre superior a um ‘romance português’, evidentemente. Simplesmente, ao dar a informação pormenorizada sobre os Fémina e Médicis, a televisão dizia: ‘Estão a ver como nos interessamos pela informação literária? Estão a ver?’ A gente já os conhece.»
Tão bem os conhecemos que não se pode dizer à confiança se a abrir apresentariam ou não o texto seguinte, da autoria de José Mário Silva (
http://www.blogdeesquerda/, 13 de Novembro), que classifica como «uma notícia importante». Título: «Ne Varietur». Miolo: «Em breve, o Blog de Esquerda vai ter os seus textos fixados por especialistas (pausa para exclamar ‘Oh!’). Desculpem a imodéstia, mas é mesmo assim. Como não somos menos que o autor de ‘A Ordem Natural das Coisas’, também queremos correcções e emendas ratificadas por um comité, também queremos rigor na exegese e também queremos dizer em voz alta, num latim sonoro, as palavras mágicas: ne varietur.» O que se pode dizer à confiança é que eu coloco o texto a fechar. E nem é por causa das coisas, perdão, da ordem natural das coisas, sejam lá elas quais forem.

Blogs consultados
http://www.aviz.blogspot.com/, mantido por Francisco José Viegas
http://textosdecontracapa.blogspot.com/, mantido por Nelson de Matos
http://www.paisrelativo.blogspot.com/, mantido por Filipe Nunes, Mariana Vieira da Silva, Mark Kirkby, Miguel Cabrita, Pedro Adão e Silva, Pedro Machado, Rui Branco e Sílvia Sousa
http://www.blogdeesquerda/, mantido por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva
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Dois louva-a-deus

Dois louva-a-deus, esta tarde, por aqui.
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Os cabelos em pé do velho gigante

Talvez este pudesse ser o título de um conto. Romance é que já seria pedir muito.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Carta a Sócrates

«Já imaginou o que era bater-se com o seu principal rival partidário no campo dele (a literatura) e talvez vencê-lo em termos de reconhecimento público?», isto pergunta José Mário Silva a José Sócrates, numa carta. Ver aqui.
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Em sendinês

Um dos colaboradores da revista, o Artur Fernandes, mandou-me a crónica para a próxima edição com o aviso de que não precisava de ser editada. Quando abri o ficheiro, compreendi o que ele queria dizer. O Artur é natural de Sendim e desta vez resolveu escrever a crónica em sendinês; começa assim...
Stava yo en la mi tierra – Sendim, tierra de scobas, piornos e tumilhos –, que queda alhie nun planalto an pi del Douro, i apus-m’a tenir l’ideia de screbir la mi cronica an sendinês, la lhengua que yau ampecei a falar i num quiro ser agabaçola era la lhengua de mis abós i de mi may. An pecanho era la lhengua que yo falaba i l grabe so an Lisboa lo amprendi.
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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Dois textos sobre Saramago (1)

Primeiro de dois textos sobre José Saramago (o segundo publicarei por estes dias). Foram escritos pelo meu amigo António Souto para uma crónica («Ex-abrupto») que mantém no jornal da sua terra («Jornal D’Angeja»); este é o da edição de Junho.
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Saramago, depois do limbo
Estamos (ainda) em mês de santos populares [escrito em Junho passado]. Já lá vão o Santo António e o São João, e o São Pedro, à hora em que fecho esta crónica, está mesmo por um fio.
Também já lá vão o europeu e a selecção e o Scolari e as bandeiras ao vento e o sonho de sermos campeões… De sermos, que é como quem diz, que eu nunca alimentei esperanças, sequer embarquei nesta onda arrebatadora a roçar o delírio, que há coisas mais graves e preocupantes, coisas que nos deveriam igualmente convocar e solidarizar, coisas que com menos milhões (de euros) tornariam certamente muito mais felizes muitos mais milhões (de seres). Mas, desditosamente, somos assim, passada que é a bola, abandonamos o campo e partimos para férias, cada um para seu lado, e felizes sempre, enquanto não (nos) atormentarem as contas e as dívidas.
Ah, e também já lá vai o Menezes (e só não foi o Santana ou porque já fora ou porque teima em «andar por aí») e já lá vai a estação da chuva. Agora só orvalho e sol, e um ventozinho que, por ser vento, semelhante e permanentemente vai.
Mas, como no dizer do poeta (Manuel Alegre), «há sempre alguém que resiste»…
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Saramago. José Saramago. Nobel da Literatura. Um dia destes, numa entrevista, afirmou mais ou menos isto: «Para que é que havemos de querer saber o que é o inferno se estamos num e não somos capazes de sair dele?».
Há quem o considere demasiado de esquerda, um arreigado comunista, demasiado ortodoxo, por natureza um insatisfeito, um pessimista. Poderá ser tudo quanto quiserem que ele seja, mas é sem dúvida um homem de princípios e de valores, um homem de coerência e de consciência – «Eu sou um privilegiado, mas a maior parte da humanidade não é.»
Conheci pessoalmente Saramago em Estrasburgo, em 7 de Fevereiro de 1997, quando ali se deslocou, a convite da FNAC, para apresentar o seu livro «Ensaio sobre a Cegueira» em tradução francesa («L’Aveuglement»). Álvaro Guerra (escritor e, na ocasião, embaixador junto do Conselho da Europa) apresentou José Saramago; eu, que ali ensinava na universidade, apresentei sumariamente o romance. Foi um fim de tarde agradável que terminaria num restaurante alsaciano, junto à catedral, em amena cavaqueira. A senhora embaixatriz e a esposa do escritor, Pilar del Rio, completavam o requinte do encontro. Uma surpreendente descoberta – a do homem por detrás do escritor, a do escritor humanamente incansável. Um ano mais tarde, era ele o nosso Nobel da Literatura.
Depois desse encontro, vi-o mais duas vezes, na Feira do Livro de Lisboa. Há pouco mais de um ano, ia vê-lo de novo, na capital, mas adoecera e voltava apressado para Lanzarote, onde vive (por culpa de um aspirante a censor que, pelos vistos, sobreviveu ao 25 de Abril e alguém convidou para um governo de má memória).
Agora voltei a vê-lo, a Saramago, já restabelecido e lúcido como sempre, mas na televisão. Numa entrevista. A falar dos outros e de si, que é quase a mesma coisa, sobretudo quando o fundamento da (sua) escrita reside no cuidado por aqueles de quem muito pouca gente fala. Aqueles que não têm nome, massa anónima como aquela que em «Memorial do Convento» se relata em trabalhos forçados por extravagância de um rei – (...) «já que não podemos falar-lhes das vidas, por tantas serem, ao menos deixemos os nomes escritos, é essa a nossa obrigação, só para isso escrevemos, torná-los imortais» (...).
Lembrou potenciais escritores que poderiam ter sido «nobelizados», como Aquilino Ribeiro ou Miguel Torga (Pessoa, não, porque, como afirmou, nem nós o conhecíamos na sua altura, quanto mais os suecos!), mas registou igualmente novos talentos promissores (tudo Josés, curiosamente), como o José Eduardo Agualusa, o José Luís Peixoto ou o José Riço Direitinho.
Recordou a recente enfermidade que quase o ceifou – «Da morte, sei que estive já à porta, mas não entrei, estive assim num limbo… Mas sempre com uma enorme serenidade.»
E da razão de escrever agora livros mais pequenos, confessa: «O que acontece é que aos 85 anos o calendário tem importância, o tempo que resta torna-se mais reduzido, e é sempre uma preocupação pensar que não se tem tempo de acabar um livro (hoje, dificilmente me lançaria na escrita de um ‘Memorial do Convento’).»
Já no fim da entrevista, e quando perguntado sobre como gostaria de ser recordado, a resposta, metaforicamente ao seu jeito, foi a seguinte: «Como aquele tipo que fez como o cão que bebeu as lágrimas a uma mulher [alusão clara a «Ensaio sobre a Cegueira»]. Aquele cão que teve compaixão de um ser que estava em desespero e, não podendo fazer nada por ele, lhe secou as lágrimas.»
Isto bastou para lhe sabermos, uma vez mais, a grandeza de alma, para lhe compreendermos a bondade da escrita, para o continuarmos a admirar em cada obra. Isto bastaria, a nosso ver, para lhe justificar o Nobel. Mas há, seguramente, quem nunca lho perdoe…

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Ainda sobre o rapaz

Ainda sobre o «rapaz» referido por Clara Ferreira Alves (post abaixo). Ver aqui alguns dos seus efeitos.
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O rapaz

Cavaco Silva, por Clara Ferreira Alves, na crónica da revista «Única» de sábado passado… «Podemos tirar o rapaz de Boliqueime mas não podemos tirar Boliqueime do rapaz, dir-se-ia com crueldade. O Presidente Cavaco é um rapaz de Boliqueime e isso não é uma coisa boa. Nem má. É o que é.»
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domingo, 10 de agosto de 2008

Ainda sobre a feira

Ainda sobre a Feira do Livro de Faro, mais comentários aqui.
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No escorrega

O Lito a dormir no escorrega, por aqui, um destes dias.
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Uma coisa curiosa

Foi agradável o Sporting 2 (Derlei, João Moutinho), Sampdoria 0. Equipa arrumada, trocas compreensíveis de jogadores na segunda parte e João Moutinho integrado (não sei com quantos sapos engolidos e por quem). Uma coisa apenas que achei curiosa… Confirma-se o problema Caneira, que desta vez acabou por entrar na segunda parte para defesa direito. O auto-intitulado «grande líder»(?), pelo estatuto que incompreensivelmente ganhou parece ser um factor de pressão para Paulo Bento, que tenta rodá-lo por todas as posições onde é costume no futebol colocar os jogadores com falta de jeito. Caneira já percorreu por isso os lugares todos da defesa e o de médio mais recuado. Vamos a ver se o treinador cai na asneira de lhe dar a titularidade… Há sempre essa hipótese, embora pelo que se tem visto ela não pareça muito forte. Paulo Bento certamente lembra-se de como há duas épocas começou a perder o título no jogo em Paços de Ferreira, em que Caneira ofereceu o empate, depois de na primeira volta, na recepção ao Porto, já ter sido também um dos que esteve envolvido no falhanço que permitiu a Quaresma evitar uma derrota que parecia ir tomando forma. Ainda em relação a Caneira e àquela ideia parva de ser um «grande líder»(?), suspeito de que ele a atirou para o ar na sequência do caso João Moutinho, provavelmente por ter esperanças de que ainda poderia chegar a capitão do Sporting. Depois de já termos tido o Custódio, nem seria de admirar…
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