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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Ainda o amor, por José Rodrigues dos Santos

Depois disto, mais isto…
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Esperou, por isso, mais uns dias para lhe fazer novas perguntas. Decidiu-se após uma noite em que tinha chovido muito. O dia acordara molhado, com o céu coberto por um manto de bronze gasoso; os telhados gotejavam ritmadamente para os passeios alagados, como se os pingos fossem notas de uma ária, uma suave melodia que fazia da conversa um dueto, ele o tenor e ela o soprano.
O chão estava ensopado, pelo que evitaram a lama acumulada na esquina onde habitualmente se encontravam e cruzaram a rua, contornando as poças de água barrentas e as bostas de bovino espalhadas pelo empedrado.
«Se o teu pai morreu quando eras miúda, vocês vivem de quê?», perguntou Luís quando pisaram terreno mais limpo do outro lado.
(excerto do romance «A Vida num Sopro», de José Rodrigues dos Santos)
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sábado, 21 de fevereiro de 2009

O amor, por José Rodrigues dos Santos

O carro de bois avançava devagar pela rua, arrastando um carregamento de azeitonas negras, tão reluzentes que pareciam pérolas. O agricultor que conduzia o carro seguia à frente, enérgico e transpirando, as mãos a puxarem a correia que guiava a direcção do animal.
«Uga! Uga!», repetia o homem, incentivando o boi. «Para a frente, vamos! Arriba!»
Uma bosta tombou da traseira do bovino sobre o empedrado da rua com um ploc espalhafatoso. Logo que o carro de bois passou, Luís cruzou para o outro passeio em ziguezague, evitando os excrementos de animais que se acumulavam pela via.
Foi então que a viu.
(excerto do romance «A Vida num Sopro», de José Rodrigues dos Santos)
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

JRS comentado

Ver aqui alguns comentários à desastrosa entrevista de José Rodrigues dos Santos (JRS) ao «Diário de Notícias». Já na altura da saída do romance anterior o ouvi na rádio, com o mesmo tom, obcecado em falar mal de outros escritores portugueses.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Os novos romances de Saramago e Rodrigues dos Santos

Este ano, pela primeira vez, dá para acompanhar de perto a Feira de Frankfurt, principalmente com a ajuda do Francisco José Viegas no blog da revista «Ler» e dos autores do Blogtailors. Foi aliás deste último blog que tirei estas fotos das capas dos novos romances de José Saramago e José Rodrigues dos Santos, «A Viagem do Elefante» e «A Vida num Sopro». Considerando as duas imagens, parece que a mulher na estação dos comboios está a fazer um enorme esforço para conseguir ver o elefante roxo, que se afasta devagar não se sabe para onde.
.(clicar nas imagens para aumentar)
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sábado, 8 de março de 2008

Uma pessoa normal

«Sou uma pessoa normal. Não reciclo o lixo. É complicado. Um saco azul, o outro não sei o quê…»
José Rodrigues dos Santos, «Sábado», 06.03.08 (citado pelo «Sol»)
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À Catarina e à Inês, e aos filhos que vierem a ter. Para saberem que tudo fiz para impedir o que aí vem.»
José Rodrigues dos Santos, dedicatória do seu mais recente romance, «O Sétimo Selo».

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Vai uma picanha?

O restaurante Chimarrão do Campo Pequeno, em Lisboa, por José Rodrigues dos Santos… «O estabelecimento escolhido foi uma casa brasileira no Campo Pequeno, uma daquelas churrascarias especializadas em enfardar clientes até os deixar com os sentidos embrutecidos.» («O Sétimo Selo», pág. 119)

sábado, 24 de novembro de 2007

O texto de Vasco Pulido Valente sobre «Rio das Flores»

Li a análise do último (ou melhor, do mais recente) romance de Miguel Sousa Tavares («Rio das Flores») feita por Vasco Pulido Valente, que saiu hoje no «Público». Não comprei o jornal, nem sabia da coisa; vi por acaso uma referência num blog e depois fui a outro ler o texto. Ainda não li o romance, e quero ver se leio, embora uma espreitadela ao início, numa livraria, me tenha dado que pensar – começo meio à Camilo (com aquela mania do nome completo), meio à García Márquez de «Cem Anos de Solidão», só que o pai da personagem em vez de a levar a conhecer o gelo leva-a a uma tourada; e depois, a personagem tem já não me lembro quantos «anos de idade», recurso estilístico comparado ao «há x anos atrás», que Miguel Sousa Tavares também usa com frequência. Mas conto ler o livro, porque gostei da história do anterior («Equador»), mesmo com os erros – que começavam logo com uma confusão da época em que foi construído o Canal de Suez – e com a escrita que dava a ideia de aquilo ter sido sempre a despachar.
Da conta em que tenho Vasco Pulido Valente, só posso dizer que o que escreveu sobre «Rio das Flores» é bem capaz de ser verdade. Há uma frase que me chamou a atenção; esta… «[Miguel Sousa Tavares] Não escreve como quem escreve um romance, escreve como quem escreve um relatório: directamente, com a mesma luz branca e monótona para tudo.» Eu costumo comparar estes casos de forma diferente, com um velho manual de gestão da força de vendas que tinha numa das cadeiras da faculdade, um livro de um cromo norte-americano chamado Tom Hopkins que aparecia na capa a fazer lembrar uma das personagens do «Dallas» (o manual tem uns vinte anos e curiosamente há uns meses chegou-me ao escritório um exemplar de uma nova edição, a quinta, com o cromo ainda e sempre na capa só que mais velho um bocadinho mais bem arranjado).
No meio destas polémicas das literaturas, estranho o silêncio sobre o novo romance de José Rodrigues dos Santos, que também conto ler. Como «Rio das Flores», já o folheei numa livraria e chamou-me a atenção um estranho «crrrrrrr, crrrrrr» que provavelmente é o substituto dos «uhs» da esmagadora maioria das personagens do romance anterior. Os livros deste autor já se sabe que é mais para a palhaçada, mas sempre podia haver alguma coisa tipo Vasco Pulido Valente e «Rio das Flores»; para ver se isto animava um pouco.