Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Agradecimento à corja

É um poema de Joaquim Pessoa, que penso que vai integrar o seu próximo livro, com 365 poemas, um por cada dia do ano. O poema, sem nenhum título que não o do número do dia que o autor lhe atribuiu, tem circulado pela Internet, onde ficou conhecido como «Poema de agradecimento à corja». É assim:


Obrigado, excelências.

Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade

de vivermos felizes e em paz.

Obrigado

pelo exemplo que se esforçam em nos dar

de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem

dignidade.

Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.

Por não nos darem explicações.

Obrigado por se orgulharem de nos tirar

as coisas por que lutámos e às quais temos direito.

Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.

Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.

Obrigado pela vossa mediocridade.

E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.

Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.

Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.

Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias

um dia menos interessante do que o anterior.

Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.

Obrigado por nos darem em troca quase nada.

Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.

Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade

e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.

E pelo vosso vergonhoso descaramento.

Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,

o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.

Obrigado por serem o que são.

Obrigado por serem como são.

Para que não sejamos também assim.

E para que possamos reconhecer facilmente

quem temos de rejeitar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Dois livros

Os dois pequenos textos que referi no post anterior, sobre dois livros. São incluídos na edição de Fevereiro da revista «Pessoal». O novo volume de poesia de Francisco José Viegas e um livro polémico de Christopher Hitchens.

A poesia de Francisco José Viegas
Um dos mais notáveis autores portugueses, tanto na ficção como na poesia. É o seu título mais recente, «Se me Comovesse o Amor», poesia trazida a público como habitualmente pela Quasi Edições. Na apresentação do livro, o crítico literário Pedro Mexia realçou uma característica do autor, a de fazer muitas coisas diferentes e ser capaz de fazê-las todas bem feitas. Sobre poesia não será muito de ir por aí, mal feita, bem feita; por isso, desta recolha de poemas, o melhor talvez seja confessar como se lê, ou melhor, a sensação que fica quando se lê: a sensação de que somos nós que estamos em muitos dos versos, como se Viegas nos confrontasse com a nossa própria vida, como se a sua poesia fosse um retrato nosso, dos nossos sonhos, dos nossos medos, a redacção quase fiel das nossas interrogações. «Envelheces tanto de cada vez que o dia termina/ e olhas para trás. Tens medo do começo do fim,/ das tardes de domingo…»
Francisco José Viegas, «Se me Comovesse o Amor», Quasi Edições, 56 pp.

Para uma visão laica da vida
Um livro que redefine o debate sobre a religião na vida pública. O autor, o norte-americano Christopher Hitchens, considerado pelo «London Observer» como «um dos jornalistas mais brilhantes do nosso tempo», explica que a religião é «uma distorção das nossas origens, da nossa natureza e do cosmos», descrevendo a sua viagem intelectual para uma visão laica da vida. «Persistem quatro abjecções irredutíveis à fé religiosa: falseia completamente a origem do homem e do cosmos; devido a este erro original consegue combinar o máximo de subserviência com o máximo de solipsismo; é, simultaneamente, o resultado e uma causa de uma perigosa repressão sexual; e, em última análise, fundamenta-se em pensamento ilusório.»
Christopher Hitchens, «deus não é Grande», Publicações Dom Quixote, 358 pp.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Um pequeno poema para o futebol

Eu faço os meus prognósticos
nos intervalos dos jogos.

Poema, sem título, de Daniel Maia-Pinto Rodrigues (na foto de Luís Tobias), incluído no livro
«Malva 62» (Quasi Edições, 2005).

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Um pequeno poema para a política

Anda-me a parecer
que melhor do que fazer
é planear.

Poema, sem título, de Daniel Maia-Pinto Rodrigues (na foto de Luís Tobias), incluído no livro «Malva 62» (Quasi Edições, 2005).

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O casalinho

Não sei ao certo quem deixou este simpático casalinho entre os livros daqui de casa; mas desconfio.