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quinta-feira, 29 de maio de 2008

O meio editorial

Algumas opiniões de Nelson de Matos sobre o meio editorial português, ou como agora se diz, o mercado do livro. Podem ser lidas aqui.
«Este súbito e significativo interesse (para não dizer ‘assalto’) de alguns grupos financeiros (repare que não digo editoriais) pelo nosso pobre mercado do livro, causa-me bastante admiração, sobretudo se comparado com os quase estagnados índices de leitura e de compra de livros que regularmente são publicados. Será que passámos a ser um país com 100.000 leitores para cada livro? Ou tudo isto não passa de puras operações especulativas num mercado desprevenido; de operações de compra e venda realizadas em cadeia?» (foto: João Andrés)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Isso de ser editor

Nelson de Matos numa entrevista de hoje (da autoria de Hélder Beja), no semanário «Sexta»…
As pessoas que hoje detêm editoras estão mais vocacionadas para o negócio [do] que para a literatura?
Da minha geração ainda há alguns editores em Portugal. Mas somos uma geração em extinção. O mundo moderno não se compadece com o vagar que é necessário para construir uma relação com o autor. Hoje os editores nem sequer lêem os textos. Na maior parte dos casos, o título publica-se porque o autor tem um programa de televisão, é jornalista, é político, é tudo menos escritor. As exigências das organizações empresariais que hoje são as editoras já não se compadecem com esta situação. Esse trabalho só pode continuar a ser feito das pequenas iniciativas de edição que têm a figura do editor muito preservada.
Fala de autores que não são escritores. As editoras devem publicar livros apenas com interesse comercial?
As editoras actualmente quase só fazem isso. Quando surge algo em que não há certeza de que vai ter vendas, hesitam em publicar. Não tenho nada contra isso. Um colega dizia:
É preciso publicar o que dá para poder publicar o que não dá. É muito verdade. O que se tem que fazer é não misturar as águas, não enganar os leitores. Trabalhar com cuidado e com seriedade. Não se pode, por exemplo, publicar a Carolina Salgado ao lado de José Cardoso Pires.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Uma recordação

Ainda não existia este blog em finais de 2005, quando foi feita a apresentação do meu livro de contos «O Amor por entre os Dedos». Nas arrumações de fotos, dei agora com esta. Foi na Fnac do Chiado, no final da tarde de 17 de Novembro. Eu, Lídia Jorge e Nelson de Matos, o editor.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Uma nova editora

Não costumo colocar aqui os textos que escrevo na página de livros da revista «Pessoal». Desta vez, abro uma excepção, com o que escrevi para a edição de Fevereiro. Neste post, os primeiros três livros da nova editora de Nelson de Matos (na foto, da autoria de João Andrés); no post seguinte, colocarei dois pequenos textos sobre outros livros.

O regresso de Nelson de Matos
É o regresso à actividade do mais carismático editor português, Nelson de Matos, que durante mais de duas décadas esteve à frente das Publicações Dom Quixote, de que foi proprietário. Com passagens ainda por outras casas de referência do meio editorial português, Nelson de Matos arranca agora com um projecto muito pessoal, as Edições Nelson de Matos, uma chancela que assenta no seu próprio nome, segundo diz para «dar um rosto e uma assinatura ao trabalho» que vai fazer. Os três títulos de lançamento da nova editora, previstos para finais de Fevereiro, revelam um editor atento e com enorme sentido de oportunidade; trata-se de um inédito de José Cardoso Pires, um trabalho sobre as relações entre a Igreja Católica e o Estado Novo e uma colectânea de textos sobre a infância, de personalidades bem conhecidas da vida portuguesa.
«infância – quando eles eram pequeninos», o primeiro título, são relatos de infâncias portuguesas do século XX, infâncias tocadas por acontecimentos como a guerra civil de Espanha, a segunda guerra mundial, a guerra fria, o aparecimento da televisão, a guerra colonial, a chegada do ser humano à Lua, o fim da ditadura em Portugal ou o advento das novas tecnologias. Os textos são de nomes tão diversos como António Mega Ferreira, António Vitorino d’Almeida, Armando Baptista Bastos, Carlos do Carmo, Carlos Vaz Marques, Inês de Medeiros, Jorge Silva Melo, Marcelo Rebelo de Sousa, Mário de Carvalho, Raul Solnado, Rui Reininho, Vicente Jorge Silva ou Zé Pedro. É um trabalho da jornalista Sarah Adamopoulos. António Barreto escreve o prefácio, um texto onde considera o resultado final do livro como «atraente e estranho».Segundo título, «A Oposição Católica ao Estado Novo – 1958/ 1974». O período que se seguiu à campanha para as eleições presidenciais de 1958, em que Humberto Delgado se candidatou pela oposição, com as relações entre o Estado Novo e os católicos portugueses a mudarem na aparência e no ser. Desde essa altura e até ao 25 de Abril de 1974 o Estado Novo enfrentou a contestação às suas instituições e às suas políticas por parte de alguns católicos portugueses. O autor, João Miguel Almeida, investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, apresenta homens e mulheres que protagonizaram essa contestação. O prefácio é de Fernando Rosas.
Finalmente, o título que promete causar maior sensação no mercado editorial português… «Lavagante – encontro desabitado», um texto de José Cardoso Pires nunca publicado em livro e que teve aquela que terá sido a sua primeira versão, muito reduzida, em Dezembro de 1963, no número 11 da revista «O Tempo e o Modo», na altura com o título «Um Lavagante e Outros Exemplares»; a acompanhar essa versão, havia uma «nota de redacção» a avisar de que se tratava de «um capítulo do seu próximo romance, ainda provisoriamente sem título». Deste texto, segundo as Edições Nelson de Matos, existem outras versões, manuscritas, sem data, uma delas com o título «O Lavagante e a Mulher do Próximo». Existem também algumas versões dactilografadas, igualmente sem datas. Ainda segundo a nova editora, todas indiciam, pelas emendas, que são posteriores ao texto publicado em 1963, sendo também possível perceber que se trata de um texto anterior ao romance «O Delfim», publicado pela primeira vez em 1968, pela Moraes Editores. A fixação do texto que agora é publicado, e a revisão, esteve a cargo de Ana Cardoso Pires, uma das filhas do escritor.
Sarah Adamopoulos, «infância – quando eles eram pequeninos», 232 pp.
João Miguel Almeida, «A Oposição Católica ao Estado Novo», 340 pp.
José Cardoso Pires, «Lavagante – encontro desabitado», 92 pp.
Mais informações e capas dos três livros no site da editora.