Mostrar mensagens com a etiqueta Edições Nelson de Matos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Edições Nelson de Matos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O livro censurado

O livro de José Cardoso Pires apreendido em 1952 pelo regime criminoso de Salazar e que até agora não tinha sido reeditado. «Histórias de Amor» tem finalmente uma nova edição, que sairá na segunda quinzena deste mês, nas Edições Nelson de Matos; edição que reproduz os cortes feitos em 1952 pela quadrilha do lápis azul, a Comissão da Censura, e ainda uma longa carta que José Cardoso Pires lhe dirigiu e três críticas então publicadas na imprensa (de Luís de Sousa Rebelo, Mário Dionísio e Óscar Lopes). A imagem da contracapa reproduz um retrato a óleo do escritor, de 1954, da autoria de Júlio Pomar.
.
Texto de divulgação da editora
A primeira edição deste livro foi publicada em Julho de 1952, pela Editorial Gleba, numa colecção de bolso intitulada «Os Livros das Três Abelhas», dirigida por Victor Palla e Aurélio Cruz.
Foi retirado do mercado pela Censura em 26 de Agosto de 1952.
Tendo sido possível utilizar o exemplar onde estão sublinhadas a lápis azul as partes do texto que motivaram a apreensão da edição, indicam-se nesta edição esses sublinhados, mediante a sobreposição de uma rede de cinzento sobre o texto original, mantido sem cortes.
José Cardoso Pires nunca mais publicou este livro na sua versão inicial, embora o tenha mantido sempre na lista das suas obras completas.
Alguns destes contos (excepção feita a «Romance com data», que permaneceu sempre inédito) foram mais tarde reescritos e incluídos na edição de «Jogos de Azar», publicada em 1963, pela Editora Arcádia.
Nesta edição conservam-se todos os contos na sua versão inicial.
José Cardoso Pires, então com 27 anos, decidiu reclamar da apreensão do livro junto dos Serviços de Censura. Primeiro, pessoalmente, tendo conseguido manter em seu poder o exemplar com a indicação dos cortes de censura que serviu de base a esta edição; depois, por escrito, logo em 26 de Outubro de 1952, através da carta que é conservada como anexo no final da edição.
Críticas de Mário Dionísio, Oscar Lopes e Luís de Sousa Rebelo, publicadas em 1952, são também conservadas, no final, como anexos a esta edição.
«Histórias de Amor»
Autor: José Cardoso Pires
Colecção «Mil Horas de Leitura», nº. 5
Revisão de Ana Cardoso Pires
Formato: 13,5x20,9
Nº. de págs.: 200
Preço com IVA: €20,00
ISBN: 978-989-95597-7-6
EAN: 9789899559776

.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Nelson de Matos edita livro de Pepetela

Ver aqui; cinco histórias, num volume intitulado «Contos de Morte».

segunda-feira, 7 de abril de 2008

«Lavagante» na Biblioteca Nacional

É esta quarta-feira, dia nove (18h30), no auditório da Biblioteca Nacional, em Lisboa. Maria Lúcia Lepecki apresenta o inédito de José Cardoso Pires, «Lavagante», publicado pelas Edições Nelson de Matos. Mais informações sobre o livro: ver aqui.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Apresentação de «Lavagante»

«Lavagante», o inédito de José Cardoso Pires publicado recentemente pelas Edições Nelson de Matos, será apresentado por Maria Lúcia Lepecki este sábado, dia 29, pelas 21h30, em Montemor-o-Novo (livraria Fonte de Letras). Estarão presentes o editor Nelson de Matos e uma das filhas do escritor, Ana Cardoso Pires, responsável pela fixação do texto.
Na ocasião, será inaugurada uma exposição alusiva a José Cardoso Pires, que inclui reproduções de textos originais e fotografias da autoria de João Cutileiro.
Mais informações sobre «Lavagante» podem ser consultadas aqui.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Já nas livrarias

Esse homem que ali tem sacode a cabeça diante duma taça de vinho, estrebucha e fala dos seus sonhos frustrados.
– Viciámo-nos. Agora temos a Censura a escrever por nós. E amanhã? Quem sabe escrever amanhã, quando a Censura acabar?
Cala-se. Depois espalma a mão diante dos olhos, mirando-a com raiva, quase com espanto:
– A minha mão medrosa – anuncia. Volta­-a e torna a voltá-la, como se a não reconhecesse, como se a denunciasse em público. – Está viciada, amigos, escreve com medo… Não há dinheiro no mundo que pague uma desgraça destas. Dinheiro nenhum. Nenhum, nenhum, nenhum, nenhum, nenhum…
– Acredito – diz o dono do bar. E virando­‑se para mim: – E tu? Não falas, não contas nada?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Uma nova editora

Não costumo colocar aqui os textos que escrevo na página de livros da revista «Pessoal». Desta vez, abro uma excepção, com o que escrevi para a edição de Fevereiro. Neste post, os primeiros três livros da nova editora de Nelson de Matos (na foto, da autoria de João Andrés); no post seguinte, colocarei dois pequenos textos sobre outros livros.

O regresso de Nelson de Matos
É o regresso à actividade do mais carismático editor português, Nelson de Matos, que durante mais de duas décadas esteve à frente das Publicações Dom Quixote, de que foi proprietário. Com passagens ainda por outras casas de referência do meio editorial português, Nelson de Matos arranca agora com um projecto muito pessoal, as Edições Nelson de Matos, uma chancela que assenta no seu próprio nome, segundo diz para «dar um rosto e uma assinatura ao trabalho» que vai fazer. Os três títulos de lançamento da nova editora, previstos para finais de Fevereiro, revelam um editor atento e com enorme sentido de oportunidade; trata-se de um inédito de José Cardoso Pires, um trabalho sobre as relações entre a Igreja Católica e o Estado Novo e uma colectânea de textos sobre a infância, de personalidades bem conhecidas da vida portuguesa.
«infância – quando eles eram pequeninos», o primeiro título, são relatos de infâncias portuguesas do século XX, infâncias tocadas por acontecimentos como a guerra civil de Espanha, a segunda guerra mundial, a guerra fria, o aparecimento da televisão, a guerra colonial, a chegada do ser humano à Lua, o fim da ditadura em Portugal ou o advento das novas tecnologias. Os textos são de nomes tão diversos como António Mega Ferreira, António Vitorino d’Almeida, Armando Baptista Bastos, Carlos do Carmo, Carlos Vaz Marques, Inês de Medeiros, Jorge Silva Melo, Marcelo Rebelo de Sousa, Mário de Carvalho, Raul Solnado, Rui Reininho, Vicente Jorge Silva ou Zé Pedro. É um trabalho da jornalista Sarah Adamopoulos. António Barreto escreve o prefácio, um texto onde considera o resultado final do livro como «atraente e estranho».Segundo título, «A Oposição Católica ao Estado Novo – 1958/ 1974». O período que se seguiu à campanha para as eleições presidenciais de 1958, em que Humberto Delgado se candidatou pela oposição, com as relações entre o Estado Novo e os católicos portugueses a mudarem na aparência e no ser. Desde essa altura e até ao 25 de Abril de 1974 o Estado Novo enfrentou a contestação às suas instituições e às suas políticas por parte de alguns católicos portugueses. O autor, João Miguel Almeida, investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, apresenta homens e mulheres que protagonizaram essa contestação. O prefácio é de Fernando Rosas.
Finalmente, o título que promete causar maior sensação no mercado editorial português… «Lavagante – encontro desabitado», um texto de José Cardoso Pires nunca publicado em livro e que teve aquela que terá sido a sua primeira versão, muito reduzida, em Dezembro de 1963, no número 11 da revista «O Tempo e o Modo», na altura com o título «Um Lavagante e Outros Exemplares»; a acompanhar essa versão, havia uma «nota de redacção» a avisar de que se tratava de «um capítulo do seu próximo romance, ainda provisoriamente sem título». Deste texto, segundo as Edições Nelson de Matos, existem outras versões, manuscritas, sem data, uma delas com o título «O Lavagante e a Mulher do Próximo». Existem também algumas versões dactilografadas, igualmente sem datas. Ainda segundo a nova editora, todas indiciam, pelas emendas, que são posteriores ao texto publicado em 1963, sendo também possível perceber que se trata de um texto anterior ao romance «O Delfim», publicado pela primeira vez em 1968, pela Moraes Editores. A fixação do texto que agora é publicado, e a revisão, esteve a cargo de Ana Cardoso Pires, uma das filhas do escritor.
Sarah Adamopoulos, «infância – quando eles eram pequeninos», 232 pp.
João Miguel Almeida, «A Oposição Católica ao Estado Novo», 340 pp.
José Cardoso Pires, «Lavagante – encontro desabitado», 92 pp.
Mais informações e capas dos três livros no site da editora.