terça-feira, 4 de setembro de 2007

A solução das corujas


Solução, já se vê, para isto.

Boas notícias

Pedro Correia começou no «Corta-fitas» uma segunda série de cidades que jamais esquecerá.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Escritores no meu romance (2)

Paul Auster, Estados Unidos
Reparou num dos títulos, lembrava-se de que tinha saído havia uns anos… Uma só palavra, «Timbuktu». Pensou que no livro Auster contaria uma história africana e por isso decidiu levá-lo para ler. Desceu do escadote e desligou a luz. Já no quarto, deixou-se dormir em pouco tempo, desiludido, depois de perceber que «Timbuktu» era apenas a história de um cão e de um vagabundo, nos Estados Unidos. Depois não se podia esquecer de devolvê-lo ao lugar que ocupava na tal prateleira alta.
(excerto de «O que Entra nos Livros», página 126)

Começos prometedores - 7

«Numa quarta-feira de cinzas de há muitos anos, pelo menos duzentos anos, o cavaleiro Michael Percival, o Agachadiço, encarou a sua própria silhueta e, desembainhando o cutelo do monte, o de rematar javalis, cortar cajados de cerejeira, sabina ou faia e gravar corações e flechas nas cascas dos freixos, falou-lhe com alguma estudada serenidade e a meia voz.»
Início do romance «O Assassínio do Perdedor», de Camilo José Cela, 1994 (ed. portuguesa DIFEL, 1994)

Uma excelente ideia

Esta, de Manuel A. Domingos (blog «meia-noite todo o dia»).

A Padeira – XI e XII

Mais dois capítulos (XI e XII) de «Brites e as Gaivotas» (início aqui).

Brites e as Gaivotas
Uma história da Padeira de Aljubarrota

»»» Cap. XI
Assim Brites chegou a Portugal, depois de dois dias e duas noites no mar, sem sequer reparar nas gaivotas que a seguiam de perto.
- A puta nem nos liga!
Mas não foi no Algarve que deu à costa. Os ventos de sul impeliram-na bem mais para cima, além de onde se avistava os montes de Sintra, e levaram-na até uma pequena praia deserta. E como era uma mulher decidida, sempre pronta para as lutas da vida, nem perdeu tempo a respirar de alívio por assentar os pés em terra firme. Abandonou o barco do mouro enganado e afogado e fez-se ao caminho à cata de um rumo para a sua existência. As gaivotas, mesmo contra a natureza que tinham, decidiram segui-la.
- Eu, por mim, não ia.
- Não, temos que ver no que isto dá.
E depois de muitas terras e terriolas, pedindo esmola nuns lados e fazendo biscates noutros, e dormindo nalgum palheiro mais acolhedor, chegou ao ponto do mundo que, sem ela saber, o destino lhe tinha marcado.
- Isto chama-se como, senhor?
- Aljubarrota, meu rapaz!

»»» Cap. XII
Nessa altura, Brites andava vestida com trajes masculinos, ainda com medo de que a lei se lembrasse dela.
- Brites é boa na arte do disfarce.
Mas o tempo tinha passado, e as guerras com Castela tudo faziam a lei esquecer. Era por isso altura de arranjar uma vida fixa. Tanto que, como até gostou do nome da terra, não esteve com meias medidas, despiu as calças.
- Não vale a pena aproximarmo-nos, que ela fê-lo atrás daquela moita.
- Eu tenho é saudades do mar.
- Um dia voltamos, é só vermos a sorte de Brites.
De trás da moita saiu novamente uma mulher, feia e grande, mas uma mulher. Brites voltava a usar saia. Depois meteu-se à procura de trabalho, coisa que conseguiu na padaria de uma velhota da terra. Logo se mostrou tão esforçada que a pouco e pouco a patroa lhe foi entregando a direcção do negócio. E acabou por deixar-lho, a troco de bons cuidados, assim que viu aproximar-se a morte. Herdeiros, pelos vistos, não havia, ou então nenhum se atreveu a aparecer. E Brites foi tão atenciosa com a infeliz velhota que ainda lhe conseguiu amenizar o sofrimento dos últimos dias.
- Brites, afinal, tem coração.

Escritores no meu romance (1)

Roberto Ampuero, Chile
Parecia ser o protagonista do romance. Em páginas ao acaso, lá estava… «Nessa altura o mágico ocupava-se em despir a volumosa mulher com lentidão e habilidade, enquanto do gira-discos chegava a voz do Bárbaro del Ritmo, que o induzia a ensaiar as posições mais arrevesadas e singulares, desde as que eram próprias da cama, até às mais atrevidas, inspiradas no Kamasutra ou no antigo teatro chinês de Havana.»
(excerto de «O que Entra nos Livros», página 131)

domingo, 2 de setembro de 2007

Pergunta discreta

Mau sinal

Sporting 1 (Liedson), Belenenses 0. Pouco consegui ver do jogo, apenas dez minutos, mas nesse período Liedson marcou o golo. Já li algures que foi uma vitória do sofrimento. E que João Moutinho falhou uma grande penalidade com o resultado ainda em branco (mais um indicador de que tem tanto de bom jogador como, por vezes, de desastrado; falha grandes penalidades e falha muitos remates). Desta vez fico-me por aqui nos comentários (nem podia ser outra coisa). O Sporting ganhou com alguma dificuldade, enquanto Porto e Benfica passearam, ou deixaram-nos passear. Mau sinal.

Invasão iminente - 2

A crónica pode ser lida aqui.

Invasão iminente

Sobre a invasão iminente do nosso país por parte de milhões de ratos espanhóis, Vasco Pulido Valente escreveu na edição deste Sábado do «Público» uma crónica absolutamente genial. Não coloco aqui o link porque está fechada a sete chaves. Mas quem ainda não viu, vale a pena procurar a edição em papel. (...) De qualquer maneira, o futuro dos ratos não parece prometedor. Se não apanharem um processo disciplinar, nem os puserem no quadro de excedentes, voltam para Espanha com menos 15 gramas das 30 com que atravessaram a fronteira. (...)

sábado, 1 de setembro de 2007

Saramago hoje

De José Saramago, que bem me desiludiu com aquela história da união com (absorção por?) Espanha, li hoje três frases de que gostei bastante. No longo trabalho da revista do «Expresso», que só agora estou a folhear, vêm em destaque… «Não quero nada com Cavaco Silva. Onde ele estiver eu não estarei. E nunca o cumprimentaria.»