Um olhar de fora de Monchique; notável olhar, o de José Alberto Quaresma (hoje no «Correio da Manhã», crónica «Quintas do Algarve») sobre a situação na Câmara Municipal de Monchique.Tuta-e-meia
Monchique é o tecto do Algarve. Uma pequena autarquia de sete mil habitantes. Gente boa. Carlos Tuta preside aos seus destinos. Há quase um quarto de século. Legitimado por sete renovadas maiorias absolutas. É tanto tempo que a cadeira presidencial tem tendência para ganhar a mesma patine que o sofá lá de casa.
Por tuta-e-meia – cortiça mal vendida pelo Monchiquense – Tuta retirou ao vereador Carlos Henrique os pelouros do Desporto, Cultura, Acção Social, Protecção Civil e Ambiente. O ambiente, na câmara, ficara pesado porque Carlos Henrique votara ao lado da oposição.
Tuta é voluntarioso. Pensa bem. Tem autoridade. Gosta de poupar os vereadores a esforços. Se o presidente pode votar por eles, nas sessões camarárias, por que diabo António Mira e Carlos Henrique terão de fazer o esforço de levantar o braço? E por que há-de Carlos Henrique ter, episodicamente, opinião diferente de Carlos Tuta que melhor pensa por ele?
Pensando bem. Se Tuta, nos tempos áureos da Praia da Rocha, sabia exercer (com dificuldade, é certo) o seu voto de castidade, por que não há-de permitir, agora mais leve, que outros o façam? Os monchiquenses são uma família. E, como nas boas famílias, há opiniões discordantes. O poder do patriarca – manda a sabedoria – fica bem que seja magnânimo!