domingo, 23 de dezembro de 2007
Começou a perseguição
Podia ser a perseguição ao Porto, a começar depois da derrota da equipa de Jesualdo Ferreira com o Nacional. Mas não. É outra coisa. Quanto ao jogo de ontem à noite com o Paços de Ferreira (Sporting 2 – Vukcevic e Romagnoli –, Paços de Ferreira 1), não me pareceu mal, embora também não tenha sido nada por aí além. O jogador do nome de livros de cowboys parece não dar grande segurança, mas é sempre bem melhor vê-lo a jogar do que apanhar com o desastrado (embora esforçado) Anderson Polga na equipa. Paulo Bento, mais uma vez, escolheu apenas dez jogadores para a equipa inicial, mandando também o inclassificável Purovic para o relvado não se percebe bem para quê. Isso dificultou um pouco as coisas. Mas pronto, cumpriu-se o objectivo («grande» objectivo, convenhamos…) de reduzir a diferença para o primeiro de doze para nove pontos. Quanto à perseguição, a verdadeira perseguição, que justifica o título, é esta aqui.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Uma história de Natal
O PEQUENO CONSTRUTOR DE SEARASHouve um tempo em que ele construía searas. Na casa da tia, em Novembro, logo em fins de Novembro. Usava latinhas de conserva, sem o papel à volta com a marca, sem que depois se percebesse que vinham de acondicionar filetes de cavala, ou lulas, ou sardinhas, ou carapaus, ou até bocados de atum. Punha água e trigo nas latinhas anónimas e esperava que as searas crescessem, dia após dia, para que no Natal pudesse tê-las no presépio, os verdes campos de trigo, bem viçosos, já com as latinhas escondidas pelo musgo apanhado nas pedras do cerro por cima da fazenda.
Nunca falhou com uma seara, uma só que fosse. A cada ano dos Natais em que construiu searas para representar no presépio os campos de cultivo, nunca falhou. Punha-as sempre à beira do caminho, do risco de areia que arranjava em cima do musgo desde os ladrilhos da sala até à cabana onde colocava o menino, a mãe e o carpinteiro que estava casado com ela. A cabana da estrela de prata de chocolate, do burro cinzento e da vaca cor-de-laranja com um dos chifres partidos.
Ele usava as figuras que já vinham do tempo da avó. O menino, do mesmo tamanho da mãe, do carpinteiro, do burro e da vaca cor-de-laranja, cinco ou seis ovelhas, um músico de Viena, dois patos e um rei solitário, negro, bem negro, sempre montado num camelo a meio caminho entre os ladrilhos e a cabana, todos do tamanho do menino.
Na igreja da vila, no presépio que o prior mandava fazer todos os anos, havia tantas outras figuras, até um pastor para as ovelhas, como o que depois ele conseguiu comprar na loja onde se entregava o totobola. Um pastor para as ovelhas, de capote amarelo e com um ar tão novo entre as figuras do presépio que ele fazia na casa da tia; foi o pastor que acabou por ser a única novidade em tantos anos no presépio das searas. Mas o presépio da igreja... Nesse havia pontes, todas do tamanho do menino e das ovelhas, e castelos, também do tamanho do menino e das ovelhas, e do carpinteiro e da mãe do menino. E poços, desse tamanho também, e fontes, e camponeses, e os três reis magos, e cães, e cavalos, e carros-de-besta (com as bestas), todos do tamanho do menino. Na igreja da vila.
Todas essas figuras, ou umas parecidas, os poços, os camponeses, os cães, os carros-de-besta, os castelos, uma ponte, pelo menos uma, todas ele desejava ter para colocar no presépio da casa da tia. Mas apenas conseguiu o pastor. O rei negro ficava sozinho a meio do risco de areia que levava à cabana do menino, ano após ano. E era apenas disso que ele tinha vergonha, de ter um viajante de terras longínquas sem os dois companheiros de visita, como no presépio da igreja da vila. E a cada final de ano, quando se aproximava o Natal, quando começava a construir searas, ele pensava no que fazer para que os outros dois reis aparecessem. Mas nunca apareceram, nunca, em nenhuma das vezes em que foi buscar a velha caixa de sapatos com as figuras embrulhadas em papel vegetal.
Um dia, na cidade, viu uns presépios diferentes, apenas com o menino, a mãe e o carpinteiro que era o marido da mãe do menino. Nem a cabana aparecia nesses presépios, e do burro e da vaca nem sinal. Só uma caminha de palha para o menino. Nem a estrela que indicava a direcção do menino. Talvez por isso não aparecesse ninguém de visita, nem ovelhas, nesses presépios, talvez por falta da estrela. Foi o que ele pensou, mas aí já não era uma criança; e tinha havia muito tempo deixado de construir searas.
A evolução
«O meu maior sonho é ganhar o campeonato.» Palavras de Filipe Soares Franco, aqui. Para quem há menos de um ano dizia que o ideal era ficar em segundo lugar porque assim poupava-se nos prémios dos jogadores e ia-se na mesma à Liga dos Campeões, é sem dúvida uma evolução. Ou uma mudança. Como alguém disse em tempos, só os burros é que não mudam (ou não evoluem, acrescento eu).
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Filipe Soares Franco apareceu à Porto
Filipe Soares Franco esteve ontem à noite num programa de televisão («Trio de Ataque»). Pareceu-me muito bem: seguro, tranquilo, a irradiar confiança, desenrascado a falar, ponderado, sabendo o que dizia… Foi mesmo o que me pareceu. A certa altura dei comigo a pensar se não seria eu que estava a fazer confusão e o convidado do programa, inegavelmente Filipe Soares Franco, afinal era o presidente do Porto e não o presidente do Sporting. Soares Franco apareceu como se fosse o presidente do clube cuja equipa lidera o campeonato sem precisar de esticar muito a corda. Não fez a coisa por menos. Presidente de um clube que tem a equipa completamente à deriva, marcada por uma planificação que juntou desleixo, incompetência, irresponsabilidade e desvario? Não, nem pensar. Soares Franco apareceu à Porto. O Sporting, bem, o Sporting deve ter ficado para uma próxima oportunidade.
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Escritores no meu romance (32)
José Saramago, PortugalReparou numa fileira de livros de Saramago, todos de cor igual, só se distinguindo ao longe pela mancha de cada um dos títulos, uns curtos, outros mais compridos, e também pela largura de cada uma das lombadas. A fileira acompanhou-o por uns dois passos no seu percurso em busca de um lugar vazio.
(excerto de «O que Entra nos Livros», página 119)
O Sporting ontem
O Sporting ontem na Madeira frente ao Marítimo… Marítimo 1, Sporting 2 (um auto-golo, Vukcevik). Fez-me lembrar aqueles tempos de marasmo da década de 90 do século passado em que ganhávamos uns jogos pelo meio de derrotas e empates e não passávamos da cepa torta dos lugares secundários. Cada vez mais parece que o Sporting está nas mãos de gente incapaz de conduzir o clube ao sucesso. E depois, ter de ver a equipa a entrar em campo com um jogador (?) como Purovic… Bom, pior é vê-lo depois de um lado para outro, completamente atarantado e sem saber o que fazer se alguma bola lhe chega perto. Faço notar também dois lances do desajeitado Polga: o que lhe valeu o cartão amarelo, quando se enrolou com um adversário com patadas a agarranços, e um remate tresloucado para fora que fez na primeira parte quando a bola lhe foi parar aos pés e ele estava sozinho para atirar para a baliza, no que até seria um golo fácil (para um jogador de alguma classe, já se vê). Boas notícias: Adrien continua a jogar, Liedson parece que tem os problemas resolvidos e Vukcevic apesar de ser um jogador estranhíssimo sempre consegue de vez em quando alguns resultados (ontem foi um golo e meio, se contarmos que o auto-golo acabou por resultar de uma cabeçada sua).
A surpresa do dia
De vez em quando fica-se a saber destas coisas assim de repente. Para mim, foi a surpresa do dia.
domingo, 16 de dezembro de 2007
Sequela ou consequência
A propósito do post anterior, uma espécie de sequela (ou antes, uma espécie de consequência) do livro «Eu, Carolina» pode ser acompanhada aqui.
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O bravo cavaleiro Dom Quixote
Porto sem sentido
Desta ver vale a pena ler Pacheco Pereira. Também ele leu o livro de Carolina Salgado, quem sabe se comprado agora nalgum «alfarroubista». Eu li já há não sei quantos meses e pouca coisa me surpreendeu na altura.
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