Já tinha ouvido há uns dias falar do livro «Nova Teoria do Mal», de Miguel Real, que acaba de sair. E no sábado de manhã ouvi ler um pequeno excerto, em Montemor-o-Novo, numa sessão em que participaram Pedro Mexia, Eduardo Lourenço e Dulce Maria Cardoso. Foi Pedro Mexia quem leu, uma parte em que o autor compara o actual ministro da Saúde a um alemão do tempo da Segunda Guerra Mundial de apelido Eichmann e nome próprio Adolf (como o chefe). O excerto pareceu-me, a certa altura, divertido, nomeadamente numa alusão a que o ministro provavelmente assistia aos concertos Gulbenkian. De qualquer forma, no fim da leitura Pedro Mexia fez notar que a comparação não podia deixar de se considerar exagerada. Também me pareceu.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
As características dos vampiros
Um destes dias numa escola do Alentejo, mais uma vez para falar dos livros; sobretudo do último, em que nas diversas histórias entram animais aqui das redondezas. Uma turma de meninos e meninas de seis e sete anos, entusiasmados quando falavam dos animais que já tinham encontrado e das situações em que isso tinha acontecido. Mas a certa altura, já não me lembro por quê, uma menina lembrou-se de um programa de vampiros que via na televisão. Foi o suficiente para um intervalo só para falar de vampiros. Dos da televisão e dos dos livros. Eu já sabia da moda dos vampiros, mas não imaginava que havia tanta coisa. Nesse intervalo, consegui com a ajuda de toda a turma, perante o olhar complacente da professora, apontar nove características de um vampiro. Para além de algumas relacionadas com os dentes e com sangue, lembro-me de duas de que não estava à espera: os vampiros deslocam-se a grande velocidade e abanam a cabeça com frequência. Um menino da última fila, que estava sempre de dedo no ar para conseguir participar, garantiu-me mesmo que estas duas características nunca falham num verdadeiro vampiro. Vou passar a andar mais atento na rua.
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Livro «O Sorriso Enigmático do Javali»
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Zapping ortográfico
As televisões próximo da hora do almoço a repetirem programas do dia anterior. Num da RTP ouço Luís Filipe Vieira a dizer que «depois do jogo de Guimarães hadem reparar que as arbitragens» já não me recordo o quê. Mudo para a TVI e aparece-me Paulo Futre a pedir não percebo a quem: «Mete a imagem mais grande! Mete a imagem mais grande!»
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Língua Portuguesa
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Revista «human» de Fevereiro
A edição número 38, que não tem nada a ver com o ministro da Economia; foi apenas uma coincidência, pois o trabalho já estava feito na altura do célebre discurso da internacionalização dos pastéis de nata. Nas bancas desde o início do mês (ver aqui).
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Revista «human»
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
António Souto – Crónica (44)
O que nos vale é termos uma ministra diligente e entendida em matéria de cristas, e que já fez saber que, apesar do atraso, Portugal avançará com a brevidade possível no cumprimento da legislação comunitária. Fiquemos, pois, tranquilos.
Doidas, doidas as galinhas?!
Ainda não há muito tremíamos com o sintoma das vacas loucas e fungávamos com o prenúncio de umas aves longínquas que nos queriam arrastar para um estado gripal pandémico e dizimador, maldizendo assim uns quantos animais ameaçadores quando afinal não há animal mais facínora do que o homem, que, sendo como se sabe o lobo do homem, persegue e ataca igualmente todos os outros animais sem qualquer apelo nem agravo.
Felizmente, há uma união europeia vigilante, e nela uns quantos serviços zelosos que vão cuidando do bom relacionamento entre as espécies, daí que quando algum país prevarica não se coíbem de aplicar com o rigor que se exige a legislação que tão primorosamente produziram.
E o que observamos é que praticamente metade dos países europeus não leva a sério os animais seus semelhantes, crendo que estes, com os quais convivem, na rua como na mesa, não são mais do que animais, seres subalternos que, desprovidos de razão, são igualmente desprovidos de direitos e de honrarias (ah, com que deleite traumático assistíamos na infância às galinhas degoladas correndo pelo pátio fora, ou aos coelhos pendurados e esfolados a quente, ou ao porco de dez arrobas sangrado e chamuscado e esventrado junto à salgadeira…). Não senhor, se é preciso continuar a dedicação aos nossos canídeos e felinos, é também urgente curar de proteger os bovinos e os suínos, gado que tão maltratado tem sido por eurocidadãos desapiedados. E porque não há bela sem senão, os galináceos também não escapam ao ensejo protector das directivas, como agora se regista: «A diretiva 1999/74/CE exige que, a partir de 01 de janeiro de 2012, todas as galinhas poedeiras sejam mantidas em ‘gaiolas melhoradas’, com mais espaço para fazerem ninho, esgravatarem e empoleirarem-se, ou em sistemas alternativos.»
É claro que esta directiva especifica a casta das galinhas, casta nobre responsável pelo princípio do mundo e pela qualidade superior dos nossos idiossincráticos pastéis de nata, e não de qualquer variedade rafeira, tipo garnizés. E determina também as características das jaulas: «Só podem ser utilizadas gaiolas que prevejam, para cada galinha, pelo menos 750 cm² de superfície da gaiola, um ninho, uma cama, poleiros e dispositivos adequados para desgastar as garras, que permitam às galinhas satisfazerem as suas necessidades biológicas e comportamentais.» Ora aí está o busílis da questão, bichos engaiolados sem os devidos requisitos deprimem, e galinhas deprimidas é meio caminho para uma produção deficitária de zigotos e para uma multa mais que certa para os aviários infractores. O que nos vale é termos uma ministra diligente e entendida em matéria de cristas, e que já fez saber que, apesar do atraso, Portugal avançará com a brevidade possível no cumprimento da legislação comunitária. Fiquemos, pois, tranquilos.
Tranquilos, é como quem diz, que nos continuam faltando muitas mais directivas, ordenações imprescindíveis para a protecção do assédio turístico aos golfinhos do Tejo ou das investidas gastronómicas aos desventurados passarinhos fritos ou aos empalados leitões da Bairrada, que o que nos não falta é gente desumana e lambona que não olha a meios quando se trata de petiscos.
E agora que se acaba nas escolas a Formação Cívica, como hão-de as pessoas sensíveis de amanhã aprender a deixar de comer galinhas?
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António Souto,
Crónicas
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Fim
A última crónica de Pedro Rosa Mendes na RDP pode ser ouvida aqui. Enquanto caminhamos a pouco e pouco para o fascismo.
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Pedro Rosa Mendes
Gralhas
Vejam esta gralha da SIC sobre o Carvalho da Silva.
Eu já o entrevistei para a revista. Lembro-me dos cuidados extremos que dessa vez tivemos na revisão, e o mesmo acontece com outros Carvalhos que têm sido entrevistados ou que têm assinado artigos de opinião, ou simplesmente que têm sido referidos em reportagens, por exemplo.
Acho que a pior gralha que me aconteceu foi esta: um português, director da filial em Portugal de uma multinacional, foi convidado para assumir responsabilidades a nível europeu, com o nome do cargo em inglês: Head of Strategy. No texto que eu escrevi saiu uma gralha, ficando o cargo Dead of Strategy. Uma pessoa da empresa telefonou-me a pedir explicações. Disse-lhe que uma das hipóteses poderia ser uma traição do corrector e pedi desculpa pelo sucedido. Ele queria uma nota na edição seguinte da revista. Disse-lhe que era melhor não, que mais valia esquecer o assunto do que voltar a referi-lo. Ele não pareceu convencido. E então eu disse-lhe que a nota seria mais ou menos isto: «No texto tal tal da edição passada, sobre o novo cargo do senhor tal tal, quando se referiu Dead of Strategy queria-se referir Head of Strategy.» E aí ele ficou convencido, dizendo que voltar a falar em Dead of Strategy nem pensar.
Há muitos anos, eu próprio fui a vítima. Um jornal da minha terra convidou-me para fazer uma pequena crónica semanal e pediu-me que arranjasse um nome genérico para ela. Já não sei por quê, lembrei-me de «O Varredor de Luas». Quando recebi o jornal com a primeira crónica, a primeira coisa que vi foi que o nome tinha mudado. Mandei um mail para o jornal a perguntar o que tinha acontecido. Disseram-me que o revisor tinha visto «O Varredor de Luas» e que tinha achado que eu me tinha enganado, daí ter mudado para «O Varredor de Ruas».
Uma lógica
Em tempos de tão pouca independência, não fiquei nada espantado
por um dos feriados escolhidos para acabar ter sido aquele em que se comemora a
restauração da nossa independência. Estranhamente, quem pareceu espantado foi o
próprio tipo que fez o anúncio, de olhos esbugalhados como se atrás de alguma
das câmaras que o filmavam estivesse um fantasma, ou na volta o deputado do PCP
Bruno Dias, que numa comissão parlamentar o fez passar uma vergonha histórica;
ou então algum padre/ sacerdote de Braga.
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Feriados
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
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