sábado, 22 de outubro de 2011

Finalmente

Finalmente, uma frase de jeito do Jorge Jesus: «Os nossos políticos, se fossem treinadores, estavam pouco tempo a governar o país.»

domingo, 16 de outubro de 2011

Duas dúvidas

Estive fora hoje. Foi criado entretanto mais algum imposto? E a respeito de roubos, há novidades?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os javalis pequenos saíram à noite


Enquanto Pedro Passos Coelho anunciava mais medidas de austeridade, eu estava a trabalhar (mais umas duas horas e não a meia hora da treta que ele anunciou). Só o ouvi depois no carro, de regresso a casa. Foi poucos minutos a seguir a ter parado no meio do campo por causa dos javalis pequenos, que parece que escolheram esta noite para uma saída geral (tentei apanhar alguns com o telemóvel, mas não saiu grande coisa porque uma mão tinha de estar sempre no volante para direccionar a luzes). Depois, já mesmo a chegar, ainda dei com o texugo gordo do montado (que não via há meses), mas esse até ao telemóvel conseguiu escapar, correndo de forma atabalhoada e com as banhas aos saltos. E ao estacionar o carro, não sei por quê, liguei o rádio. Lá estava o tipo a anunciar as medidas, pesaroso. É melhor ser pesaroso do que ser mentiroso, acho eu. Nos primeiros anúncios, mal chegou ao governo, passou por mentiroso, depois do que tinha apregoado na campanha, onde até uma adolescente de uma escola teve a lata de enganar. Agora é diferente. Já não se trata de mentiras. Anunciou, está anunciado. Presume-se que não tinha feito promessas para 2012 ou para 2013, apenas para 2011. E portanto, agora, anunciou. Apareceu então pesaroso, apenas isso. Deve ter percebido que um primeiro-ministro não deve mentir, até deve ter percebido – arrisco – que qualquer pessoa não deve mentir. Fico agora a aguardar pelos novos modelos de carros que os membros do governo e outros parecidos vão passar a usar. Não creio que no estado em que o país se encontra possam continuar com Mercedes e BMWs de alta cilindrada, como os que hoje vi de um lado para o outro junto à Presidência do Conselho de Ministros. Certamente irão trocar por outros, e nalguns casos abolir o direito a carro. Os que mantiverem esse direito, espero que não usem mais do que utilitários. Um Fiat Punto para secretário de Estado, uma coisa um bocadinho acima para ministro. Não vai cair a ninguém nenhum parente na lama, quase de certeza. Se cair, enfim, que se levante.

sábado, 8 de outubro de 2011

Figura triste

Que figura mais triste fez ontem à tarde no Parlamento o ministro da Economia e de mais uma data de coisas, Álvaro Santos Pereira!... O antigo professor universitário mais parecia um aluno cábula a ter de repente de fazer um prova oral. Aonde ir buscar as respostas que devia dar?, parecia perguntar a si próprio, com um olhar assustado, nalguns momentos a caminho do pânico. A certa altura já me fazia tanta pena que desliguei a televisão.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O espião


Um espião, hoje, a meio da manhã, por aqui.

António Souto – Crónica (40)

Se ao menos, aproveitando as derradeiras réstias de sol, tivéssemos castanhas e as soubéssemos pilar para mais tarde dulcificarmos a ilusão de fortuna havida… Mas não cremos mais em nós nem em quem nos governa, de dentro como de fora, que a Europa continua jacente e sem mensagem, e os pessoas deste reino estão emudecidos.

Portugal a entristecer
Não sei se por ter partido José Niza, se por o seu passamento me ter trazido à memória uma vez mais Ary dos Santos, ou se por esta lembrança arrastar consigo a voz de Carlos do Carmo, dei comigo a cantarolar por dentro esta quadrinha-refrão: «Quem quer quentes e boas, quentinhas?/ A estalarem cinzentas, na brasa./ Quem quer quentes e boas, quentinhas?/ Quem compra leva mais calor pra casa.» Não sei. O que sei é que Setembro, que bem poderia ser o mês inaugural das costumeiras castanhas assadas, quando agora começa o tempo delas, será muito certamente o mês primeiro da austeridade a sério, o primeiro dos muitos meses de muitos ouriços e de poucos magustos.
Parece irónico que tenhamos de saber nos bolsos e nos palatos o verdadeiro valor e préstimo dos castanheiros. Num elogio que faz à árvore e ao fruto, ilustra Miguel Torga: «Assada, no S. Martinho, serve de lastro à prova do vinho novo. Cozida, no Janeiro glacial, aquece as mãos e a boca de pobres e ricos. Crua, engorda os porcos, com a vossa licença…».
E o S. Martinho, que não tarda está aí, vai ter de andar doravante por perto com a sua capa solidária para nos proteger do frio que vem para durar pelas estações adiante. E por muito que a parta e reparta, será sempre pouca para agasalhar os défices e as misérias da nossa circunstância. A lenda, como a boa ficção, acaba por superar esta nova realidade de agora, mais que o fogo-fátuo do Portugal pessoano a entristecer.
Se ao menos, aproveitando as derradeiras réstias de sol, tivéssemos castanhas e as soubéssemos pilar para mais tarde dulcificarmos a ilusão de fortuna havida… Mas não cremos mais em nós nem em quem nos governa, de dentro como de fora, que a Europa continua jacente e sem mensagem, e os pessoas deste reino estão emudecidos.
Abranda a economia, quebranta o investimento, adensa o desemprego, encolhem os salários, declina o poder de compra, afrouxa o consumo, abranda a economia, quebranta o investimento, adensa o desemprego, encolhe, declina e afrouxa tudo, só não afrouxa o eufemismo de quem vê poesia nas migalhas deixadas em fim de festa sobre a toalha de ninguém.
As migalhas que restam para os meninos de amanhã, e depois, ah!, Manuel da Fonseca, «Depois quando/ com o tempo/ a criança/ vem crescendo/ vai a esperança/ minguando./ E ao acabar-se de vez/ fica a exacta medida/ da vida/ de um português.».
Não que seja o mal apenas nosso, mas bem podemos nós com o mal alheio, e o nosso mal é também e sobretudo culpa nossa, que atirámos castanhas aos porcos, como pérolas, e os engordámos a tal ponto que desmesurados se cevaram igualmente de nós. E na caruma do magusto assamos em turba toldados de ouriços pelos Outonos adentro.
Pessimista, eu? Não, só como no «Só» de António Nobre: «Amigos,/ Que desgraça nascer em Portugal!»…

Crónica de Setembro de 2011 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28; 29; 30; 31; 32; 33; 34; 35; 36; 35; 37; 38; 39.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

Os almoços para a internacionalização


«Incluiu vários almoços de trabalho, muito apreciados.»

Excerto do relatório sobre internacionalização da economia portuguesa, encomendado pelo Governo a uma equipa coordenada pelo economista Jorge Braga de Macedo - na parte em que se refere às instalações que usaram para as reuniões de preparação do documento (citado pelo «Expresso»)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Gostei


Gostei de ouvir ontem à tarde Pedro Passos Coelho dizer no Parlamento que da última vez que aí tinha estado, afinal, tinha falado de mais – a propósito da dívida da Madeira e do respectivo plano de recuperação, ou lá como vai ser chamado. Teve a humildade (e a «frontalidade», palavra sua) de assumir um erro. Está a aprender. Agiu de forma diferente da do dia em que no mesmo sítio anunciou a imposto extraordinário de 50% sobre o subsídio de Natal. Nessa altura, se a medida era inevitável (como as coisas estão, e com a falta de informação que temos, admito que era, mas certezas nem me atrevo a ter sobre o assunto), se era inevitável, ia eu dizendo, pedia desculpa por tudo o que tinha andado a apregoar na campanha eleitoral, com o cúmulo daquela cena lamentável numa escola de Vila Franca de Xira, e depois de pedir desculpa fazia o anúncio. Mas não. Comportou-se então como um vulgar mentiroso. Por isso, agora, gostei da atitude. Demonstra que tem capacidade para aprender com os próprios erros, coisa que, como se sabe, não está ao alcance de toda a gente.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011