quinta-feira, 2 de junho de 2011

Diálogo de hoje

– Já decidiste em que chulo vais votar?
– Não vou votar em ninguém.
– O quê, vais votar em branco?!
– Não.
– Ah, vais escrever umas coisas no boletim…
– Não.
– Então?
– Eu não vou votar.
– Mas devias ir.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia da Criança

No Dia da Criança, logo pela manhã. Uma casinha de fadas na margem direita do Rio Almansor.

terça-feira, 31 de maio de 2011

O chinês

Hoje de manhã, na «Antena 1». Algures no Ribatejo, um acompanhante da caravana do Bloco de Esquerda, trajado a rigor (do Ribatejo, conforme depreendi da conversa), explicava ao jornalista por que é que não votava nos outros partidos. No caso do PCP, dizia que o tinha abandonado depois de ter passado o tempo de Álvaro Cunhal, uma pessoa que considerou «de rosto muito bonito». A seguir o PS – «têm lá um grande mentiroso», explicou. Quanto ao PSD, o problema era o carácter de Passos Coelho (contra quem nada tinha) não servir para «estar à frente do país». Finalmente, o PP, em relação ao qual identificou uma desvantagem no líder: «O Paulo Portas não me seduz tão bem.» De forma que ia votar no Bloco de Esquerda. E para eliminar alguma dúvida que ficasse no jornalista (se calhar por via dos acompanhantes de turbante que o PS levou a um comício em Évora), explicou que podia mesmo votar: «Sei que tenho cara de chinês, mas sou natural do Vale de Santarém.» Eu, é claro, nem tinha reparado.

Revista «human» de Junho

João Duque: «Muitos políticos têm uma obsessão pelo optimismo, mas o optimismo não se funda numa mentira.» Nas bancas a partir de hoje a edição de Junho da revista «human». Ver aqui.

domingo, 29 de maio de 2011

António Souto – Crónica (36)

Parece que havia diante dele, numa mesinha de ocasião, uma biografia com o seu boneco na capa e um título de arrasar: Paulo Futre – «El Portugués». E no ar, claro, no ar havia um leve sotaque espanholado e um ambiente de fusão transpirando negócio. Parece que havia, porque não a cheguei a topar. Como diria Mia Couto (que não por acaso também lá estava), passei em sua renteza e desamparei a loja.

Desmotivações
No último dia da feira do livro, fui finalmente à feira do livro. Em Lisboa. A feira foi no Parque Eduardo VII, e foi lá que lá fui, como à festa. Uma tarde simpática, um calor suportável, uma vista de postal ilustrado com Tejo ao fundo e alguma animação.
Por quê só no último dia? Calhou, ou melhor, fui adiando. Não é que não tivesse motivação suficiente para lá ir antes, como é hábito meu, pelo menos uma vez ao lançar dos foguetes, outra lá mais para o meio, para o arraial, e outra no fim, para o apanhar das canas; mas desta vez desleixei-me, que é como quem diz, disfarcei com o facto de no último dia haver por lá amigos escritores e muitos outros, muitos outros escritores que não sendo amigos sempre ficam bem no retrato. Tão como fora dele.
Havia por lá muitos, só no espaço Leya era aos punhados, uns muito famosos, outros assim-assim, outros anónimos mas já com tiques de estrelato a sair-lhes com discrição pelo canto dos olhos. E livros, então, às toneladas, quase aos pontapés.
Por falar em pontapés, estava lá o Futre a fazer jus à publicidade, de óculos escuros para dar pinta de celebridade, com uma fila de fãs de fazer inveja aos escreventes todos, e todos juntos. E sempre que saía um livro lá saía uma fotografia. Ele era sorrisos e abraços e beijinhos e poses de camisa arregaçada e fio de ouro ao pescoço com dois amuletos, que a gente sabe como são os internacionais a sério e que se levam a sério. Parece que havia diante dele, numa mesinha de ocasião, uma biografia com o seu boneco na capa e um título de arrasar: Paulo Futre – «El Portugués». E no ar, claro, no ar havia um leve sotaque espanholado e um ambiente de fusão transpirando negócio. Parece que havia, porque não a cheguei a topar. Como diria Mia Couto (que não por acaso também lá estava), passei em sua renteza e desamparei a loja.
Voltemos aos amigos. No centro da romaria, um abraço sentido ao Urbano Tavares Rodrigues, fidalgo das letras e dos afectos, senhor de uma incomensurável abnegação; no lado oposto, mais amainado, um encontro prometido com o António Manuel Venda, escritor de lugares e de vagares, e com ele uns minutos de conversa para rematar a tarde.
Se gostei da feira? Gostei, mas esqueci-me, pela primeira vez, de comprar um livro para mim. Mas também pela primeira vez, creio que pela primeira vez, a fartura que comi à saída, porque motivado, não me causou azia.
Azia que, para falar verdade, é o que muita criatura tem na cabeça quando a razão lhe desce para o estômago. Isto sou eu a lembrar-me agora, como quem foge com o rabo à seringa (digo, à feira), da derrota do Benfica frente ao Braga e do Jorge Jesus, numa espécie de acto de contrição, a desabafar que os seus jogadores precisavam de motivação. De motivação, disse ele. Pelos vistos, não há nada pior de que um plantel de luxo, bem pago e com mordomias desmotivado atrás de uma bola.
Lérias, pois então, dêem-lhes farturas, só farturas, boas e motivadas farturas, e no intervalo delas dêem-lhes livros, muitos livros sobre auto-estima e motivação, e se não souberem ler não faz mal, far-lhes-á bem passearem-se com eles, os livros, debaixo do braço, como quem aspira a novas oportunidades, que o que é preciso é mesmo um pretexto.
Afinal, que motivação têm os tornados na América ou um vulcão qualquer, como um impronunciável Grimsvotn, para as bandas da Islândia? Nenhuma, e no entanto…
E no entanto acabei por ir à feira do livro no último dia da feira do livro.

Crónica de Maio de 2011 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28; 29; 30; 31; 32; 33; 34; 35.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ontem, em Lisboa

Ontem, no «Seminário de Gestão de Recursos Humanos 2011», da Universidade Lusíada de Lisboa (painel «Novos desafios da GRH», tema «Jornalismo em GRH»)

Palavras cruzadas especiais

Umas palavras cruzadas especiais, no quarto aniversário do blog de Paulo Freixinho, palavras com definições de vários escritores. Para a palavra que me foi atribuída, arranjei a seguinte definição:

Profissão bem remunerada e sem exigir grandes competências, com a mais-valia de por vezes dar direito a reforma bem aviada logo na casa dos quarenta. Apesar de ter sido em tempos classificada por António Sousa Franco como de «desgaste rápido» (numa entrevista televisiva a Herman José), nunca a medicina foi capaz de definir um quadro-padrão a nível patológico que pudesse suportar investigações sobre possíveis fármacos ou terapias a aplicar. O que se conhece são efeitos dispersos, como pessoas que simulam corninhos com os dedos, outras que dizem num dia exactamente o contrário do que tinham dito no dia anterior (sem que contudo lhes cresça o nariz), outras ainda que tomam posse de gravadores alheios (insistindo depois em escondê-los nas algibeiras), ou então situações em que os pacientes se divertem a contar anedotas sobre hemofílicos mortos em hospitais ou dizem querer dar aulas de economia no ensino superior depois de terem levado um país à falência. Isto, obviamente, só para dar alguns exemplos e deixando de lado situações mais complexas em que os efeitos não se produzem directamente nas pessoas mas nas respectivas carreiras, nos carros que conduzem, nas casas onde moram e até, imagine-se, nas contas bancárias de que são titulares ou noutras em que o nome que aparece é o de um familiar.

Quem tiver interesse em fazer estas palavras cruzadas especiais de aniversário, pode ir até aqui.

Intervenção na Universidade Lusíada

O suporte da minha intervenção no «Seminário de Gestão de Recursos Humanos 2011», da Universidade Lusíada de Lisboa (25 de Maio de 2011, painel «Novos Desafios da Gestão de Recursos Humanos» – tema «Jornalismo em Gestão de Recursos Humanos») pode ser visto aqui.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Em Évora

Ontem à tarde, na Universidade de Évora, durante as «Jornadas de Gestão 2011».

domingo, 22 de maio de 2011

Logo de manhã

Terena, bem no Alentejo profundo, por volta das dez da manhã. Uma das equipas dos pequenitos do União de Montemor preparada para começar o jogo contra o Estremoz.

sábado, 21 de maio de 2011

Cinco anos

O blog «Floresta do Sul» faz hoje cinco anos.