quinta-feira, 26 de maio de 2011

Palavras cruzadas especiais

Umas palavras cruzadas especiais, no quarto aniversário do blog de Paulo Freixinho, palavras com definições de vários escritores. Para a palavra que me foi atribuída, arranjei a seguinte definição:

Profissão bem remunerada e sem exigir grandes competências, com a mais-valia de por vezes dar direito a reforma bem aviada logo na casa dos quarenta. Apesar de ter sido em tempos classificada por António Sousa Franco como de «desgaste rápido» (numa entrevista televisiva a Herman José), nunca a medicina foi capaz de definir um quadro-padrão a nível patológico que pudesse suportar investigações sobre possíveis fármacos ou terapias a aplicar. O que se conhece são efeitos dispersos, como pessoas que simulam corninhos com os dedos, outras que dizem num dia exactamente o contrário do que tinham dito no dia anterior (sem que contudo lhes cresça o nariz), outras ainda que tomam posse de gravadores alheios (insistindo depois em escondê-los nas algibeiras), ou então situações em que os pacientes se divertem a contar anedotas sobre hemofílicos mortos em hospitais ou dizem querer dar aulas de economia no ensino superior depois de terem levado um país à falência. Isto, obviamente, só para dar alguns exemplos e deixando de lado situações mais complexas em que os efeitos não se produzem directamente nas pessoas mas nas respectivas carreiras, nos carros que conduzem, nas casas onde moram e até, imagine-se, nas contas bancárias de que são titulares ou noutras em que o nome que aparece é o de um familiar.

Quem tiver interesse em fazer estas palavras cruzadas especiais de aniversário, pode ir até aqui.

Intervenção na Universidade Lusíada

O suporte da minha intervenção no «Seminário de Gestão de Recursos Humanos 2011», da Universidade Lusíada de Lisboa (25 de Maio de 2011, painel «Novos Desafios da Gestão de Recursos Humanos» – tema «Jornalismo em Gestão de Recursos Humanos») pode ser visto aqui.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Em Évora

Ontem à tarde, na Universidade de Évora, durante as «Jornadas de Gestão 2011».

domingo, 22 de maio de 2011

Logo de manhã

Terena, bem no Alentejo profundo, por volta das dez da manhã. Uma das equipas dos pequenitos do União de Montemor preparada para começar o jogo contra o Estremoz.

sábado, 21 de maio de 2011

Cinco anos

O blog «Floresta do Sul» faz hoje cinco anos.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Recordação da feira do livro

Feira do Livro de Lisboa, ontem à tarde, no espaço do Grupo Porto Editora, onde se incluía a zona da Quetzal. Da mesa onde estava a dar os autógrafos, fotografei com o telemóvel o candidato agora trabalhista José Manuel Coelho, com uma enorme vassoura às costas, a tentar convencer uma senhora enquanto esta comia um gelado.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Feira do Livro de Lisboa

Sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa: 15 de Maio, 16-18 horas (Quetzal, Grupo Porto Editora).

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A propósito do programa eleitoral do PSD

«António, na política há os chulos e os burros; nós fazemos parte dos burros.»

A questão toca-me particularmente, pelo facto de há poucos anos ter integrado listas do PSD em eleições, tendo inclusive sido vereador na câmara da minha terra e depois deputado na assembleia municipal. Refiro-me ao programa do PSD que agora foi apresentado para as próximas eleições legislativas. Esse programa deixa-me preocupado e, obviamente, impede-me de votar no PSD. Se é para votar em quem defende coisas com que não concordo, comigo não contem, porque isso seria tão irracional como votar em José Sócrates. Entre as coisas com que não concordo (também há muitas que me parecem bem), estão várias ideias de Pedro Passos Coelho. Eu não concordo com algumas das privatizações propostas, sobretudo aquela que já escrevi que me parece uma mania, a da Caixa Geral de Depósitos. Acho que quanto mais fontes de receita o estado tiver, melhor; os seus responsáveis devem é preocupar-se em criar condições para que nas empresas públicas não entre gente inútil para roubar de forma legal (como em Portugal se tornou moda) todos os meses um chorudo ordenado. Não vejo problema nenhum em que o estado tenha empresas em determinados sectores, desde que dêem lucro. Muitas tivesse o estado português e bem melhor estaríamos.
Outro aspecto que me chamou a atenção é a questão dos funcionários públicos, de só entrar um por cada cinco que saiam. A ideia não é nova, só que antes era entrar um por cada dois que saíssem, ou por cada três, já nem me lembro bem. Trata-se de uma medida simplesmente idiota. Com algum sentido de gestão e sobretudo de bom senso, facilmente se chega à conclusão de que o importante é impor na administração pública uma grande racionalidade, para que saia quem não faça lá nada e para que entre quem seja necessário. Fazendo isto, certamente que em muitos serviços públicos iria entrar muita gente e de muitos outros iria sair muita gente (e de outros sairia toda a gente e eles seriam extintos). O resultado, tenho a certeza, seria uma administração pública muito mais pequena e onerosa do que a actual, e acima de tudo eficiente e eficaz.
Finalmente, as reduções devidamente quantificadas; por exemplo, o número de deputados ou a percentagem da taxa social única. Por mim tudo bem, só lamento que não se diga nada de concreto em relação a outras coisas, como o tecto para as reformas, para vermos para que nível seriam reduzidas reformas como as de Campos e Cunha, Catrogra, Cavaco, Mira Amaral e tantos outros, reformas que, algumas delas, resultam da indecorosa situação que se vivia no Banco de Portugal, em que uns poucos anos num cargo (a questão nem era trabalhar) dava direito a vários milhares de euros de reforma para o resto da vida – e sabe-se que houve gente que é tida em Portugal como de referência que logo aos 47 anos aproveitou para começar a sacar alguns milhares de euros mensalmente.
Junto com isto das reformas, também não percebo que não se tenha dito nada em relação às subvenções políticas, situação em que estão muitas pessoas ainda na casa dos 50 anos e que todos os meses recebem alguns milhares de euros (até ao fim da vida), e só porque tiveram funções políticas. Marques Mendes, que tantos cortes apregoa em directo na televisão, e com razão, é um deles, e tem boa idade para trabalhar, não para ser um peso para o orçamento do estado, orçamento que ele próprio diz que tem de emagrecer. Aliás, neste aspecto das subvenções políticas, Passos Coelho deveria mesmo ter alguma ideia, pois nunca pediu aquela a que a lei (uma lei que nos deveria ter envergonhado) lhe deu direito.
Sempre me chocou ver mais este roubo legal, ainda por cima a passar-nos diante dos olhos e sem nada que se possa fazer. Quando era vereador, tanto eu como o meu colega do PSD nada ganhávamos. Já os dois vereadores do PS, e também o presidente (igualmente do PS), tinham os seus ordenados e, apesar de estarem próximos dos 50 anos, tinham também as suas reformas, que resultavam em grande parte, imagine-se, dos próprios cargos que desempenhavam. Nisto deve-se fazer justiça a José Sócrates, que fez tanta porcaria neste país nos últimos anos mas pelo menos acabou com o abuso que constituíam essas acumulações (enfim, ficaram de fora algumas), e que foi – não sei se ainda se lembram – onde começou o afastamento do governo do então ministro Campos e Cunha, depois do escândalo da descoberta da reforma de vários milhares de euros que acumulava do Banco de Portugal por meia dúzia de anos de trabalho e com boa idade para não ser reformado e viver apenas do seu trabalho. Voltando à câmara onde fui vereador, a situação, no caso do presidente, era absolutamente caricata. Como estava no poder havia uns 25 anos, e cada ano contava a dobrar em termos de descontos para a segurança social, ele já tinha mais anos de descontos do que de vida. Um tipo de sorte, certamente. Tanto mais que houve uma altura, ainda me lembro, em que foi nomeado para mais um cargo, para juntar aos muitos que já tinha; dessa vez era num comité qualquer da União Europeia. Quando me disseram nem liguei, até comentei que o PS lhe tinha arranjado mais um tacho; mas depois, passados uns dias, fiquei estupefacto: tinha sido o próprio PSD a propor o nome dele. Na altura, o meu colega de vereação, pelo PSD, disse-me algo que de vez em quando repetia: «António, na política há os chulos e os burros; nós fazemos parte dos burros.»