domingo, 27 de fevereiro de 2011
Em branco
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Só mesmo uma criança
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Carta aberta àquele que foi o pior presidente da longa história do Sporting Clube de Portugal
Caro JEB
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Trato-o assim, usando apenas as três letras de uma sigla que nunca cheguei a perceber quem arranjou, só para não ter de escrever um nome – o seu – que ficará para sempre ligado ao pior da história do Sporting.
Escrevo-lhe esta carta porque hoje é o dia, segundo creio, em que você deixa definitivamente o clube depois da demissão pela qual há tanto tempo milhares e milhares de sportinguistas aguardavam. Eu não podia deixar de assinalar este dia.
Daqui para a frente, espero que nunca se esqueça disto: você foi mesmo o pior, e o que mais nos envergonhou. Se for preciso, escreva num papelinho e ande com ele sempre na carteira, e procure ganhar o hábito de lê-lo com regularidade. Para que tenha sempre presente que você foi mesmo a pior coisa que alguma vez podia ter acontecido ao Sporting.
Quero também dar-lhe uma explicação sobre a palavra que usei no início desta carta («caro»). Não o fiz, obviamente, por qualquer tipo de consideração que tenha por si, pois consideração por si estou bem longe de ter nem que seja só um bocadinho. O que você fez ao Sporting merece algo muito diferente de consideração. Você fez-nos muito mal, e além disso – faço questão de repetir – envergonhou-nos como nunca antes alguém nos havia envergonhado. Jorge Gonçalves, um presidente também de má memória que tivemos e que ficou conhecido por usar longos bigodes, ao pé de si merecia já não digo uma estátua à entrada do nosso estádio, mas pelo menos um busto (veja lá, por isso, o tamanho da vergonha que você nos tem feito passar desde que desgraçadamente nos saiu ao caminho…). Usei o «caro» antes da sigla JEB por causa do que você nos custou mês após mês. Você foi um presidente demasiado caro, ou antes, demasiadíssimo, se é que a palavra existe. A cada dia que passava consigo a presidente, o Sporting devia tê-lo multado por tudo o que você ia fazendo de mal. Mas não, nunca o multou, e você ainda recebia um salário de várias dezenas de milhares de euros no fim de cada mês. Por isso, aqui, eu só podia mesmo começar por tratá-lo por «caro».
Depois de si no Sporting, fica-se com a sensação de que o clube já passou pelo que de pior lhe poderia acontecer. O dia 14 de Fevereiro devia ficar marcado no calendário leonino. O dia em que nos livrámos do pior presidente de uma longa história. E aos sportinguistas mais jovens, nesse dia, poderiam os outros passar a falar das suas figuras enquanto presidente do nosso clube. E dizer-lhes: «Vêem o que ele fez?! Pois fez sempre o contrário do que devia ter feito.»
Pelo Sporting, peço-lhe, nunca mais se meta no nosso caminho!
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Nas bifanas
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sábado, 5 de fevereiro de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
No Cairo
Para ajudar a compreender o que vai acontecendo por estes dias no Cairo. Via blog «A Origem das Espécies». Apenas um pormenor em que eu já tinha reparado na altura da publicação do livro, a capa é linda.Cada vez mais...
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
A grande vingança?
A questão
sábado, 29 de janeiro de 2011
Para sempre
Eu estava um bocado preocupado: como iria dizer ao meu filho, de seis anos, que o Liedson pode estar de saída do Sporting? Mas não precisei de dizer, ele apercebeu-se das notícias. E procurou tranquilizar-me: «Pai, o Liedson vai continuar para sempre na minha Playstation.» Pelo que consegui perceber, ainda hoje marcou cinco ou seis golos.António Souto – Crónica (32)
Isto foi quanto senti na antevéspera do escrutínio presidencial, e foi isto que se estirou até à divulgação dos resultados, momento em que um amigo meu, numa curta mensagem, pôs fim a estes devaneios com um conciso «Ora f…-se!». Um desabafo que me encheu a alma, como num intervalo do circo. Os palhaços que me perdoem.Janeiro por um fio
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Este é o primeiro mês do ano. Melhor, este é já o final do primeiro mês do ano. E não sei se é por ser o primeiro mês do ano ou se é por este ser o prenúncio de muitos outros que aí vêm de mal a pior, a verdade é que ando com moleza.
A bem dizer, ando com saudades do dia de Natal, só mesmo do dia de Natal (e já agora, por acréscimo, que lhe segue logo a peugada, do primeiro dia do ano), um verdadeiro dia de remanso e de manifesta imperturbabilidade. Não há dinheiro que pague o prazer delongado de um dia assim. A gente pode ficar na cama até tarde, que os afazeres não têm pressa; a gente não precisa de fazer comida, que sobra sempre de véspera; a gente não precisa de lavar a loiça, que a mesa é de petiscar; a gente não é azucrinada pelos telemóveis, que se consumiram os saldos; a gente não tem de responder a mensagens electrónicas, que se gastaram as palavras; a gente não se irrita com o tráfego da cidade, porque os carros fazem birra e não saem do seu canto; a gente não desembolsa o resto do dinheiro, porque o comércio se mantém praticamente encerrado. Estes são privilégios de um dia desigual, ainda por cima quando a estes se juntam outros que nos preenchem positivamente a alma, como uma edição comentada de «Mensagem», ou a voz única de Pavarotti irradiando a «Ave Maria» de Shubert, ou um Placido Domingo ou uma Céline Dion ou uma Mariah Carey ou uma Rita Guerra, à vez, preenchendo o silêncio num aconchego da tarde.
Maus hábitos, dir-se-á, que custam a passar, rematado que é já um mês. Raio de preguiça!
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Este é o primeiro mês do ano. Um mês propício a conjugar discordâncias.
Num dia, potencialmente de inverno, resplandece a nossa convergência europeia e ressurgimos como povo promissor. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) revela-nos o grande salto que deram as nossas crianças e os nossos jovens nos conhecimentos e nas aptidões em matemática, leitura e ciências. Do fundo da tabela, galgámos para a média (quase) dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE). Um grande especialista desta organização explica o prodígio «pelas políticas seguidas nos últimos anos e por uma conjugação de factores como a avaliação de professores e um controlo sério da qualidade do ensino». Assim está bem (e somos tentados a coroar o raciocínio parafraseando o poeta – «o que não faz sentido/ É o sentido que tudo isto tem»). Disse também o grande especialista e responsável da OCDE que «diminuiu o peso das repetições», apesar de alto, e que «a diferença entre as escolas melhores e as escolas piores diminuiu», igualmente. Pronto, com tamanha proficiência vinda de fora e de quem sabe, estamos no bom caminho. Estamos?
Num dia, de facto de Inverno, encobrem-se os resquícios de sol e as nuvens fazem das suas. O Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação, por voz autorizada, explica o que «o» Relatório deste serviço já registara quanto ao desempenho dos nossos alunos do oitavo ao décimo segundo ano, que «os estudantes não dominam os conceitos, manifestam falta de rigor científico, dificuldades em interpretar textos e problemas e em articular várias competências». E acrescenta, sem rodeios, que «é preciso tirar consequências das fragilidades detectadas”. Em que ficamos, portanto? Somos nós que nos auto-avaliamos com severidade? São os outros que nos avaliam com demasiada bondade? A «média» europeia é, vistas bem as coisas, tão mediocremente «média» como a nossa nacional?
Tudo reside, afinal, na arte de bem (des)conjugar!
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Este é o primeiro mês do ano. Um mês de dizer adeus aos malabarismos. Mas sem tristeza, pese embora o facto de sempre ter tido uma certa atracção pelo circo.
Primeiro, criança ainda, pelo circo que chegava à aldeia, numa ou em duas ou em três carripanas da altura, gente de miséria que montava arraial na praça local, a céu aberto, sem qualquer resguardo, e ali fazia à noitinha umas acrobacias no chão de terra batida ou a dois metros do solo, suspensa em estacas e varas e cordas de arrepiar. A canalha à volta, empurrando-se para melhor se deliciar, os adultos mais atrás, como quem não quer a coisa, avaros e prontos a desertar quando pressentissem o fim do espectáculo.
Depois, já espigado, pelo circo que se instalava na cidade, semanas inteiras, com imponência e feras de intimidar. A verdade é que ao pasmo da chegada se seguiu em mim constantemente uma inexplicável decepção à saída. O maravilhoso convertendo-se em desventura. A atracção dando lugar à sensação de logro, de vazio.
Foi isto que senti de novo ao ver a debandada do circo que se estendeu de um ano para o outro pela antiga feira popular de Lisboa. Lembrei a sessão a que assistira, empurrado. Pouca coisa para a expectativa do bilhete e de uma empresa de requinte a sério. Agora, mudam de poiso, invadem outro burgo, já só restam no descampado uns quantos atrelados, uns parcos contentores, uma tenda baixa ainda de pé. A desilusão desta grandeza amarga-me infinitamente mais do que a desilusão de outrora, do circo da minha aldeia.
Isto foi quanto senti na antevéspera do escrutínio presidencial, e foi isto que se estirou até à divulgação dos resultados, momento em que um amigo meu, numa curta mensagem, pôs fim a estes devaneios com um conciso «Ora f…-se!». Um desabafo que me encheu a alma, como num intervalo do circo. Os palhaços que me perdoem.
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Crónica de Janeiro de 2011 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28; 29; 30; 31.


