segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cem vezes por dia

Eu gostei do resultado do Porto – Benfica. Mas não é isso que interessa, obviamente. Mais importante seria arranjar uma maneira de obrigar os tristes dirigentes do meu clube a verem cem vezes por dia durante um ano a jogada que deu o segundo golo ao Porto, feita por um jogador que ofereceram ao adversário. Como, na prática, ofereceram João Moutinho (porque com o dinheiro que receberam e com o fardo de terem de ficar com Nuno André Coelho o saldo deve ser próximo de zero).
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Por dentro dos livros

Estes bonecos são da série infantil «Super Why!». É uma das muitas que vou acompanhando, por causa dos meus filhos. Pelo que percebi os bonecos entram nos livros para viverem as histórias desses mesmos livros. E para entrarem põem estes fatos quase de super-heróis, e vão nuns aviões pequeninos que voam como abelhas. Nesta imagem estão numa prateleira, prontos para mais uma aventura, num dos livros atrás deles. Basta irem para os aviões, ligarem os motores e acelerarem. Enfim, mais ou menos, pode não ser exactamente como digo, porque não sou grande especialista na série. Nem sei o nome de todos os quatro, apenas do de verde, exactamente o Super Why.
A série, como não podia deixar de ser, faz-me lembrar o meu romance «O que Entra nos Livros» e as diabruras do mágico velhinho pelas estantes de uma livraria de Évora. Deixo um excerto a seguir.
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O senhor Sapinho Júnior desceu as escadas que davam da casa de habitação para o gabinete. Desceu-as agarrando-se ao corrimão com a mão direita e tocando nalgumas lombadas com a mão esquerda. Não conseguia dormir, como habitualmente, mas para isso tinha uma pilha de livros na mesinha-de-cabeceira. Só que naquela noite – seriam duas da manhã – quis ir buscar algo diferente. Não sabia se teria de chegar à livraria ou se no percurso até lá, pela biblioteca, pelas escadas, pelo gabinete, encontraria algo para ler até que lhe chegasse o sono. Évora dormia, sem que nada naquela altura interrompesse o silêncio; nem um grilo o senhor Sapinho Júnior ouvia. Desceu as escadas com a luz ligada, sempre de olhos nos livros para ver se algum título lhe despertava a atenção; mas nada. Passou pelo gabinete, e mais uma vez nada. Ainda se demorou aí um pouco, pegando nalguns livros, mas não se decidiu por nenhum. Na livraria haveria de ser mais óbvio encontrar leitura que pudesse interessar-lhe, talvez na mesa das novidades. Se calhar ia comprar um livro a si próprio a meio da noite… Agora que pensava nisso, lembrou-se de que provavelmente era ele o melhor cliente da livraria.
Preparou-se para abrir a porta que dava para a livraria. Foi nessa altura que ouviu um pequeno ruído, não muito forte, mas algo que o deixou um pouco inquieto. Teria o gato ficado na livraria? Não, não podia ser. O gato, ele tinha-o visto a dormir na cozinha antes de se ir deitar… O bicho, com as portas fechadas, não tinha por onde passar para a livraria; podia era sair pela janela da cozinha para a noite de cidade, saltando para o telhado do restaurante. O senhor Sapinho Júnior permitia-lhe essas liberdades, pelos telhados de Évora, ao contrário do que acontecia durante o dia, quando o deixava fechado nos pisos superiores do edifício, os de habitação, ou o prendia a uma trela à porta da livraria junto dos escritores de papelão que alguns vendedores das editoras sempre insistiam para que pusesse bem à vista. Nalguns casos não eram os seus preferidos; ele gostaria de ter outros, mas os que os vendedores levavam eram invariavelmente daqueles e por isso o livreiro não se metia com ilusões, nem com devaneios. A livraria era um negócio e se esses escritores tinham direito a reproduções em papelão alguma razão haveria que o justificasse. Tratava-se mesmo de um negócio, apesar de ser também um passatempo que o senhor Sapinho Júnior podia manter sob a cúpula protectora das propriedades que um dos filhos geria; e como negócio tinha de ser encarado assim, seriamente, e gerido de uma forma o mais profissional possível.
O ruído ia-se repetindo, espaçado, sem uma cadência definida. O gato não era, pensou o senhor Sapinho Júnior. Talvez um rato? O livreiro sentiu um arrepio subir-lhe pelo corpo. Um rato era um perigo para a livraria e para a biblioteca. O gato prevenia isso, quando ele o deixava percorrer toda a zona de livros, como se fosse um cão a farejar algum petisco. Um rato… Um autêntico desastre… E se fosse mais do que um? O livreiro estava a perguntar-se isso quando ouviu uma nova sequência de ruídos. Agora tinha a certeza. Pequenos ruídos, fugazes, mas que significavam que algo se passava na livraria. Entrou com muito cuidado, procurando tocar o chão com os pés de uma forma suave. Aproximou-se do interruptor da luz principal; esperou um pouco, sustendo a respiração, e depois fez pressão com o indicador direito, ficando com a livraria bem visível. Não viu nada de estranho, mas de repente, mesmo de repente, deu por um ruído do lado direito, no cimo das estantes, numa das prateleiras altas. O livreiro parecia uma águia, olhava com um olhar firme, para um lado e para outro, com mudanças repentinas. Foi numa dessas mudanças que detectou algo que não percebeu bem o que era, na tal prateleira alta do lado direito; a mesma de onde parecia saírem os ruídos.
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Pausa

Esta época, como já deve ter dado para ver, não há aqui grandes comentários sobre os jogos do Sporting, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos anos, sem que falhasse um jogo. O triste presidente que lá temos, confesso, esgotou-me a paciência. Direi alguma coisa, de vez em quando.
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma entrevista

Entrevista sobre o livro «O Sorriso Enigmático do Javali», ao «Jornal de Letras», aqui.
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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Uma história

O cão cinzento

Foi logo de manhã, quando ia no carro; ultrapassei um ciclista e um cão cinzento. Pareceu-me estranho que o ciclista estivesse a passear o cão numa estrada cujo trânsito aconselha alguns cuidados. E também me pareceu estranho a ausência de capacete, não no cão, já se vê, mas no ciclista. Talvez por isso, pela ausência de capacete, ao fazer a dupla ultrapassagem tive a sensação de que se tratava de um conhecido político (o ciclista), e ainda por cima a revelar-se bem esforçado naquele momento. Pedalava com afinco, como se estivesse a terminar, nem sei, a escrita de um discurso, ou as contas de um orçamento de estado, ou umas papeladas para se reformar ao fim de dois anos de um instituto qualquer. O cão, uns metros atrás dele, fazia o que podia para conseguir acompanhá-lo.

Fui-os observando pelo espelho retrovisor, diminuindo um pouco a marcha do carro. Acabei por confirmar que era mesmo o conhecido político. E notei que o cão ladrava. Claro que eu não ouvia, por causa do barulho do rádio, mas dava para ver os movimentos da boca do cão no espelho retrovisor.

«Ladra de contente», foi o que pensei.

Uns segundos, não mais do que isso, até perceber como o cão tinha o focinho muito franzido. E que o político pedalava com afinco porque, afinal, fugia do cão. Alguma coisa ele teria feito ao cão, de certeza.

Ao fim nem de um quilómetro, o político meteu-se por uma estrada secundária, que começava do lado esquerdo. Uma manobra perigosíssima, e sem fazer sinal com o braço nem nada. Não sei por quê, travei. O cão, sempre a ladrar, foi apanhado de surpresa. Pelo desvio do político e pela minha travagem. Acabou por bater-me no carro, com estrondo. E ainda por cima era um cão grande.

Levei o carro para a berma e saí. Dei logo com o cão estendido no alcatrão. Já não ladrava, nem sequer tinha o focinho franzido. Mas estava de olhos abertos, e respirava. Aproximei-me devagar. Ele olhou para mim, parecendo querer ajuda. Achei estranho, pois se estava assim era por causa da minha travagem. Talvez devesse ladrar-me. E perseguir-me como fazia antes ao político ciclista. Mas não. Queria ajuda. Pedia-a com o olhar.

Agarrei-o junto às patas da frente, para levá-lo para a berma. Enquanto fazia isso, percebi que ele começava a levantar-se, tentando apoiar-se nas quatro patas. Já na berma, pareceu recuperado, mas ainda confuso, sem saber para aonde ir. Olhei para a estrada, num e noutro sentido. Não vinha nada. Então atravessei para o outro lado, batendo com as mãos nas pernas, um pouco acima dos joelhos. O cão percebeu e seguiu-me.

Quando cheguei à estrada secundária, apontei lá bem para o fundo, para onde o político em fuga não era mais do que um pequeno ponto de referência. O cão pareceu entusiasmar-se. Até que começou a correr, de forma atabalhoada. Ao fim de uns vinte ou trinta metros já dava para ver que recuperava o ritmo normal. A pancada não devia ser coisa séria. Até porque ele já ladrava outra vez. Desejei-lhe sorte e fui ver se o carro tinha alguma amolgadela. .

«Tal qual te conheci»

Pedro Barroso fala do seu amigo e antigo colega Carlos Queiroz. Aqui.
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«As tuas equipas, Carlos, tornam-se um pouco aquilo que tu és. Se queres transmitir que não sofrer toques no gilet já é triunfo; se achas que defender, para não sofrer humilhação, é uma forma de vitória; se admites que é preferível empatar a zero a arriscar a estocada que nos expõe; se queres ganhar sem risco, através de alguma cartomancia ocasional; se preferes convocar 18 jogadores com características médio/ defensivas em cada 23, muito bem. Isso és tu. Tal qual te conheci.»
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Revista «human» de Agosto

(clicar na imagem para aumentar)
Nas bancas a partir desta quarta-feira, dia 28. É o número 20, de Agosto de 2010. Mais informações sobre a edição aqui. Deixo a seguir o meu editorial…
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12 anos de Google
O universo fascinante da Google é o grande destaque desta edição de Agosto. Uma empresa que começou há 12 anos nos Estados Unidos, numa garagem onde dois estudantes da Universidade de Stanford deram asas aos seus espíritos visionários e começaram o projecto que se tornaria num fenómeno verdadeiramente global. A história é conhecida, mas mesmo assim muito há para descobrir no universo que começou com o famoso motor de pesquisa – o Google, no masculino, o que até causa alguma estranheza quando depois, ao falarmos da empresa, usamos o feminino e dizemos «a Google». Pelo menos comigo aconteceu, na edição da entrevista do líder deste projecto no nosso país. Paulo Barreto, 42 anos, é o country manager da Google Portugal desde Março de 2008. Apaixonado pela Google, resolveu contactar a empresa e perguntar por que é que não abriam um escritório em Portugal. Os contactos prolongaram-se por quase dois anos. Conforme ele próprio explica… «Portugal não está no radar da Google. Ainda hoje Portugal não conta, somos um mercado ridículo de 10 milhões de pessoas para seis biliões do mundo inteiro. Mas em Madrid precisavam de uma pessoa que começasse a olhar para o mercado português e resolveram contratar-me. Eu concorri a 12 entrevistas, em Espanha, França e Inglaterra, e oito meses depois comecei a trabalhar na Google, em Madrid, para o escritório português. Já lá vão cinco anos. A certa altura resolveu-se que Portugal tinha uma dimensão que justificava abrir um escritório e aí tive de me candidatar à posição de country manager, que felizmente ganhei.»
Mas nem só da Google é feita esta edição. Um especial sobre outsourcing (com duas partes, uma sobre recursos humanos e outra sobre serviços), o outplacement e a sua utilização nas empresas ou o projecto da Optimus na responsabilidade social são outros temas em destaque. Com as secções habituais e com o prometido regresso de Jorge Araújo, que durante alguns meses assinou na «human» o espaço de reflexão «O Treinador na Empresa»; é a vez agora de «O Treinador e a Política», a explorar temas bem adequados aos tempos que vamos vivendo.
Uma nota, muito triste. Faleceu o jurista Albino Mendes Baptista, de quem neste percurso de quase dois anos o projecto «human» sempre teve um apoio incondicional. Partiu muito novo e com tanto ainda para dar a uma área onde era uma figura muito respeitada. E com tanto para dar à própria vida. Um dos colaboradores da «human», Luís Bento, lembra-o na sua crónica habitual, onde lembra também Miguel Pinheiro, um profissional de recursos humanos, bastante jovem, que perdeu a vida num acidente em Moçambique, onde exercia a sua actividade.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Talvez um golfinho

Já na parte final de uma aventura literária em Vila Real de Santo António acontece isto: «Aproximei-me, ficando mesmo por cima de onde ele estava, talvez um metro acima, a distância para o nível da água. Impressionou-me as fuças bem diferentes das dos humanos actuais, ainda por cima arreganhadas, de dentes cerrados, como se tivesse recebido a morte completamente em fúria. Não percebi onde o tinham atingido, mas na cabeça não parecia ter sido. Estava a olhar para o rosto do romano, sem saber bem o que fazer, quando todo o corpo se afundou. Logo a seguir, dei com muito movimento nas águas, que ficaram vermelhas de sangue. Um peixe, algum peixe dos grandes tinha abocanhado o romano. Pensei nos filmes com tubarões. Pensei também se seria correcto dizer peixe no caso de um tubarão. Na volta nem tinha sido um tubarão. Lembro-me de que pensei também num atum.»
É uma história de romanos, que atacam Vila Real de Santo António numa tarde de Verão, a mesma em que eu participo numa sessão literária num dos espaços culturais da cidade. Agora, vendo esta foto, admito a hipótese de não ter sido um tubarão, nem um atum. Talvez um golfinho.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

António Souto – Crónica (26)

O meu gira-discos
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E eis que de repente, com esta minha nostalgia, descubro agora o regresso das velhas rodelas de vinil e dos velhos-novos-gira-discos numa espécie de revivalismo que trará consigo os ídolos dos meus anos oitenta vestidos de calças à boca-de-sino. Como se a evolução tecnológica e a globalização tivessem destas contradições. Assim às arrecuas.
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Tive há muitos anos um gira-discos que comprei em segunda mão. Não era propriamente um especialista em música nem sequer tinha um género musical de eleição. Tinha um gosto assaz eclético, como era muito habitual em jovens da minha idade e do meu meio, assim a balançar entre o saber rural e a ciência urbana. Ouvia, portanto, um pouco de tudo, sobretudo coisas da ocasião e da moda.
Por aquele gira-discos passaram sons portugueses tão diversos como os da Brigada Víctor Jara, dos Trovante, do Paulo de Carvalho e do Sérgio Godinho, do Jorge Palma, do Luís Cília e do Fausto, dos irmãos Salomé. Também muito Zeca e Adriano, e Xutos & Pontapés, Rui Veloso, Adelaide Ferreira, Lena D’Água e Salada de Frutas, Júlio Pereira, Cid e Variações, Trabalhadores do Comércio e Doutores e Engenheiros, GNR, Táxi e Go Graal Blues Band, Heróis do Mar e UHF, Jáfumega e até mesmo o Grupo de Baile em 75 rotações…
Vindos das estranjas, rodaram Pink Floyd, Ómega e Triumvirato, AC/DC, Rolling Stones, Scorpions, Queen, Supertramp e Santana, Vangelis, Dire Straits e os Beatles, Doors, Begees, Barbra Streisand, Abba e Joan Baez, Genesis, Peter Tosh e Bob Marley, e com sonoridade francesa também Piaf e Moustaki, Mireille Mathieu e Aznavour, Brel e Joe Dassin, eu sei lá, e tantos outros brasileiros à mistura, tantos, tantos…
Por aquele gira-discos passaram largas dezenas de LP e de singles, muitas horas de música saudosa, música pisada por outra música que entretanto foi surgindo e conquistando e renovando gostos e paixões. Tanta agulha mudada para que o som não perdesse qualidade e o vinil se não riscasse…
Já não sei o que é feito do meu gira-discos. Acho que o dei a um amigo quando já havia dificuldade em encontrar agulhas adequadas à cabeça do braço daquele modelo, acho que o dei porque era muito grande e pesado, acho que o dei porque os discos eram muito grandes e pesados e empenavam-se facilmente. O meu gira-discos, afinal, tinha os dias contados, tinha os discos contados, e por isso desfiz-me dele e perdi-lhe o destino. Deixei de saber dele. Substituí-o por outro que não precisava de agulhas nem de braços nem de discos grandes e pesados. E troquei os discos grandes e pesados por outros mais maneirinhos e mais leves, por outros que não se riscam tão facilmente e não se empenam.
Confesso que também me converti a outras vozes e a outras novidades, deixei que o tempo – que tudo muda – me invadisse e mudasse igualmente, sem resistência. Rendi-me ao tempo. E à idade. Mas agora, nem sei bem porquê, tem-me dado uma certa nostalgia, e lembrando uma música ou uma voz há logo outra voz e outra música que acena, e por arrasto vêm músicas e vozes que julgava perdidas e mortas, como o meu velho gira-discos de outrora. Como os velhos gira-discos do século passado. E eis que de repente, com esta minha nostalgia, descubro agora o regresso das velhas rodelas de vinil e dos velhos-novos-gira-discos numa espécie de revivalismo que trará consigo os ídolos dos meus anos oitenta vestidos de calças à boca-de-sino. Como se a evolução tecnológica e a globalização tivessem destas contradições. Assim às arrecuas.
Há já quem diga que tudo isto pode até vir a ser muito mais do que isto, a gente avança, avança e quando menos se espera o petróleo definha, o seu custo dispara, os carros deixam de andar à toa, os aviões voam menos porque mais vazios, as pessoas ficam mais presas ao seu território, as mercadorias ficam mais presas às pessoas, os países têm de se tornar à força mais independentes uns dos outros, tudo terá de ser menos descartável, a agricultura terá de ser uma aposta forte, o mundo, o nosso mundo, tornar-se-á aos poucos mais pequeno. Muito mais pequeno, afirmou há dias um economista norte-americano, e os economistas norte-americanos parece que sabem bem do que falam.
E no fim de contas, com tanta música que nos invade a alma, só tenho pena de ter perdido o rasto ao gira-discos da minha juventude.

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Crónica de Julho de 2010 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25.
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Uma carta

A minha filha, tal como os irmãos, nasceu em Évora. Se tivesse ido nascer a Badajoz, talvez por estes dias nos chegasse uma carta de felicitações do governo.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um emissor na algibeira

De repente a emissão falhou. Refiro-me à da televisão. Uma noite destas. O canal era a RTP N. Eu pensei logo em mudar de canal para ver se o problema era só naquele. Mas não tive tempo, a emissão voltou ao normal antes que eu chegasse ao comando. Acabei por dar comigo a pensar que é normal, porque a emissão da TV Cabo, ao contrário do que o nome indica, chega mas é por satélite. E o satélite pode ter momentos em que fique sem forças para passar os ramos aqui dos sobreiros. Nunca se sabe. Ou se calhar eu é que nunca sei. Na volta, se a emissão viesse mesmo por cabo era pior, algum bicho ainda se punha a roer o cabo e depois havia de ser o bom e o bonito para dar com o sítio. Mas adiante… O que eu queria contar é que por momentos, durante a falha da emissão da RTP N, pensei numa outra hipótese. O jornalista João Adelino Faria entrevistava dois políticos: nos estúdios do Porto estava um autarca chamado Marco António, que por vezes também é apresentado como Marco António Costa; já em Lisboa, mesmo em frente do entrevistador, estava o conhecido deputado Ricardo Rodrigues. E eu, assim que falhou a emissão, não consegui deixar de pensar na possibilidade de o deputado – por alguma questão embaraçosa em que eu nem tenha reparado – ter tomado posse não da câmara, não do microfone, não do computador do apresentador… Não. O que eu pensei foi que o deputado tinha tomado posse do emissor. Tinha-o metido na algibeira. E foi assim que a emissão se foi (passe a repetição, é claro). Pensei nisto. Coisa de uns segundos. Um emissor na algibeira. Quem sabe… Os desenvolvimentos tecnológicos… Um emissor se calhar já não mede mais do que dez centímetros. Ou uns doze. Se for dos de última geração, evidentemente. Foi o que pensei. Mas a verdade é que não percebo muito de emissores. Depois a emissão voltou e eu pensei noutras coisas. Deve ter sido mesmo falta de força do satélite. Uma indisposição momentânea. Algo assim. Lá em cima uma pessoa nunca sabe.
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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Política

Continuo convencido de que uma parte bem significativa da nossa política é feita por bandidos.
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