segunda-feira, 12 de julho de 2010

Duas surpresas

Depois de ter feito o seu último jogo no mundial de futebol, o capitão da selecção espanhola, campeã do mundo, surpreendeu a namorada com um beijo. Já o capitão da selecção portuguesa, também depois de ter feito o seu último jogo no mundial de futebol, surpreendeu a namorada com um filho (de outra mulher).
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sábado, 10 de julho de 2010

Um dos mais bonitos animais do montado

As ginetas. Esta não é a que entra em «O Sorriso Enigmático do Javali» (na altura não me lembrei de fotografá-la, com fiz, por exemplo, com o ouriço-cacheiro, com o lagarto da clave-de-sol ou com a borboleta do imperador Ming); esta é uma que encontrei na Internet. Por aqui existem muitas ginetas, muitas mesmo. Ontem fiquei triste. Depois da estrada de terra pelo montado, logo nos primeiros metros da estrada de alcatrão, dei com uma morta. Tinham-na atropelado. Uns dez quilómetros depois, já a chegar à cidade, mais uma, também atropelada. Nem deu para confundir com gatos domésticos, ou com outros gatos-bravos (escalavardos, por exemplo). Em ambos os casos, notava-se logo a cauda no alcatrão. Como um sinal: aqui morreu um dos mais bonitos animais do montado.
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Sem título

A nossa política agora não vai muito além de impostos e de impostores. Basicamente.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Personagens

No blog do livro «O Sorriso Enigmático do Javali» (ver aqui), já estão fotos de cinco personagens. Ainda vou colocar mais algumas.
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terça-feira, 6 de julho de 2010

O Sporting nunca desceu tão baixo

Nunca o meu clube desceu tão baixo como com José Eduardo Bettencourt. Sim, agora tenho a certeza de que ao pé dele Jorge Gonçalves merecia não direi uma estátua mas pelo menos um pequeno busto.
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Sobre prémios

A recusa de um prémio por parte de Paulo Nozolino trouxe-me à memória um outro, da Comissão dos Descobrimentos, que acabei por não receber. Depois de me ter sido atribuído, nunca o entregaram. Acabei por recusá-lo passados uns anos, por telefone. Deram-me uma resposta que me deixou verdadeiramente surpreendido: só aceitavam recusas por escrito (qualquer coisa como «precisamos de ficar aqui com um papel»). Eu então disse que era só o que faltava era estar a perder mais tempo com eles a escrever uma carta. Presumo que por isso fiquei para sempre como premiado. Presumo também que agora, com a moda das escutas, já é possível recusar prémios por telefone.
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Ainda não foi desta

O Sporting promoveu ontem uma conferência de imprensa absolutamente deplorável sobre a cedência ao desbarato do capitão da equipa de futebol a um dos seus maiores rivais. Nessa conferência de imprensa, como se esperava, o presidente perdeu as estribeiras (apesar de tentar falar de forma pausada, enquanto olhava por cima dos óculos). Ainda não foi desta que o meu clube se viu livre das suas maçãs podres.
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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Estranhas personagens

(na foto, Roberto Bolaño)
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Um texto que escrevi para a edição de Junho da revista «Ler», para a secção «Listas». Optei por uma pequena lista de personagens que me pareceram muito estranhas.
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Algumas personagens que me surpreenderam
Se um dia, por qualquer razão, eu tivesse de fazer uma entrevista a Dan Brown, pelo menos já sabia por onde começar. Antes do que quer que fosse, do novo livro (se ele tivesse um novo livro), antes eu haveria de lhe perguntar por que é que pôs num romance («Fortaleza Digital») um português, natural de Lisboa, chamado Hulohot. Quer dizer, a pergunta não seria sobre a razão de ter optado por um português, mas sim sobre o facto de este se chamar Hulohot. É uma das personagens mais estranhas que encontrei num livro.
Mercenário de profissão, com 42 anos e muito considerado por uma agência governamental norte-americana, Hulohot (não sei se o nome é tipo Joaquim Hulohot ou se é tipo Hulohot da Silva) tem segundo Brown um único senão, é surdo, o que lhe dificulta as comunicações. Talvez para compensar, vê através de uns óculos cujas lentes são, do lado de dentro, o ecrã do computador que usa adaptado ao peito, sendo que nas pontas dos dedos tem o teclado (que funciona tocando com as pontas umas nas outras). Tudo tecnologia de certeza norte-americana, implantada em mão-de-obra portuguesa. E assim anda este Hulohot pelo livro, sem dizer nada, fazendo até com que o leitor desconfie de que além de surdo é também mudo. Mas não, a certa altura ele fala: «Hola, soy Hulohot!»
Sem ofensa, passo directamente para Roberto Bolaño. Não por causa de uma personagem do genial escritor chileno, mas por causa do próprio Bolaño. Bolaño personagem, isso não pôde deixar de me surpreender. Ele aparece num romance de um dos meus escritores favoritos (Javier Cercas), o inesquecível «Soldados de Salamina». O próprio Cercas entrevista-o nesse romance e ele diz-lhe que tinha já lido dois livros seus, um de contos e um pequeno romance («O Inquilino», de que existe uma edição portuguesa, da ASA). Bolaño acaba por insistir para que voltem a encontrar-se e nesse encontro, durante um almoço, quase que se transforma ele próprio no narrador de «Soldados de Salamina». E acaba por ser a chave para o desfecho do romance.
Outra descoberta aconteceu-me com José Rodrigues dos Santos. Ele tem um romance («A Fórmula de Deus») em que, surpreendentemente, as personagens dizem «uh». O protagonista, Tomás, diz «uh», tal como um iraniano que está feito com a CIA, um físico da Universidade de Coimbra, o pai de Tomás, o «adido cultural» (exactamente assim, entre aspas) da embaixada norte-americana em Lisboa e um coronel do exército iraniano. E tal como a mãe de Tomás, um alto responsável da CIA que umas vezes diz «you’re a fucking genius» e outras «você é um fucking génio», o médico do pai de Tomás, uma aluna da Universidade de Coimbra, a iraniana com quem Tomás se envolve, mais um aluno de Coimbra, um iraniano que faz de motorista e por aí adiante. Três exemplos… O coronel iraniano a certa altura pergunta: «Vai queixar-se a quem? Uh? À sua mãezinha?» Quanto ao responsável da CIA, faz uma espécie de comentário: «Hmm… sensível, uh? Já vi que está apaixonado…» A paixão de Tomás é a iraniana, que diz : «Eu… uh… sou um caso especial.»

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O futuro

Depois de ler as notícias da rocambolesca venda ao desbarato de João Moutinho a um dos principais adversários, já não sei se no futuro não chegará aos dirigentes do meu clube, nomeadamente ao inclassificável presidente, a ideia de colocar os sócios no mercado.
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domingo, 4 de julho de 2010

Revista «human» de Julho

(clicar na imagem para aumentar)
Nas bancas desde a semana passada. É o número 19, de Julho de 2010. Mais informações sobre a edição aqui. Deixo a seguir o meu editorial…
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Por uma cultura de solidariedade
A cada edição da «human», temos vindo a fazer alguma alternância entre várias das secções que criámos para o projecto. Por exemplo, raramente publicamos no mesmo mês a de responsabilidade social e aquela a que chamamos «Um Dia na Empresa». Agora, em Julho, é isso que acontece, com o «dia da empresa» a calhar a um hospital privado do norte do país e a secção de responsabilidade social sem aparecer. Mas só aparentemente. O trabalho que escolhemos para a capa, uma grande entrevista com Mercedes Balsemão, que lidera o projecto «SIC Esperança», em vez de aparecer sob a forma de pergunta/ resposta poderia muito bem ter dado origem a um texto na linha dos que já puLista numeradablicámos na secção de responsabilidade social.
O projecto «SIC Esperança», que leva seis anos de existência, já se associou a mais de 400 campanhas de cariz humanitário, angariou cerca de dois milhões de euros, desenvolveu parcerias com 37 empresas, trabalhou com 50 instituições e beneficiou cerca de 18 mil pessoas. É um projecto já bastante mediatizado, até pela importância do grupo empresarial em que se insere, mas vale bem a pena conhecê-lo mais em detalhe. E isso é possível nesta entrevista com a mulher que por ela dá a cara – e com quem fazemos a capa. Um projecto que nasceu de uma tragédia para levar esperança às pessoas, visando o bem-estar das que mais precisam, um projecto que, como assinala Mercedes Balsemão, pretende fazer com que a solidariedade se torne uma cultura.
Quanto a outros temas, a edição é bastante diversificada. Vão do apoio na mobilidade profissional (vulgo relocation) à avaliação de desempenho, dos benefícios extra-salariais à liderança, do coaching às tecnologias de informação para suporte da gestão de recursos humanos. Temas que têm a ver com a presença das pessoas nas organizações. Mas que não esgotam a edição. Mais lá para a frente nas páginas, por exemplo, sugere-se um destino capaz de fazer a felicidade de muita gente, e também se evoca José Saramago – uma frase que nos deixou, uma entre tantas, tantas frases: «se podes olhar vê, se podes ver repara».

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quinta-feira, 1 de julho de 2010

A explicação

Depois daquela pouca vergonha do Carlos Queiroz e do Ronaldo, ainda tive de explicar ao meu filho, de cinco anos, como tinha sido possível Portugal ser eliminado do mundial por causa de um golo marcado pelo Ervilha.
Imagem daqui.
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Portagem, quem sabe…

«A crise chegou em força aos dinheiros da cultura.» Li esta frase várias vezes nos últimos dias. Em não sei quantos sítios. Os dinheiros, já se vê, são os do Estado, ou antes, os nossos (mesmo que de nossos na prática tenham muito pouco). Agora, com mais este tentáculo da crise, nem sei o que me espera. Como a minha bolsa de criação literária é zero (sempre foi zero) e não pode ser mais reduzida, quem sabe se não quererão obrigar-me a pagar portagem a cada mil caracteres que escreva, ou cinco mil, nem sei. A minha esperança é de que como aqui não há rede de telemóvel provavelmente será impossível que o chipe, ou lá como se escreve em inglês técnico, não funcione. A menos que me obriguem a fazer carregamentos no multibanco. Ou então… Bom, o melhor é não dar mais ideias aos assaltantes.
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