sábado, 31 de maio de 2008

O que vou escrevendo

Um pouco do que vou escrevendo…
O presidente da câmara nunca tinha ficado fechado. Nem no elevador, nem no gabinete, nem na garagem, nem sequer – como alguns – na cela de uma prisão. Mas agora estava fechado num guarda-roupa.

Um pássaro esta tarde

Aqui pelo monte. Um pardal. Trazia comida para os filhos e a seguir apressava-se a ir buscar mais. Ao mesmo tempo jogava a selecção, a gente do peixe batia-se e insultava-se e no PSD andavam a votos.

O melhor caçador do mundo

Ver aqui, texto de Francisco Duarte Mangas hoje no «Diário de Notícias»; coloco-o também a seguir.

Por um livro autografado vai de Bragança a Lisboa
Joaquim Oliveira. Professor de Química reformado, bibliófilo, sempre que um escritor da sua preferência aparece em sessão pública, mete-se no autocarro em Bragança, cidade onde reside, e vai ao encontro dele, seja no Porto, Braga ou em Lisboa, com um saco de cheio de livros para autografar. Nunca esteve nos Estados Unidos, mas daí, graças a um amigo, também lhe chegam obras literárias dedicadas
Persistente. Atento à movimentação dos homens e mulheres de letras. Por um livro autografado de escritor de que "goste muito" vai de Bragança ao Porto ou a Lisboa, de autocarro, outras vezes à boleia. Da sua biblioteca, entre primeiras edições do padre António Vieira e outros livros raros, orgulha-se da obra completa de Agustina - tem todos os livros com dedicatória. No último, a autora de Sibila, com toque de ironia, inverteu os papéis: "Para Joaquim Oliveira, lembrança da sua admiradora", escreveu.Professor de Química, reformado, Joaquim Oliveira cultiva a paixão dos livros com a marca pessoal do autor. Livros em vários idiomas. Nunca foi aos Estados Unidos, mas, amiúde, recebe em casa, na cidade de Bragança, primeiras edições de escritores de língua inglesa e respectiva dedicatória. É um generoso americano que trata do assunto: vai aos lançamentos literários e pede a dedicatória em nome do amigo português.Em território nacional é Joaquim Oliveira, sem ajuda de terceiros, a perseguir a "presa". Ele própria afirma que "a época" (palavra que os caçadores usam) começa em Fevereiro, no Correntes d'Escritas, Póvoa de Varzim. Passa por Matosinhos, pelo encontro de literatura de viagem, e feiras do livro de Braga, Porto e Lisboa. O antigo docente de Química não esquece os leilões de bibliotecas particulares nem as visitas a alfarrabistas portuenses e da capital.O nome do bibliófilo de Bragança já apareceu nas páginas do jornal ABC. J. J. Armas Marcelo, escritor espanhol, veio ao Correntes d'Escritas e terá ficado impressionado com a quantidade de livros que um leitor luso lhe dera para assinar. Escreveu, então, uma crónica a contar o episódio vivido com Joaquim Oliveira na Póvoa de Varzim. Mas, pelos visto, cobriu-se se brios e exagerou: "Ele diz que apareci com os livros todos para assinar, é mentira: só levei seis ou sete e ele escreveu mais de 15."Lê muito. Admira a escrita de Raul Brandão e tem quase tudo de Cecília Meireles. Detesta a pobreza de certas dedicatórias de : "Para Joaquim Oliveira, António Lobo Antunes"; ou "cordialmente, José Saramago".

Que tristeza!

Depois disto, por mim em 2009 José Sócrates (que tanto tenho criticado) até pode ficar como primeiro-ministro.

A propósito

A propósito do post anterior, uma foto que tirei em finais de 2006 no sul de França. Lembrei-me dela por causa da imagem que escolhi de Corto Maltese.

Corto Maltese

Citações de Corto Maltese. Estão no blog de Tomás Vasques, «Hoje Há Conquilhas» (a série começou aqui). Uma ideia tão bela como plena de sabedoria.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Olhem para o que ele escreve…

Antes de escrever coisas como estas, Pacheco Pereira devia pensar um bocadinho nas «campanhas» que faz, entre outros meios de comunicação social, na «Quadratura do Círculo», da SIC Notícias. Se fosse num programa televisivo de Nova Iorque (cidade da qual refere um jornal) poderia ir também «para a rua», como sugere que devia acontecer a um jornalista do «Diário de Notícias», que lhe responde aqui.
Mais uma coisa, que é obviamente subjectiva: imagino Pacheco Pereira a escrever o post, furibundo, a destilar ódio o mais depressa que podia, isto porque usou a expressão «ia para a rua» (se tivesse usado «seria despedido», por exemplo, já o imaginaria a escrever com mais calma, ou «com tranquilidade» – como até há uns tempos dizia o Paulo Bento).
Olhem para o que ele escreve, logo ele, que dá a ideia de esperar que ninguém olhe para o que ele faz...

Edição de Junho da revista «Ler»

Está aqui a capa. Com Saramago, ao que parece, a responder às bocas um bocado parvas que Lobo Antunes lhe atirou há um mês. No blog da revista voltaram a fazer suspense sobre a capa, mas desta vez não valia a pena, porque via-se logo no primeiro quadradinho que se tratava de Saramago, coisa que foi confirmada no segundo e no terceiro (onde até os pulsos do Nobel apareciam). A verdade é que Saramago já se tinha deixado fotografar para outras entrevistas com aquele pullover branco, daí que o jogo desta vez não tenha funcionado, ao contrário do que aconteceu há um mês com Lobo Antunes. Mais uma curiosidade, nesta foto da capa da «Ler», não sei por quê, Saramago faz lembrar vagamente o ET.

Sete retratos de Portugal

Este, este, este, este, este, este e mais este,

Animais de «O que Entra nos Livros» (12)

Só um dos gatos apareceu, o branco, rebolando-se junto de mim. Os restantes três deviam andar na caça, ou em disputas no montado com alguma gineta.
Excerto do romance «O que Entra nos Livros»; foto tirada em princípios de 2005, por aqui.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A abelha

O Pedro tem razão nesta análise sobre o debate de ontem por causa das eleições no PSD, nomeadamente na vitória de Patinha Antão, que no fim não deve interessar para nada. Mas não deixa de ser uma vitória. Nos bocados em que estive de olhos abertos notei os brilharetes de Patinha Antão (com quem não simpatizo por aí além), as figuras tristes de Manuela Ferreira Leite (com quem duvido que haja mais do que vinte e cinco pessoas que simpatizem), também alguns brilharetes de Pedro Santana Lopes (com quem simpatizo, mas daí a votar…) e um estranho apagamento do outro Pedro (em quem de início até apostava).
Ainda sobre Patinha Antão, e este post é mais sobre ele do que sobre o debate, a sua maneira de estar de ontem à noite lembrou-me uma visita de Durão Barroso a Monchique, em 2001, em que ele o acompanhava mais uma personagem sinistra da política algarvia que viria a chegar, vá-se lá saber como, a secretário de Estado. Já quando no microfone anunciavam Durão Barroso no sítio onde haveria de falar, a verdade é que o homem não aparecia. Explicaram-me depois a razão… Quando ele (Durão) ia a sair do carro uma abelha tentou picá-lo, e ele vai daí nem pensou duas vezes, voltou a sentar-se no banco e fechou a porta o mais depressa que pôde. Patinha, que seguia no mesmo carro, saiu de cabeça bem levantada (na volta pronto a falar ele próprio, se fosse preciso). A abelha ainda estava por perto. Depois fugiu e Durão lá apareceu.

«Pessoal», edição de Junho

Capa da revista «Pessoal» de Junho. O meu editorial está disponível no blog «Mundo RH».