sexta-feira, 7 de março de 2008

Em Bolton, onde não vi passar nenhum gestor

Bolton 1, Sporting 1 (Vukcevic). Frente a uma equipa tão tosca que se calhar poderia integrar na perfeição elementos como Purovic ou Anderson Polga, o Sporting passou quarenta e cinco minutos a dormir e mais quarenta e cinco e ver, como dizia o outro, se se safava. As coisas acabaram por correr bem, nomeadamente com o aparecimento de Vukcevic na parte final. Paulo Bento entrou com uma equipa certinha (tirando os problemas do centro da defesa e a insegurança de Rui Patrício, que até se meteu à maluca defender com as mãos uma bola bem fora da área) e não fez substituições parvas como por vezes acontece (pode-se até dizer que se esmerou com a entrada de Romagnoli e com a oportunidade concedida ao jovem Adrien). Mais… Nas imagens do jogo não vi passar nenhum gestor (?), o que é sempre de louvar e até faz com que me esqueça de que a sade existe. E outra coisa… Desta noite europeia, pelo que deu para perceber que aconteceu para os lados da Luz, fica uma sensação de enorme frustração pelo empate do passado fim-de-semana, assim como pelo atraso de cinco pontos que temos na classificação; e uma nota, também sobre o jogo da Luz: o avançado com nome de inspector da PIDE voltou a repetir a graça de dar uma cotovelada num adversário e o árbitro – ao contrário do inclassificável Paraty – não esteve com meia medidas e mandou-o para a rua (talvez a partir de agora esse avançado passe a ter mais cuidado, e também a evitar aquelas tiradas idiotas sobre o futebol não ser para mulheres).

quinta-feira, 6 de março de 2008

Quando ele era pequenino - 4

O Monge, no montado, com os pais (princípios de 2005).
Início da série aqui.

Os políticos actuais não vão escrever as memórias

Bem interessante a entrevista dada por Francisco José Viegas ao Tiago Salazar (revista «Magazine Artes» deste mês). «Volto aos exemplos dos políticos. Já reparou como são os seus discursos? Já comparou o grau de instrução efectiva dos políticos portugueses do século XIX com o dos de hoje? Acho que há uma diferença abissal. Esta gente, quando envelhecer, não vai escrever as suas memórias, pela simples razão de que não sabe escrever… Há excepções, que são saborosas, naturalmente, mas a média é muito fraquinha.»

«Pessoal», edição de Março

Capa da revista «Pessoal» de Março, com seis mulheres directoras de recursos humanos em Portugal. O meu editorial está disponível no blog «Mundo RH».
(clicar na imagem para aumentar)

quarta-feira, 5 de março de 2008

Uma crónica

A minha crónica de Março da revista «Magazine Artes». O título genérico da crónica é «Letra Redonda».

O meu primeiro livro
Quase que poderia escrever «há muito, muito tempo». Nessa altura, há muito, mesmo muito tempo, escrevi um livro de contos a que dei um título muito comprido: «Quando o Presidente da República Visitou Monchique por Mera Curiosidade», o título de um dos contos. Guardo recortes de jornais dessa época, e nalguns o livro até aparece nos tops das livrarias, nunca em primeiro lugar, mas em certos casos em segundo, batido se não estou em erro por «O Pesadelo de Obélix» ou pelo «Pequeno Livro de Instruções para a Vida». Podia ser pior…
O tempo passou. Habituei-me a que pouca gente conseguisse dizer o título correcto do livro; geralmente as pessoas começavam por «o dia em que o presidente foi» e a seguir atiravam com os sítios mais diversos: Beja, Santarém, Moura, Silves, Setúbal… Metiam tudo e mais alguma coisa no título, tirando, já se adivinha, a minha terra (Monchique). Isso foi nos primeiros anos. Agora já não acontece muito, porque quando me falam no livro é mais para me dizerem que não o encontram; o meu primeiro livro, «o do título comprido». Às vezes, em sessões de autógrafos, aparecem pessoas com outros livros meus e a perguntarem como poderão arranjar aquele, que não vêem em lado nenhum. Eu aí digo que não posso fazer nada, já que depois de esgotadas as edições que foram feitas só se surgir uma nova oportunidade, porque entretanto eu mudei de editora. E ofertas é coisa que não posso fazer, porque a verdade é que me resta apenas um exemplar de cada uma das edições.
Um dia, nem foi há muito tempo, recebi um comentário no meu blog; era alguém que tinha lido um dos meus livros (o romance «O que Entra nos Livros»). Dizia que o tinha comprado em Lisboa, «na Bulhosa do Campo Grande», isto depois de ter ido procurar a «duas livrarias da Bertrand». E que preferia ter começado por «O Medo Longe de ti», o romance que de certa forma dá origem ao que comprou, só que desse nem sinal nas livrarias. Mas o problema até nem era grave… No comentário estava escrito: «Como faz um brevíssimo resumo desse livro, sempre minimiza o desconhecimento do passado.» E depois, uma pergunta: «A propósito, não estão previstas novas edições dos seus livros?» Neste caso não havia uma referência ao primeiro, mas eu não consegui deixar de pensar nele, enquanto escrevia uma resposta a dizer que de alguns dos títulos por certo haveria livrarias com exemplares. O pior era mesmo em relação àqueles dos meus primeiros anos de escrita, que estavam dados como esgotados, e então no caso do primeiro livro devia ser mesmo impossível.
Eu ia todo lançado a escrever isto quando me lembrei de que a pessoa era do Sporting, como eu (no comentário aparecia também isto: «Estive lá, no meu lugar cativo de sofredor, e tive quase orgulho naquela equipa. Estou de acordo com as suas apreciações. Contudo, julgo que é um pouco injusto para com o Polga.»). Eu tinha escrito no blog, a propósito de um jogo das competições europeias entre o Sporting e uma equipa suíça, que o defesa brasileiro Anderson Polga parecia «mesmo talhado para o desastre». E então fiz um acrescento à resposta, pensando ainda no primeiro livro. Falei de um célebre golo de António Oliveira com a camisola do Sporting, marcado em 1982 ao Dínamo de Zagreb, num jogo da Taça dos Campeões Europeus disputado no antigo Estádio José Alvalade. Oliveira marcou os golos todos do três a zero, depois de uma derrota por um a zero em Zagreb. O golo era o terceiro, com Oliveira a avançar pela direita e depois, em vez de fazer um centro, a atirar a bola de uma forma estranha para a baliza, num remate que parece ter sido feito com a sola. No fim do jogo os jornalistas só lhe faziam perguntas sobre aquele golo, e ele acabou por comentar: «Quem viu, viu; quem não viu, já não vê mais!» Talvez eu possa dizer algo parecido sobre o meu primeiro livro: «Quem leu, leu; quem não leu, já não lê mais!» Mesmo o golo sendo do outro mundo e o livro pertencendo a este em que vivemos.

terça-feira, 4 de março de 2008

Quando ele era pequenino - 3

O Monge, a correr mais o pai (princípios de 2005).
Início da série aqui.

segunda-feira, 3 de março de 2008

As coisas até nem me pareciam assim tão mal, só que…

As coisas até nem me pareciam assim tão mal como isso no começo do Sporting 1 (Vukcevic), Benfica 1. A equipa que entrou não tinha as escolhas inacreditáveis do jogo anterior, para a Taça, e portanto era de prever que poderia vencer com alguma facilidade, mesmo com Liedson e Luisão de fora (Liedson para marcar, Luisão para deixar Liedson marcar). Infelizmente não foi nada disso que se passou e muito por culpa do árbitro, que deixou por assinalar um penalty evidente sobre Vukcevic e perdoou algumas expulsões a jogadores do Benfica (em lances piores do que aquilo que fez Nelson, o único que foi para a rua); a ideia que ficou é a de que Paulo Paraty tinha razões fortes para não se afastar da linha de actuação que deixou bem clara desde o início do jogo (mas saber quais seriam ao certo essas razões, isso é que não é fácil, a menos que ele as confesse a alguém por telefone e que com sorte haja uma equipa de escuta em acção).
Não gosto muito meter aqui os árbitros. No caso de Portugal, nem vale a pena falar de um nível de qualidade muito baixo; a coisa é bem pior, porque percebe-se a existência de um emaranhado de relações, interesses, perversões e por aí adiante que dão cabo de qualquer tentativa de análise minimamente normal. O jogo de ontem foi mais um exemplo, ainda por cima tendo a dirigi-lo um dos piores representantes da inclassificável arbitragem portuguesa.
Mais umas notas a propósito do jogo:
- Paulo Bento voltou a fazer asneira, quando parecia que estava num dia em que até podia atinar; depois de o Benfica ficar apenas com dez jogadores, devido à expulsão de Nelson, não perdeu tempo e reduziu também o Sporting a dez, tirando um dos jogadores da equipa para meter Purovic;
- o Benfica festejou, e muito, o segundo lugar (pelo qual Filipe Soares Franco determinou que é o máximo por que o Sporting deve lutar – dá a ida à Liga dos Campeões e poupa-se nos prémios, segundo já disse); é estranho ver festejos assim, ignorando o Porto e o facto de estar lá muito à frente, mas mais estranho é perceber que o Sporting já não é terceiro, nem sequer quarto;
- o Sporting passou para o quinto lugar, tendo duas equipas de muito menor orçamento à frente na classificação; a desculpa da situação financeira não serve para uma equipa de gestão (?) que, é mais do que claro, abandalhou por completo o futebol do clube;
- na televisão, vi dois comentários ao penalty não assinalado sobre Vukcevic que achei curiosos; o jogador que fez a falta, Leo, disse que não sabia de nada, que nem tinha participado no lance e que o protagonista tinha sido Sepsi, o seu colega romeno que só haveria de entrar em campo um quarto de hora depois de a falta ser cometida; o segundo comentário foi do antigo árbitro Jorge Coroado, que se limitou a perguntar para que é que valeria a pena assinalar penalty se o Polga estava em campo (vendo as coisas por aí, não há como não admitir que tinha razão, a menos que num momento de lucidez Paulo Bento, ou alguém por ele naquele clube, proibisse o defesa brasileiro de tentar marcar penalties).

domingo, 2 de março de 2008

Uff...

Mandaram-me o link de um blog com referências ao meu primeiro livro. Quando vi que o blog se chama «A Senhora Sócrates», lembrei-me logo do outro da licenciatura manhosa e dos projectos de uma pessoa até fugir, e isso deixou-me um bocado, nem sei, talvez apreensivo. Mas não, felizmente o nome do blog tem outras justificações, infinitamente mais meritórias.

Um caso extremo de compreensão lenta

Na noite da última sexta-feira, durante mais uma sessão da Assembleia Municipal de Monchique, o presidente da câmara anunciou para este fim-de-semana a realização de um workshop (que algumas vezes designou também por «workshoping»); disse ele que era para apresentar as potencialidades do concelho a um considerável número de grupos económicos, cujos representantes tinha convidado para estarem presentes, e disse também que esperava que a iniciativa pudesse resultar em investimentos em Monchique. Disse ainda outra coisa, ou antes, confessou: não tinha compreendido até agora a importância de uma iniciativa como aquela, nomeadamente por falta de tempo. Podia-se admitir isto numa pessoa que estivesse há um ano ou dois no cargo, mas não numa pessoa que estivesse, por exemplo, há quatro ou cinco. E no caso desta pessoa, então, é melhor nem entrar em grandes considerações; está no cargo há vinte e cinco anos.

sábado, 1 de março de 2008

Começos prometedores - 12

«Conheci um cágado chamado Leonardo. Tinham-lhe dado aquele nome porque o animal se revelou um admirador apaixonado de Leonard Cohen.»
Início da crónica «As rosas preferem Beethoven», incluída no livro «A Substância do Amor e outras crónicas», de José Eduardo Agualusa (Publicações Dom Quixote, 2000)

Uma revista em análise

E também, ao que parece, em contra-análise. Ver aqui.

Quatro flores, esta tarde, por aqui