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sábado, 6 de novembro de 2010

Submarinos

Tive a primeira cadeira de economia no liceu, quando andava no nono ano. Depois foram aparecendo mais, até à universidade, e mesmo quando a seguir voltei a estudar, inclusive fora de Portugal. Apanhei excelentes professores, como Ferro Rodrigues (que ainda era pouco conhecido, ia para as aulas num pequeno carro branco e por vezes levava o jornal «A Bola» debaixo do braço), tive outros mais ou menos, tive um a quem chamavam «o camionista» e outro que era louco. Obrigaram-me a comprar um livro do primeiro-ministro da altura, cujo filho eu haveria depois de ver no dia da inspecção militar a despachar-se em menos de uma hora (com um sargento, ou lá o que era, a ameaçar quem protestava com a possibilidade de detenção). Foram muitas cadeiras, é verdade, mas só agora, passados todos estes anos, é que descobri que a dívida pública dos países se pode medir em submarinos. Na última semana perdi a conta ao número de pessoas que ouvi a falarem disso: comentadores, deputados e por aí adiante. Ainda ontem à noite, na televisão, o deputado europeu Nuno Melo se queixava de que nos anos de José Sócrates como primeiro-ministro Portugal se tinha endividado o equivalente a dois submarinos por mês.
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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Import/ export

O Francisco cita aqui uma interrogação de Filipa Martins: «Se ficássemos com Merkel e emprestássemos Cavaco, passaríamos a ser nós a exportar submarinos?» Acho que não, a menos que importássemos os corruptos de lá e exportássemos os de cá.
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