Finalmente, uma frase de jeito do Jorge Jesus: «Os
nossos políticos, se fossem treinadores, estavam pouco tempo a governar o país.»
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sábado, 22 de outubro de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
O problema
O principal problema dos políticos, agora, é que não têm mentiras novas para contar. Talvez seja mesmo o único problema que têm, da esquerda à direita, do centro até ao palácio principal do país.
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Uma história
Foi logo de manhã, quando ia no carro; ultrapassei um ciclista e um cão cinzento. Pareceu-me estranho que o ciclista estivesse a passear o cão numa estrada cujo trânsito aconselha alguns cuidados. E também me pareceu estranho a ausência de capacete, não no cão, já se vê, mas no ciclista. Talvez por isso, pela ausência de capacete, ao fazer a dupla ultrapassagem tive a sensação de que se tratava de um conhecido político (o ciclista), e ainda por cima a revelar-se bem esforçado naquele momento. Pedalava com afinco, como se estivesse a terminar, nem sei, a escrita de um discurso, ou as contas de um orçamento de estado, ou umas papeladas para se reformar ao fim de dois anos de um instituto qualquer. O cão, uns metros atrás dele, fazia o que podia para conseguir acompanhá-lo.
Fui-os observando pelo espelho retrovisor, diminuindo um pouco a marcha do carro. Acabei por confirmar que era mesmo o conhecido político. E notei que o cão ladrava. Claro que eu não ouvia, por causa do barulho do rádio, mas dava para ver os movimentos da boca do cão no espelho retrovisor.
«Ladra de contente», foi o que pensei.
Uns segundos, não mais do que isso, até perceber como o cão tinha o focinho muito franzido. E que o político pedalava com afinco porque, afinal, fugia do cão. Alguma coisa ele teria feito ao cão, de certeza.
Ao fim nem de um quilómetro, o político meteu-se por uma estrada secundária, que começava do lado esquerdo. Uma manobra perigosíssima, e sem fazer sinal com o braço nem nada. Não sei por quê, travei. O cão, sempre a ladrar, foi apanhado de surpresa. Pelo desvio do político e pela minha travagem. Acabou por bater-me no carro, com estrondo. E ainda por cima era um cão grande.
Levei o carro para a berma e saí. Dei logo com o cão estendido no alcatrão. Já não ladrava, nem sequer tinha o focinho franzido. Mas estava de olhos abertos, e respirava. Aproximei-me devagar. Ele olhou para mim, parecendo querer ajuda. Achei estranho, pois se estava assim era por causa da minha travagem. Talvez devesse ladrar-me. E perseguir-me como fazia antes ao político ciclista. Mas não. Queria ajuda. Pedia-a com o olhar.
Agarrei-o junto às patas da frente, para levá-lo para a berma. Enquanto fazia isso, percebi que ele começava a levantar-se, tentando apoiar-se nas quatro patas. Já na berma, pareceu recuperado, mas ainda confuso, sem saber para aonde ir. Olhei para a estrada, num e noutro sentido. Não vinha nada. Então atravessei para o outro lado, batendo com as mãos nas pernas, um pouco acima dos joelhos. O cão percebeu e seguiu-me.
Quando cheguei à estrada secundária, apontei lá bem para o fundo, para onde o político em fuga não era mais do que um pequeno ponto de referência. O cão pareceu entusiasmar-se. Até que começou a correr, de forma atabalhoada. Ao fim de uns vinte ou trinta metros já dava para ver que recuperava o ritmo normal. A pancada não devia ser coisa séria. Até porque ele já ladrava outra vez. Desejei-lhe sorte e fui ver se o carro tinha alguma amolgadela. .
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Em tempo de eleições autárquicas…
Em tempo de eleições autárquicas, vale a pena recordar esta história..
A história das visitas de um político à casa de Francisco Duarte Correia
Estávamos em Dezembro de 1983 quando um discípulo enviado por Deus, ou pelo Diabo, ainda não se sabe bem, chegou a Monchique e iniciou a sua caminhada por montes e vales, percorrendo todos os lugares do concelho, visitando muitos monchiquenses nas suas humildes habitações. Nesta lufa-lufa, chegou a um lugar denominado Penedo, onde moravam três pessoas, o senhor Francisco Duarte Correia, a sua esposa, dona Margarida, e uma menina deficiente chamada Belinha, a filha do casal. (...)
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Ler a história na totalidade aqui.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Políticos
Acontece neste livro..
– Pai, por que é que os políticos são mentirosos?
Antes de tentar responder, corrigiu mentalmente a pergunta do filho:
«Por que é que os políticos são uma cambada de mentirosos?»
E depois começou a ensaiar a resposta.
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Os políticos
Estou a reler um romance de Santiago Gamboa, chamado «A Vida Feliz do Jovem Esteban». A certa altura, fala dos políticos do seu país, a Colômbia, com umas frases que, tirando algumas expressões (o «pó branco», os «dois oceanos»…), me fizeram lembrar um pouco daquilo que por cá temos. Assim…
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E os nossos insignes políticos, os pais da pátria? Aí estão, roubando com todas as mãos, esvaziando os esquálidos cofres do Estado, e aí continuam, ainda hoje, lutando no meio das cinzas, insultando-se para obter uma parte maior desse corpo em que têm cravadas as suas garras; pedaços do mesmo cadáver que mataram a golpes de punhal e que jaz à deriva, entre dois oceanos. A gordura obstruiu-lhes o cérebro e os seus rosados cus gordos já não cabem nas cadeiras que ocupam. Traseiros adiposos que têm o nome de insignes e históricos partidos. Gorduras sustentadas com rios de whisky e secas no pó branco, o mesmo que nos levou à ruína, gastando ao desbarato os dinheiros deste generoso país que cometeu o erro de os parir.
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E os nossos insignes políticos, os pais da pátria? Aí estão, roubando com todas as mãos, esvaziando os esquálidos cofres do Estado, e aí continuam, ainda hoje, lutando no meio das cinzas, insultando-se para obter uma parte maior desse corpo em que têm cravadas as suas garras; pedaços do mesmo cadáver que mataram a golpes de punhal e que jaz à deriva, entre dois oceanos. A gordura obstruiu-lhes o cérebro e os seus rosados cus gordos já não cabem nas cadeiras que ocupam. Traseiros adiposos que têm o nome de insignes e históricos partidos. Gorduras sustentadas com rios de whisky e secas no pó branco, o mesmo que nos levou à ruína, gastando ao desbarato os dinheiros deste generoso país que cometeu o erro de os parir.
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terça-feira, 22 de julho de 2008
Também há políticos notáveis
Ler aqui, Pedro Correia sobre Adolfo Suárez, um político absolutamente notável.
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
A frase da noite
«As trafulhices são muitas e os nossos políticos trafulham muito.»
Henrique Medina Carreira, há momentos, na SIC Notícias
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quarta-feira, 25 de junho de 2008
Mais animais…
Ainda mais um bocadinho do meu livro de histórias «Políticos, Esses Animais».
(…)
Num certo dia europeu sem carros, um responsável público bem colocado – colocado mesmo no sentido de ter sido colocado, entenda-se –, nesse dia, o tal responsável fez o habitual percurso entre a residência e a instituição que superiormente dirigia a pé. Quer dizer, pela opção de não carregar ainda mais nas vírgulas na frase anterior, importa clarificar as coisas, o senhor não dirigia a instituição a pé, embora também não a dirigisse exactamente de pé, pois geralmente até se apresentava um pouco curvado; ainda que, considerando que as grandes decisões vêm sempre de patamares mais arejados do que o seu (seu dele, responsável), não fosse difícil justificar tal deficiência, mesmo sem recorrer a um médico conhecido ou até assíduo frequentador da casa. O que o senhor fez a pé, ou melhor, fez a pé naquele dia europeu sem carros, foi o percurso da residência até ao gabinete. Colaborou, ou melhor, aderiu, sem que isso signifique que foi preciso desdobrar-se (o mais correcto, no caso dele, até seria dizer dobrar-se, coisa que implica menores esforços) em planeamentos, mobilizações e comunicados justificativos.
Bom, o que é certo é que o senhor aderiu ao dia sem carros por essas europas – e por estas do oeste, já agora – e lá se pôs a andar a pé. Aliás, por morar e «trabalhar» em zona interdita a automóveis (não dos oficiais, como o seu, mas usá-lo no referido dia seria provocação a mais para o povo), por causa disso teve mesmo que ser. De nada serviu a vantagem de não morar nos arrabaldes, onde, com dia sem trânsito ou não no centro da cidade, circular seria um teste complicado para o sistema nervoso, e também para o sistema de embraiagem da nova viatura – ainda que com a pertença ao Estado o arranjo só aos respectivos serviços interessasse, e mesmo isso com tendência para desaparecer, com as novas modas de agilização e, sobretudo, «desburrocatrização». E então o senhor bem colocado na hierarquia lá se meteu a fazer o percurso a pé, a palmilhar ruas e avenidas, para cima e para baixo, dado que logo por azar a cidade capital assenta em sete colinas. Às onze da manhã, quase uma hora depois de sair da residência, já transpirava por tudo quanto era poro. Poderia ter usado os transportes públicos – o metropolitano, os autocarros ou algum eléctrico dos dos turistas –, mas e depois, o que é que diriam de um quadro dirigente tão superior, ainda por cima da administração pública, a fazer aquelas figuras? Se fosse um ministro, vá que não vá, o sacrifício seria compensado com as câmaras das televisões a segui-lo por entre apertos, encontrões e amparos de assessores, e com as secretárias sempre atentas para as maquilhações (que não maquinações, que isso é coisa mais para as oposições). Agora ele, apenas dirigente, ou responsável, mesmo que superior, rodeado de povo por todos os lados, e sem ser em época de eleições, aquela em que o apoio a quem o nomeou fica sempre bem e até se recomenda… Fora disso, o mínimo que poderiam dizer era que se tratava de um sacrilégio.
(…)
(…)
Num certo dia europeu sem carros, um responsável público bem colocado – colocado mesmo no sentido de ter sido colocado, entenda-se –, nesse dia, o tal responsável fez o habitual percurso entre a residência e a instituição que superiormente dirigia a pé. Quer dizer, pela opção de não carregar ainda mais nas vírgulas na frase anterior, importa clarificar as coisas, o senhor não dirigia a instituição a pé, embora também não a dirigisse exactamente de pé, pois geralmente até se apresentava um pouco curvado; ainda que, considerando que as grandes decisões vêm sempre de patamares mais arejados do que o seu (seu dele, responsável), não fosse difícil justificar tal deficiência, mesmo sem recorrer a um médico conhecido ou até assíduo frequentador da casa. O que o senhor fez a pé, ou melhor, fez a pé naquele dia europeu sem carros, foi o percurso da residência até ao gabinete. Colaborou, ou melhor, aderiu, sem que isso signifique que foi preciso desdobrar-se (o mais correcto, no caso dele, até seria dizer dobrar-se, coisa que implica menores esforços) em planeamentos, mobilizações e comunicados justificativos.
Bom, o que é certo é que o senhor aderiu ao dia sem carros por essas europas – e por estas do oeste, já agora – e lá se pôs a andar a pé. Aliás, por morar e «trabalhar» em zona interdita a automóveis (não dos oficiais, como o seu, mas usá-lo no referido dia seria provocação a mais para o povo), por causa disso teve mesmo que ser. De nada serviu a vantagem de não morar nos arrabaldes, onde, com dia sem trânsito ou não no centro da cidade, circular seria um teste complicado para o sistema nervoso, e também para o sistema de embraiagem da nova viatura – ainda que com a pertença ao Estado o arranjo só aos respectivos serviços interessasse, e mesmo isso com tendência para desaparecer, com as novas modas de agilização e, sobretudo, «desburrocatrização». E então o senhor bem colocado na hierarquia lá se meteu a fazer o percurso a pé, a palmilhar ruas e avenidas, para cima e para baixo, dado que logo por azar a cidade capital assenta em sete colinas. Às onze da manhã, quase uma hora depois de sair da residência, já transpirava por tudo quanto era poro. Poderia ter usado os transportes públicos – o metropolitano, os autocarros ou algum eléctrico dos dos turistas –, mas e depois, o que é que diriam de um quadro dirigente tão superior, ainda por cima da administração pública, a fazer aquelas figuras? Se fosse um ministro, vá que não vá, o sacrifício seria compensado com as câmaras das televisões a segui-lo por entre apertos, encontrões e amparos de assessores, e com as secretárias sempre atentas para as maquilhações (que não maquinações, que isso é coisa mais para as oposições). Agora ele, apenas dirigente, ou responsável, mesmo que superior, rodeado de povo por todos os lados, e sem ser em época de eleições, aquela em que o apoio a quem o nomeou fica sempre bem e até se recomenda… Fora disso, o mínimo que poderiam dizer era que se tratava de um sacrilégio.
(…)
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terça-feira, 24 de junho de 2008
Esses animais...
Um bocadinho do meu livro de histórias «Políticos, Esses Animais».
(...)
(...)
Uma vez, ainda nos primeiros tempos, fui mais cedo jantar, por isso demorei-me a fazer o percurso pela rua fora. Para minha grande surpresa, mais uma, cruzei-me com um político conhecido, António Guterres. Nessa altura ele não me parecia o tipo sorridente e bem-falante que acabaria por ser depois como primeiro-ministro. O que eu via na televisão, mesmo sendo a televisão de 1986, era um deputado em permanente guerra com tudo e com todos, quase ameaçando cuspir fogo pela boca a cada três palavras. Era a imagem que eu tinha de Guterres e que facilmente teria quem lhe visse as actuações em S. Bento. Nesse fim de tarde, porém, ao cruzar-me com ele, a caminho do jantar na cantina dos gatos, não me pareceu que fosse capaz de lançar chamas a partir das goelas. Caminhava pela rua fora, com passada curta e pachorrenta, provavelmente na direcção da sede do partido. Ia todo metido consigo próprio, com um sorrisinho mal disfarçado por baixo do bigode que ainda teimava em usar. Fiquei um bocado a pensar no que teria dado origem a tão grande metamorfose, mas depois disse para comigo que as coisas eram mesmo assim e apressei o passo em direcção à cantina, não fosse algum dos gatos ficar-me com o jantar.
(...)
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quinta-feira, 6 de março de 2008
Os políticos actuais não vão escrever as memórias
Bem interessante a entrevista dada por Francisco José Viegas ao Tiago Salazar (revista «Magazine Artes» deste mês). «Volto aos exemplos dos políticos. Já reparou como são os seus discursos? Já comparou o grau de instrução efectiva dos políticos portugueses do século XIX com o dos de hoje? Acho que há uma diferença abissal. Esta gente, quando envelhecer, não vai escrever as suas memórias, pela simples razão de que não sabe escrever… Há excepções, que são saborosas, naturalmente, mas a média é muito fraquinha.»
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