A mania de Pedro Passos Coelho querer privatizar a Caixa Geral de Depósitos já chateia. Quer dizer, a mim já me chateia há algum tempo, não é de agora. Um dia entrevistei-o, pouco antes de ele ter ganho as eleições para líder do PSD, e ele foi capa da revista com essa entrevista. Uma conversa muito simpática, e lembro-me do título que pus na entrevista, uma frase dele, «Não podemos deixar enraizar a ideia de que quem faz a marosca é recompensado». Demasiado tarde, já estava bem enraizada… Mas mesmo assim a frase deu em título, e foi para a capa. Lembro-me das perguntas que levava para fazer, mais incómodas, menos incómodas, algumas que nem uma coisa nem outra. Levava também uma da privatização da Caixa Geral de Depósitos, ainda por cima numa altura em que estava bem quente a confusão no sector financeiro. Quando cheguei a essa pergunta, em vez de colocar uma pequena cruz à frente e fazê-la, não, nada disso; fiz um risco por cima e passei à pergunta seguinte. E por momentos, breves momentos, disse para comigo, em pensamento, era só o que faltava numa entrevista minha ter de falar desta porcaria. Passei à parte de José Sócrates e foi aí que arranjei o título.
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terça-feira, 29 de março de 2011
Uma mania
A mania de Pedro Passos Coelho querer privatizar a Caixa Geral de Depósitos já chateia. Quer dizer, a mim já me chateia há algum tempo, não é de agora. Um dia entrevistei-o, pouco antes de ele ter ganho as eleições para líder do PSD, e ele foi capa da revista com essa entrevista. Uma conversa muito simpática, e lembro-me do título que pus na entrevista, uma frase dele, «Não podemos deixar enraizar a ideia de que quem faz a marosca é recompensado». Demasiado tarde, já estava bem enraizada… Mas mesmo assim a frase deu em título, e foi para a capa. Lembro-me das perguntas que levava para fazer, mais incómodas, menos incómodas, algumas que nem uma coisa nem outra. Levava também uma da privatização da Caixa Geral de Depósitos, ainda por cima numa altura em que estava bem quente a confusão no sector financeiro. Quando cheguei a essa pergunta, em vez de colocar uma pequena cruz à frente e fazê-la, não, nada disso; fiz um risco por cima e passei à pergunta seguinte. E por momentos, breves momentos, disse para comigo, em pensamento, era só o que faltava numa entrevista minha ter de falar desta porcaria. Passei à parte de José Sócrates e foi aí que arranjei o título.quinta-feira, 24 de março de 2011
Assustador
Ontem, no parlamento, foi demasiado mau para ser verdade. Sócrates a fugir logo em primeiro lugar e discretamente, as asneiras que foram ditas, o auto-elogio do ministro das Finanças (será que a Faculdade de Economia do Porto o aceita de volta como professor?), a palha dos discursos... Foi mesmo demasiado mau para ser verdade. E, no entanto, foi verdade. Mas o pior de tudo, o que achei tão inesperado quanto assustador, foi o momento em que começou a intervenção do PSD: eu esperava um dos habituais dos últimos tempos, mas de repente vi Manuela Ferreira Leite; péssimas recordações, tremendamente assustador. Se vai ser assim, lá terei novamente de esquecer que os dois cargos políticos que desempenhei foram pelo PSD e votar em branco.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Com ou sem dinheiro
Agora que a tropa que tem governado o país pode estar na iminência de se ir embora, não falta quem acredite que vai substituí-la, e inclusive já há ministros, ou pelo menos diz-se que há. «Ali o senhor engenheiro foi indicado em Belém para ministro das Obras Públicas», dizia-me alguém um destes dias, não sei se a sério se a brincar. Ainda estive para perguntar «Mas que obras?», só que rapidamente achei melhor não alimentar o assunto. Logo se vê se é verdade, quando forem anunciados os nomes do novo governo. Não me admirava nada que fosse, pois o que é certo é que esse engenheiro, na noite das presidenciais, estava muito atento a assistir ao discurso de vitória e de rancor do candidato BPN. E numa das filas de maior visibilidade. Por mim, que vá para ministro à vontade, com ou sem obras para fazer, ou antes, com ou sem dinheiro para pagar as obras, se houver mesmo obras para fazer. Que vá à vontade, e que vão os outros também. Só espero, evidentemente, que depois dos submarinos não se lembrem de comprar naves espaciais. Com ou sem dinheiro para as pagar.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Cada vez mais...
Cada vez mais tem sido assim nos dias de eleições. Impressiona-me a naturalidade com que tantas pessoas votam em corruptos, chulos e aldrabões. Até em verdadeiros canalhas. A mesma naturalidade com que soltam um bocejo, até a mesma naturalidade com que a cada momento respiram, sem darem por isso, simplesmente.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
A questão
A questão que se coloca agora é saber se Cavaco Silva vai levar alguém do BPN para o Conselho de Estado, como não teve vergonha de fazer com Dias Loureiro no mandato anterior. Ou até se opta por algum dos vizinhos da Praia – ou da Aldeia, já nem sei bem – da Coelha. De uma coisa, pelo menos, tenho a certeza: há-de ser tudo gente duplamente honesta, seja lá isso o que for.
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
Política
Continuo convencido de que uma parte bem significativa da nossa política é feita por bandidos.
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sábado, 10 de julho de 2010
sábado, 6 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Cada vez mais...
Cada vez mais me vou convencendo de que boa parte da nossa política é feita por bandidos.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Em tempo de eleições autárquicas…
Em tempo de eleições autárquicas, vale a pena recordar esta história..
A história das visitas de um político à casa de Francisco Duarte Correia
Estávamos em Dezembro de 1983 quando um discípulo enviado por Deus, ou pelo Diabo, ainda não se sabe bem, chegou a Monchique e iniciou a sua caminhada por montes e vales, percorrendo todos os lugares do concelho, visitando muitos monchiquenses nas suas humildes habitações. Nesta lufa-lufa, chegou a um lugar denominado Penedo, onde moravam três pessoas, o senhor Francisco Duarte Correia, a sua esposa, dona Margarida, e uma menina deficiente chamada Belinha, a filha do casal. (...)
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Ler a história na totalidade aqui.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Será que estamos na presença de um potencial Dias Loureiro?
Ouvi e nem queria acreditar. Paulo Rangel, ontem, na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide: «A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política. E essa é a grande lição de 'O Príncipe’.»..
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sábado, 8 de agosto de 2009
Agora escolha
Manuela Ferreira Leite escolheu para as suas listas um homem que foi pronunciado pelos crimes de fraude fiscal e falsificação de documentos ou um homem que foi nomeado relator da comissão para a transposição da directiva europeia de combate ao branqueamento de capitais?
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domingo, 5 de julho de 2009
Maias - 2
Avanço na releitura de «Os Maias». Uma tarde, no Ramalhete, Ega fala do Conde de Gouvarinho…
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– Tem todas as condições para ser ministro: tem voz sonora, leu Maurício Block, está encalacrado, e é um asno!...
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– Tem todas as condições para ser ministro: tem voz sonora, leu Maurício Block, está encalacrado, e é um asno!...
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quinta-feira, 2 de julho de 2009
Sobre touros e ministros
Em tempos escrevi uma crónica inspirada num ministro com nome de futebolista que por cá havia, o Fernando Gomes. Tinha a ver com touros. Estava longe de imaginar que alguns anos depois um outro ministro iria fazer-me lembrar de touros. Deixo a crónica a seguir..
Ministros de morte em Barrancos
Eu vi, mas não vi tudo. Foi num noticiário televisivo das oito da noite, coisa de há uns anos. Lembro-me de que o canal era a TVI e o apresentador um relativamente conhecido mas talvez não o suficiente para se tornar romancista, José Carlos Castro. O que passava era imagens de gente eufórica num cercado de Barrancos. Noutros canais, na volta, a coisa era parecida. A certa altura mostraram um touro, enorme, ainda com alguma altivez, mas já com as forças a fugirem-lhe. Parecia ter a vida presa eu nem conseguia imaginar a quê; talvez a umas gotas de sangue, as que teimavam em não sair pelos buracos que antes lhe tinham feito. O touro fazia um barulho horrível, de arrepiar. De repente, aproximou-se um homem; um cobarde que meia-hora antes o mais certo era estar empoleirado nalgum sítio seguro do cercado. Começou a fazer mais buracos no touro, desta vez na cabeça. Não percebi se o fazia com uma faca se era com um pau afiado, ou um ferro; fosse lá com o que fosse. A multidão estava em delírio. Parecia que tinha saído a lotaria a toda a gente, ou que para todos, de repente, tinham anunciado um subsídio bem nutrido da União Europeia. As imagens tremiam; lembro-me de que pensei que o operador de câmara não estava a gostar do serviço que o tinham mandado fazer. Quem poderia gostar de sair de Lisboa e fazer mais de duzentos quilómetros para se meter em filmagens em pleno inferno?
Mudei de canal antes do final da reportagem, e ainda com o touro a aguentar-se nas patas. Mas com o cobarde cada vez mais atrevido. Quando regressei ao noticiário, uns cinco minutos depois, o cenário era bem diferente. Como se tivessem pensado em amenizar as coisas, tinham metido um ministro. Talvez já pouca gente se lembre dele, pelo menos como ministro; era um dos de António Guterres, com nome de jogador de futebol. Pensei que o assunto era outro, com um ministro em vez de um touro massacrado, mas não, continuava tudo na mesma. Talvez os responsáveis do noticiário tivessem achado que um ministro ficava bem a seguir a um touro de morte – ou a seguir à morte de um touro, para ser exacto. Poderiam assim acabar a reportagem, nem sei se devo usar a expressão, em beleza.
Na altura tinham tomado decisões para Barrancos, para os touros e para as gentes das redondezas. Eu cada vez ligava menos ao caso, porque para mim estava mais do que visto que dali nunca haveria de sair nada de jeito, e por isso fui apanhado de surpresa com a presença do ministro a seguir ao touro e ao cobardolas. O ministro trocou-se todo, falou de multas, de excepções, de valores até oitenta mil contos, de cinquenta mil escudos (estava quase a chegar o euro), de leis e o país isto e mais aquilo. Estava na televisão, afinal, por causa do touro. E eu pensava que era por causa do «Euro 2000», o campeonato da Europa de futebol, que estava para começar e onde ele já tinha feito saber – como outros cromos da governação – que haveria de marcar presença. Era na Bélgica, e também na Holanda, terra conhecida igualmente por Países Baixos, mas baixos só de topografia, porque o adjectivo, com coisas como aquelas do touro no cercado, se calhar justificava-se mais cá para as nossas bandas.
O ministro acabou por sair do noticiário. De repente, como o touro deveria ter saído – só que o ministro saiu vivo, enquanto o touro muito provavelmente morto e já sem uma pinga de sangue, quem sabe arrastado por algum tractor. O apresentador, com um ar de escandalizado que qualquer pessoa abaixo de secretário de Estado haveria de fazer, ou talvez abaixo de chefe de gabinete, o apresentador explicou tudo. Mesmo assim eu não compreendi. O ministro tinha acabado de anunciar que aquelas selvajarias se fossem praticadas em Portugal podiam dar multas até aos oitenta mil contos, exceptuado se acontecessem em Barrancos, onde ficariam só pela «módica quantia» de cinquenta mil escudos. De euros, nessa altura ainda nem sinal.
***
Dias depois, na Holanda, a seguir à vitória da nossa selecção sobre a Inglaterra, o mesmo ministro com nome de jogador de futebol colocou-se à frente dos adeptos que estavam a ser filmados para um canal de televisão que não aquele do touro. Estava todo contente, o ministro, mas quando lhe puseram um barrete quase de campino na cabeça tirou-o logo, e ainda por cima pondo-se com ares de irritação. Onde é que já se tinha visto uma coisa assim, um barrete verde, vermelho e amarelo e com o escudo nacional com as cinco chagas de Cristo numa pessoa de fato e gravata, ainda por cima ministro da nação? Era a pergunta que parecia atravessar-lhe o pensamento.
Quanto a mim, o que me atravessou o pensamento ao ver aquilo foi ainda a diferença das multas para castigar as selvajarias. Mas por quê uma diferença tão disparatada? De cinquenta contos a oitenta mil, se não me falhavam as contas, ainda iam setenta e nove mil e novecentos e cinquenta (contos, que os euros estavam para chegar mas ainda não tinham chegado). Podia dizer-se que dava para comprar duas casas em Lisboa. Ou que dava para os administradores da Lazio de Roma pagarem três semanas do salário de Luís Figo, se o conseguissem contratar – e na altura bem que andavam a tentar.
O que teria Barrancos de tão especial? A cultura? A tradição? Era nisto que eu pensava. E a certa altura lembrei-me… E se o ministro lá fosse, a Barrancos, como tinha ido para as europas, ele mesmo, de fato e gravata e sem barrete com as cores de Portugal? Se fosse ele em pessoa multar os matadores de touros e toda a gente que participava naquelas selvajarias? E se algum mais destrambelhado o levasse para o meio do cercado e depois de umas voltas se lembrasse de afiambrá-lo com uma estocada? Sempre seria coisa, em casos normais, para dar uns vinte anos de prisão, nomeadamente se a estocada fosse fatal. Mas acontecendo a tragédia em Barrancos talvez com dois anos de pena suspensa tudo se resolvesse. «Além do mais», haveria de desculpar-se o artista, «o senhor ministro entrou na festa sem o barrete da selecção.»
.Quanto a mim, o que me atravessou o pensamento ao ver aquilo foi ainda a diferença das multas para castigar as selvajarias. Mas por quê uma diferença tão disparatada? De cinquenta contos a oitenta mil, se não me falhavam as contas, ainda iam setenta e nove mil e novecentos e cinquenta (contos, que os euros estavam para chegar mas ainda não tinham chegado). Podia dizer-se que dava para comprar duas casas em Lisboa. Ou que dava para os administradores da Lazio de Roma pagarem três semanas do salário de Luís Figo, se o conseguissem contratar – e na altura bem que andavam a tentar.
O que teria Barrancos de tão especial? A cultura? A tradição? Era nisto que eu pensava. E a certa altura lembrei-me… E se o ministro lá fosse, a Barrancos, como tinha ido para as europas, ele mesmo, de fato e gravata e sem barrete com as cores de Portugal? Se fosse ele em pessoa multar os matadores de touros e toda a gente que participava naquelas selvajarias? E se algum mais destrambelhado o levasse para o meio do cercado e depois de umas voltas se lembrasse de afiambrá-lo com uma estocada? Sempre seria coisa, em casos normais, para dar uns vinte anos de prisão, nomeadamente se a estocada fosse fatal. Mas acontecendo a tragédia em Barrancos talvez com dois anos de pena suspensa tudo se resolvesse. «Além do mais», haveria de desculpar-se o artista, «o senhor ministro entrou na festa sem o barrete da selecção.»
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terça-feira, 30 de junho de 2009
A lama
Campos e Cunha. É um dos portugueses que ao passar de forma fugaz pela política mais a enlameou. Mesmo assim, parece não ter vergonha de andar por aí a dar opiniões a torto e a direito. Nem faltam jornalistas que parecem não ter vergonha de pedir-lhe que as dê. Há pouco, ao chegar a casa, vi-o numa entrevista na televisão, mais uma, ainda por cima num programa chamado «Diga lá excelência», ou «Diga lá, excelência» (talvez sem a vírgula, para o caso, fique melhor). Curiosamente, é o mesmo programa em que pelos seus tempos infelizes de ministro acabou por fazer esta deplorável figura.
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terça-feira, 5 de maio de 2009
Dali sem bigodes
Os belíssimos textos de Fernando Sobral no «Jornal de Negócios», de 2004 até agora. Edição Bertrand para «Os Anos Sócrates – O Grande Jogo da Política Portuguesa», com prefácio de Marcelo Rebelo de Sousa..
«Salvador Dali era conhecido pela sua modéstia. Que era pouca. José Sócrates muito provavelmente leu as palavras do pintor espanhol: ‘Aos seis anos queria ser cozinheiro. Aos sete queria ser Napoleão. E a minha ambição continuou a crescer ao mesmo ritmo deste então.’ Não se duvida que Sócrates seja o Dali português. Sem os bigodes. O primeiro-ministro quer que cada português tenha um computador, como se isso fosse o seu passaporte para a tecnologia e o tornasse o homem socrático ideal.»
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
Será que os partidos foram contaminados pelo vírus da decência?
Pergunto isto porque agora todos querem ver corrigida a pouca vergonha da nomeação manhosa do tipo de Braga condenado por tentativa de corrupção.
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