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terça-feira, 21 de agosto de 2007

Opiniões de Saldanha Sanches

Foi há cerca de um ano e meio. Uma entrevista de Saldanha Sanches na revista que dirijo («Pessoal»), feita pela jornalista Ana Leonor Martins. Levou o título de «Portugal nos cuidados intensivos» e a leitura era deliciosa. Deixo aqui quatro preciosidades.
»»» Sobre o carro comprado por Santana Lopes quando era presidente da Câmara de Lisboa…
O que acha do caso do carro do ex-presidente da câmara de Lisboa, de mais de cem mil euros, que agora o actual presidente [Carmona Rodrigues] não quer utilizar e que por isso tem de ser vendido em hasta pública? Isto se alguém lhe quiser pegar, obviamente.
Quando ouvi isso pareceu-me um capricho do actual presidente da câmara, de quem não gosto muito. Mas depois de ver nos jornais que era um carro blindado, é de facto no mínimo ridículo. Acho que as hipóteses de o Bin Laden estar interessado no presidente da câmara de Lisboa são remotas. É tão estúpido que o Carmona Rodrigues não tinha grande alternativa. Podia fazer um museu do político estúpido, para funcionar como atracção turística. Colocávamos o carro do Santana Lopes à entrada, com muitas rotundas à volta e com direito a um percurso por Viseu, pelas obras do autarca Fernando Ruas. Seria um museu sobre como gastar estupidamente o dinheiro do contribuinte.
»»» Sobre as confusões do fiscalista com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (a que o colega que me acompanhou na vereação na câmara da minha terra se referia muitas vezes como «o sindicato dos presidentes de câmara»)…
O que aconteceu com as ameaças que teve da Associação Nacional de Municípios Portugueses depois das acusações que fez?
Ameaçaram meter-me um processo, mas esqueceram-se logo a seguir. Eles não gostam nada de tribunais, nem de polícia. Faz-lhes um bocado de impressão. Começam a pensar que também podem ser investigados. Só chama a polícia quem está descansado.

»»» Sobre um pedido de indemnização feito por Pinto da Costa ao Estado…
O que pensa do facto de ainda recentemente o presidente do Futebol Clube do Porto ter pedido uma indemnização de 50 mil euros ao Estado português pelas três horas e cinco minutos em que esteve detido para interrogatório?
Temos que pagar ao homem. Uma pessoa com tão boa reputação ficou agora com a sua imagem enlameada por causa do «Apito Dourado». Ninguém suspeitava de que ele tivesse alguma complicação com a justiça. É lastimável. Mas se as pessoas não se indignam perante o beija-mão do doutor Soares ao major Valentim Loureiro, tudo é possível.
»»» Sobre Campos e Cunha, que protagonizou um dos casos mais baixos e vergonhosos da política portuguesa depois do 25 de Abril…
Como vê a decisão que permitiu a pessoas como Campos e Cunha acumular ao fim de meia dúzia de anos de trabalho uma reforma de alguns milhares de contos?
Isso são coisas muito desagradáveis, em sectores que eram marcados por alguma contenção e ética. Descobriram que havia no Banco de Portugal um fundo de pensões de reforma muito nutrido e alguém um dia passou e resolveu utilizar esse fundo em pensões majestáticas a administradores que estavam lá havia quatro ou cinco anos.
Como é possível ter direito a uma reforma por trabalhar cinco anos?
Eu chamaria a isso um assalto à mão jurídica. É tudo feito de acordo com a lei. Mas é evidente que é um comportamento abusivo.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Um golo de Pinto da Costa marcado com as duas mãos

Esta foto (é de 2006, e é da autoria de Paulo Marcelino) ilustra a notícia do «Correio da manhã» (edição do último domingo, ver aqui) sobre a situação que se vive na câmara municipal da minha terra, Monchique. O presidente (de fato; e também de facto, embora não se saiba por quanto tempo mais) retirou a confiança (seja lá o que isso for), os pelouros e o regime de permanência a um dos seus dois vereadores (de casaco castanho). Como este vereador não renuncia ao cargo, o presidente tem agora consigo apenas um vereador, que também é o vice-presidente. Ou seja, tem dois votos, tantos como a oposição (dois vereadores), ficando o vereador rebelde com o quinto voto. Uma grande diferença para os meus tempos como vereador na câmara (há pouco mais de dois anos), quando as votações costumavam ser da seguinte forma: primeiro eu, depois o meu colega, e depois o presidente dizia qualquer coisa como «pronto, e a gente vota assim»; ele votava por ele próprio e pelos dois vereadores – até à altura em que comecei a insistir para que deixasse os seus vereadores falarem, e então, aos poucos, eles começaram a votar (o que na prática ia dar ao mesmo, porque os três votavam sempre no mesmo sentido). Houve, no entanto, uma excepção; uma vez, e algo que me pareceu estranho… O agora vereador rebelde, numa proposta em que eu e o meu colega votámos a favor (era uma proposta nossa) e em que o presidente e o vice-presidente votaram contra (como sempre), absteve-se. Claro que depois o presidente votou, digamos assim, em duplicado e a proposta não passou; utilizou uma coisa para mim esquisita, que é o «voto de qualidade», para os casos de empate – tipo Porto - 2, Sporting - 2, e então mal acaba o jogo o próprio presidente Pinto da Costa vai a correr ao balneário portista, equipa-se à pressa e entra em campo de azul e branco, ainda com os jogadores presentes e com o árbitro a postos, agarra na bola e vai a correr (o melhor que pode) metê-la na baliza do Sporting, e a assim a equipa dele ganha por 3 - 2, com um golo também «de qualidade».