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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Há 15 anos

Pedro Aquilino chegou a Monchique a meio de uma tarde abafada de Agosto. Nem o calor nem o mau-cheiro do cadáver do elefante, que continuava abandonado à entrada da vila, o fizeram retroceder. E assim foi recebido nos paços do concelho pelo novo presidente da câmara. O antigo, de quem já ninguém se lembrava, resolveu dar sinal de si e voltou a mandar papelinhos por baixo da porta, desta vez com saudações democráticas e algumas sugestões protocolares.
– Ah, têm dois presidentes da câmara! – comentou Pedro Aquilino. – E nem assim arranjaram tempo para mandar enterrar o desgraçado do elefante!

Excerto do livro de contos «Quando o Presidente da República
Visitou Monchique por Mera Curiosidade», publicado em 1996,
faz agora 15 anos
.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Uma crónica

A minha crónica de Março da revista «Magazine Artes». O título genérico da crónica é «Letra Redonda».

O meu primeiro livro
Quase que poderia escrever «há muito, muito tempo». Nessa altura, há muito, mesmo muito tempo, escrevi um livro de contos a que dei um título muito comprido: «Quando o Presidente da República Visitou Monchique por Mera Curiosidade», o título de um dos contos. Guardo recortes de jornais dessa época, e nalguns o livro até aparece nos tops das livrarias, nunca em primeiro lugar, mas em certos casos em segundo, batido se não estou em erro por «O Pesadelo de Obélix» ou pelo «Pequeno Livro de Instruções para a Vida». Podia ser pior…
O tempo passou. Habituei-me a que pouca gente conseguisse dizer o título correcto do livro; geralmente as pessoas começavam por «o dia em que o presidente foi» e a seguir atiravam com os sítios mais diversos: Beja, Santarém, Moura, Silves, Setúbal… Metiam tudo e mais alguma coisa no título, tirando, já se adivinha, a minha terra (Monchique). Isso foi nos primeiros anos. Agora já não acontece muito, porque quando me falam no livro é mais para me dizerem que não o encontram; o meu primeiro livro, «o do título comprido». Às vezes, em sessões de autógrafos, aparecem pessoas com outros livros meus e a perguntarem como poderão arranjar aquele, que não vêem em lado nenhum. Eu aí digo que não posso fazer nada, já que depois de esgotadas as edições que foram feitas só se surgir uma nova oportunidade, porque entretanto eu mudei de editora. E ofertas é coisa que não posso fazer, porque a verdade é que me resta apenas um exemplar de cada uma das edições.
Um dia, nem foi há muito tempo, recebi um comentário no meu blog; era alguém que tinha lido um dos meus livros (o romance «O que Entra nos Livros»). Dizia que o tinha comprado em Lisboa, «na Bulhosa do Campo Grande», isto depois de ter ido procurar a «duas livrarias da Bertrand». E que preferia ter começado por «O Medo Longe de ti», o romance que de certa forma dá origem ao que comprou, só que desse nem sinal nas livrarias. Mas o problema até nem era grave… No comentário estava escrito: «Como faz um brevíssimo resumo desse livro, sempre minimiza o desconhecimento do passado.» E depois, uma pergunta: «A propósito, não estão previstas novas edições dos seus livros?» Neste caso não havia uma referência ao primeiro, mas eu não consegui deixar de pensar nele, enquanto escrevia uma resposta a dizer que de alguns dos títulos por certo haveria livrarias com exemplares. O pior era mesmo em relação àqueles dos meus primeiros anos de escrita, que estavam dados como esgotados, e então no caso do primeiro livro devia ser mesmo impossível.
Eu ia todo lançado a escrever isto quando me lembrei de que a pessoa era do Sporting, como eu (no comentário aparecia também isto: «Estive lá, no meu lugar cativo de sofredor, e tive quase orgulho naquela equipa. Estou de acordo com as suas apreciações. Contudo, julgo que é um pouco injusto para com o Polga.»). Eu tinha escrito no blog, a propósito de um jogo das competições europeias entre o Sporting e uma equipa suíça, que o defesa brasileiro Anderson Polga parecia «mesmo talhado para o desastre». E então fiz um acrescento à resposta, pensando ainda no primeiro livro. Falei de um célebre golo de António Oliveira com a camisola do Sporting, marcado em 1982 ao Dínamo de Zagreb, num jogo da Taça dos Campeões Europeus disputado no antigo Estádio José Alvalade. Oliveira marcou os golos todos do três a zero, depois de uma derrota por um a zero em Zagreb. O golo era o terceiro, com Oliveira a avançar pela direita e depois, em vez de fazer um centro, a atirar a bola de uma forma estranha para a baliza, num remate que parece ter sido feito com a sola. No fim do jogo os jornalistas só lhe faziam perguntas sobre aquele golo, e ele acabou por comentar: «Quem viu, viu; quem não viu, já não vê mais!» Talvez eu possa dizer algo parecido sobre o meu primeiro livro: «Quem leu, leu; quem não leu, já não lê mais!» Mesmo o golo sendo do outro mundo e o livro pertencendo a este em que vivemos.

domingo, 2 de março de 2008

Uff...

Mandaram-me o link de um blog com referências ao meu primeiro livro. Quando vi que o blog se chama «A Senhora Sócrates», lembrei-me logo do outro da licenciatura manhosa e dos projectos de uma pessoa até fugir, e isso deixou-me um bocado, nem sei, talvez apreensivo. Mas não, felizmente o nome do blog tem outras justificações, infinitamente mais meritórias.