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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Os primeiros

Os livros que apanhei ontem na Quetzal, alguns exemplares do meu (dos primeiros que chegaram à editora) e mais uns quantos que valem bem a pena. Pelo caminho, deu para ficar também com um exemplar da nova «LER», ainda antes de ir para as bancas.
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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Autógrafos

Autores da Quetzal na Feira do Livro de Lisboa, aqui. Eu vou na parte final (dia 15 de Maio, entre as 16H30 e as 18H00), quando o novo livro já estiver pronto.
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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Feira do livro

Sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa, Sábado, dia 15 de Maio, entre as 16H30 e as 18H00; do romance «Uma Noite com o Fogo» e do novo livro, «O Sorriso Enigmático do Javali» (que chega às livrarias a 14) - stand da Quetzal.
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sexta-feira, 23 de abril de 2010

A capa

A capa do meu livro «O Sorriso Enigmático do Javali» (ed. Quetzal), nas livrarias a 14 de Maio. Blog do livro aqui.
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sábado, 17 de abril de 2010

«O Sorriso Enigmático do Javali»

O meu livro «O Sorriso Enigmático do Javali» deverá chegar às livrarias a 14 de Maio. A 15, um sábado, deverei estar na Feira do Livro de Lisboa, para autógrafos, no stand da editora, a Quetzal. Tudo ainda sujeito a confirmação. Daqui a uns dias já haverá certezas, e também colocarei aqui a capa. Blog do livro aqui.
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sexta-feira, 19 de março de 2010

Dia do Pai

No Dia do Pai, mais três excertos de «O Sorriso Enigmático do Javali» (depois destes).
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«Escolheram a noite para a viagem, e essa noite acabou por chegar. O pequeno Tuki ia dormir mais tarde. Tinha prometido que aguentaria umas horas além do habitual, e para consegui-lo tinha inclusive dormido a sesta depois de chegar da escola, a meio da tarde. Saíram a seguir ao jantar, em silêncio, como se fossem para uma missão muito importante.»
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«Foi então que parou, decidido a não dar explicações que o mais certo seria originarem perguntas mais difíceis. E quando voltou às palavras foi para falar da borboleta. A que estava ali, na soleira da porta. Falou sem grandes esperanças de que o filho aceitasse ficar sem resposta sobre os políticos e a sua especial característica que os prendia à mentira como um cão feroz, de preferência rafeiro, a uma corrente das fortes. Mas o filho não insistiu em saber dos políticos.
'Essa malandragem’, pensou o pai do pequeno Tuki.»

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«Talvez. Podia ser mesmo uma explicação. O lagarto pareceu sorrir. Foi só nesse momento que o pai do pequeno Tuki reparou nele, agarrado à manga direita da camisa. Nem era agarrado, era preso. Uma camisa inutilizada. Um buraco. A ponta da cauda do lagarto, a ponta da clave de sol cravada na manga, e o lagarto pendurado. Sorria. Parecia um sorriso atrapalhado, embaraçado. Não tinha ar de querer arranjar problemas, mas a verdade é que tinha arranjado. Aquela camisa... Umas dezenas de euros, pensou o pai do pequeno Tuki. Uma camisa quase nova. Lembrou-se de muitos anos antes, de ver nos livros de cowboys do Tex Willer os chapéus inutilizados… Muitas vezes acontecia, uma bala furava o chapéu, num tiroteio, a um dos companheiros do Tex Willer, que tinha o famoso nome de Kit Carson. Costumava acontecer, e ele, sem ligar a que a bala lhe tivesse passado a uns milímetros da cabeça, limitava-se a dizer, em tom de lamento: ‘Um chapéu quase novo...’
Lembrou-se também de outro sorriso, o do javali.»
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terça-feira, 16 de março de 2010

Pai

Na semana do Dia do Pai, três excertos de «O Sorriso Enigmático do Javali».
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«O pai do pequeno Tuki costumava falar de uma mulher a quem chamavam a Perdizinha, uma mulher de tempos já passados. Tratavam-na assim porque era muito baixa, mas sobretudo por andar depressa. Uma mulher desembaraçada e pequenina, um verdadeiro contraste com outra desses tempos, a Pata Larga, forte, alta e sempre a gabar-se de que calçava o quarenta e três. A Pata Larga, tinha-lhe o pai contado, falava como se carregasse na boca dois torrões de terra, um de cada lado, quem sabe se por causa dos equilíbrios, embora ela não precisasse muito de equilíbrios, principalmente por causa dos pés alongados.»
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«O pai do pequeno Tuki estendeu a pá para a zona do grelhador. A motosserra do estômago da gineta parecia que ia explodir a qualquer momento. A pá avançava muito devagar, entre a parede e o corpo da gineta. Era preciso forçar um pouco, mas sem precipitações, com paciência. O tempo parecia não passar. A gineta tinha os olhos de um lado para o outro, como que à procura do melhor sítio para escapar. Agora via-se que ela percebia a urgência de arranjar forças para sair dali. O pequeno Tuki pensou que o pai deveria ter calçado botas de borracha, umas que tinha e que lhe chegavam quase aos joelhos, não fosse a gineta atirar-se-lhe às pernas e dar-lhe alguma dentada. Mas não, as botas não seriam suficientes. A gineta era capaz de dar uns altos enormes, ele já tinha visto ginetas aos saltos no montado. Saltavam muito alto. Talvez o pai devesse ter calçado umas luvas e colocado a máscara de proteger o rosto que usava com a máquina de cortar erva.»
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«A cobra também não se mexia, tirando o nervoso que lhe tinha tomado conta da língua. E o pai do pequeno Tuki naquilo, parado, a pensar, em tantas coisas, mas sem se mexer. Ouvia o filho atrás com o ancinho, de volta das ervas, e nem se conseguia virar para ver se ele estava a uma distância segura da fogueira. Mas também a fogueira já não ardia muito, era uma coisa pequena, à espera de mais ramagem para tomar outras proporções. A ramagem das oliveiras que limparia a seguir. O pai do pequeno Tuki conseguia pensar normalmente, só não se conseguia mexer. Compreendia que por desconhecer se a cobra era venenosa estava a correr riscos ali, tão perto dela. Mas o facto de compreender isso não fazia com que se protegesse. Conseguia até pensar na imagem das cobras a hipnotizarem as presas antes de atacarem, e pensava que isso podia estar a acontecer com ele, aquela cobra a hipnotizá-lo, mas mesmo assim não se mexia. Ou seria ele, inadvertidamente, que estava a hipnotizar a cobra? Ele não se mexia, mas ela, à parte a língua, também não se mexia.»
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Uma bola pequena

«Acabou por descer do escadote, depois de ter deixado a lâmpada na posição inicial. Foi arrumá-lo na arrecadação. E quando saiu é que reparou. Só aí, depois daquela labuta toda. Junto ao tronco de uma oliveira, a que ficava mais perto da porta de casa. Uma bola pequena, talvez do tamanho dos seus dois punhos fechados se os juntasse. Com a luz dava para perceber a cor, cinzento acastanhado. Fez-lhe lembrar uma bola daquelas contra o stress, mas ao mesmo tempo percebeu que isso era só a imagem que tinha, que o contacto com ela seria bem diferente.»
Excerto de «O Sorriso Enigmático do Javali»
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Só um bocadinho, já se vê

As voltas que a vida dá… Este senhor vai cantar no meu próximo livro; mas só um bocadinho.
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Era a voz do cantor, que ouviam no rádio da empregada. A voz que agora soava dentro das flores.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Mais um excerto

Mais um excerto de «O Sorriso Enigmático do Javali».
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O pai do pequeno Tuki estava a pensar nisso, nos anões da escritora espanhola, de repente transformados em gigantes e a terem uns braços capazes de envolver o tronco de uma oliveira que de certeza estava ali havia séculos. Com buracos, fendas, recantos, aquilo nem era bem um tronco, era uma enorme massa de madeira com muitas, muitas histórias, de certeza. Podia dizer isso ao filho, começar a falar do tronco, de coisas a que ele, tronco, talvez tivesse assistido, das pessoas que por perto teriam estado, de quem o teria limpado ao longo dos anos como agora estava a fazer. Ia mesmo falar disso ao filho, que continuava junto da fogueira a puxar o pasto com o ancinho. Ia-lhe dizer, mas algo o impediu de fazê-lo. Não foi uma lembrança, uma coisa diferente em que pensar, talvez em que falar. Não, não foi isso.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um blog para «O Sorriso Enigmático do Javali»

Já foi em Outubro, mas só agora faço a divulgação. Tal como aconteceu na altura em que acabei o meu anterior romance (ver aqui), criei um blog para o novo livro, «O Sorriso Enigmático do Javali». Pode ser consultado aqui. Ainda não tenho informações concretas sobre a publicação.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mais um excerto

Mais um excerto de «O Sorriso Enigmático do Javali».
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Deu um passo para o lado, no exacto momento em que a cobra abandonava a velocidade quase imperceptível para se lançar em direcção ao seu pescoço, num voo que lhe pareceu completamente despropositado. Um pássaro, um gafanhoto, um zangão, qualquer um desses poderia fazer aquilo, mas uma cobra… Não, uma cobra não podia voar para ele assim, não podia atacá-lo como uma vespa, cortando os ares. Mas aquela fazia precisamente isso, aquela tinha dado um tremendo impulso em direcção ao seu pescoço, como se tivesse uma mola no fim do corpo, mesmo na ponta do rabo, capaz de impulsionar um ataque assim. Ou como se tivesse umas asas invisíveis que a fizessem senhora dos ares.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um excerto

Um excerto de «O Sorriso Enigmático do Javali».
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«Como é que um deputado quase sem cabeça não é uma figura pública?», perguntou-se o pai do pequeno Tukie, apenas em pensamento.
A verdade é que nunca o tinha visto. Costumava estar atento ao mundo da política, apesar de o considerar um mundo demasiado sujo, mas nunca tinha visto aquele deputado, que no ecrã da televisão aparecia com muita gente à volta, num alvoroço.
– A criatura não é de cá! – disse o deputado.
O pai do pequeno Tukie pensou que ele se estava a referir a alguma pessoa que não era de Beja, mas passados uns segundos percebeu que não, que ele se estava a referir à lebre que tinha dentro da gaiola. E que quando dizia «não é de cá» queria dizer que não era não apenas de Beja, não apenas do Alentejo, não apenas de Portugal, não apenas da Europa – comunitária ou não –, mas do próprio planeta. A lebre – ou melhor, como dizia o deputado, «a criatura» – não era do planeta Terra. Nem ela nem outras três iguais a ela, que o deputado lamentava terem conseguido fugir.
– Serão apanhadas, é claro! – disse um homem muito gordo, de farda cinzenta.
O deputado virou-se para ele e concordou:
– Exactamente, senhor cabo.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Nas terras do javali

«Sim, via-lhe um sorriso, e por isso chamou a atenção do filho, disse-lhe que se aproximasse, que o seguisse até quase meio metro do javali que dormia de patas para o ar mostrando na barriga o alvoroço que lhe ia lá por dentro, e no focinho simplesmente um sorriso.»
Excerto de «O Sorriso Enigmático do Javali» (terminado esta noite)

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