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domingo, 17 de outubro de 2010

«Escritos & Escritores»

Uma imagem da participação no «Escritos & Escritores», este fim-de-semana, em Avis, no Alto Alentejo. Organização da associação ACA – Amigos do Concelho de Avis. Mais imagens aqui.
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Palavras cruzadas

Palavras cruzadas no blog de «O Sorriso Enigmático do Javali», aqui.
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Em Avis

Este fim-de-semana, em Avis. Participarei na mesa das 17 horas de sábado.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Nobel também chega aos escritores geniais

O Prémio Nobel, finalmente. Notícia boa, que soube ontem em viagem, pelo rádio, num dia triste para mim. Tenho quase todos os livros de Mario Vargas Llosa, embora não tenha lido os mais recentes. A notícia trouxe-me a lembrança de horas e horas de leitura, há dez, quinze, vinte anos, sobretudo de «A Tia Julia e o Escrevedor», dos dois romances onde aparece o polícia Lituma, de «A Cidade e os Cães» ou de «Pantaleão e as Visitadoras». Por vezes, o Nobel também chega aos escritores geniais.
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

As minhas histórias do José Eduardo Agualusa

Hoje é o dia da apresentação em Lisboa do novo romance do José Eduardo Agualusa, «Milagrário Pessoal». Tentarei ir, obviamente, pelo autor e pela ligação que tenho àquilo que escreve. Acompanho a escrita do José Eduardo desde a segunda metade da década de oitenta do século passado, quase vinte e cinco anos. Era os tempos do «DN Jovem», ainda antes de ele conseguir publicar o primeiro livro («A Conjura»). Em 2007 foi o José Eduardo que apresentou o meu romance «O que Entra nos Livros», uma espécie de continuação do livro que mais gostei de escrever, «O Medo Longe de Ti». Foi na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, e a foto é da altura em que o José Eduardo falava, ainda às voltas com o cansaço da viagem que acabava de fazer do Brasil. O meu filho mais velho tinha na altura quase três anos. No final da apresentação, chamou-me de parte e perguntou-me quem era o senhor que tinha ido comigo para a mesa, para falar do livro. Disse-lhe que era o Agualusa. Claro que a seguir veio logo uma pergunta: «Quem é o Agualusa?» Pensei um pouco e acabei por responder que era um senhor que tinha muitas histórias. A partir daí, durante quase um ano, noite após noite, o meu filho pediu-me que lhe contasse uma das histórias do Agualusa. E eu contei. As minhas histórias do José Eduardo Agualusa, uma nova a cada dia, inventada por mim exactamente na altura em que a contava. Talvez umas trezentas histórias, ou mais. Grandes aventuras as dessas noites, à espera que o sono do meu filho chegasse…
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sábado, 25 de setembro de 2010

Personagens de «O Medo Longe de Ti» – 2

Catarina, a rapariga mais bonita do mundo
«Ali estava ele a conferir se tinha todos os estudantes presentes, como se não se visse logo que não, como se não desse para ver que na primeira fila, na nossa, a minha e a da rapariga mais bonita do mundo, faltava gente. Três mesas sem livros nem cadernos, três cadeiras vazias. Alguma coisa se passava.»
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Primeira personagem aqui.

Contos inesquecíveis (5)

«Lá dentro frigiam carne. Ouvia bem o chorriscar da gordura na sertã. Dantes, seria o bastante para lhe correr a baba pelas barbelas abaixo.»
«Nero», de Miguel Torga (do livro «Bichos»)
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Uma personagem

Fugiu-me uma personagem. Por onde andará agora?
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Personagens de «O Medo Longe de Ti» – 1

O jovem escritor
– Sophie, ou a chamada está sob escuta ou então estás a ranger os dentes de raiva!
– Raiva, jovem escritor, eu?! A ranger os dentes, talvez. Mas isso é dos nervos. Estou nervosa, nervosinha como uma raposa da floresta a aproximar-se da cidade em busca de alguma entrada para o novo aviário que agora fizeram junto à ligação com a auto-estrada para Stuttgart...



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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Contos inesquecíveis (4)

«O trabalho de Big Bart consistia em levar a caravana a salvo até ao Oeste, engatar as senhoras todas, matar meia dúzia de homens e depois voltar para trás, para ir buscar outro carregamento.»
«Tira lá os olhos das mamas, ó manjerico!», de Charles Bukowski (do livro «A Sul de Nenhum Norte»)
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Contos inesquecíveis (3)

«Só quando parámos o jipe é que os vi. Estavam ali, à beira da estrada, meio escondidos pelo fragor do crepúsculo – o velho e os seus lagartos. Eram lagartos enormes e tinham o pescoço enrugado como o do velho e os mesmos olhos miúdos e misteriosos.»
«Dos perigos do riso», de José Eduardo Agualusa (do livro «Fronteiras Perdidas»)
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Uma entrevista

Diria que alcançou um estilo literário próprio e facilmente identificável por quem o lê?
Acho que dá para perceber que os meus livros são realmente meus. Não sei. Mas foi uma coisa a que desde o início me habituei, porque logo quando saiu o primeiro livro alguém escreveu num jornal que era mais fácil falsificar um quadro de Dali do que assinar um livro meu com outro nome. Talvez pelo exagero que tinha, a frase acabou por ser citada várias vezes e isso ajudou a que, de vez em quando, eu fosse confrontado com essa história do estilo próprio. Depois há outra coisa, eu entro nalguns dos meus livros. Quem, além de mim, iria colocar-me num livro?

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Toda a entrevista, feita por Lurdes Breda para o site «Livros & Leituras», aqui.
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Contos inesquecíveis (2)

«Um juiz aposentado, que nesse outono se encontrava em tratamento de águas numas termas, frente ao mar, viu passar no horizonte do pôr-do-sol um bando de porcos-voadores. Um juiz no outono é sempre muito prevenido, e se estiver aposentado pior.»
«Ascensão e queda dos porcos-voadores», de José Cardoso Pires (do livro «A República dos Corvos»)
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domingo, 22 de agosto de 2010

Contos inesquecíveis (1)

«A sua única virtude sobrenatural parecia ser a paciência. Sobretudo nos primeiros tempos, quando o espiolhavam as galinhas em busca dos parasitas estelares que proliferavam nas suas asas…»
«Um senhor muito velho com umas asas muito grandes», de Gabriel García Márquez (do livro «A Incrível e Triste História da Cândida Eréndira e da sua Avó Desalmada»
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Por dentro dos livros

Estes bonecos são da série infantil «Super Why!». É uma das muitas que vou acompanhando, por causa dos meus filhos. Pelo que percebi os bonecos entram nos livros para viverem as histórias desses mesmos livros. E para entrarem põem estes fatos quase de super-heróis, e vão nuns aviões pequeninos que voam como abelhas. Nesta imagem estão numa prateleira, prontos para mais uma aventura, num dos livros atrás deles. Basta irem para os aviões, ligarem os motores e acelerarem. Enfim, mais ou menos, pode não ser exactamente como digo, porque não sou grande especialista na série. Nem sei o nome de todos os quatro, apenas do de verde, exactamente o Super Why.
A série, como não podia deixar de ser, faz-me lembrar o meu romance «O que Entra nos Livros» e as diabruras do mágico velhinho pelas estantes de uma livraria de Évora. Deixo um excerto a seguir.
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(…)
O senhor Sapinho Júnior desceu as escadas que davam da casa de habitação para o gabinete. Desceu-as agarrando-se ao corrimão com a mão direita e tocando nalgumas lombadas com a mão esquerda. Não conseguia dormir, como habitualmente, mas para isso tinha uma pilha de livros na mesinha-de-cabeceira. Só que naquela noite – seriam duas da manhã – quis ir buscar algo diferente. Não sabia se teria de chegar à livraria ou se no percurso até lá, pela biblioteca, pelas escadas, pelo gabinete, encontraria algo para ler até que lhe chegasse o sono. Évora dormia, sem que nada naquela altura interrompesse o silêncio; nem um grilo o senhor Sapinho Júnior ouvia. Desceu as escadas com a luz ligada, sempre de olhos nos livros para ver se algum título lhe despertava a atenção; mas nada. Passou pelo gabinete, e mais uma vez nada. Ainda se demorou aí um pouco, pegando nalguns livros, mas não se decidiu por nenhum. Na livraria haveria de ser mais óbvio encontrar leitura que pudesse interessar-lhe, talvez na mesa das novidades. Se calhar ia comprar um livro a si próprio a meio da noite… Agora que pensava nisso, lembrou-se de que provavelmente era ele o melhor cliente da livraria.
Preparou-se para abrir a porta que dava para a livraria. Foi nessa altura que ouviu um pequeno ruído, não muito forte, mas algo que o deixou um pouco inquieto. Teria o gato ficado na livraria? Não, não podia ser. O gato, ele tinha-o visto a dormir na cozinha antes de se ir deitar… O bicho, com as portas fechadas, não tinha por onde passar para a livraria; podia era sair pela janela da cozinha para a noite de cidade, saltando para o telhado do restaurante. O senhor Sapinho Júnior permitia-lhe essas liberdades, pelos telhados de Évora, ao contrário do que acontecia durante o dia, quando o deixava fechado nos pisos superiores do edifício, os de habitação, ou o prendia a uma trela à porta da livraria junto dos escritores de papelão que alguns vendedores das editoras sempre insistiam para que pusesse bem à vista. Nalguns casos não eram os seus preferidos; ele gostaria de ter outros, mas os que os vendedores levavam eram invariavelmente daqueles e por isso o livreiro não se metia com ilusões, nem com devaneios. A livraria era um negócio e se esses escritores tinham direito a reproduções em papelão alguma razão haveria que o justificasse. Tratava-se mesmo de um negócio, apesar de ser também um passatempo que o senhor Sapinho Júnior podia manter sob a cúpula protectora das propriedades que um dos filhos geria; e como negócio tinha de ser encarado assim, seriamente, e gerido de uma forma o mais profissional possível.
O ruído ia-se repetindo, espaçado, sem uma cadência definida. O gato não era, pensou o senhor Sapinho Júnior. Talvez um rato? O livreiro sentiu um arrepio subir-lhe pelo corpo. Um rato era um perigo para a livraria e para a biblioteca. O gato prevenia isso, quando ele o deixava percorrer toda a zona de livros, como se fosse um cão a farejar algum petisco. Um rato… Um autêntico desastre… E se fosse mais do que um? O livreiro estava a perguntar-se isso quando ouviu uma nova sequência de ruídos. Agora tinha a certeza. Pequenos ruídos, fugazes, mas que significavam que algo se passava na livraria. Entrou com muito cuidado, procurando tocar o chão com os pés de uma forma suave. Aproximou-se do interruptor da luz principal; esperou um pouco, sustendo a respiração, e depois fez pressão com o indicador direito, ficando com a livraria bem visível. Não viu nada de estranho, mas de repente, mesmo de repente, deu por um ruído do lado direito, no cimo das estantes, numa das prateleiras altas. O livreiro parecia uma águia, olhava com um olhar firme, para um lado e para outro, com mudanças repentinas. Foi numa dessas mudanças que detectou algo que não percebeu bem o que era, na tal prateleira alta do lado direito; a mesma de onde parecia saírem os ruídos.
(…)
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Uma entrevista

Entrevista sobre o livro «O Sorriso Enigmático do Javali», ao «Jornal de Letras», aqui.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Talvez um golfinho

Já na parte final de uma aventura literária em Vila Real de Santo António acontece isto: «Aproximei-me, ficando mesmo por cima de onde ele estava, talvez um metro acima, a distância para o nível da água. Impressionou-me as fuças bem diferentes das dos humanos actuais, ainda por cima arreganhadas, de dentes cerrados, como se tivesse recebido a morte completamente em fúria. Não percebi onde o tinham atingido, mas na cabeça não parecia ter sido. Estava a olhar para o rosto do romano, sem saber bem o que fazer, quando todo o corpo se afundou. Logo a seguir, dei com muito movimento nas águas, que ficaram vermelhas de sangue. Um peixe, algum peixe dos grandes tinha abocanhado o romano. Pensei nos filmes com tubarões. Pensei também se seria correcto dizer peixe no caso de um tubarão. Na volta nem tinha sido um tubarão. Lembro-me de que pensei também num atum.»
É uma história de romanos, que atacam Vila Real de Santo António numa tarde de Verão, a mesma em que eu participo numa sessão literária num dos espaços culturais da cidade. Agora, vendo esta foto, admito a hipótese de não ter sido um tubarão, nem um atum. Talvez um golfinho.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Personagens

No blog do livro «O Sorriso Enigmático do Javali» (ver aqui), já estão fotos de cinco personagens. Ainda vou colocar mais algumas.
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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Estranhas personagens

(na foto, Roberto Bolaño)
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Um texto que escrevi para a edição de Junho da revista «Ler», para a secção «Listas». Optei por uma pequena lista de personagens que me pareceram muito estranhas.
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Algumas personagens que me surpreenderam
Se um dia, por qualquer razão, eu tivesse de fazer uma entrevista a Dan Brown, pelo menos já sabia por onde começar. Antes do que quer que fosse, do novo livro (se ele tivesse um novo livro), antes eu haveria de lhe perguntar por que é que pôs num romance («Fortaleza Digital») um português, natural de Lisboa, chamado Hulohot. Quer dizer, a pergunta não seria sobre a razão de ter optado por um português, mas sim sobre o facto de este se chamar Hulohot. É uma das personagens mais estranhas que encontrei num livro.
Mercenário de profissão, com 42 anos e muito considerado por uma agência governamental norte-americana, Hulohot (não sei se o nome é tipo Joaquim Hulohot ou se é tipo Hulohot da Silva) tem segundo Brown um único senão, é surdo, o que lhe dificulta as comunicações. Talvez para compensar, vê através de uns óculos cujas lentes são, do lado de dentro, o ecrã do computador que usa adaptado ao peito, sendo que nas pontas dos dedos tem o teclado (que funciona tocando com as pontas umas nas outras). Tudo tecnologia de certeza norte-americana, implantada em mão-de-obra portuguesa. E assim anda este Hulohot pelo livro, sem dizer nada, fazendo até com que o leitor desconfie de que além de surdo é também mudo. Mas não, a certa altura ele fala: «Hola, soy Hulohot!»
Sem ofensa, passo directamente para Roberto Bolaño. Não por causa de uma personagem do genial escritor chileno, mas por causa do próprio Bolaño. Bolaño personagem, isso não pôde deixar de me surpreender. Ele aparece num romance de um dos meus escritores favoritos (Javier Cercas), o inesquecível «Soldados de Salamina». O próprio Cercas entrevista-o nesse romance e ele diz-lhe que tinha já lido dois livros seus, um de contos e um pequeno romance («O Inquilino», de que existe uma edição portuguesa, da ASA). Bolaño acaba por insistir para que voltem a encontrar-se e nesse encontro, durante um almoço, quase que se transforma ele próprio no narrador de «Soldados de Salamina». E acaba por ser a chave para o desfecho do romance.
Outra descoberta aconteceu-me com José Rodrigues dos Santos. Ele tem um romance («A Fórmula de Deus») em que, surpreendentemente, as personagens dizem «uh». O protagonista, Tomás, diz «uh», tal como um iraniano que está feito com a CIA, um físico da Universidade de Coimbra, o pai de Tomás, o «adido cultural» (exactamente assim, entre aspas) da embaixada norte-americana em Lisboa e um coronel do exército iraniano. E tal como a mãe de Tomás, um alto responsável da CIA que umas vezes diz «you’re a fucking genius» e outras «você é um fucking génio», o médico do pai de Tomás, uma aluna da Universidade de Coimbra, a iraniana com quem Tomás se envolve, mais um aluno de Coimbra, um iraniano que faz de motorista e por aí adiante. Três exemplos… O coronel iraniano a certa altura pergunta: «Vai queixar-se a quem? Uh? À sua mãezinha?» Quanto ao responsável da CIA, faz uma espécie de comentário: «Hmm… sensível, uh? Já vi que está apaixonado…» A paixão de Tomás é a iraniana, que diz : «Eu… uh… sou um caso especial.»

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