Mostrar mensagens com a etiqueta José Eduardo Agualusa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Eduardo Agualusa. Mostrar todas as mensagens
sábado, 17 de dezembro de 2011
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Merecer o palco
O lançamento de «Milagrário Pessoal», de José Eduardo Agualusa, na semana passada. Entre trabalhos, passei por lá, no Clube Ferroviário. Sítio magnífico, a ver o Tejo, e muita, muita gente. Acho que me tinham mandado o livro, mas de tarde não o encontrei na pilha da D. Quixote em cima da secretária. Comprei um exemplar e trouxe um autógrafo fantástico. Apesar de tudo o que se tem falado, ainda não conhecia nada do livro, mas os excertos lidos por Fernando Alves – em cima de um palco que partilhou com o autor – deixaram-me impressionado. Textos de uma estranha beleza, leitura a tocar o encantamento. Lembro-me do que pensei na altura, que se alguém merecia um palco eram aqueles dois..
Etiquetas:
José Eduardo Agualusa,
Romance «Milagrário Pessoal»
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
As minhas histórias do José Eduardo Agualusa
Hoje é o dia da apresentação em Lisboa do novo romance do José Eduardo Agualusa, «Milagrário Pessoal». Tentarei ir, obviamente, pelo autor e pela ligação que tenho àquilo que escreve. Acompanho a escrita do José Eduardo desde a segunda metade da década de oitenta do século passado, quase vinte e cinco anos. Era os tempos do «DN Jovem», ainda antes de ele conseguir publicar o primeiro livro («A Conjura»). Em 2007 foi o José Eduardo que apresentou o meu romance «O que Entra nos Livros», uma espécie de continuação do livro que mais gostei de escrever, «O Medo Longe de Ti». Foi na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, e a foto é da altura em que o José Eduardo falava, ainda às voltas com o cansaço da viagem que acabava de fazer do Brasil. O meu filho mais velho tinha na altura quase três anos. No final da apresentação, chamou-me de parte e perguntou-me quem era o senhor que tinha ido comigo para a mesa, para falar do livro. Disse-lhe que era o Agualusa. Claro que a seguir veio logo uma pergunta: «Quem é o Agualusa?» Pensei um pouco e acabei por responder que era um senhor que tinha muitas histórias. A partir daí, durante quase um ano, noite após noite, o meu filho pediu-me que lhe contasse uma das histórias do Agualusa. E eu contei. As minhas histórias do José Eduardo Agualusa, uma nova a cada dia, inventada por mim exactamente na altura em que a contava. Talvez umas trezentas histórias, ou mais. Grandes aventuras as dessas noites, à espera que o sono do meu filho chegasse….
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Angola, por José Eduardo Agualusa
.
«José Eduardo dos Santos decidiu fazer-se eleger pelo parlamento, por mais cinco anos, por mais dez anos, troçando da democracia, por uma razão muito simples: porque pode. Porque já nem sequer precisa de fingir que acredita nas virtudes do sistema democrático. Enquanto Angola der dinheiro a ganhar, aos de fora e aos de dentro, e mais aos de fora [do] que aos de dentro, como sempre aconteceu, ninguém o incomodará. Para isso, para que Angola continue a dar dinheiro, exige-se alguma estabilidade social, sim, mas não democracia. Democracia é um luxo.»
«José Eduardo dos Santos decidiu fazer-se eleger pelo parlamento, por mais cinco anos, por mais dez anos, troçando da democracia, por uma razão muito simples: porque pode. Porque já nem sequer precisa de fingir que acredita nas virtudes do sistema democrático. Enquanto Angola der dinheiro a ganhar, aos de fora e aos de dentro, e mais aos de fora [do] que aos de dentro, como sempre aconteceu, ninguém o incomodará. Para isso, para que Angola continue a dar dinheiro, exige-se alguma estabilidade social, sim, mas não democracia. Democracia é um luxo.»
.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Agualusa, Cristiano Ronaldo
Via blog da revista «Ler»…Crítica de Anderson Tepper ao The Book of Chameleons, de José Eduardo Agualusa (trata-se da tradução de O Vendedor de Passados), na Time Out de Nova Iorque, desta semana:
«How to describe José Eduardo Agualusa, the young, award-winning Angolan author of The Book of Chameleons? An African Kafka? A more tropical Borges? Like the Mozambican writer Mia Couto, he blends elements of Latin American–style magic realism with political satire. He’s a genre-shifter, an iconoclast and one of the most inventive new voices coming from Africa today. Just consider this new novel: Narrated by a gecko, it’s a book of both energetic ideas and thrillerlike drama.
The main character, Félix Ventura, is a man very much in demand with Angola’s newly rich—the various “businessmen, ministers, landowners, diamond smugglers, generals” and others out to take advantage of the boom after decades of civil war. It’s his job to reinvent their personal histories and retouch their brutal pasts in order to brighten their future. His motto is “Give your children a better past,” and his career allows Agualusa to cleverly tease out the themes that drive the book: the elasticity of memory and history, and the power of personal and national identities to become self-perpetuating myths. Angola, “a fantasy country,” reimagines itself daily.
But don’t think for a moment this is an arid, overly cerebral text. The book springs to life in short, eccentric vignettes, mostly told from the ceiling-eye view of Eulalio, a gecko who appears to be the reincarnation of a famous, Borges-like writer. This lizard quietly watches as Felix becomes entangled with his nefarious clients, who include a mysterious photojournalist and a former government Marxist who now lives underground. Not surprisingly, none of them will be able to entirely transform themselves enough to escape the violent secrets of their pasts.»
***
Também o Los Angeles Times destaca o livro de José Eduardo Agualusa:
«This novel is narrated by a gecko, that's to say by a lizard, who also happens to be the reincarnated spirit of Argentine writer Jorge Luis Borges. Well: Some writers like to play for high stakes. From this conceit Agualusa weaves a gorgeous and intricate story about a man who trades in memories, selling people pasts to help reinvent their futures. Set in Angola, the tale darts to and fro with the swiftness of a step over by soccer player Cristiano Ronaldo. There's a murder mystery here, and not only a meditation on the nature of memory. Agualusa's deftness and lightness of touch means we buy into the strange setup with scarcely a blink. He's a young master.»
«This novel is narrated by a gecko, that's to say by a lizard, who also happens to be the reincarnated spirit of Argentine writer Jorge Luis Borges. Well: Some writers like to play for high stakes. From this conceit Agualusa weaves a gorgeous and intricate story about a man who trades in memories, selling people pasts to help reinvent their futures. Set in Angola, the tale darts to and fro with the swiftness of a step over by soccer player Cristiano Ronaldo. There's a murder mystery here, and not only a meditation on the nature of memory. Agualusa's deftness and lightness of touch means we buy into the strange setup with scarcely a blink. He's a young master.»
.
Já agora, sobre o romance eu em tempos escrevi isto.
.
sábado, 1 de março de 2008
Começos prometedores - 12
«Conheci um cágado chamado Leonardo. Tinham-lhe dado aquele nome porque o animal se revelou um admirador apaixonado de Leonard Cohen.»
Início da crónica «As rosas preferem Beethoven», incluída no livro «A Substância do Amor e outras crónicas», de José Eduardo Agualusa (Publicações Dom Quixote, 2000)
Etiquetas:
Crónicas,
José Eduardo Agualusa
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Eu numa história do José Eduardo Agualusa
Esta história já está disponível na Internet, por isso a coloco aqui também. Foi publicada há uns meses pelo José Eduardo Agualusa, na revista do «Público». Dei lá com o meu nome, ou seja, de certa forma posso dizer que eu também entro. Quando o José Eduardo fez a apresentação de um romance meu, acabado de chegar do Brasil (ele, não o romance), eu disse na intervenção que fiz que ele estar ali a apresentar o romance era uma honra tão grande para mim como se de repente tivessem chegado da Colômbia para o fazer ou o nobel Gabriel García Márquez, ou o notável Santiago Gamboa, ou como se numa viagem mais curta, de Espanha, tivesse chegado o fantástico escritor Javier Cercas. Aparecer numa história do José Eduardo Agualusa é quase o mesmo, é como se García Márquez, Gamboa ou Cercas, ou tantos outros escritores de livros para mim inesquecíveis, soubessem que eu existo e me referissem numa história, nem que fosse só a passar numa rua, sem participar em nada, tipo a fazer número. A história do José Eduardo Agualusa chama-se «O meu primeiro livro».***
O meu primeiro livro
José Eduardo Agualusa
Certa ocasião, numa livraria de Lisboa, um poeta postou-se diante de mim e começou a declamar. Fazia-o com ânimo, com ênfase, os puros olhos rasos de água. Julguei reconhecer alguns dos versos; mais do que isso reconheci-me neles enquanto jovem. Eram, talvez, um pouco ingénuos, da forma apaixonada, desastrada, com que eu mesmo fui ingénuo aos vinte anos. Finalmente o poeta sossegou. Puxou de um lenço e secou as lágrimas. Aclarou a voz:
– Lembras-te?
Puxei pela memória, desesperado (tenho má memória). Ia arriscar um nome quando ele prosseguiu:
– Lembras-te?
Puxei pela memória, desesperado (tenho má memória). Ia arriscar um nome quando ele prosseguiu:
– É teu! É um poema teu! Publicaste-o há muitos anos nas páginas do DN Jovem.
A revelação acendeu em mim uma série de imagens. Lembrei-me, claramente, de um grupo de jovens reunidos em torno de uma larga mesa, numa esplanada do Parque Eduardo VII. Voltei a ver o belo sorriso do Manuel Dias, coordenador do suplemento, ao qual devo a publicação do meu primeiro livro, pois foi ele quem entregou o manuscrito ao editor. O DN Jovem foi um espaço importante para mim e para muitas dezenas de outros jovens escritores. Pelas suas páginas passaram nomes como o José Luís Peixoto, Pedro Mexia, José Riço Direitinho, António Manuel Venda, e muitos outros, hoje bastante conhecidos.
– E o Manel? – Perguntei, tentando distraí-lo, fazê-lo esquecer o poema. – Tens sabido do Manel?
O poeta ignorou soberanamente a minha questão.
– Gosto muito daquele teu poema. Não imaginas quanto. Fotocopiei-o, ampliei-o, e tenho-o emoldurado no escritório, pendurado na parede, mesmo diante da minha secretária.
Fiquei sem fala. Ia para agradecer-lhe. Ia para o abraçar. Mas antes que tivesse tempo o poeta disparou, brutal:
– Depois disso nunca mais publicaste nada de jeito!
E foi-se embora, deixando-me ali, atordoado, com meia dúzia de romances e outras tantas colectâneas de contos – vinte anos de trabalho! – que, no entanto, não valem, segundo ele, um único poema escrito no início de tudo.
Lembrei-me deste episódio quando, recentemente, um jornalista me perguntou se voltei a reler o meu primeiro romance e o que acho hoje dele. Respondi-lhe que não, que não o reli porque tenho medo de me envergonhar. O jornalista pensou, e escreveu-o, que receio envergonhar-me com as imperfeições dessa primeira aventura literária. Mas não: receio é envergonhar-me, ao relê-lo, com aquilo que escrevo hoje.
A idade, a experiência, dá-nos um maior domínio das técnicas, uma maior sabedoria, mas desconfio que, com o passar dos anos, se nos vai esmorecendo a paixão. Quanto a mim prefiro a vida, a arder de vida, mesmo com muitos erros, do que uma morta versão da vida, por mais elegante que seja o embrulho. Conta-se que o pintor catalão Jaume Casanovas encontrou um dia numa feira o retrato de uma criada de quarto, e que se deteve, fascinado, a estudá-lo: não obstante certa rudeza havia naquele rosto uma verdade, uma intensidade, que ele procurara anos a fio. Então reparou na assinatura, a um dos cantos, e era a sua. Pintara-a ainda adolescente, e depois esquecera-se dela.
Se não houver emoção pode haver verdade, ou a ilusão da verdade? E o que é a literatura sem a ilusão da verdade? Um bom romance é o que assegura ao leitor, «tudo isto aconteceu», e ele acredita, e se comove – ao menos enquanto o está a ler.
Picasso gostava de dizer que levou a vida inteira para conseguir pintar como uma criança. Foi também ele quem disse, creio, que se leva muito tempo para se ser jovem. Agrada-me esta ideia – e Picasso esforçou-se, com sucesso, para a demonstrar – porque nos devolve a esperança de que é possível recuperar, não a juventude, mas o melhor da juventude: a paixão, certa saudável inconsciência, o olhar inédito sobre as coisas.
– E o Manel? – Perguntei, tentando distraí-lo, fazê-lo esquecer o poema. – Tens sabido do Manel?
O poeta ignorou soberanamente a minha questão.
– Gosto muito daquele teu poema. Não imaginas quanto. Fotocopiei-o, ampliei-o, e tenho-o emoldurado no escritório, pendurado na parede, mesmo diante da minha secretária.
Fiquei sem fala. Ia para agradecer-lhe. Ia para o abraçar. Mas antes que tivesse tempo o poeta disparou, brutal:
– Depois disso nunca mais publicaste nada de jeito!
E foi-se embora, deixando-me ali, atordoado, com meia dúzia de romances e outras tantas colectâneas de contos – vinte anos de trabalho! – que, no entanto, não valem, segundo ele, um único poema escrito no início de tudo.
Lembrei-me deste episódio quando, recentemente, um jornalista me perguntou se voltei a reler o meu primeiro romance e o que acho hoje dele. Respondi-lhe que não, que não o reli porque tenho medo de me envergonhar. O jornalista pensou, e escreveu-o, que receio envergonhar-me com as imperfeições dessa primeira aventura literária. Mas não: receio é envergonhar-me, ao relê-lo, com aquilo que escrevo hoje.
A idade, a experiência, dá-nos um maior domínio das técnicas, uma maior sabedoria, mas desconfio que, com o passar dos anos, se nos vai esmorecendo a paixão. Quanto a mim prefiro a vida, a arder de vida, mesmo com muitos erros, do que uma morta versão da vida, por mais elegante que seja o embrulho. Conta-se que o pintor catalão Jaume Casanovas encontrou um dia numa feira o retrato de uma criada de quarto, e que se deteve, fascinado, a estudá-lo: não obstante certa rudeza havia naquele rosto uma verdade, uma intensidade, que ele procurara anos a fio. Então reparou na assinatura, a um dos cantos, e era a sua. Pintara-a ainda adolescente, e depois esquecera-se dela.
Se não houver emoção pode haver verdade, ou a ilusão da verdade? E o que é a literatura sem a ilusão da verdade? Um bom romance é o que assegura ao leitor, «tudo isto aconteceu», e ele acredita, e se comove – ao menos enquanto o está a ler.
Picasso gostava de dizer que levou a vida inteira para conseguir pintar como uma criança. Foi também ele quem disse, creio, que se leva muito tempo para se ser jovem. Agrada-me esta ideia – e Picasso esforçou-se, com sucesso, para a demonstrar – porque nos devolve a esperança de que é possível recuperar, não a juventude, mas o melhor da juventude: a paixão, certa saudável inconsciência, o olhar inédito sobre as coisas.
Imagem: José Eduardo Agualusa, fotografado por Jordi Burch em Lubango (Angola) – 2005
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Textos sobre livros - 38
«O Ano em que Zumbi Tomou o Rio», de José Eduardo Agualusa (Publicações Dom Quixote; 283 pp.)Zumbi de regresso
Zumbi, o mítico herói do Quilombo de Palmares, regressa para tomar a cidade do Rio de Janeiro. O que é que poderá acontecer?
Na contracapa de «O Ano em que Zumbi Tomou o Rio» (pelo menos a da edição que tenho comigo, a primeira, de 2002) pode ler-se… «Os morros do Rio de Janeiro estão a arder. Aproxima-se o dia em que a guerra descerá sobre os bairros ricos da cidade. Um antigo coronel do Ministério da Segurança de Estado de Angola, que trocou o seu país pelo Brasil, fugindo às armadilhas de um amor feroz e ao tormento da memória, prepara esse dia. Um jornalista mergulha no incêndio dos morros cariocas em busca de respostas a perguntas que poucos se atrevem a colocar. Tudo isto acontece agora./ Zumbi, o mítico herói do Quilombo de Palmares, voltou para tomar o Rio.»
Este romance do escritor angolano José Eduardo Agualusa (n. Huambo, 13 de Dezembro de 1960) resulta de uma antiga ideia do autor, a de fazer uma actualização do mito de Zumbi de Palmares, um negro de origem angolana que no século XVII governou durante muitos anos uma república de homens fugidos à escravatura. Com a intensificação do tráfico negreiro para o Brasil, iniciado no século XVI, era natural que começassem as revoltas e que tendessem a ser organizadas. Arrancados ao seu habitat natural, onde em muitos casos pertenciam às classes dominantes, os negros não aceitavam pacificamente a condição que lhes era imposta pelos portugueses do Brasil. Daí as revoltas e as fugas, até chegar-se à formação dos chamados quilombos, aldeias de negros fugidos das fazendas, onde se organizavam e tentavam viver em liberdade. O mais famoso foi o de Palmares, que resistiu durante cerca de noventa anos aos ataques dos portugueses, caindo apenas em 1694. Zumbi foi o seu membro mais famoso.
A acção de «O Ano em que Zumbi Tomou o Rio», contudo, passa-se na actualidade. Poderá talvez classificar-se como uma alegoria, um relato fantástico a propósito da questão racial, com Angola e Brasil como que misturados. No Rio de Janeiro, nos morros, vai começar a guerra de negros de todas as cores contra a ordem imposta pelos brancos. O militar angolano referido na contracapa chama-se Francisco Palmares. Vende armas, vive num hotel mítico do Rio de Janeiro e planeia a guerra. Além dele, há mais uma personagem central, também um angolano, só que exilado em Portugal, em Lisboa, depois de uma morte simulada, com direito a funeral e tudo. Trata-se de um anão jornalista chamado Euclides e que fará a reportagem dos acontecimentos como correspondente de um jornal português. Acontecimentos que acabam por ser mais do que um conflito entre polícias e bandidos, assumindo contornos marcadamente políticos. E «...nada será como antes. Não há finais felizes, mas há finais que anunciam tempos melhores.»
Zumbi, o mítico herói do Quilombo de Palmares, regressa para tomar a cidade do Rio de Janeiro. O que é que poderá acontecer?
Na contracapa de «O Ano em que Zumbi Tomou o Rio» (pelo menos a da edição que tenho comigo, a primeira, de 2002) pode ler-se… «Os morros do Rio de Janeiro estão a arder. Aproxima-se o dia em que a guerra descerá sobre os bairros ricos da cidade. Um antigo coronel do Ministério da Segurança de Estado de Angola, que trocou o seu país pelo Brasil, fugindo às armadilhas de um amor feroz e ao tormento da memória, prepara esse dia. Um jornalista mergulha no incêndio dos morros cariocas em busca de respostas a perguntas que poucos se atrevem a colocar. Tudo isto acontece agora./ Zumbi, o mítico herói do Quilombo de Palmares, voltou para tomar o Rio.»
Este romance do escritor angolano José Eduardo Agualusa (n. Huambo, 13 de Dezembro de 1960) resulta de uma antiga ideia do autor, a de fazer uma actualização do mito de Zumbi de Palmares, um negro de origem angolana que no século XVII governou durante muitos anos uma república de homens fugidos à escravatura. Com a intensificação do tráfico negreiro para o Brasil, iniciado no século XVI, era natural que começassem as revoltas e que tendessem a ser organizadas. Arrancados ao seu habitat natural, onde em muitos casos pertenciam às classes dominantes, os negros não aceitavam pacificamente a condição que lhes era imposta pelos portugueses do Brasil. Daí as revoltas e as fugas, até chegar-se à formação dos chamados quilombos, aldeias de negros fugidos das fazendas, onde se organizavam e tentavam viver em liberdade. O mais famoso foi o de Palmares, que resistiu durante cerca de noventa anos aos ataques dos portugueses, caindo apenas em 1694. Zumbi foi o seu membro mais famoso.
A acção de «O Ano em que Zumbi Tomou o Rio», contudo, passa-se na actualidade. Poderá talvez classificar-se como uma alegoria, um relato fantástico a propósito da questão racial, com Angola e Brasil como que misturados. No Rio de Janeiro, nos morros, vai começar a guerra de negros de todas as cores contra a ordem imposta pelos brancos. O militar angolano referido na contracapa chama-se Francisco Palmares. Vende armas, vive num hotel mítico do Rio de Janeiro e planeia a guerra. Além dele, há mais uma personagem central, também um angolano, só que exilado em Portugal, em Lisboa, depois de uma morte simulada, com direito a funeral e tudo. Trata-se de um anão jornalista chamado Euclides e que fará a reportagem dos acontecimentos como correspondente de um jornal português. Acontecimentos que acabam por ser mais do que um conflito entre polícias e bandidos, assumindo contornos marcadamente políticos. E «...nada será como antes. Não há finais felizes, mas há finais que anunciam tempos melhores.»
Etiquetas:
José Eduardo Agualusa,
Literatura,
O Ano em que Zumbi Tomou o Rio,
Romance
sábado, 14 de julho de 2007
No próximo dia 25
O convite para a apresentação do meu romance «O que Entra nos Livros», no próximo dia 25. Toda a gente convidada, claro. (clicar na imagem para aumentar)
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Apresentação – «O que Entra nos Livros»
Este é um dos posts de toda a história do blog «Floresta do Sul» que escrevo com mais alegria, e escrevo-o também com um orgulho enorme.A apresentação do meu romance «O que Entra nos Livros» do próximo dia 25 (Lisboa, Casa Fernando Pessoa, Rua Coelho da Rocha, 16, em Campo de Ourique; 21.30) será feita por José Eduardo Agualusa, um escritor por quem tenho uma profunda admiração.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
